Segunda, Outubro 29
[mostra sp: dia 10]

Armênia
, de Robert Guédiguian
Senhores do Crime 

, de David Cronenberg
Hana 
, de Hirokazu Kore-eda
A Questão Humana 


, de Nicolas Klotz
Robert Guédiguian já fez bons filmes. Então, como explicar Armênia, um trabalho tão primário? O que pesa contra o filme é como o roteiro é falho, parece ter consciência disso, passa por cima dessa conscîência e sublima o problema com estripulias que fogem completamente do foco. A viagem da francesa Ariane Ascaride, atriz que já teve melhores momentos, a Armênia em busca de um pai fugitivo, se transforma numa aula sobre a história do país (mal comparando, é uma espécie de primo pobre de Um Filme Falado) e, conseqüentemente, sobre as origens da protagonista. Mas o roteiro nunca dá relevância a essa origem e, ainda por cima, transforma o trajeto num aula tão didática que nem os personagens nonsense - tanto que não dá para comprá-los - ajudam a tornar mais simpática. O diálogo final valeu a estrelinha.
David Cronenberg continua a fase de aprimoração de sua direção, tornando seu universo mais palatável e estilizado. Senhores do Crime só me incomodou porque todos os personagens do filme são russos que se encontram em Londres, mas é mais um exercício de como filmar. O diretor sabe exatamente como transformar uma história policial em cenário para dramturgia refinada e grandes interpretações. Viggo Mortensen, carregando no sotaque, está preciso, mas o grande ator do filme é Armin Mueller-Stahl, resgatado do ostracismo por Cronenberg.
Hana tem a seu favor o fato de ser o negativo de um filme de samurais. Foca exatamente o período de declínio dos guerreiros, algo fora do comum. Trabalhando neste campo, Hirokazu Kore-eda conseguiu escapar de lugares comuns e estereótipos, inclusive o dirigindo em forma de comédia. No entanto, a simpatia excessiva condenou o filme ao formato de piada. Às vezes, parece que desacreditar os samurais era mais importante do que qualquer coisa. Hana, então, ficou no meio do caminho.
A Questão Humana é impressionante e devastador. Só consegui vê-lo numa sessão extra e gostaria imensamente de poder fazer isso de novo o mais rápido possível. Minha primeira impressão é de que se trata de uma obra-prima sobre o quão pesada é a História sobre nossos ombros - e sobre como as estruturas que nos submetemos têm origens muito mais perversas do que imaginamos. O foco da investigação que Simon, vivido por um mais uma vez brilhante Mathieu Amalric, tem por missão - cujo objetivo, em outras palavras, é a salvação do capitalismo, a manutenção do status quo - se abre com voracidade, revelando nossa pequenez perante o mundo. Nicolas Klotz tem uma habilidade absurda com sua câmera (e com seu corte), criando imagens assustadoras, como quando o protagonista briga com a namorada numa rave ou o momento da confissão da secretária de Just, um Michael Lonsdale insólito. Klotz arquiteta o passo-a-passo das descobertas de Simon como um labirinto sinistro onde personagem e espectador começam a duvidar de si mesmos.
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Comentários
Vale a pena baixar, mas queria ver no cinema de novo.
Sério? Me falaram o contrário... Ou eu tô confundindo?
Renata
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péssimo 







