Sexta, Abril 11
[estômago]

Presidiários de um lado. Prostitutas do outro. Personagens desses dois universos são figuras fáceis no cinema brasileiro, sempre bastante interessado em explorar histórias de denúncia e de tragédia. Seria normal acreditar que Estômago, que se passa justamente nesse cenário, fosse mais um dos filmes que se alimentam desse cardápio.
Mas o primeiro longa-metragem do diretor Marcos Jorge é uma obra rara no cinema brasileiro. Mesmo situada entre esses dois 'submundos', a história é certeira em fugir de estereótipos tão comuns nesses casos e curiosamente adota um tom leve, quase fabuloso, para contar a história de Raimundo Nonato, nordestino que se mudou para Curitiba para tentar a vida.
O filme tem duas ações que correm ao mesmo tempo: numa, o protagonista começa a trabalhar numa lanchonete e conhece um interesse amoroso. Na outra, ele aparece chegando numa penitenciária para começar a cumprir pena. Durante todo o filme, as tramas seguem paralelamente. O motivo da prisão só ganha forma de imagens nas últimas cenas.
Grande parte dos créditos pelo sucesso do filme deve ir para o baiano João Miguel, um dos maiores atores brasileiros do momento. Ele cria um personagem que, entre o ingênuo e o esperto, ganha uma caracterização cativante, sem nunca cair nos clichês de representação do nordestino simpático. Com o ator, o filme ganha uma leveza que contrasta com a dureza do cenário e que faz o filme render.
Estômago não tem a intenção de pintar um retrato da situação carcerária, embora termine pincelando a questão, nem quer mergulhar no universo de violência do mercado do sexo, mas termina tocando no tema. Para Marcos Jorge, não interessa a denúncia, muito menos a exaltação da marginalidade como em tantos autores brasileiros. O que é importante para ele é contar uma história. Coisa cada vez mais rara no cinema do Brasil.
Estômago 


de Marcos Jorge
Estômago, Brasil, 2007. Roteiro: Lusa Silvestre, Marcos Jorge, Cláudia da Natividade e Fabrizio Donvito; argumento de Silvestre e Marcos Jorge. Fotografia: Toca Seabra. Montagem: Luca Alverdi. Direção de Arte: Jussara Perussolo. Música: Giovanni Venosta. Figurinos: Marisol Grossi. Produção: Cláudia da Natividade, Fabrizio Donvito e Marcos Cohen.
Elenco: João Miguel, Fabiula Nascimento, Babu Santana, Carlo Briani, Zeca Cenovicz, Paulo Miklos, Jean-Pierre Noher, Marco Zenni, Marcel Szymanski, Helder Clayton Silva.
Próximo capítulo: A Família Savage, de Tamara Jenkins.
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Comentários
ele se mudou do nordeste para Curitiba
No mais, adorei o filme. João Miguel ótimo, como sempre.
heheheh
Ok, ok... deixemos de lado a discussão.
Ótimo filme.
90% do filme é filmado em Curitiba, o direitor é Curitibano e vem o povo de São Paulo se vangloriar.
A beleza do filme, além da questão de cinema em si, é justamente sair do circuito medíocre São Paulo/Rio.
Lamentável.
Querido alguém, já mudei a informação. Da próxima vez, assina seu comentário pra não ficar ridídículo. culo. E, tipo assim, eu não sou paulista.
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péssimo 







