Quinta, Fevereiro 14
[quatro filmes e um só post]
Meu Nome Não é Johnny 
, de Mauro Lima
Com um título desses, só dá pra ir ao cinema com mau humor, mas o filme não é de todo ruim. Bem banalzinho e feito da maneira mais quadrada possível, faz aquela linha criminoso-light-em-busca-de-redenção. Pegou carona no hype de Tropa de Elite - com o qual não tem nenhuma semelhança a não ser tratar de drogas e ter o Rio de Janeiro como cenário - para se vender e fez isso com competência. O que irrita é querer minimizar a história de um megatraficante, transformando-o num pós-adolescente bobão que não sabia o que estava fazendo. Embora com essa concepção rasa de personagem, Selton Mello, quando não está interpretando a si mesmo, está bem – e só. Melhor coisa: as cenas entre os amigos ao longo do filme. Pior: Rodrigo Amarante pagando mico.
A Espiã 


, de Paul Verhoeven
Paul Verhoeven voltou a Holanda para recuperar a forma perdida. E a encontrou não na ousadia que pontuou sua carreira ao longo dos anos. A Espiã é um filme classudo, feito à moda antiga e com uma protagonista hipnótica. Carice van Houten é uma atriz dos anos 50 renascida para o século 21. O diretor acerta a mão para costurar os gêneros, transformando a Segunda Guerra em palco para uma trama de suspense deliciosa e simultaneamente estudando as metamorfoses interiores geradas pelo conflito. O roteiro, que sabe retirar do clássico muita inteligência, cria cenas memoráveis. A melhor delas é a da fuga pós-injeção. Hitchcock ficaria orgulhoso.
Eu Sou a Lenda 

, de Francis Lawrence
Futuro apocalíptico é comigo mesmo. Adoro imaginar como seria a vida na Terra após alguma catástrofe. As lembranças esparsas que eu tenho de A Última Esperança da Terra (1971), com Charlton Heston, inspirado no mesmo livro que baseou Eu Sou a Lenda, são boas, mas o longa de Francis Lawrence me parece mais bem acabado. E não estamos falando de efeitos visuais, mas da concepção geral do filme, que na maior parte de sua duração é um monólogo do Will Smith, ótimo ator, opção bem arriscada para dias em que quanto mais se fala, melhor se parece. Embora haja excessiva virtualidade nos animais, a Nova York abandonada ganhou um desenho impressionante.
O Signo da Cidade 

, de Carlos Alberto Riccelli
Preconceito é a pior coisa que pode existir. Fui ao cinema esperando uma bomba e saí contente com um filme cheio de pequenos defeitos, mas cujas imperfeições ganham charme pela simplicidade. Mais do que declaração de amor a São Paulo, o filme é um beijo no rosto das pessoas que estão perdidas nas esquinas de qualquer grande metrópole. Ainda que falhe em dar maior substância às personagens, há um carinho evidente na criação de cada uma das histórias. É o maior acerto do roteiro de Bruna Lombardi, que nunca será uma boa atriz, mas desperta identificação. Seu 'short cuts' se difere imensamente de filmes recentes onde o entrelaçamento de tramas só se justifica para criar grandes cenas de revelação, geralmente ligadas a uma espécie de maldade invisível nas pessoas. No mundo, na cidade de Bruna, esta maldade existe, pontual, mas ela não é o foco. São Paulo e sua maneira estranha de tratar quem acolhe e o amor que desperta nesses acolhidos é o que está em questão. O amor de Bruna e de Riccelli surge em duas frentes: na história, na delicadeza com que se assume uma certa ingenuidade no tratar. E também na construção, na maneira com que os personagens percorrem as ruas da cidade e nas presenças de atores que iconizaram em algum momento o cinema paulista. E lá estão Eva Wilma, Iara Jamra, Fernando Alves Pinto e Zecarlos Machado. Taí um filme que me ganhou fácil pelo quão carinhoso ele tenta ser. Poesia simples do caderno de escola.
Posts similares:
feliz natal
operação valquíria
perdido numa noite suja
Comentários
Mas é só mais uma opinião. O que vc achou, Chico?
Mas é só mais uma opinião. O que vc achou, Chico?
Catatau, eu gosto do final. É um final típico de filme-catástrofe. Lembra de "Extermínio"?
Eu havia falado sobre 'A Última Esperança da Terra' no texto. Não se trata de um remake, mas de dois filmes baseados num mesmo livro. Sobre as atuações, discordo comopletamente. Will Smith está perfeito no filme.
Da Alice Braga acho que todo mundo está sabendo.
"O Signo da Cidade", apesar de meio pretensioso, até que é interessante. Bons atores, e gosto dos entrelaçamentos (nada de novo).
"O Príncipe"...Um filme que me surpreendeu. A Bruna está deslumbrante, é até pecado...rs
'Meu nome não é Johny' é bom, gostei dele. Mas essa apologia ao tráfico não me agrada. O cara trafica, se diverte, é popular, boa praça e ainda vira o herói da boca assumindo a culpa dos amigos? Fala sério, isso é apologia da grossa. Um absurdo.
Achei um ótimo filme! Fora claro a ótima atuação do Selton Mello, q dispensa qualquer outros comentários. A Cléo Pires até q tava bem nesse filme, mais ela ficar melhor na novelaaa!! /o\
Eu sou a lenda, tbm gostei d+!
Baixei o filmes as cegas, ñ tinha procurado nada sobre ele...e pensei q seria uma bosta..
mais ñ, ele é fantastico! Uma ótima imaginação do roterista e ótima direção!
E claro, o negrutiioo, Will Smith se superando cada vez mais nas autações!!
ps: só assisti esse dos filmes, o signo da cidade me parece besta! mais um dia crio coragem e assito! ?
Este post tem 41 comentários aguardando aprovação...
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







