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Quinta, Março 29

[ó paí, ó]

Ó Paí Ó

Eu moro em Salvador desde junho de 2003, mas eu somente entendi a Bahia oito meses depois. Eram duas horas da manhã, eu saía do trabalho – nessa época é quando mais se trabalha na minha profissão aqui nesta terra – e resolvi dar uma espiada no tal do Carnaval. O carro me próximo ao local onde acontece a festa porque muitas ruas ficam fechadas. Eu ainda tinha que andar um pouco. E foi esse pouco que foi me apresentando um lugar que eu ainda não conhecia em tantos meses. À medida que eu andava, que aumentava o som e que aumentava a quantidade de pessoas felizes ou bêbadas que passavam por mim eu começava a ter uma idéia do que era aquela coisa de que todos falavam, mas que nenhuma palavra pode dar conta completamente. Eu, que passei minha adolescência odiando axé, locando dezenas de filmes para matar meus dias de Carnaval, tinha me encantado com aquela manifestação apenas porque eu estive lá para ver tudo aquilo.

É por isso que eu acho que pouca gente vai entender as qualidades de Ó Pai Ó, de Monique Gardenberg. O filme, apesar de ter uma sucessão de fragilidades formais - da montagem esquizofrênica ao excesso de momentos musicais que parecem querer esconder uma inconstância do roteiro, que não há - é um raro exemplar de como o cinema brasileiro soube capturar um certo espírito baiano. Algo que vai além daquela tradicional malandragem carioca e que se mistura com uma tendência à relativização, à permissividade que, se inibe comportamentos preconceituosos, também se satisfaz com arranjos e arremedos. E, correndo o risco de ser mal interpretado, algo que exalta a sexualidade não de uma maneira promíscua, mas num nível, sendo mais específico, de celebração do corpo - ou, de uma maneira mais ampla, de celebração por si só.

O texto de Márcio Meirelles, que faz parte da Trilogia do Pelô, conjunto de peças que o autor escreveu para o Bando de Teatro do Olodum, traz esse retrato com grande fidelidade do cotidiano de um povo. Claro que há lugares comuns e personagens que parecem reprises de muita coisa que já se viu por aí. E boa parte da essência do texto -acredite, eu já vi algumas peças de Márcio Meirelles com o Bando e, geralmente, elas são muito boas - parece ter se perdido na tradução de Monique Gardenberg, que, com seu sotaque carioca, se gabou muito de ter nascido na Bahia na pré-estréia para mais de 5 mil pessoas na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. Ó Pai Ó, mesmo com seu talento para representar o baiano, chegou pasteurizado na tela do cinema.

De certo modo, o filme se torna refém de alguns vícios. O primeiro é o que parece ser um projeto secreto de nacionalização do cinema brasileiro de fora do eixo Rio-São Paulo, patrocinado com veemência pela Globo Filmes, padronizando as naturalidades para universalizar o discurso e alcançar o público, como com 2 Filhos de Francisco e sua representação do caipira. Neste filme, essa tática se manifesta na escalação de atores como Stênio Garcia e Dira Paes, bons atores, diga-se de passagem, para papéis que estão aquém de suas capacidades e que seriam melhor interpretados por baianos mesmo. O segundo vício é como a nova geração de atores baianos abraçou a caricatura. Lázaro Ramos, que já teve momentos brilhantes no cinema brasileiro recente, parece que foi passado a ferro para retirar as dobras e Wagner Moura tem sua pior aparição num filme, num personagem que ninguém compra e completamente dispensável.

O que se sobressai no filme é o elenco do Bando de Teatro do Olodum, mesmo que muitas vezes os atores não entendam que não estão num palco. Luciana Souza, que faz a evangélica dona do prédio em que mora a maioria dos personagens, apesar de certa impostação, domina qualquer cena da qual participe. E há um casal perfeito no filme: o Reginaldo de Érico Brás, que amalgama as características do tal espírito baiano num só corpo, e o travesti interpretado com dedicação por Liu Arrison, candidato forte a melhor ator coadjuvante do ano, que, da explosão sexual do início à cena em que comemora o próximo encontro com seu amado, reafirma que a Bahia entende e aceita tudo.

[ó paí, ó estrelinhaestrelinhaestrelinha]

direção: Monique Gardenberg.
Ó Paí, Ó, Brasil, 2007. roteiro: Monique Gardenberg, baseado no espetáculo teatral de Márcio Meirelles.
elenco: Lázaro Ramos, Emmanuelle Araújo, Stênio Garcia, Wagner Moura, Luciana Souza, Dira Paes, Érico Brás, Soriano, Jorge Washington, Auristela Sá, Virgínia Rodrigues, Vinícius Nascimento, Felipe Fernandes.
fotografia: Eduardo Miranda. montagem: João Paulo de Carvalho e Giba Assis Brasil. música: Caetano Veloso e Davi Moraes. desenho de produção: Vera Hamburger. figurinos: Bettine Silveira. produção: Augusto Casé, Paula Lavigne e Sara Silveira. duração: 98 min. site oficial.

nas picapes: [protesto olodum, olodum]

posted by Chico Fireman at 18:02:08 | 47 comentários



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Comentários




Drosófila Basófila · http://drosofila.blogspot.com
Sou soteropolitana, moro aqui em Salvador e confesso que estou morrendo de medo de ver "Ó paí, ó". Pelo trailer, achei tudo muito teatral (odeeeeeeeeio linguagem de teatro em cinema, odeeeeeeio) e a baianidade me pareceu ultra forçada. Enfim, vou ler mais algumas críticas e ver se tomo coragem. =)
29.03.07 @ 19:01



Mesmo que, no fim, vc não goste, acho que vale a pena ver o filme. Eu tb tinha odiado o trailer.
29.03.07 @ 20:37


Eu achei uma bomba. E já passei carnaval ai em Salvador.
29.03.07 @ 23:38



Não é questão de passar o Carnaval, Filipe.
29.03.07 @ 23:46


Vi a peça no Vila Velha, não sei como seria possível levar o que foi feito no palco de forma satisfatória para a telona,mas saiba que me provocou, no sentido é calro quando disse que conseguiu entender a Bahia após 8 meses...
31.03.07 @ 18:58


Fabricio Ramos · http://antitextos.blogspot.com
Bom, sou baiano, moro em Salvador... evito o carnaval, apesar de saber que é uma manifestação admirável. O filme? Vale a pena ver sim (e concordo com as críticas acima!). O filme balanceia bem a carga dramática com a comédia, e passa uma mensagem clara, não obstante a inexistência do enredo: a Bahia não é só alegria! Não achei o personagem de vagner Moura dispensável - mas poderia ser melhor explorado.
01.04.07 @ 02:12


Não estava doido pra ver "300"? Cadê, cadê?
01.04.07 @ 05:05



Daniel, me poupe. Propaganda vc faz no seu blogue...

Diego, eu vi na sexta mesmo. Mas ainda não sentei a bunda pra escrever.

Manoel, Fabrício, quero ver o que acontece se eu vir o filme de novo...
01.04.07 @ 13:35


Ricardo Ishmael
Li, não lembro ontem, um depoimento do Wagner em que ele explica/justifica o exagero da interpretação. Diz, entre outras bobagens, que a idéia era JUSTAMENTE essa: condensar num só personagem todos os trejeitos que ele enxergava no "jeito soteropolitano" de ser... As gírias das ruas, o sotaque amalandrado, uma certa moleza no andar e no falar... Vá lá, tudo bem. Dá até pra entender a intenção dele. Mas, cá pra nós: ele errou na mão!
02.04.07 @ 16:25


Welington
Sou mineiro, moro em sampa, conheço salvador mas nunca passei o carnaval lá. Adorei a energia, a graça e a vibração do filme. Grandes atores que, para mim, são revelações. Curti e recomendo. Imperdível.
03.04.07 @ 00:11


Diego
Que a Bahia aceita tudo eu não discuto.

Que o filme não aceita lá muito bem a personagem evangélica, ah, não aceita, não.
03.04.07 @ 01:17


Acho que o filme caminha por muitas óticas - a festa, a crítica social, etc - e não faz quase nada muito bem. Mas a celebração do carnaval, gostando o não, é incrivelmente contagiante e penso que isso o filme tem de muito bom. E a Luciana Souza é excelente, mas a personagem parece saída de novela da Globo (me lembrou, especialmente, a Perpétua de "Tieta").

Abraços!
03.04.07 @ 09:57



Gosto mais do "carnaval" da vida cotidiana do que do carnaval em si, Hudson.

Será, Diego?

Ricardo, o Wagner Moura me parece um completo equívoco no filme.
03.04.07 @ 12:24


Antonio Augusto
Achei o filme muito caricatural, transpondo para a tela uma baianidade excessivamente pasteurizada. Os atores, em que pese ótimos, estiveram em muitos momentos "acima do tom", com excesso de cacos e pantomimas. Destaque para a impagável Luciana Souza, no papel de evangélica. A direção de Monique Gardemberg deixou a desejar. O roteiro, originalmente escrito para o Teatro, não foi bem adaptado para o cinema. Houve um choque de linguagens, refletido pricipalmente no ritmo dos diálogos dos atores.
Apesar de tudo, não foi uma decepçao total. O filme é engraçado e envolvente, despertando no espectador a curiosidade de saber como se desenvolverá a história daqueles personagens, cuja alegria destoa em muito das penosas condições em que vivem, ou melhor, sobrevivem.
05.04.07 @ 10:24


Aline de Jesus
Bom, eu ainda não desfritei do prazer de assistir esse filme que apresenta como título uma expressão idiomática muito presente no contexto linguistico da nossa tão querida e amada cidade do salvador. O que mais despertou a minha atenção foi a atitude do autor em privilegiar o bando de teatro do Olodum uma vez que, aprecio este gesto como algo positivo para nosso povo que na maioria das vezes ignora a existência de coisas tão preciosa, como o referido.
07.04.07 @ 21:51


crisbaiano
O filme é pra lá de excelente, meu rei!!!
Sou soteropolitano, e conheço o Brasil de ponta a ponta. e confesso: o filme me deu saudades da minha terra de onde tive que sair por necessidades da profissão.
Os atores estão TODOS - sem excessão de parabéns. Não sei como conseguiram captar e copiar fielmente as expressões e gírias daquela terra maravilhosa que é Salvador.
Como Ivete Sangalo já comentara, há alguns anos, durante uma entrevista na TV: o povo baiano é maravilhoso e ele não nasce, ele estréia (risos).
E foi isso que eu pude comprovar no filme "Ó Paí Ó": uma estréia espetacular da maneira, linguajar, simplicidade, cumplicidade e o modo de aceitar a vida sem muita discriminação e aceitando tudo da grande maioria do povo soteropolitano.
Para quem não assistiu ainda: vale a pena, principalmente se vc for baiano. Vai dar muitas risadas, pois vai lhe lembrar muitos dos seus amigos e episódios da sua vida.
Forte abraço a todos.
Que Deus e Jesus os abençoem.
08.04.07 @ 12:02


Isabella Viana.
Olha, me torno ate suspeita pra falar porque sou baiana de coração, apesar de AINDA nao conhecer SALVADOR.Assiti o filme ontem, esperava apenas comédia,no entanto, fui surpreendida positivamente. Acho que o filme faz uma crítica construtiva em relação a visao das pessoas, a idealização da Bahia...do Carnaval.Tenta mostra um pouco da realidade das pessoas que moram lá ( Nem tudo é festa) Digo: a Bahia tem serios problemas de desigualdade, pobreza... o que a diferencia... é o posicionamento de seu povo, no genero dê espaço a alegria. Agora, o filme poderia ter um roteiro, uma história, mais definida. Mas, nao deixa de ser um ótimo filme.Nao posso deixar de comentar a trilha sonora que classifico como perfeita, pois destaca a qualidade e autenticidade da musica baiana. Enfim, acho que Ó PAÍ Ó marcará positivamente o cinema nacional.
08.04.07 @ 12:41


Marta CT
O filme é bem feito, ótimo elenco, ótima música. O que acontece ali, acontece em qualquer lugar do Brasil, só que não tão colorido...Adorei ! O filme é brasileiríssimo !!!
10.04.07 @ 14:50


Marcos
"Sou baiano, mas não meto o cú na garrafa." Um dia Falou Marcelo Nova, baiano retado que nos dá orgulho. Salvador é uma cidade monopolizada por veículos de comunicação carlistas que mais lembram a época da iquisição, onde pensar era crime.Compartilhar com esta baboseira de filme estúpido e credibilizar os senhores de engenhos da máfia da captação de recusos públicos federais que vem massacrando o mercado, e inibindo boas produções de filmes nacionais que não estejam no apadrinhamento da Globo.
Sim, sou baiano, e nossa produção é lembrada por um dos maiores cineastas do Brasil, o genial Glauber Rocha, que soube como ninguém imortalizar a cultura de nossa terra.Ó paí ó, credibiliza o turismo sexual e embuti na classe média branca e decadente de nosso país, que cablocos e negros são motivos de piadas e que não valoriza a auto-estima. Talvez a intenção seja essa, deixar o povo mobilizado intelectualmente, desacreditado como raça.Foda-se Caetano Veloso, Gilberto Gil e sua corja hereditária.
10.04.07 @ 22:44


Mariana
Para quem não sabe, ou é debil mental desinformado.
O Márcio Meirelles foi nomeado secretário de cultura no governo Jaques Wagner do PT na Bahia.E logo após lança um filme que tem relação direta com suas produções. sai o carlismo entra o jaquismo.
Porra, brasileiro é burro pra caralho!
O senhor ministro Gilberto Gil e sua quadrilha tem o maior prazer de financiar esta farra cinematográfica.
Ê Brasil..
10.04.07 @ 22:51


N minha opinião"Ó PAÍ Ó" não foi um filme abrangente á população baiana e sim, específico sobre os moradores dos cortiços/guetos do Pelourinho...por isso achei massa... corajoso...nota 10!!!Quem é baiano...conhece o "Pelô",anda e conversa c/ os moradores da área sabe qw os atores representaram muito bem a população local..."Ó PAÍ Ó" falando mal...vem conhecer,véi...
15.04.07 @ 13:22


Maria Cicilha
A trama faz referência à cultura baiana, mostrando à religiosidade, blocos afros, a baiana com seu tabuleiro e o Pelourinho que é um forte cartão postal. Mas, de contra partida o filme vende uma imagem deturpada da cidade como: centro de prostituição, o candomblé é mostrado como charlatanismo, tráfico internacional de mulheres, o jeitinho brasileiro, banalização do sexo, promiscuidade (cenas do carnaval), utilização da linguagem coloquial e vulgar para reivindicar direitos de igualdade, mostrados na cena onde Roque (Lázaro Ramos) e Boca (Wagner Moura) discutem. Na fala de alguns personagens nota-se o tom de protesto, indignação como também na trilha sonora do filme. Apesar de expor o homossexualismo o filme não aborda a homofobia.
O filme teve 16 patrocinadores e todos de grande porte como: .... Ótimos atores empenhados em uma trama que caminha por várias óticas, da festa a crítica social, um cenário bonito, no entanto, conseguiram fizer um filme sem contexto. Utilizando de uma baianidade que não existe há tempos. Deveria ter adaptado esse texto teatral para estar na telas do cinema, afinal, será mostrado ao mundo.
16.04.07 @ 01:49


Matheus F.
Primeiro, eu sou baiano. O filme é uma obra fantástica no sentido de mostrar a realidade como ela é, sem perder o humor ou o senso crítico do que se vê. A verossimilhança é incrível e foi um dos aspectos que me fizeram gostar tanto do filme, já que eu senti como se já tivesse visto, de fato, cada uma daquelas personagens na vida real. Uma sensação ótima para quem está acostumado a ouvir o sotaque plastificado dos cariocas ao nos imitar.
Para mim, a idéia do filme se resume a mostrar uma parte de salvador que não se vê e pulsa viva apesar do carnaval. Recheada de traços reais da cultura baiana e também de críticas sociais, por vezes óbvias, mas sem hipocrisia.
16.04.07 @ 14:26


Ricardo Imbassahy
Achei Ó PAI, Ó excelente, retratando muito bem a vida do soteropolitano que não mora em cima do morro, e que a tão falada baianidade nagô se mostra aos brasileiros que não conhecem Salvador de forma muito verdadeira. Desculpem, mas não sou intelectual e adorei o filme.
05.05.07 @ 22:06


FABIANA
Olá, achei o filme intrigante, mexeu um pouco com meu psicológico não sei o porque. Mas enfim, preciso urgentissímo saber quem é a atriz Luciana Souza, não encontrei nada a respeito dela, mas aqui pra nós essa mulher mereçe um oscar.
16.05.07 @ 17:37


Maria Manu
Oiii galera!

Sou estudante do curso de Artes cênicas da UFBA. Estou fazendo uma pesquisa em teatro baiano e o meu recorte é em " A interpretação baseada na observação de tipos baianos" um ex é o filme ó, paí ó, que fala sobre " tipos" do pelourinho. As críticas positivas ou negativas a respeito do filme, vêm me ajudando bastante. Estou aberta a Qualquer idéia ou sugestão!

Um Abraço
28.05.07 @ 14:55


Nayanne Braga
Acabei de ver o filme e vim saber mais sobre a atriz Luciana souza. Queria saber mais sobre ela, achei que a atriz interpretou muito bem, realmente merece o oscar....PARABENS LUCIANA SOUZA!!
28.05.07 @ 21:50


Rosimeri
Gostei do filme. Antes de assistir, imaginava que fosse um filme denso com forte crítica social. Entretanto, após ler o filme, deixei-me levar pelo ritmo baiano e adorei. O Pelourinho e a Barroquinha (locais retratados no filme) é aquilo mesmo, quem duvida passe uma tarde lá. Sente-se em um daqueles bares que tem mesinhas ao ar livre, aprecie o lugar. De preferência durante o carnaval, assim você se sentirá personagem do filme. Serão tantas as semelhanças que terás a sensação de estar realmente participando do filme. Com algumas diferenças, não vá esperar que a Timbalada passe por lá, isso não acontece. Os grandes blocos não passam da Praça Castro Alves. Por questão de segurança, pois a estrutura do casario é antiga e pode não suportar o impacto causado pelo som dos trios.
Outro aspecto que gostaria de comentar é que o filme, no meu entender, não se propôs mostrar Salvador como um todo e não mostrou. Não mostrou nem o carnaval da elite, nem os grandes nomes do nosso carnaval, como por exemplo, Chiclete com Banana, Ivete Sangalo, entre outros. O filme manteve o foco em blocos que estão ligados a negritude. Existe a crítica social, os personagens Cosme e Damião (o paradoxo do filme) retratam a maneira algre de ser, contentam-se com tão pouco. Entretanto, são confundidos com os pequenos margianais, perdem suas vidas, levam-nos a melancolia. É a parte triste do filme, é a parte triste da realidade: tomada de consciência. Estar ali viajando no filme, achando tudo ótimo, derrepente aquela cena, o desespero daquela mãe. Aquela música: "mãe que é mãe no peito sente dor... e lá vou eu... lá, lá, lá". Doeu. Beirei as lágrimas. Ciente que aquilo que via era um filme, mas também nossa realidade.
12.06.07 @ 18:19


Rosimeri
Correção: onde se lê margianais, leia-se: marginais
12.06.07 @ 18:24


Anderson
Senhores,

Sou baiano mas sou realista...

Adoraria que se fisessem também um filme que ilustrasse a realidade das comunidades pobres de Salvador, da vida sofrida do povo do subúrbio, da agitação e correria do centro da cidade, do esforço do povo em trabalhar dia a pós dia levantando 4:00 da manhã, da realidade das drogas que acabam com a vida de diversos jovens em Salvador, das pessoas simples que comumente não aparecem na televisão não são músicos não vão pro carnaval não são populares mas fazem dessa cidade ser a 3ª maior capital do Brasil.

Parabéns pelo filme, porém...

Salvador merece muito mais!
13.06.07 @ 19:45


Marcos Japao
Oi
Alguem sabe o nome da musica que eles estao dançando no bar? A musica da foto deste Post
Quem souber mande mail greenhida3@gmail.com
15.06.07 @ 23:51


ray
O filme traz uma dezenas de efoques que a meu ver reproduzem a cara do brazil da periferia,é um dedo na ferida de varios problemas brasileiros que insistem em permanecer sem solução e que o baiano como todo bom brasileiro encaram de frente e tiram de letra e ainda dam rizada e se divertem à sua própria miséria, parabens ao diretor e a todo o elenco pelo momento de brasilidade que nos deram.

Sou professor de história do ensino público de sp
09.07.07 @ 18:08


ray
O filme traz uma dezena de efoques que a meu ver reproduzem a cara do Brasil da periferia,é um dedo na ferida de varios problemas brasileiros que insistem em permanecer sem solução e que o baiano como todo bom brasileiro encaram de frente e tiram de letra e ainda dão rizadas e se divertem à sua própria miséria, parabens ao diretor e a todo o elenco pelo momento de brasilidade que nos deram.

09.07.07 @ 18:16


AILSON CARLOS GARRIDO
Esse filme é simplismente o maximo, a pura realidade BAIANA,adorei NOTA.10000000000000000000000,

PARABENS,.
19.08.07 @ 20:09


josé santos
gostei do filme, lazaro e luciana são os melhores! aquela dança sensual é demais! O personagem de Dira eu achei que poderia ser mais trabalhada na linha comédia ou mais dramática. O filme em si, é bem divertido!
22.08.07 @ 00:20


Uma Merda!
Achei esse filme uma merda. Não li as críticas para me prevenir que seria uma chatisse sem roteiro, cheia de musicais com gente desafinada (Lázaro Ramos), propaganda de prosituição? para turistas. Entrei aqui no blog querendo saber o nome do diretor, para da próxima vez que ver o nome dele estampado em algum filme vou esperar 15 anos para ver na sessão da tarde de um canal decadente, pois aí como já terei pego o filme pela metade não terei dó em mudar de canal depois de 2 min. desta joça!
10.09.07 @ 10:35


eduardo garcês
brasileiro só vai ver filme brasileiro no cinema qd sabe q rola peitinho, bunda e dá pra dar umas risadas. Colocou axémusic no meio então... vixi! LINDO!!!! Por isso esse filme me impressionou tanto... convida o expectador a se divertir, garante a diversão espetacularmente bem, mas dá-lhe uma banda certeira, q só não cai quem se apóia na muleta da indiferença. Grupos de extermínio, racismo, intolerância religiosa, a discussão sobre o aborto... realidades que precisam ser conhecidas... Tecnicamente, o filme deixa a desejar em som, edição... besteira... bom q ainda bota em cheque a porra do padrão globo de produção. gostei de cair nessa cilada... comércio com conteúdo... acho q casa bem
18.09.07 @ 02:28


JANICE
gOSTARIA DE OBTER INFORMAÇOES SOBRE QUESTOES PRA SEREM DISCUTIDAS EM SALA DE AULA COM O FILME ò pAI, Ó
25.09.07 @ 10:35


Davi Albuquerque · http://www.mundoclick.net
Calem-se todos, moro na Bahia e tenho contato com a classe trabalhadora e muitos deles tem o sotaque até mais pesado que os dos personagens do filme, muitos dizem "banalização do sexo no carnaval", mas isso é mais que real, quem compra abadá de bloquinho da ivete, ou ve pela televisão, não sabe o que é o que é o carnaval. É sexo mesmo, tem homosexualismo pra caraio mesmo, tem tudo mesmo, tanto que a empregada do meu tio tem 3 filhos, feitos em 3 carnavais e não sabe quem é o pai de quem. É a pura realidade, o mal é esse povinho classe média que tem mania de querer esconder tudo debaixo do pano, assim como criticam o filme Turistas, o filme tá perfeito e é isso aí, não gosto vai ver faustão
28.09.07 @ 21:38


Catherine Horrana
Odiei ... Eu sou baiana, hj moro em salvador, mas na epoca em que assisti, ainda residia em Fortaleza. Assisti com alguns amigos meus e eles simplesmente perderam toda a vontade de vir a Bahia algum dia. "Queimou" toda a imagem da capital e ñ mostrou o que os baianos e a Bahia tem de melhor pra oferecer. Porem, deixou claro, a americanização de nossas baianas q vendem acarajé, a violencia no centro historico da cidade, as casas velhas e imundas de nossa cidade .. Enfim, deixou de mostrar inumeras qualidades daqui de Salvador, simplesmente, eu estou bem descepcionada.
26.03.08 @ 16:03


Neide Fernandes
Acabei de chegar de uma viagem a Salvador depois de mais de vinte anos que não visitava aquela cidade. Este tempo de vida me deu as condições atuais para melhor apreciar a diversidade da cultura brasileira. Sou pernambucana e me deliciei identificando as diferenças - pernambucano x baiano. Retornando da viagem corri em uma locadora para pegar o filme Ó Paï Ó, para completar meu sentimento sobre a Bahia. Amei o filme, e o compreendí perfeitamente.O Pelourinho, sua população, e a cultura baiana é difícil de ser descrita, tem que ser vista e entendida. Para mim o filme cumpriu bem a sua proposta.
15.06.08 @ 18:23


marcelo
por favor alguem me manda o nome da musica que todos dancam.no bar da creuzao
17.07.08 @ 17:50


SIMONE PAULINO
NOSSA ESSE FILME FOI MUITO DETERMINISTA E REALISMO..COM TODAS AS ORIGINALIDADE DO FILME....OS PERSONAGENS FORAM SHOWWWWWWWWWW...MAS CONFESO QUE É O FIM DO MUNDO...ESTA CHEGANDO....
27.10.08 @ 19:12


Jean Wellington
O melhor filme brasileiro, na minha opinião, e o melhor seriado!!!
não podia ser melhor!!!na cidade de "Salvador" na de boa!!!vou até dá um rolé por lá pra ver se eu apareço nas filmagens...rsrsrsrsr...
11.11.08 @ 16:06


Nero Blake
Uma bosta de filme. Elenco pretensioso, em sua maioria. Esse tal de Lázaro Ramos é um dos 'mais novos achados' dessa elitizinha metida a povão... essa mesmo que agora (na verdade já tem um tempo) freqüenta a Lapa, escuta Cartola e passa boa parte do tempo dando satisfação de suas vidas no Orkut...

Escuta aí Rede Globo e seus pseudointelectuais de cinema: Viva Glauber Rocha!

Brasil, um país brega!!!
16.11.08 @ 12:28


Edvaldo Pessoa
O nome da música que os personagens dançam no bar eh "I miss her" da banda Olodum
07.11.09 @ 10:10


debora · http://Anonima
E gostei muito , essas pessoas que não gostam eu respeito, só acho que devemos dar mais valor as coisas que temos, as coisas que o Brasil produz. Voltando ao filme quero lhe dizer que amo filme brasileiro e ponto final. beijos a todos
20.02.10 @ 23:40


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