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Sexta, Novembro 2

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Desejo e Reparação

Nome Próprio Estrelinha, de Murilo Salles
Desejo e Reparação EstrelinhaEstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de Joe Wright
Caótica Ana EstrelinhaEstrelinha, de Julio Medem
En la Ciudad de Sylvia EstrelinhaEstrelinhaEstrelinha, de José Luis Guerín
O Amor Pulsa Mais Rápido que o Sangue bola, de Hideki Kitagawa

O melhor de Nome Próprio é Leandra Leal. Pensando bem, a única coisa boa do filme é Leandra Leal. Mas nem a interpretação da moça – atriz que é atriz faz bonito mesmo com personagem ruim – salva o longa de Murilo Salles. O texto incomoda por ser tão fraquinho e recorrer, circularmente, ao maneirismo ‘moderninho’ de falar um monte de palavrões, abusar das frases feitas (abusa mesmo) e, sob o pretexto de não ter pudores, banalizar qualquer citação a sexo. E são tantas...

Desejo e Reparação correspondeu às expectativas e trouxe mais uma adaptação impressionante de Joe Wright. Embora eu ainda não esteja certo sobre se o final me parece um truque do autor do livro ou uma grande sacada narrativa, todo o texto é excepcional. Eu nunca li o material original para fazer a comparação, mas as soluções encontradas pelo diretor para traduzir os vários paralelos da história me parecem perfeitas – e difíceis de se conseguir. Há alguns momentos maravilhosos, sobretudo na primeira hora de filme. Momentos garantidos não apenas pelo roteiro (exímio em administrar a tensão da trama), mas por como o cineasta move sua câmera, usa a excelente música e monta as cenas. Além do mais, Wright é um diretor de atores excelente. Neste filme, há pelo menos duas interpretações brilhantes: a mocinha Saoirse Ronan – o futuro, meus amigos -, e James McAvoy, emocionante, um dos melhores atores do ano.

O novo filme de Julio Medem, dos ótimos Os Amantes do Círculo Polar e Lucía e o Sexo, é uma decepção. Caótica Ana tem algumas idéias interessantes, mas se perde na falta de foco da protagonista. A estrutura atira para todos os lados, mas nada se firma e o filme ganha uma anarquia insossa. A última seqüência estraga bastante o resultado.

En la Ciudad de Sylvia ganhou muitos fãs na Mostra, mas eu não sou um dos mais entusiasmados, embora haja uma porção de coisas a elogiar. O filme é uma busca quase silenciosa pela mulher perdida. Um fantasma que se perdeu nas ruas, nos trens e nos rostos de Estrasburgo. A procura é o filme e para o diretor ela acontece tanto num plano tátil quanto num outro, intangível. O diretor José Luis Guerín tem um grande senso de tempo e espaço, traduzindo a espera do protagonista em quadros parados e multiplicando o volume do som das ruas. O mergulho é profundo, mas tem momentos tediosos.

O Amor Pulsa Mais Rápido que o Sangue é mais uma bola fora do novo cinema japonês. O sushi estragado que Hideki Kitagawa comeu gerou um filme que tenta se mostrar urgente pelas imagens grotescas e pelo texto pseudo alguma coisa. Há algumas soluções visuais bonitas, mas são poucas e pontuais, como as mãos que surgem para o abraço. Os dez minutos de chupa chupa no final são de chorar de rir - ou de pena.

posted by Chico Fireman at 03:06:04 | 6 comentários



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Comentários




O livro é sensacional, e chega a doer ver esse trailer tentando transformar uma história de impossível redenção em uma historinha de amor impossível... Mesmo assim, parece que não é só isso, né? e que saiu até bem feito... De qualquer jeito, como amante do livro, apostaria num tom cerebral e seco - é como se fosse As Horas fosse bom, sem a música, sabe? Deveria ser narrativamente elaborado, mas sem perder nunca o ceticismo, num estilo parecido com o de Joseph Losey, em Estranho Acidente, por exemplo. Soa pesado e pedante, mas a última coisa que esse livro merecia era working title. Mas deixa eu me conformar, pode ser um working title bom.
Sobre os truques, curioso para ver como funciona no cinema. Já estavam todos no livro (vc lê com o som de máquina de escrever na cabeça, perfeito), e tem uma hora genial onde uma personagem segue outra na rua e se divide em duas, uma real, outra fictícia. É tão perfeito, tão elaborado, e tão impactante quando a gente percebe o truque - não apenas um truque, mas uma metalinguagem infernal e emocionalmente impactante - que só quero ver como vai ficar na tela.

(adoro a idéia de sushi estragado)
03.11.07 @ 04:44



Olha, eu gosto da trilha de "As Horas" e de quase tudo do Philip Glass.

Sobre o "Atonement", pelo que eu vi e pelo que me falaram do livro, acho que ele é bastante fiel e bastante eficaz. A máquina está presente no filme inteiro, mas não lembro da cena que vc citou. O clima do filme é genial. Eu gostei muito.
03.11.07 @ 06:24


É a cena antes do pedido de desculpa... (Tirando o gostar ou não de Glass, seria aquele clima de filme literário e complicado, como As Horas, sem buscar a "intensidade" de Glass. Seria As Horas quieto - e de preferência, melhor escrito e atuado. Enfim, isso no meu mundo ideal, hehehe).

Mas quero ver o filme, mesmo. Eu gostei de Orgulho e Preconceito, mesmo que os puristas tenham toda razão. Mas eu acho que não há purismo que resista a um filme bom, então...

Eu gostei muito do McAvoy em Último Rei da Escócia, e essa garotinha tava muito bem nesse filme com Michelle Pfeiffer, Nunca é Tarde Para Amar.
03.11.07 @ 12:09


Tava navegando nos trailers no site da Apple, vi o nome desse. O que mais me espanta é que deixou de ser a história da garota, e virou a história dos amantes... Mas, enfim, bem épico, bem caro.
03.11.07 @ 13:31


Tiago
Na sessão em que vi, a cena do chupa-chupa espantou umas 20 pessoas da sala.
03.11.07 @ 18:54


Chico, sobre o Desejo e Reparação, eu acho que as três atrizes que fazem a escritora, estão muito bem. Me causa a sensação de que tanto a Saoirse Ronan quanto a Ramola Garai brilharam nas suas participações. Mas o final com a Redgrave, aproveitando todo o material das duas vai além do cabelo igual. Arrepiei. E tem uma das imagens mais fortes que vi esse ano, que é aquele parque destruído com aquela roda gigante imensa mergulhada nas nuvens de fumaça. A campanha da Kiera é grande, eu particularmente fiquei esperando ela acontecer. Não faz nem a metade do que fez em Orgulho e Preconceito, qu eu amo. E em relação ao Macavoy, ele é meu e ninguém tasca. Fantástico. Que e-mail foi aquele que recebi da Liga, faltam 5?
03.11.07 @ 19:39


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