Domingo, Março 30
[serras da desordem]

A inocência versus a violência. Serras da Desordem é um filme que lida, quase que com pureza, com a incompatibilidade entre o antigo e o novo, um arriscadíssimo retorno de Andrea Tonacci ao cinema. O longa é um documentário ficcionalizado que tem em seu protagonista adorável sua maior força. Carapirú, ou Awá, é tão apaixonante que vira, de imediato, um herói inquestionável, um mocinho por quem torcer. O personagem é transformado em porta-voz de um universo maculado.
Ainda que haja certo peso nas cores empregadas a essa defesa, o conjunto funciona porque Tonacci soluciona bem a apresentação da história, com cenas atuais, dramatizações com as próprias pessoas que viveram os fatos, e imagens de arquivo para mostrar os contextos.
A montagem tem bons momentos, mas o uso do preto-e-branco é quase esquizofrênico. Mas, e era pra ser diferente em se tratando do autor de Bang Bang? Então, a tomada de partido, a escolha de uma verdade, tudo o que faz de uma obra 'engajada', uma obra inocente no sentido mais primordial do termo, funcionam em prol de um cinema que se assume como político, passional, parcial e, assim, de verdade.
Serras da Desordem 


de Andrea Tonacci
Serras da Desordem, Brasil, 2006. Roteiro: Andrea Tonacci, Sydney Possuelo e Wellington Figueiredo. Fotografia: Aloysio Raulino, Alziro Barbosa e Fernando Coster. Montagem: Cristina Amaral. Direção de Arte: Arnaldo Zidan. Música: Rui Weber. Produção: Andrea Tonacci.
Elenco: Carapirú, Tiramukõn, Camairú, Myhatxiá, Sydney Ferreira Possuelo, Luis Aires do Rego, Estelita Rosalita dos Santos, Wellington Gomes Figueiredo, Talita Rocha.
Próximo capítulo: Estômago, de Marcos Jorge.
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Comentários
Adoro o filme, Rafael. Ele foi considerado, mas não entrou no top 100.
obrigada Ligia
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péssimo 







