Segunda, Julho 23
[o homem e a máquina]

Bem, lá vamos nós. Minha missão nesse texto será a de defender Transformers. Confesso que não vou me empenhar muito na função porque: 1) estou um pouco cansado; e 2) não surtiria muito efeito porque este é o tipo de filme para o qual as pessoas já vão com a predisposição de achá-lo um típico exemplo do que Hollywood tem de pior.
Nos últimos dias, eu li muita coisa sobre como o filme é megalomaníaco, como troca o humanismo por uma certa louvação à máquina, como é a celebração do cinema militarista de Michael Bay, da ação pela ação, como é barulhento e como a história é rasa e sem sentido e demora a passar.
Muitas destas definições estão corretas. Mas é muito fácil e injusto limitar o filme a isso. Estamos diante de um filme-evento, um longo filme-evento que trabalha basicamente com a nostalgia de uma geração. E esse aspecto retrô muda absolutamente tudo em relação ao longa, uma aventura militarista, sim, - como poderia ser diferente em se tratando de robôs alienígenas gigantes se enfrentando na Terra? -, com gosto de aventura adolescente.
E, olha, que eu nunca fui lá um grande fã do desenho dos Transformers. Preferia He-Man, Thundercats e, claro, Superamigos, mas vi várias vezes e ficou aquele gosto de anos 80. Antes que me critiquem pelos tais dos anos 80, queria decretar: foram os anos da minha infância, eu adoro muita coisa e ninguém tasca. Não tô nem aí para quem não gosta.
E foi assim que me senti vendo Transformers. Criança de novo. Se o filme perde tempo demais em batalhas cansativas, tem momentos deliciosos como quando o jovem herói vê seu carro transformado pela primeira vez ou emocionantes como quando os autobots se apresentam. Se a idéia é criticar o filme, vai ser sopa no mel. Material não vai faltar - adorei quando reclamaram do texto num filme como este. E falar que ele é barulhento demais me parece argumento de velho. Eu gostei. Foi como brincar de novo com minha coleçãozinha de carrinhos de ferro.
Transformers 


Transformers, Estados Unidos, 2007.
direção: Micahel Bay.
roteiro:: Roberto Orci & Alex Kurtzman, a partir de história deles com parceria de John Rogers, baseados nos brinquedos da Hasbro.
elenco: Shia LaBeouf, Megan Fox, Josh Duhamel, Tyrese Gibson, Rachael Taylor, Anthony Anderson, Jon Voight, John Turturro, Kevin Dunn, Julie White, Peter Cullen (voz), Bernie Mac, Sophie Bobal.
fotografia: Mitchell Amundsen. montagem: Tom Muldoon, Paul Rubell e Glen Scantlebury. desenho de produção: Jeff Mann. música: Steve Jablonsky. figurinos: Deborah L. Scott. produção: Ian Bryce, Tom DeSanto, Lorenzo di Bonaventura e Don Murphy. duração: 144 min. site oficial. trailer.
p.s: faz tempo que o Michel me incumbiu de fazer uma listinha de meus livros favoritos. Aí vão eles:
Retrato do Artista Quando Jovem, de James Joyce
O Mesmo Mar, de Amos 0z
Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago
Deus Ama, o Homem Mata, de Chris Claremont e Brent Anderson
Gen - Pés Descalços, de Keiji Nakazawa
Eram cinco, mas não dá pra deixar esse sexto: A Metamorfose, de Franz Kafka.
nas picapes: No Surprises, Radiohead.
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Comentários
Faltou essa sua última farse no meu texto, Ian.
Porém, na minha opinião, o melhor do filme se sobresai: Shia LaBeouf. Virei fã do garoto, ele está carismático demais no papel. Toda a história dele, com o carro, parece ter saido de um dos filmes que o Spielberg produziu durante os anos 80.
Os efeitos estão sensacionais, e se não ganharem o Oscar vai me surpeender muito.
Certísimo, André, o filme tem a intenção de parecer atual, mesmo trabalhando basicamente com nostalgia. A meu ver, consegue.
Tb gosto muito das cenas do Shia, bom ator, com o Bumblebee.
Que sempre deve ser o principal objetivo de todo e qualquer filme desse tipo.
Os defeitos do filme não são suficientes para ofuscar suas qualidades. A pior parte foi constatar que o autobot Jazz trocou o roc'n roll pela filosofia hip hop. Oh, dor ...
>Deus Ama, o Homem Mata, de Chris Claremont e Brent Anderson
Nos anos 80 saiu no Brasil como "O Conflito de uma Raça".
Pois é, Caraça. Assino embaixo. Não lembro tão bem dos Transformers pra ter percebido a mudança do Jazz.
Sobre a graphic novel dos X-Men, mantive o título da edição que Panini lançou, que traduz o original. Obra-prima!
abraço,
Um abraço. DH
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