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Segunda, Março 12

[a pele]

A Pele

Nicole Kidman é uma ótima atriz que precisa trocar urgentemente de agente. Nada explica a sucessão de escolhas duvidosas da havaiana. Ela até até que tenta se equilibrar entre o pop (mas encontrou o desastre em Mulheres Perfeitas, 2004, e A Feiticeira, 2005) e um cinema mais, digamos, significativo, embora o drama Reencarnação (2004) e o político A Intérprete (2005) não tenham significado muito para quase ninguém. A Pele, onde interpreta a fotógrafa norte-americana Diane Arbus, pode ter sido um golpe fatal.

O que dizer de um filme que começa pedindo desculpas ao espectador? Em outra palavras, é isso o que acontece no letreiro que abre o longa, onde Steven Shainberg diz para que ninguém encare o filme como uma biografia porque aquilo ali não retrata o que aconteceu, mas o que poderia ter acontecido. Algo como "não me leve a sério, tô a fim de brincar um poquinho". E então somos apresentados à história de como uma mulher descobriu seu talento através do contato com um personagem que nunca existiu. É, bem enigmático.

Não que isso seja novidade no cinema de Shainberg. Em 2002, seu filme de estréia, Secretária, estrelado por uma mal dirigida Maggie Gyllenhaal, vinha se apoiar no vício de uma estética do choque que tomou conta dos indies norte-americanos, com personagens psicopatas com comportamento doentio sendo usados como espelho da média de um povo. A Pele se afasta deste contexto, mas continua a obsessão do diretor pelo esquisito.

A tarefa mais difícil neste filme é entender o personagem Lionel. Não por causa de seus passos no longa, muito menos por causa da interpretação de Robert Downey Jr., pós-clínica e pré-Homem de Ferro. O bom ator até se esforça para dar alguma credibilidade para a coisa, mas quem consegue comprar aquela versão piorada do Leão de O Mágico de Oz, setenta anos depois?

É o contato com o peludão que desperta em Diane a atração pelo incomum, pelo esquisito aos olhos da sociedade, mas isso nunca fica claro aos olhos de um espectador mais leigo que não sabe pelo que a fotógrafa foi celebrada anos mais tarde do que é retratado no filme. Diane ganhou prêmios e correu o mundo por fotografar pessoas nas condições mais incômodas e estranhas e por tentar ressaltar a beleza do que pode ser considerado abominável para a maiora parte das pessoas.

No filme, o que seria o resultado de sua proximidade com Lionel nunca é mostrado de forma clara, nunca se completa, o que deixa a sensação de que para Shainberg era muito mais importante alimentar seus mórdidos prazeres estéticos de mostrar freaks sem ter o talento de um David Lynch do que de se propor a compreender sua heróina. A pobre Nicole Kidman, nesse cenário, não resta muito. Sem saber muito bem para onde ir, vez ou outra cai em maneirismos melodramáticos e, tentando tomar fôlego, se resguarda em repetições de si própria.

[a pele estrelinha]

direção: Steven Shainberg.
Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, Estados Unidos, 2006. roteiro: Erin Cressida Wilson, baseado no livro Diane Arbus: A Biography, de Patricia Bosworth.
elenco: Nicole Kidman,
Robert Downey Jr., Ty Burrell, Harris Yulin, Jane Alexander, Emmy Clarke, Genevieve McCarthy.
fotografia: Bill Pope. montagem: Kristina Boden e Keiko Deguchi. música: Carter Burwell. desenho de produção: Amy Danger. figurinos: Mark Bridges. produção: Laura Bickford, Patricia Bosworth, Andrew Fierberg, William Pohlad e Bonnie Timmermann. duração: 120 min. site oficial.

nas picapes: [in the morning, junior]

posted by Chico Fireman at 02:43:54 | 16 comentários



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Comentários




Marina Santa Helena
Nossa, ainda bem que você avisou logo. Sou fã da Diane Arbus, mas quando vi que seria a Nicole Kidman a interpretá-la no cinema torci um pouco o nariz.
Talvez justamente devido aos últimos filmes dela.
Acho que até vou assisitr A Pele, mas agora devidamente alertada.
12.03.07 @ 10:27



Se vc é fã, deve ver mesmo, Maria Helena, mas eu iria sem muita empolgação. A maior falta do filme é conseguir convencer como um personagem fictício inspirou o trabalho da fotógrafa.
12.03.07 @ 11:22


Catita
Pois eu também achei fraco. Uma história sem história, que não é biografia e nem outra coisa que poderia ser. Você sai achando que ela era uma desequilibrada e nada mais: nem mesmo as obras dela são mostradas. Uma pena...
12.03.07 @ 13:13



Pois é, esse é o ponto. O que é o filme?
12.03.07 @ 13:42


maria carolina purini
voce ao menos viu esse filme,seu incompetente,quewm voce pensa q vc eh ?!
cresce e aparece!

20.04.07 @ 09:06



Vi e achei uma bosta, mal educada. E eu, eu sou o dono do blogue, ora, vc não entendeu?
20.04.07 @ 12:34


Denise
Oi!

Li seu texto, até concordo com alguns pontos, mas achei o filme fascinante. É uma história de alguém que joga a vida "perfeita" pro alto pra fazer o que sempre quis, sem pensar no julgamento dos outros. Achei isso fantástico, não o fato de poder ser uma biografia, uma história contada, etc e tal. Ah, sei lá, talvez eu esteja emotiva pra caralho, mas eu curti!
hehehehe
31.05.07 @ 17:32


Guará
Havaiana!?!?
29.08.07 @ 11:24


Guará
hahahahahaahahaahahahaha
29.08.07 @ 11:25



Wikipédia:

"Nicole Mary Kidman (Honolulu, Havaí, 20 de Junho de 1967) é uma actriz nascida nos Estados Unidos da América de pais australianos".

hahahahahah.
29.08.07 @ 11:57


Simone
A Pele e a Secretaria são filmes extremamente sensíveis, são diretos e diferentes, filmes para poucos, pois fogem do que chamamos de "convencionais".
Achei seus comentários péssimos e sem argumentos precisos.
Você deve ter assistido 2 Filhos de Francisco umas 100 vezes...tô mentindo? Então sugiro que assista somente mais uma vez cada um desses filmes...sua opinião vai mudar...há vai!!!
23.09.07 @ 13:11


Simone
Eu fui educada héim...e sei que é dono do Blog, eu não aceitei suas crticas e retruquei...não vai me tratar como tratou a Ana Carolina...cultuo meu cérebro!
Há...Havaina relamente foi péssimo...o que foi isso?
23.09.07 @ 13:15


jota
cara vc nao estava bem qdo viu
ve de novo
o filme e otimo e atuação de Nicole
é fantastica e na medida
desculpas que ta pedindo e vc não o Steven Shainberg.
06.10.07 @ 12:17


Jonas
Filme abaixo da crítica, pretensioso e muio ruim.
Ah, desse jeito a Nicole podia fazer propaganda das sandálias!
05.02.08 @ 22:05


Chico, concordo em alguns pontos com voce. Mas o filme nao é um documentario e deve ser visto sob a otica do ludico e a leituras das entrelinhas da vida de Diane. Penso que o filme é uma viagem pela mente e pelas emoçoes da fotografa e nao da vida concreta, palpavel.

Ha dezessete anos tenho o mesmo sonho de vez em quando. Estou lavando as lentes de contato que sao do tamanho de minhas maos. Dobro-as em muitas partes, amasso e tento enfia-las nos olhos. A agonia de nao enxergar o mundo, a mim mesma, aos outros e a propria lente me atordoa. Estou em meio à nevoa desfocada tipica que envolve os miopes. Quando termino de dobrar minhas lentes e tento coloca-las à força dentro dos olhos, elas se abrem como um guarda-chuva e saltam para fora dos meus olhos me deixando na névoa desfocada e sem rumo.

Nesses dezessete anos, apenas uma unica vez sonhei que as lentes eram do tamanho que cabiam nos meus olhos. Eu as colocava sem problemas e voltava a enxergar: quando trabalhei como fotografa no secretariado da Marcha Global Contra o Trabalho Infantil, na India.

O psiquiatra suiço Carl Jung escreveu que a sombra designa "o outro lado" do ser humano, aquele em que vige a escuridao, tudo em nos que desconhecemos. Normalmente; destacamos a sombra negativa. Mas é preciso ter claro que existem as sombras positivas: nossos potenciais e talentos ainda nao expressados ou descobertos. Em meio a essa escuridao da vida inconsciente existemuita riqueza e sabedoria ainda nao explorados.Os sonhos, segundo Jung, sao portas para ir ao encontro das nossas sombras, positivas e negativas.

Seis anos atras, contei este sonho a um médico homeopata que me deu umas gotinhas pra que eu percebesse o que meu inconsciente estava gritando atraves deste sonho. Apesar de ser tao obvio eu ainda tinha duvidas... Duas noites depois das gotinhas, eu sonhei com um homem me explicando o sonho. Ao fotografar, eu deveria me aproximar do sujeito-objeto fotografado. Adentrar seu universo. Retirar os muros e mascaras que construi pra me proteger da dor. A Fotografia teria o poder de me fazer ver o mundo como ele é e nao como eu gostaria que fosse.

Hoje assisiti o filme "A Pele", de Steven Shainberg. Uma ficçao baseada na vida da fotografa judia americana Diane Arbus. O impacto emocional foi o mesmo do sonho que tenho ha dezessete anos.

Diane Arbus era assistente do marido, fotografo de moda. Nasceu numa familia judia rica e proprietaria de uma industria de casacos de pele em Nova Iorque. Segundo os biografos, na infancia nao conheceu a miseria, mas a mae sofria de depressao e era presa a codigos rigidos de conveniências e aparências da aristocracia. O que pode ter levado Diane a se interessar pelo "outro lado": a historia dos marginais, das prostitutas, dos deficientes fisicos, travestis e todo tipo de pessoa considerada "anormal" pela sociedade americana dos anos 50.

Assim como o principe Sidharta, na India, Diane Arbus rompeu com todos os laços da segurança, saiu dos muros aristocraticos de Upper West Side, em Nova Iorque, e teve a coragem de enxergar aqueles que ninguem queria ver. Diane ganhou prêmios e correu o mundo por fotografar pessoas nas condições mais incômodas e estranhas e por tentar ressaltar a beleza do que pode ser considerado abominável para a maior parte das pessoas. Em 1972, seu catalogo tornou-se um dos mais influentes livros de fotografia. Desde então, foi reimpresso 12 vezes e vendeu mais de 100 mil cópias. A exposição do MoMa viajou por todo o país e foi vista por 7 milhões de pessoas. No mesmo ano, Arbus tornou-se a primeira fotógrafa americana a ser escolhida para a Bienal de Veneza.

Sidharta, segundo os narradores da historia, teria alcançado a iluminaçao ao romper com tudo o que o ancorava. Diane se suicidou tomando um calhamaço de barbitúricos e cortando os pulsos aos 48 anos, em 1971, dois anos depois de se separar do marido que nao suportou suas escolhas.

Entao, fico aqui pensado com meus botoes... Qual é o limite para romper com tudo e nao se perder na trilha? Quando é que transcendemos a dor e a transformamos em luz para si e para os outros? Como entar em contato com as proprias sombras sem ser engolida por elas? A dor na alma ja existe quando rompemos com o que nos ancorava e piora com tudo o que se vê diante das escolhas na sua caminhada pessoal ou ela nasce com a falta de firmeza diante das miserias humanas?

No livro "Escutando Sentimentos", de Ermance Dufaux e Wanderley Oliveira, pagina 208, tem um paragrafo revelador sobre pessoas como Diane e Cazuza, por exemplo. "A tarja de obsidiados tem sido utilizada para quantos decidem por caminhos diferentes. Sao desbravadores obstinados de novas formas de caminhar, corajosos desafiantes que honram em si mesmos a diversidade. Diversidade essa que ainda nao aprendemos a respeitar. Peregrinam por outras sendas de aprendizado nas quais, possivelmente, a maioria de nos nao teria siso para trilhar. Garantem-se com suas intençoes. Sobre alguns deles, inclusive, assentam-se os mais elevados interesses do Plano Maior."

Susan Sontag, escritora americana e retratada por Diane, acusou Arbus de niilismo, total e absoluto espírito destrutivo em relação ao mundo circundante e ao próprio eu e que, exatatamente por isso, ela se escondia na dor dos marginais fotografados por ela pra nao lidar com a sua propria depressao.

Diane Arbus rebateu: " Pra mim, o sujeito da fotografia é sempre mais importante que a fotografia. Fotografei muito as pessoas "anormais", o bizarro. "Foi o primeiro tema que eu fotografei e eu tinha muito interesse por eles. Existe algo de fascinante sobre os "anormais". A maioria das pessoas segue pela vida tentando esconder suas deficiências. Os "anormais" nasceram com suas deficiências expostas. Eles passaram na prova final da vida. Eles sao verdadeiramente nobres. "

Essa consciência e a coragem pra ir ao encontro de suas sombras e romper com os codigos rigidos de conveniências e aparências hipocritas nao impediu Diane de se matar.

A consciência de que preciso sair do casulo em que me enfiei nao me impede de resistir às mudanças com todas as minhas forças com um imenso medo de me separar das mascaras que utilizo para amortecer a dor e de me perder na trilha, assim como Diane. Sigo com medo de ver o mundo e de me enxergar. Minha maquina fotografica segue escondida no armario, assim como algumas das minhas sombras.

* Patrícia Nascimento Delorme, 37, jornalista e mãe do Luka, na lida com "o outro lado" do meu proprio ser e ao encontro das minhas sombras. Seu e-mail: patiedelorme@gmail.com
blog: www.torodeparpite.blogspot.com

--
01.05.09 @ 04:57


Eu detestei este filme. Feio, mal feito, irritante.
abs, Elianne
15.08.09 @ 22:54


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