Terça, Março 25
[o banheiro do papa]

Estrear na direção de uma longa-metragem pode parecer a extensão natural para quem exerce qualquer outra função num filme. É como ser promovido dentro do emprego. Mas o cinema não tem essa estrutura linear como uma grande empresa. E apesar de muita gente boa já ter provado muito talento no comando de um filme, muita gente com talento nem sempre se dá tão bem assim. Este é o caso de César Charlone, o fotógrafo de Cidade de Deus. Embora a plástica em excesso possa incomodar no seu trabalho, está claro que o homem entende do negócio de segurar uma câmera. Mas sua estréia como cineasta deixou bastante a desejar.
O Banheiro do Papa segue uma linhagem clássica: a pequena e simpática história de moradores de uma cidade interiorana. Funciona muito bem com A Fortuna de Ned ou O Barato de Grace, filmes simples baseados em seu texto e em seus atores/personagens. Mas a co-produção Brasil/Uruguai, apesar de ter um belo pedaço de vida real nas mãos, não mostra muita certeza de que há uma historinha interessante ali. Um problema de roteiro. De saber 'vender' seu peixe. A visita do Papa mexe com todos numa comunidade, que vêem no acontecimento uma maneira de faturar um troquinho e até mudar de vida. Mas onde está a comunidade, se só há atenção para a família protagonista? O que daria molho à trama vira adorno. Azeitona na empada. E só um pedacinho.
Uma outra questão está a espinha dorsal do filme, que termina tratando seu protagonista como um pequeno exemplo de homem íntegro. Até aí, nenhum problema, mas o dilema moral do personagem foi mal construído. Ele somente acontece quando Beto, ator simpático, é pego no flagra: ou seja, até não incomodar, estava tudo bem. O roteiro também não resolve a historinha da filha dele, cujo drama se perde num final família (bonitinho, ok), mas que não avança muito. Quem completa o núcleo principal é o melhor personagem do longa, a esposa, mas ela é tratada com certo descaso e o que poderia ser a maior riqueza do filme não é desenvolvida.
Não se pode dizer que o filme é ruim. O Banheiro do Papa é bem simpatiquinho. Só é mal acabado. Há algumas cenas boas, como a do pote de dinheiro em cima da mesa, mas em compensação existe um momento horroroso, o clipe do desperdício, com imagens no melhor estilo de fotos publicitárias, armadas para funcionar isoladas numa página de revista.
O Banheiro do Papa 

de César Charlone e Enrique Fernández
El Baño del Papa, Uruguai/Brasil/França, 2007. Roteiro: César Charlone e Enrique Fernández. Fotografia: César Charlone. Montagem: Gustavo Giani. Desenho de Produção: Ines Olmedo. Música: Luciano Supervielle e Gabriel Casacuberta. Figurinos: Alejandra Rosasco. Produção: Elena Roux.
Elenco: César Trancoso, Virginia Mendez, Virginia Ruiz, Mario Silva, Henry de Leon, Jose Arce, Nelson Lence, Rosario dos Santos.
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Comentários
na hora q vc tenta rir, vem o filme e te dá uma facada...
O banheiro do Papa é uma obra cinematográfica, feita sem recursos sendo totalmente oposta às grandes produções “Hollywoodianas”, que em sua simplicidade retrata uma realidade quase que mundial: Neste mundo “governado” pela imprensa, a qual infelizmente não retrata a verdade, utilizando-se de artifícios com a mera intenção de vender noticias, faz com que o simples torne-se complexo e o pequeno torne-se gigantesco.
Baseados nas reportagens exageradas, nas informações sem fundamentos da imprensa sensacionalista, os moradores do pequeno vilarejo de Melo, interior do Uruguai, veem na vinda do Papa João Paulo uma chance de melhorar de vida. Homens que desprovidos de sorte ou de senso despejaram suas esperanças em algo tão ínfimo. Tornando-se assim a maior calamidade econômica do vilarejo.
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