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Quinta, Fevereiro 14

[cloverfield]

Cloverfield

Cloverfield certamente vai ser lembrado pelo hype. 1) filme de monstro no sentido mais clássico da expressão, tem como seu principal fiador J. J. Abrams, o cultuado criador de Lost; 2) fez um mistério em torno de sua criatura como há tempos não acontecia; 3) tem um formato ‘câmera na mão’ que, junto com o mito gerado pelo suspense pré-filme, rendeu comparações imediatas com a experimentação de A Bruxa de Blair. Será uma maneira equivocada de se lembrar do filme. Cloverfield não é apenas muito bom, mas muito inteligente.

Estamos diante de um filme de monstro, sem dúvida. Não há concessões quanto a isso. Extremamente impiedoso, o longa traz um bicho gigante devastador, que além da força bruta ainda vem com companhia, e solta a criatura diante de uma Nova York sem muita resistência. Há muita competência em se promover suspense, terror, pânico, elementos que fazem de um filme com esta proposta um bom filme. Cloverfield é bastante eficiente nesse aspecto, embora o formato mais, digamos, livre possa provocar reações adversas. Filmes de monstro não são para todos.

Mas este filme está um passo além disso. O foco, embora haja a presença de militares pontuando o longa, não é a capacidade de resistência da cidade. Não interessam as estratégias bélicas, mas sim trajetórias. Especialmente a de um grupo de amigos e de uma câmera digital. E é ela a protagonista do filme, mas não porque dá um formato mais moderninho para Cloverfield. Nesse quesito, a idéia de rodar o filme 100% com uma câmera, adotando literalmente um ponto de vista diante da tragédia, é mais radical do que os planos fixos de Festim Diabólico, por exemplo.

A câmera intencionalmente ou não termina por simbolizar a paixão e a dependência cada vez maior do homem atual pelo registro. A preservação da imagem está presente na abertura e em toda a duração do filme. O personagem do amigo a que é dada a função de gravar depoimentos em uma festa de despedida - e que ganha uma personalidade quase psicótica quando toma para si a missão de registrar o ataque - é a transcrição para a tela de uma sociedade apaixonada pela imagem, pelo explícito e pela invasão da ‘vida real’. E se essa reflexão vem na forma deliciosa de um filme-catástrofe, melhor ainda.

Cloverfield - Monstro Uma estrelaUma estrelaUma estrelaUma estrela
de Matt Reeves
Cloverfield, EUA, 2008. Roteiro: Drew Goddard. Fotografia: Michael Bonvillain. Montagem: Kevin Stitt. Desenho de Produção: Martin Whist. Figurinos: Ellen Mirojnick. Produção: J. J. Abrams e Bryan Burk.

Elenco: Michael Stahl-David, Jessica Lucas, T. J. Miller, Lizzy Kaplan, Mike Vogel, Odette Yustman.

posted by Chico Fireman at 00:59:20 | 16 comentários



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Comentários




Ailton Monteiro · http://cinediario.blogspot.com
Bela defesa do filme.
14.02.08 @ 09:27


Assino embaixo desta crítica. Gostei do filme também e achei divertidíssimo ver as reações adversas que ele provocou no espectadores mais desavisados e "tradicionais".
14.02.08 @ 09:46


Valeu, Ailton. Valeu, Pedro.

Não entendo porque as pessoas que não gostam de filmes do tipo se propõem a ir ao cinema para ver 'Cloverfield'. Quer ver filme quadradinho e babaca? Vai ver 'O Caçador de Pipas'!
14.02.08 @ 09:51


Na sessão em que fui, mta gente saiu reclamando. Devem estar colocando alguma substância emburrecedora nas pipocas dos multiplexes.

Concordo com muito do que vc escreveu, mas acredito que o filme não aprofunde essa proposta inicial.
14.02.08 @ 10:48


Também acho que não aprofunda - e nem deve ser esta a intenção -, mas acho legal e pouco comum lançá-la.
14.02.08 @ 13:06


Milton do Prado · http://olhodehochelaga.zip.net
"Nesse quesito, a idéia de rodar o filme 100% com uma câmera, adotando literalmente um ponto de vista diante da tragédia, é mais radical do que os planos fixos de Festim Diabólico, por exemplo."

Chico, não entendi nada do que tu falou aqui.

Primeiro, porque a proposta de Festim Diabólico não envolve a adoção de nenhum ponto de vista.

Segundo que os planos de Festim Diabólico são tudo, menos fixos.

Terceiro que, mesmo desconsiderando as duas primeiras dúvidas, tu não falou o porque que ele é mais radical do que Festim Diabólico.

Em tempo: não vi Cloverfield ainda.
14.02.08 @ 14:25



Milton, escrevi errado quanto aos planos fixos; quis dizer à proposta de fazer um filme sem cortes. A questão do ponto de vista é só de Cloverfield. Acho que a proposta de Cloverfield de ser um filme rodado sob um ponto de vista, o da câmera de mão, é mais radical do que a proposta de Festim Diabólico de ser um filme sem cortes.
14.02.08 @ 14:32


Diego
Fazia tempo que eu não concordava tanto com você - apesar de, como o Milton, não ter entendido a comparação com Festim Diabólico.

Não é linda a cena da carruagem?
15.02.08 @ 20:46


hey, chico!
acabei de voltar do cinema, fui ver "cloverfield"..so tinha eu na sala! primeira vez que isso me acontece. eh uma experiencia bizarra, mata um pouco a aurea do cinema, a questao da comunhao..enfim...achei ducaralho! mas tb acho que vc deveria ter ido alem no paralelo que traçou entre cloverfield e festim diabolico...abs!
ps:pois eh, diego, a cena eh linda..poderia ter sido esticada um pouquinho mais, em duracao.
18.02.08 @ 20:39


Cláudio
O filme é excelente. Bastante equilibrado na soma dos aspectos. A idéia de 1ª pessoa da a impressão de presença na cena, em uma perspectiva realista. A criatura e seu comportamento da credibilidade ao imaginário. Os efeitos são ótimos, o som igualmente. Como explicar quem critica esse filme? Bom, primeiro muitos esperavam ver um novo Godzila ou Jurassic Park, filme de monstro com heróis e diálogos certinhos e previsíveis com posicionamento de câmera tradicional. Não conseguiram entender, que a intenção era de nos colocar numa situação de surpresa e desespero dentro do filme, e não assimilando isso, passaram o filme todo esperando algo mudar para o “normal”. Outro ponto é o final inesperado, fora do usual, onde não existe situações heróicas ingênuas. A também o aspecto fisiológico, muita gente fica perturbada e sente tontura e enjôo com o movimento constante da câmera. Mas tenha certeza, pode assistir, principalmente no cinema, ate porque tudo leva a crer que vai ter continuação, e como já conhecemos o estilo de JJ Abrams, o segundo filme pode ambientar-se no antes e depois da aparição da criatura.
25.05.08 @ 08:34


Lucas
Podem falar isso ou aquilo....esse filme me rendeu uma enxaqueca de dois dias...e qqualquer filme q assisto e vejo eu mesmo faria o enredo em menos de 10 minutos pensando na trajetoria dos personagens,todas as ladainhas q tentaram empregar nas entrelinhas para prender a atenção (qquer monstro escondido meu filho prende a atenção !!!...até vc ver q ele não leva a nada !!!)etc etc...acho que cineastas com o gabarito dos que estavam envolvidos poderiam ter feito algo menos apelativo e com mais inteligência para tentar passar algo ...eta filme ruim...abrx
23.10.08 @ 11:41


eu
Falou tudo Lucas...
15.11.08 @ 23:39


Ricardo
Po Lucas pq vc nao vira roteirista entao se tu eh tao bom assim a ponto de fazer o enredo dos filmes em 10 minutos sendo q os porfissionais quebram a cabeça fechados numa sala por horas discutindo ideias pra fazer um bom roteiro pra um filme
é claro q muitos deles sao um lixo mermo mas cloverfield foi um filme revolucionario o jj fez um filme de monstro q eh uma ideia nem um poco nova se torna num tipo de filme nunca antes visto e o q ele quis fazer com o filme ele conseguiu q foi uma noçao muito grande de realismo eu mesmo me senti em nova york vendo o filme
23.01.09 @ 12:59


taciana
O filme se prevalece da ideia de ser revolucionario devido a sua forma de filmagem dando mais realismo ao filme(o que e verdade) mais esse fator por vez nao serve nem como uma valvula de escape para um filme que apesar de seus subterfugios nao deixa de ser mais um filme que se esconde atras do rotulo de ``revolucionario´´e `inovador´ para disfarçar seu real status:mais um filme ruim de monstrengo que Aindaaa bem nao e para todos.-_-

Queridos criticos nao vamos esquecer que opinioes devem ser dadas e discutidas mais sempre com educaçao e porque nao como um dose de simpatia e humor vamos deixar de lado as agressoes verbais que fazem com que um simples comentario acabe parecendo uma questao mundial ou muitas vezes um campo de batalha.
23.01.09 @ 17:45


Giorgio
ADOREI Cloverfield. Assisti há alguns dias na TV a Cabo (não pude ir ao cinema na época)e juro que não entendo essa rejeição toda pelo filme. Coisa de gente BEM MAL INFORMADA. Li numa resenha que a linguagem de Cloverfield era do ponto de vista de uma câmera amadora e fui lá esperando isso. E indo mais além: o filme é o que SINAIS e O HOSPEDEIRO deveriam ter sido e não foram.
15.04.09 @ 09:40


Taís
Minha relação de amor e ódio pendeu eternamente pro segundo lao da balança depois dessa sua crítica... Que figura você é, Chico! Ainda é um dos piores filmes que já assisti na minha vida.
04.06.09 @ 18:38


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