Quarta, Julho 25
[uma primeira palavra sobre o oscar]

No mês que vem, devo começar a fazer minhas previsões para o Oscar 2007. Enquanto não organizo tudo por categorias, vou ver quais os filmes que parecem ter mais chances na corrida deste ano (não há ordem):
No Country for Old Men, de Joel e Ethan Coen.
1) elogiado em Cannes; 2) desde Fargo, um filme dos Coen não era tão cercado de especulações quanto a prêmios; 3) a sinopse é nonsene e genial (vaga de filme indie); 4) baseado em livro; 5) Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson...
Atonement, de Joe Wright.
É o mais falado até agora. Joe Wright vem de uma estréia deslumbrante (Orgulho & Preconceito), de onde roubou a atriz Keira Knightley, que foi indicada ao Oscar, na adaptação de um livro com uma história poderosa: menina acusa namorado da irmã mais velha de um crime que ele não cometeu e muda a vida de várias pessoas nessa brincadeira. Pode ser a chance de James MacAvoy, o acusado, e pode ser que a garotinha, Romola Garai, se dê bem também.
Charlie Wilson's War, de Mike Nichols.
Drama com elementos políticos e de guerra, assiando por um veterano de Hollywood e do Oscar, com Tom Hanks e Julia Roberts no elenco. eu acho que sim. Só não sei ainda onde.
Elizabeth: the Golden Age, de Shekar Kapur.
O espaço têm sido enorme, mas continuação (exceto Chefão II) não faz sucesso no Oscar. Ainda mais quando se trata de um drama de época. Cate Blanchett sempre levanta um filme, mas me parece que este vai ser visto como uma jogada de um diretor que não emplacou mais para ter de volta a atenção desintegrada.
In the Valley of Elah, de Paul Haggis.
Bem, foi o cara que dirigiu aquela coisa chamada Crash (ganhou o Oscar e derrotou Brokeback Mountain), então, sempre vai ter espaço nas listas. O filme mostra um casal, Tommy Lee Jones e Susan Saranson, ao lado de uma policial, Charlize Theron, tentando descobrir a verdade sobre o sumiço do filho deles na volta do Iraque. Bem, só aí, eu já contei quatro Oscars (de anos anteriores, calma!) e a trama parece ter cara de indicável.
Rendition, de Gavin Hood.
O diretor de Infância Roubada (Oscar de filme estrangeiro) aporta em Hollywood antes de assumir Wolverine (sim, vai ser ele). Uma mulher (a oscarizada Reese Witherspoon) busca o marido desaparecido em Washington DC. Acho que vai parecer pesado demais, mas os nomes envolvidos podem dar chances maiores do que nas categorias de atores. Jake Gyllenhaal também está no elenco.
Michael Clayton, de Tony Gilroy.
George Clooney em drama judicial. Se o filme for bem de crítica e não parecer demais uma versão estendida de um episódio de Law & Order, pode até acontecer. Como trata-se de personagem-título, chances multiplicadas para Clooney - eles o amam, é verdade - mas será que um Oscar não já deu?
There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson.
A história do petróleo e seus bastidores. Parece promissor, mas parece um material estranho para PTA. Seria com esse material estranho que ele finalmente receberia atenção da Academia? O Daniel Day-Lewis começou cotadíssimo, mas agora deu uma sumida das listas. Eu aposto nele, inclusive porque tem transformação no corpo. Paul Dano, o irmão da miss Sunshine, também está na disputa.
Reservation Road, de Terry George.
Parece filme de atores. Joaquin Phoenix e Mark Ruffalo são dois pais cujas vidas se cruzam depois da morte de uma criança. Oscar baits, né? Terry George, sempre meio chato, pode ter chances, mas acho mais fácil emplacar os atores (como aconteceu com Hotel Ruanda). Fala-se mais em Phoenix - sempre escolhem um - mas Ruffalo está no auge (Zodíaco, Margaret) e ainda não recebeu atenção da Academia. Mira Sorvino e Jennifer Connelly, duas oscarizadas, não estão fora do páreo.
Lion for Lambs, de Robert Redford.
Sinceramente acho que não tem recebido a atenção merecida. Trata-se de um filme político, com a assinatura de Redford, respeitado, e Tom Cruise e Meryl Streep no elenco. Acho que pode surpreender, sobretudo, se o clima de nova Guerra Fria continuar até o fim do ano. Cruise, que faz um vilão, pode ser indicado. Meryl, sempre pode.
I'm Not There, de Todd Haynes.
Biografia musical de cantor famoso (no caso, Bob Dylan) sempre dá panop pras mangas, mas quando o diretor é o indie Todd Haynes, isso pode mudar. Além do mais, o homenageado ganhou não só um, mas vários atores, entre eles, Cate Blanchett. Sem uma "cara", as chances minguam, mas quem saber Cate não emplaca uma vaga entre as coadjuvantes?
The Brave One, de Neil Jordan.
Drama de suspense é com Jodie Foster mesmo, que há tempos não é lembrada pela Academia, mas: a) será que esse seria o filme correto?; e b) será que eles já não a consideram meio hors-concours? Jodie emplacaria? O nome de Neil Jordan é um grande atrativo, mas não sei se seria o suficiente.
Sweeney Todd, de Tim Burton.
Muita gente põe muita fé, mas eu não consigo ver Tim Burton concorrendo ao Oscar principal não. Se nem com Peixe Grande ele conseguiu, será que um musical sobre um serial killer seria o veículo ideal? Johnny Depp, para variar, está no elenco e aparece em várias listinhas web afora, mas eu não estou tão certo de suas chances. Se bem que aquele pirata afetado e meia-boca quase deu um Oscar a ele.
American Gangster, de Ridley Scott.
Denzel Washington e Russel Crowe, tudo bem. Mas a história de um traficante no Harlem dos anos 70 não parece muito a cara do Oscar, né? E, por mais que Ridley Scott tenha seus votantes, ele não é nenhum Martin Scorsese. Os atores é que podem surpreender. O primeiro ganhou fazendo um policial malvado (estava ótimo) e o segundo venceu grunhindo pela família (aham...).
The Savages, de Tamara Jenkins.
Drama familiar com doença terminal (irmãos têm que cuidar de pai moribundo), com atores respeitadíssimos (Philip Seymour Hoffman, Laura Linney)... hummm... deixa eu pensar... vai aparecer em algum lugar, provavelmente nas categorias de atores. Resta saber como será sua recepção. Philip Bosco, o pai, é uma ótima aposta.
O Caçador de Pipas, de Marc Foster.
Apareceu bem cotado no começo do ano, onde as apostas são super no escuro, mas a falta de atenção da mídia fez o filme cair no esquecimento. Se bem que não dá pra deixar totalmente de lado um filme baseado num dos livros mais baladados da nova onda de literatura dramática étnica. Fora isso, Marc Foster conseguiu emplacar até aquela bomba Em Busca da Terra do Nunca. Vamos ver.
Amor nos Tempos do Cólera, de Mike Newell.
Ainda não se fala muito, mas como é uma megaprodução baseada num best-seller mundial e cheia de astros latinos, pode surpreender. Essa visibilidade pode abrir espaço para indicações entre os atores. Vejamos: Javier Bardem, Giovanna Mezzogiorno, Catalina Sadino Moreno e - por que não? - Fernanda Montenegro.
Ratatouille, de Brad Bird.
Vencedor de animação, certamente. Mas eu não subestimaria suas chances de ir além disso.
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Comentários
A Julie Christie tem chances de concorrer como melhor atriz.
Torço para que Amor Nos Tempos de Cólera seja um bom filme, já que adoro o livro e Márquez é um escritor fundamental em minha vida literária.
O filme de Nichols tem cheiro da estatueta dourada, assim como o de Redford que, apesar de estar sendo pouco comentado, deve gerar um grande burburinho no lançamento. Não espero muita coisa de ambos, apesar do elenco dos dois ser algo de outro mundo.
Torço para que Amor Nos Tempos de Cólera seja um bom filme, já que adoro o livro e Márquez é um escritor fundamental em minha vida literária.
O filme de Nichols tem cheiro da estatueta dourada, assim como o de Redford que, apesar de estar sendo pouco comentado, deve gerar um grande burburinho no lançamento. Não espero muita coisa de ambos, apesar do elenco dos dois ser algo de outro mundo.
"Fargo" também era improvável. Acho que tudo depende de tudo. Li por aí que o filme, que passou em Cannes, vai estar em Toronto, "a largada para a carreira do filme pro Oscar", também.
http://www.youtube.com/watch?v=7mbgzJG5Zdk
Diego, disso eu tenho certeza.
Eu terminei esquecendo do "Lust, Caution" no fim das contas. É um filme com possibilidades, sim, Marfil. "Jesse James" sofre do mal dos filmes que mudam de ano. Ou seja, são programados originalmente para um e são movidos para o ano seguinte. Eles geralmente terminam esquecidos nos prêmios. "Bug", por exemplo, está nessa condição apesar da Ashley Judd aparecer em todas as listas do ano passado.
Não entendi a história do link. Marfil, vc queria um link específico para este post, é isso?
Também acho que o Wes Anderson fica esquecido. Se Gene Hackman não foi sequer cogitado em "Tenenbaums", não vai ser desta vez...
Eu desconfio muito do "Cólera", Ailton. O Newell me parece a pior escolha possível para dirigir o filme. Veja o que ele fez com o "Harry Potter" deopois do Cuarón.
Quanto a "Fargo", Filipe, vc até tem razão quanto ao ano atípico. "Segredos e Mentiras" finalista é muito estranho. Mas "O Paciente Inglês", que muita gente chamava de indie, para mim, é um épico clássico. Se o "No Country" realmente estiver no Festival de Toronto, vai ficar clara, na minha opinião, a tentativa de impulsionar sua candidatura.
Ainda não vi o trailer de "There Will Be Blood", mas seu pensamento me parece bem coerente, Saymon. Vamos ver.
Parece pirraça da Academia.
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