Segunda, Agosto 27
[a reconstrução da memória]

Talvez Santiago, de João Moreira Salles, seja um grande golpe de marketing. Um filme que já se põe à parte pelo formato que apresenta um até então projeto inacabado. Filmes que nunca foram concluídos de cineastas conhecidos ganham auras instantaneamente. E retomar um projeto 16 anos depois é algo que naturalmente chamaria a atenção. Virá-lo pelo avesso multiplica essa visibilidade.
Santiago, o homem, já era um personagem ímpar. De qualquer maneira, o filme seria viável por mais que Salles negue essa possibilidade. E, completado de forma convencional, provavelmente, seria tão feliz quanto os outros bons trabalhos do diretor. Mas isso pode não ter sido suficiente. Possivelmente o cineasta quisesse algo diferente, especial. Talvez quisesse mesmo impacto. Ou ainda se livrar das explicações por ter voltado a seu antigo mordomo já que nega a culpa como motivo.
Aí outro talvez. Talvez seja extremamente calculista assumir-se como vilão, editar-se como arrogante e ‘desmarcarar-se’ para a platéia sob a égide do humilíssimo. Porque é assim que soa, não é? Abrir-se, revelar-se, expor-se. Tudo parece tão digno e honroso - e esse seria um belo filme de despedida, já que João Moreira Salles se anuncia desiludido com o cinema. Ou com um jeito velho de documentar.
Mas isso não seria contradição já que Santiago muda o foco de seu cinema e apresenta outra proposta, outras idéias sobre a idéia do registro? Só me resta especular. Talvez só o tempo – junto com os próximos passos do diretor – irá me dizer o quão sincero este filme foi. Por enquanto, o que me encanta é a habilidade de promover linguagem, de reordenar a memória, de construir a partir da desconstrução. Por enquanto, hoje, para mim, este filme é genial. Ou seu autor é um golpista admirável.
Santiago 




Santiago, Brasil, 2007.
direção e roteiro:: João Moreira Salles.
elenco: Santiago.
fotografia: Walter Carvalho. montagem: Eduardo Escorel e Lívia Serpa. produção: Maurício Andrade Ramos. duração: 80 min.
nas picapes: Alvorada, Cartola.
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Comentários
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Pois é, eu acho justamente que o filme não é para isso, Tiago.
Heron, eu acho o filme bem melancólico.
David, um dos melhores do ano sem nacionalidades em questão para mim.
eu prefiro a primeira parte:
genial.
o filme e o próprio, que me deixou com saudade mesmo sem tê-lo conhecido.
uma pena, Santiago.
1. Sobre o João, sobre o que ele era e o que é agora. Aquilo que o Tiago disse.
2. Sobre o Santiago, subserviência e etc.
3. Sobre fazer cinema documentário.
2 e 3 são tão bons que compensam até uma suposta arrogância do 1.
Abraço!
Mas, assim como vc, sempre fico questionando o que vejo. Será?
Beijoca.
Mas, assim como vc, sempre fico questionando o que vejo. Será?
Beijoca.
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péssimo 







