Quarta, Abril 4
[gostos dos outros por sérgio alpendre]
Uma lista sobbre os últimos trabalhos de grandes cineastas. O Sérgio Alpendre, meu colega de Liga dos Blogues Cinematográficos, é o convidado do mês do Gosto dos Outros.
[os melhores últimos filmes]

Sim, devo ter esquecido alguma coisa. Fora isso, deve ter filmes que ainda não vi e que entrariam na lista, provavelmente. Alguns diretores que eu adoro não estão representados porque, ou fizeram filmes menores para encerrar a carreira (caso de Cassavetes, Kurosawa, Truffaut, Hawks, Fuller, Lang, Fassbinder... – diretores que encerraram a carreira com filmes muito bons, tirando Cassavetes, mas não o suficiente para entrar no seleto grupo de dez), ou eu simplesmente não pude ver seus últimos filmes (caso de muitos diretores, nem caberia aqui uma lista parcial). Desculpem os que ficaram de fora, mas hoje, nesta hora, os eleitos foram estes.
Tabu (F. W. Murnau, 1931)
Tabu não está entre os melhores filmes de Murnau, mas como resistir às suas imagens. Aliás, de onde vêm essas imagens? Com Tabu, Murnau se confirmou como detentor do segredo das imagens mais belas que o cinema podia oferecer.
Rua da Vergonha (Kenji Mizoguchi, 1956)
Confesso que esse eu vi há muito tempo, e numa cópia horrorosa e sem legendas na cinemateca. No entanto, o poder das imagens de qualquer filme de Mizoguchi garante a permanência dele nesta lista.
Reinado de Terror (Joseph H. Lewis, 1958)
Uma obra-prima entre várias na carreira desse cineasta que nunca terá seu valor devidamente reconhecido. Mestre do filme B é muito pouco para Lewis. A seqüência final de Reinado de Terror bastaria, só ela, para colocar o filme nesta lista.
A Rotina Tem Seu Encanto (Yasujiro Ozu, 1962)
Mais um filme igual de Ozu, cineasta dos filmes que se confundem. Também o grande gênio da poesia do cotidiano, o maior diretor a trabalhar com as coisas simples da vida. Um verdadeiro gênio.
Saló, ou Os 120 Dias de Sodoma (Pier Paolo Pasolini, 1975)
Já que a semi-pornografia da trilogia da vida havia sido muito bem aceita pelas platéias de cinema, Pasolini resolveu radicalizar e captar o sadismo na sua essência, sem eufemismos ou meias imagens. E o faz com um trabalho formal primoroso, como nunca visto em seus filmes.
O Inocente (Luchino Visconti, 1976)
Giancarlo Giannini tem o olhar que Visconti parece ter procurado durante toda sua carreira. Um olhar forte, vulnerável, enigmático, indeciso e sedutor, tudo ao mesmo tempo.
Sete Mulheres (John Ford, 1967)
Um último filme que parece - e só parece - ir contra o supra-sumo da carreira de Ford. Na verdade, as mulheres do filme sempre se mostraram nos outros filmes. A diferença é que aqui elas estão juntas.
Esse Obscuro Objeto do Desejo (Luis Buñuel, 1977)
As duas atrizes que interpretam o mesmo personagem é só uma das subversões do mestre, neste verdadeiro tratado sobre o desejo sexual que não se concretiza.
O Fator Humano (Otto Preminger, 1979)
Os últimos filmes de Preminger são sempre subestimados, mas talvez a maior injustiça seja cometida contra este filme de momentos inacreditáveis de intimismo. O fator humano, para Preminger, é essencial em meio às corporações e ao funcionalismo dos burocratas.
Vai e Vem (João César Monteiro, 2003)
Um filme impregnado do sentimento de morte, com inúmeras mensagens existencialistas. Mas talvez falar em mensagens seja exagero em se tratando de um dos maiores anarquistas do cinema. O que ele coloca em cena é a transgressão em estado bruto, um tapa na cara de todos, um gigantesco e grandioso hino à irreverência. O mundo todo cabe no olhar de João cesar Monteiro, como prova o último plano desse filme inigualável.
Sérgio Alpendre, 38, mora em São Paulo, cidade onde nasceu, é criador e editor da Revista Paisà, e mantém o Chip Hazard, seu blogue sobre cinema.
Posts similares:
Curso em setembro: Panorama do Cinema Japonês
mostra ozu & mizoguchi
Mademoiselle Nouvelle Vague
Comentários
Bela lista. Queria ter visto todos. "Sete Mulheres" é o típico filme que parece ser diferente da obra do diretor, mas termina sendo um compêndio de tudo o que ele fez.
E desculpe pelo sumiço, Chico!
Este post tem 2 comentários aguardando aprovação...
Deixe aqui seu comentário:



péssimo 







