Sexta, Fevereiro 1
[juno]

Juno é um daqueles filmes que parecem feitos num molde fácil para longas moderninhos de baixo orçamento. Estão lá: a adolescência como tema, o texto rápido e cheio de piadas, as referências aos quadrinhos e a trilha, lotada de bandas que fazem um roquinho melancólico e sussurrante. A fórmula exata para filme-indie-candidato-a-cult. Para agravar a situação, o longa é assinado por Jason Reitman, o mesmo de Obrigado por Fumar, outro filme que obedece a estas mesmas regras. Como se ainda precisasse mais, Juno foi escrito por uma tal de Diablo Cody, uma ex-stripper que ficou famosa por colocar em livro suas aventuras na vida noturna. Mais cool, impossível.
Essa embalagem e a imagem que ela dá ao filme passam depois dos primeiros minutos de projeção. Embora não fuja dos elementos da fórmula indie mais fácil, Juno vai bem além disso: é um belo filme. A principal culpada por isso é justamente Cody. Seu texto passa por todos os clichês do universo do cinema independente raspando, mas quase sempre sai ileso, apelando para soluções muitas vezes inteligentes e muitas outras encantadoras. O roteiro nunca é simplório em sua invasão do mundo teen e, de certa forma, se assemelha a Paranoid Park, de Gus Van Sant, quando a gravidez (assim como a morte naquele filme) se transforma em mais uma das muitas questões que a protagonista enfrenta.
Diablo Cody sabe dar consistência à falta de maturidade de sua personagem sem julgá-la ou diminuir seus dramas. E isso é muito difícil.
Com um solo tão fértil, o formato padrão para longas do gênero imposto por Jason Reitman não apenas encontra boa base como termina se justificando. Então, os desenhos do começo e a trilhinha bonitinha que embala o longa viram elementos óbvios não porque estão desgastados, mas óbvios porque sem eles Juno não seria o protótipo mais adequado do filme indie. São a moldura ideal. Ou seja, de outra forma, com outra forma, talvez o filme não funcionasse tão bem. Pode-se dizer que este é o indie que deu certo. E isso se deve à coesão que seus autores lhe imprimiram.
Outro grande trunfo do filme é o elenco, uma coleção de interpretações invejável. J.K. Simmons e Allison Janney são coadjuvantes adoráveis, assim como a novata Olívia Thirlby, uma mini-Anne Hathaway. Jennifer Garner e Jason Bateman, simpáticos, são completamente funcionais. A relação entre o personagem de Bateman e a protagonista é um dos maiores acertos do roteiro, facilmente mal interpretada e sempre se refugiando no 'simples'. E este 'simples' termina sendo o menos esperado.
A performance de Ellen Page, reconhecida por todas as partes, é de uma maturidade surpreendente. A atriz brilha praticamente em que aparece na tela e, mesmo quando parece estar à beira do histrionismo (isso só acontece na cena do protesto contra o aborto), ela escolhe outro caminho e se mantém encantadora. Quem merecia ter tido mais atenção é Michael Cera, de Superbad, o nerd mais adorável que o cinema já viu.
Juno 


, de Jason Reitman
Juno, EUA, 2007. Roteiro: Diablo Cody. Fotografia: Eric Steelberg. Montagem: Dana E. Glauberman. Música: Mateo Messina. Desenho de Produção: Steve Saklad. Figurinos: Monique Prudhomme. Produção: Lianne Halfon, John Malkovich, Mason Novick e Russell Smith.
Elenco: Ellen Page, Michael Cera, J.K. Simmons, Allison Janney, Olivia Thirlby, Jennifer Garner, Jason Bateman.
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Comentários
ah, parabens pelo quinto aniversario do blog!!
Putz, Tuma, obrigado. Fui reler, lembrei do filme e me arrepiei.
O filme é muito bom, tem uma forma simples, mas com roteiro muito bom e atores idem, o transfomaram não apenas em um bom filme mas em um filme "explendido", e "Ellen Page", numa atuação luminosa.
Bem completa de uma forma direta!
não menos para um ótimo filme..
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