Terça, Outubro 23
[mostra sp: dia 3]

Império dos Sonhos 


, de David Lynch
Hula Girls 
, de Lee Sang-il
Entrevista 
, de Steve Buscemi
À Prova de Morte 


, de Quentin Tarantino
Eu sentei ao lado de uma mulher que queria muito entender todos os signos de David Lynch. Esse é um dos piores tipos de pessoa. Por mais que seja interessante investigar todas as pistas oferecidas pelo cineasta, seu cinema é muito mais objeto de fruição do que uma historinha de suspense. O que conta é a experiência. O maravilhoso nisso tudo é como Lynch usa o cinema que faz para explorar as possibilidades que o cinema nos dá: câmera, montagem, música, disposição de atores. Império dos Sonhos parece ser um compêndio de sua carreira e uma visão particular de Lynch sobre uma Hollywood sombria, é arquitetado como um pesadelo gigante em que Laura Dern transita entre o real perturbado e o onírico indecifrável. Agora, por que diabos não traduziram o polonês?
Hula Girls, que representou o Japão na corrida por uma vaga ao Oscar no ano passado, é um filme repleto dos velhos clichês de filmes de dança. A fórmula batida, no entanto, dá certo até bem perto do final, quando o filme meio chatinho. Mas, mesmo nas cenas com mais chavões, o carisma das atrizes, sobretudo da pequena protagonistas e da atriz que interpreta a professora, fazem com que o filme funcione. Não é grande coisa, mas é bem fofinho.
A nova incursão de Steve Buscemi na direção tem um texto inteligente e uma performance espertíssima de Sienna Miller, mas é pouco cinematográfica. Durante a maior parte de Entrevista, só há os dois em cena num cenário único. A circulação dos atores pelo apartamento parece o trânsito de uma dupla por vários cenários num palco. Fica a sensação de que, por mais que o longa-metragem mostre filmadoras ao longo de sua duração, elas só estão lá para despistar o espectador.
À Prova de Morte é o filme menos pretensioso de Quentin Tarantino. As cenas em que o diretor exibe sua imensa lista de referências são poucos. De uma maneira geral, o filme é um imenso girl talk, contornado por cenas de ação espetaculares. Como Tarantino é um escritor de diálogos de primeira, isso é o suficiente para termos um bom filme. Mas temos mais. À primeira leitura é fácil chamar o longa de misógino, mas isso se anula totalmente na segunda parte, especialmente no final. Assim como antes aconteceu com John Travolta e Pam Grier, Kurt Russell está no melhor papel de sua carreira, numa performance impressionante. Os finais das duas metades de À Prova de Morte, homenagem aos filmes de velocidade, são deliciosos.
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