Sexta, Novembro 2
[mostra sp: dia 14]

Nome Próprio
, de Murilo Salles
Desejo e Reparação 


, de Joe Wright
Caótica Ana 
, de Julio Medem
En la Ciudad de Sylvia 

, de José Luis Guerín
O Amor Pulsa Mais Rápido que o Sangue
, de Hideki Kitagawa
O melhor de Nome Próprio é Leandra Leal. Pensando bem, a única coisa boa do filme é Leandra Leal. Mas nem a interpretação da moça – atriz que é atriz faz bonito mesmo com personagem ruim – salva o longa de Murilo Salles. O texto incomoda por ser tão fraquinho e recorrer, circularmente, ao maneirismo ‘moderninho’ de falar um monte de palavrões, abusar das frases feitas (abusa mesmo) e, sob o pretexto de não ter pudores, banalizar qualquer citação a sexo. E são tantas...
Desejo e Reparação correspondeu às expectativas e trouxe mais uma adaptação impressionante de Joe Wright. Embora eu ainda não esteja certo sobre se o final me parece um truque do autor do livro ou uma grande sacada narrativa, todo o texto é excepcional. Eu nunca li o material original para fazer a comparação, mas as soluções encontradas pelo diretor para traduzir os vários paralelos da história me parecem perfeitas – e difíceis de se conseguir. Há alguns momentos maravilhosos, sobretudo na primeira hora de filme. Momentos garantidos não apenas pelo roteiro (exímio em administrar a tensão da trama), mas por como o cineasta move sua câmera, usa a excelente música e monta as cenas. Além do mais, Wright é um diretor de atores excelente. Neste filme, há pelo menos duas interpretações brilhantes: a mocinha Saoirse Ronan – o futuro, meus amigos -, e James McAvoy, emocionante, um dos melhores atores do ano.
O novo filme de Julio Medem, dos ótimos Os Amantes do Círculo Polar e Lucía e o Sexo, é uma decepção. Caótica Ana tem algumas idéias interessantes, mas se perde na falta de foco da protagonista. A estrutura atira para todos os lados, mas nada se firma e o filme ganha uma anarquia insossa. A última seqüência estraga bastante o resultado.
En la Ciudad de Sylvia ganhou muitos fãs na Mostra, mas eu não sou um dos mais entusiasmados, embora haja uma porção de coisas a elogiar. O filme é uma busca quase silenciosa pela mulher perdida. Um fantasma que se perdeu nas ruas, nos trens e nos rostos de Estrasburgo. A procura é o filme e para o diretor ela acontece tanto num plano tátil quanto num outro, intangível. O diretor José Luis Guerín tem um grande senso de tempo e espaço, traduzindo a espera do protagonista em quadros parados e multiplicando o volume do som das ruas. O mergulho é profundo, mas tem momentos tediosos.
O Amor Pulsa Mais Rápido que o Sangue é mais uma bola fora do novo cinema japonês. O sushi estragado que Hideki Kitagawa comeu gerou um filme que tenta se mostrar urgente pelas imagens grotescas e pelo texto pseudo alguma coisa. Há algumas soluções visuais bonitas, mas são poucas e pontuais, como as mãos que surgem para o abraço. Os dez minutos de chupa chupa no final são de chorar de rir - ou de pena.
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Comentários
Sobre os truques, curioso para ver como funciona no cinema. Já estavam todos no livro (vc lê com o som de máquina de escrever na cabeça, perfeito), e tem uma hora genial onde uma personagem segue outra na rua e se divide em duas, uma real, outra fictícia. É tão perfeito, tão elaborado, e tão impactante quando a gente percebe o truque - não apenas um truque, mas uma metalinguagem infernal e emocionalmente impactante - que só quero ver como vai ficar na tela.
(adoro a idéia de sushi estragado)
Olha, eu gosto da trilha de "As Horas" e de quase tudo do Philip Glass.
Sobre o "Atonement", pelo que eu vi e pelo que me falaram do livro, acho que ele é bastante fiel e bastante eficaz. A máquina está presente no filme inteiro, mas não lembro da cena que vc citou. O clima do filme é genial. Eu gostei muito.
Mas quero ver o filme, mesmo. Eu gostei de Orgulho e Preconceito, mesmo que os puristas tenham toda razão. Mas eu acho que não há purismo que resista a um filme bom, então...
Eu gostei muito do McAvoy em Último Rei da Escócia, e essa garotinha tava muito bem nesse filme com Michelle Pfeiffer, Nunca é Tarde Para Amar.
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