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Terça, Janeiro 22

[reações ao oscar]

Conduta de Risco

Desejo e Reparação

Juno

Onde os Fracos Não Têm Vez

Sangue Negro

A exclusão de O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias da lista do Oscar de melhor filme em língua estrangeira se deve não a mérito do próprio filme nem à campanha tímida para vender o filme nos Estados Unidos, mas às estúpidas regras em torno desta categoria. Quando é que a Academia vai deixar de comprar indicados oficiais dos governos dos países e deixar que os longas estrangeiros realmente arrisquem sua sorte estreando em solo norte-americano e lá fazendo espectadores? E lá fazendo sua campanha pro Oscar? No dia em que isso acontecer, talvez tenhamos alguma justiça nesse quesito.

A esnobada do Brasil foi feia, mas esnobar Na Natureza Selvagem, filme de Sean Penn, deve ter sido ainda mais desolador. Possível candidato em quase todas as categorias principais, indicado em quase todos os prêmios dos principais sindicatos, o filme tem duas indicações: ator coadjuvante e montagem. No ano das esnobadas, Penn faz companhia a Tim Burton, cujo Sweeney Todd só conseguiu eleger Johnny Depp nas categorias centrais; Sidney Lumet, que teve seu magistral Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto totalmente ignorado; Angelina Jolie, esquecida por O Preço da Coragem, filme que, se não é muito, tem seu melhor desempenho em anos; e até Os Simpsons – o Filme, que falhou na categoria de animação.

Em número de indicações, Onde os Fracos Não Têm Vez, dos irmãos Coen, confirmou sua estranha condição de favorito do ano, com oito, entre elas filme, direção, ator coadjuvante e roteiro adaptado. Mesmo número de citações de Sangue Negro, com a Academia finalmente reconhecendo a existência de Paul Thomas Anderson, cujo filme vai disputar Oscar a Oscar com o dos Coen em vários quesitos. Os dois devem decidir as duas categorias principais. Quem os segue de perto é Desejo e Reparação, com sete, que chegou à lista final na condição de renascido pelo prêmio no Globo de Ouro e as indicações no Bafta, mas sem menção para seu diretor. Conduta de Risco, com uma campanha linear, mereceu sete indicações também.

Na categoria de melhor filme, a surpresa foi a esnobada a Na Natureza Selvagem, mas a campanha de altos e baixos que o filme teve até agora não davam muita certeza de nada. Pela primeira vez em muitos anos, o reconhecido melhor preview desta categoria, o prêmio do Directors Guild of America, falhou feio, antecipando apenas três dos cinco indicados. Não entraram o filme de Penn e O Escafandro e a Borboleta, que também estava bastante cotado, e se contentou com a indicação para o diretor, Julian Schnabel. Em seus lugares, apareceram o resgatado das trevas Desejo e Reparação e Juno.

Este, por sinal, foi a grande surpresa entre os diretores, já que nenhum preview dava conta de sua possibilidade de indicação. O filme de Jason Reitman é o indie mais forte dos últimos tempos, com vagas nas duas principais categorias, em roteiro e entre as atrizes protagonistas. Ellen Page em fase megahit. Entre suas adversárias, as óbvias Julie Christie, Marion Cotillard (as duas favoritas) e Cate Blanchett, duplamente indicada, mas com mais chances de ganhar seu segundo Oscar como coadjuvante em Não Estou Lá. A maior surpresa foi a inclusão de Laura Linney, por The Savages, minha melhor aposta do ano, na vaga que seria de Angelina Jolie.

Blanchett, oscarizada há três anos, tem boas chances como coadjuvante, mas o histórico de atrizes com duas indicações não a favorece. Os casos mais notáveis são os de Sigourney Weaver em 1989 e Julianne Moore em 2003. Em seu favor o fato de interpretar um ícone (Bob Dylan). Contra o fato de ser num filme difícil para a Academia, que pode escolher Amy Ryan, por Medo da Verdade, que já tem muitos prêmios na bagagem e um papel bem oscarizável. A veterana Ruby Dee, de O Gângster, e a adorável novata Saoirse Ronan, de Desejo e Reparação, seriam azarões nesta disputa.

Na área masculina dos coadjuvantes, a lista final era a mais cotada desde que a corrida começou a esquentar. Javier Bardem, de Onde os Fracos Não Têm Vez, e Casey Affleck, por O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, seguem como favoritos, com vantagem para Bardem. No entanto, esta categoria adora dar prêmios pelo conjunto da obra, então eu não descartaria Hal Holbrook e Tom Wilkinson. Philip Seymour Hoffman, que tinha três chances de indicação neste ano, deu a menção solitária a Jogos do Poder, acabando com o frisson recente em torno de Tommy Lee Jones, por Onde os Fracos Não Têm Vez.

Ele, no entanto, foi a maior surpresa do Oscar deste ano, contrariando todos os prognósticos e sendo indicado como melhor ator por No Vale das Sombras, que já parecia ter suas chances na disputa encerradas há mais de um mês. Uma citação justa para uma bela interpretação, embora Susan Sarandon merecesse mais. Quem provou seu carisma nesta categoria foi Johnny Depp, nadando contra a maré e virando finalista pelo esquecido Sweeney Todd. Nada que ameaça o favorito do ano, Daniel Day-Lewis, cuja performance em Sangue Negro deve ser premiada, reparando o erro de 2003, quando o ator perdeu um Oscar certo por Gangues de Nova York.

A lista completa de indicações está aqui.

posted by Chico Fireman at 13:11:43 | 8 comentários



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Comentários




Decepcionante a exclusão de O Ano ... e agora a pergunta inevitável virá à tona: será que se tivessemos escolhido Tropa de Elite seríamos indicados ?
Ao mesmo tempo, é muito bom ter como grandes favoritos ao Oscar filmes de diretores tão pouco "acadêmicos", como os Irmãos Coen e P.T. Anderson ... sei não, por mais que o No Country for Old Men seja o grande favorito, acho que o There Will be Blood pode surpreender nas categorias principais ... e acho que, finalmente, o Day-Lewis leva o Oscar esse ano !
22.01.08 @ 13:40


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Filipe
Wallace, Tropa não teria chegado nem entre os 9.

Chico, confesso que no momento que o nome do Jason Reitman apareceu pensei imeditamente em você.
22.01.08 @ 14:50


O que eu continuo sem entender é o que faz um filme ser indicado a direção, roteiro, montagem e fotografia, e não a filme. Boto a mão no fogo que o filme de Schnabel é muito melhor que o bom novelão de Joe Wright - pelo menos, esse inglês disléxico não foi indicado a direção.

Eu esperava que Max von Sydow fosse a grande surpresa - o que, no ano em que Bergman morreu, o colocaria imediatamente na liderança...

E Zodíaco, onde está? Também dá de dez no novelão.

O filme tem defeitos, mas estou muito feliz com as indicações de Conduta de Risco. Me lembra muita coisa que eu gosto, é sóbrio, discreto, classudo. Queria poder torcer por Clooney - o melhor movie star produzido por Hollywood desde Robert Redford -, que está muito muito bom, mas eu sei que o páreo da categoria já acabou. Quem mandem logo o (provavelmente merecido) Oscar de Daniel Day-Lewis pelo correio.

22.01.08 @ 15:39



Pronto, já retirei as porcarias dos comentários-spam.

Wallace, "Tropa de Elite" nunca seria finalista. Nem pré-finalista. Não faz o gênero de filme que agrada a comissão. Ainda não sei se acho que os Coen ou o PTA são favoritos. Acho que o prêmio principal deve ser de um dos dois, mas não descartaria o "Desejo e Reparação".

Pedro, na verdade não foi tão estranha assim. Talvez por uma indicação ou outra. No bolão que fiz com uns amigos, quase todo mundo fez 4 filmes e diretores.

Filipe, também lembrei de vc. Mas confesse: o Reitman na lista é bem estranho.

Saymon, para ser bem sincero, gosto - e bastante - de "Desejo e Reparação". O primeiro terço é fenomenal. Só acho que o filme não consegue ter um final adaptado adequadamente do livro. O Max Von Sydow poderia até entrar, mas duvido que o Bergman fosse contar muito na disputa. Também adoro "Zodíaco", mas ele não tem mesmo muito "clima" de Academia. "Conduta de Risco" é ok, mas tá muito hypado. Não sei se merecia tanto.









22.01.08 @ 19:17


Diego
Que bonitinho, um lembrando do outro. :)
22.01.08 @ 19:49


Frederico Gorski · http://asterion.rizosfera.net
Em Os Fracos não têm vez, prefiro a atuação do Javier Bardem, que é um belo ator (nos dois sentidos). Não vi os outros filmes, mas merece o Oscar. Quanto ao "Ano..." eu sinceramente não esperava que fosse finalista, embora o filme seja muito bom...
22.01.08 @ 21:49


Não tenho nada a reclamar do Oscar esse ano. Foi justo. Foi Pulverizado. Contemplou todo o universo gigantesco de excelene filmes elegíveis. Não estou triste por O ANO. Sinto uma certa conspiração de bastidores para premiar Wadja.
23.01.08 @ 12:21


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