Quarta, Março 12
[a morte de george w. bush]

O britânico Gabriel Range resolveu aplacar a fúria de milhares de pessoas ao redor do mundo com um ato de violência. Ele decidiu matar alguém. E essa morte foi, literalmente, cinematográfica. A vítima de Range foi o homem mais poderoso do mundo, que "morre" baleado no filme A Morte de George W. Bush. O longa-metragem venceu o prêmio da crítica no Festival de Cinema de Toronto, no ano passado, e integrou a seleção da 31ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Além da ousadia de "matar" o presidente dos EUA no cinema, Range fez mais: adotou um formato de documentário em que se investiga a autoria e os motivos para o crime.
Em cerca de uma hora e meia, o diretor apresenta depoimentos de personagens fictícios que teriam tido contato com Bush ou que participaram das investigações. Para dar mais realismo a sua história, o cineasta utilizou um vasto material de arquivo com imagens do próprio Bush, numa visita a Chicago, que teria acontecido num fictício 19 de outubro de 2007. A aposta de Range parece arriscada, mas nem é tanto assim. Mesmo que fosse ruim, o que não é o caso, A Morte de George W. Bush já teria interesse garantido porque o cineasta assumiu a condição de vingador de boa parte do planeta, incomodada com a supremacia norte-americana.
No entanto, o filme é bastante eficiente, principalmente por causa da forma como é montado, apresentando os detalhes do caso e levando a sério a morte "de brincadeira" de Bush. Range, embora a ironia esteja presente do começo ao fim, trata os envolvidos com bastante respeito. Embora perca o ritmo perto do final, o filme tem um grande trunfo: sem a falta de classe dos documentários de Michael Moore, o longa sabe se aproveitar de uma certa paranóia justiceira do norte-americano para mostrar erros da polícia e da justiça, o preconceito étnico que domina o país desde o 11 de setembro, além daquele incômodo comportamento de querer ter a palavra final sobre todas as coisas.
A Morte de George W. Bush 


de Gabriel Range
Death of a President, Grã-Bretanha, 2006. Roteiro: Gabriel Range e Simon Finch. Fotografia: Graham Smith. Montagem: Brand Thumim. Desenho de Produção: Gary Baugh. Música: Richard Harvey. Produção: Ed Guiney, Gabriel Range e Simon Finch.
Elenco: Hend Ayoub, Brian Boland, Jay Whiitaker, Robert Mangiardi, Jay Patterson, Michael Reilly Burke.
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