Sexta, Julho 27
[o assassinato do presidente]

Quando Bobby estreou no Festival de Toronto do ano passado, começou a aparecer em praticamente todas as listas de apostas para o Oscar. Personagem edificante (o futuro presidente que iria mudar os EUA), tema sério, nostálgico, com um elenco cheio de astros e estrelas e um diretor-ator, condição que a Academia adora consagrar. Apesar disso tudo, no dia do anúncio das indicações, o filme não conseguiu nenhuma, nem mesmo a ‘barbada’ que parecia ser a música composta por Bryan Adams. Foi esquecido mesmo.
Hoje, quando eu sentei para escrever este texto, finalmente descobri o porquê. Assisti ao filme na noite de sábado passado, numa pré-estréia. E me surpreendi porque o material era bem melhor do que eu tinha imaginado, mas mesmo assim decidi somente escrever sobre ele quando entrasse em circuito. O resultado é que eu quase esqueci. Os méritos de Bobby existem, mas eles não são muito resistentes ao tempo.
O primeiro deles é a falta de pretensão. Apesar da trabalhar desavergonhadamente com a reverência histórica - Robert Kennedy era um homem perfeito, segundo Emilio Estevez -, a inserção de material documental é usada com equilíbrio e o filme nunca assume um tom definitivo, é muito mais uma homenagem. Essa condição fica ainda mais evidente quando se percebe que o longa conta a história de mais de vinte personagens... fictícios.
Então, por mais que aborde (com inteligência, como a Guerra do Vietnã - Lindsay Lohan e Elijah Wood inspirados) assuntos mais sérios, o trabalho de Estevez se apóia numa fórmula de ‘filme de hotel’ - acabei de inventar... - que o deixa ainda mais nostálgico, muito mais ‘cotidiano’ e com cara de reunião de amigos. O que é mais interessante é que, apesar do elenco elástico, o roteiro consegue dar harmonia à distribuição de tempo em tela a cada um dos personagens.
Em contrapartida, quase todos os atores conseguem deixá-los suficientemente interessantes para que queiramos descobrir ‘o que acontece no final’ com cada um deles. Há apenas dois que não funcionam: a jornalista tcheca (que parece aquelas atrizes bronzeadas e com caras de burras de comédias idiotas) e o hippie drogadinho de Ashton Kutcher, que sofre com o ator ruim.
De resto, todo mundo tem algum mérito, inclusive Demi Moore, vivendo uma cantora pé-de-cana, que, numa das melhores cenas do filme, tem um diálogo com Sharon Stone, em frente ao espelho, sobre o envelhecer de uma estrela. Melhores estão o hypado Shia LaBeouf e Brian Geraghty, que passam o filme sobre o efeito de alucinógenos, e Freddy Rodríguez, ótimo como o garçom chicano boa praça. Pena que tanta simpatia não faça a empolgação de Bobby durar muito. Mas será que a idéia não era essa?
Bobby 


Bobby, Estados Unidos, 2006.
direção e roteiro:: Emilio Estevez.
elenco: Anthony Hopkins, William H. Macy, Sharon Stone, Christian Slater, Joshua Jackson, Nick Cannon, Lindsay Lohan, Elijah Wood, Demi Moore, Emilio Estevez, Freddy Rodríguez, Laurence Fishburne, Jacob Vargas, Shia LaBeouf, Brian Geraghty, Martin Sheen, Helen Hunt, Harry Belafonte, Joy Bryant, Heather Graham, David Krumholtz, Ashton Kutcher, Svetlana Metkina, Mary Elizabeth Winstead.
fotografia: Michael Barrett. montagem: Richard Chew. desenho de produção: Patti Podesta. música: Mark Isham. figurinos: Julie Weiss. produção: Edward Bass, Michel Litvak e Holly Wiersma. duração: 120 min. site oficial. trailer.
nas picapes: Let Down, David Bazan's Black Cloud.
Posts similares:
6x corações
O Matador
duro na queda
Comentários
Aliás, Sharon Stone está se especializando em roubar as cenas hein? Ela estava fantástica em Alpha Dog e agora aqui, pelo o que tenho lido, também não fez feio.
Não diria que ela rouba a cena aqui não, mas está bem. Já em "Alpha Dog", eu adoro a cena da entrevista dela. Acho uma performance genial.
Gostei dos personagens do LaBeouf e Gerarghty, bastante divertidos, mas o melhor do elenco é o Freddy Rodriguez, muito bom mesmo.
Deixe aqui seu comentário:


péssimo 







