Domingo, Janeiro 20
[o caçador de pipas]

A últim lágrima do Talibã
Estava olhando a lista dos livros de ficção mais vendidos no Brasil. Dois dos três primeiros lugares vêm da mais nova moda literária no Brasil (no mundo também?): obras de autores árabes (ou afins) com histórias de sofrimento e superação. Nesta fornada, o trono é de O Caçador de Pipas, de Khaled Hosseini, mais de cem semanas na lista, livro que nunca vou ler, que virou filme que vi e que devo esquecer rapidamente.
O diretor Marc Foster definitivamente não mora no meu coração. De sua filmografia, só consegui gostar de A Última Ceia, performance brilhante de Halle Berry - mas a cada novo filme que vejo do cineasta, minha vontade de revê-lo para ter certeza do que penso sobre ele aumenta. De resto, acho que 'esquemática' é a melhor palavra para definir sua obra, seja pelo choroso Em Busca da Terra do Nunca ou no caso do moderninho Mais Estranho que a Ficção.
Nas suas mãos, a adaptação de O Caçador de Pipas parece ter encontrado um fiel intérprete porque a história que ganhou as telas é cheia de artifícios e de programações. Apresenta a amizade perfeita para, em seguida, mostrar os defeitos (imensos) do protagonista. Num segundo momento, busca redenção e resolve tudo com assepsia. Uma boa ação apaga todas as faltas, devidamente soterradas pelo tempo e que só voltam à tona por acaso. Fácil, né?
Sob a égide do subliminar, como se houvesse algum trabalho de aplicar camadas ao texto, lições de moral são espalhadas ao longo da narrativa. Uma, duas, várias vezes. Tudo muito calculado para entrar no lugar pensado, geralmente pouco antes das faltas. Tudo muito evidente, encaixado sem muito refinamento. Mas o que mais impressiona é como um filme com tanto material para fazer o espectador sucumbir às emoções mais rasteiras consegue ser tão frio e distante.
O Caçador de Pipas só envolve até a segunda página. Melhor. Com tantos personagens lineares, heróis inatingíveis, vilões implacáveis, um filme assim - e que ainda se aproveita da história recente e desgraçada do Afeganistão - não ser competente nem no básico, a coopção, é um alívio.
O Caçador de Pipas
, de Marc Foster
The Kite Runner, EUA, 2007. Roteiro: David Benioff. Fotografia: Roberto Schaefer. Montagem: Matt Chesse. Música: Alberto Iglesias. Desenho de Produção: Carlos Conti. Figurinos: Frank L. Fleming.
Elenco: Zekeria Ebrahimi, Khalid Abdalla, Ahmad Khan Mahmidzada, Atossa Leoni, Shaun Toub, Homayoun Ershadi.
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Comentários
Quer dizer que você também achou o filme cansativo?
Um livro forte, que te faz perceber algumas coisas mesmo que você não queira... as vezes crescer doi...
O filme ainda não assisti, mas o livro é perfeito, e o livro sempre é melhor que o filme...
perfeito!
Resumidamente, acho q o filme deixou a desejar, pois partes importantes do relato escrito foram ignorados, deixando as pessoas que não o leram, sem entender algumas partes.
Recomendo a leitura do livro.
=D
2. Histórias sem sofrimento e sem superação não deveriam ser contadas, leitores de romance querem emoção e não relatos técnicos, porque aí não leriam romances, leriam manuais e biografias...
3. Quem é o herói inatingível da história na sua opinião? Aposto que é o Hassan, mas convenhamos, não tem sensibilidade pra romance, vai ler outra coisa. Como romance, O Caçador de Pipas é perfeito. Não tente colher mação em uma laranjeira por favor!
Para contraponto, PRISIONEIRA EM TEERÃ, de MARINA NEMAT. Um outro enfoque.
Saudações,
Celso R
O livro foi uma péssima leitura e nunca me passou pela cabeça assistir o filme.
Mas o pior do filme não é a história em sim, mas a filmagem. Parece filme feito pra TV. A imagem é estranha. Deve ser por isso que ele agradou a poucos.
Estamos acostumados às imagens de superproduções, hollywoodianas, efeitos sonoros poderosos. Um filme fora desses moldes muitas vezes choca.
E para que mais? É tudo lindo, é o que precisamos depois de uma longa semana de trabalho: um roteiro simples, o clássico bem x mal que nos permite ir ao banheiro quantas vezes quiser, falar no celular e mastigar pipoca bem alto, embrulhado num lindo papel árabe e enlaçado por uma fita rosada de catarse. Como não sair satisfeito do cinema? O filme é perfeito!.... Digo, é quase perfeito... pois tem um único e grave defeito, que é nada mais nada menos que o livro. O livro estraga o filme, completamente. O livro é mais detalhado, mais cuidadoso, o embrulho do livro é mais colorido, o seu laço é mais bonito e o seu interior... bem, o seu interior é o mesmo, mas quem se importa?
Então..depois de ver o filme, e sinceramente não entender como certas coisas aconteceram no filme, uma vez que o mesmo não explica muito..li o livro, que pra minha surpresa é mil vezes melhor que o filme, por justamente ser mais detalhista, qtos aos costumes locais.
Quanto aos críticos, eu acho muito engraçado o fato de tudo aquilo que eles não gostam, se tornam estrondoso sucesso.
Mas Chico, concordo que o filme não é muito bom. Algo me pareceu fora de lugar neste filme. Não sei, acho que faltou alguma coisa que o tornasse melhor. Ficou sem alma.
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péssimo 







