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Quarta, Março 7

[gosto dos outros: hudson dalbem]

A decisão de reativar uma das mais legais seções deste blogue já é antiga, mas ganhou um motivo com a mudança de endereço. O Gosto dos Outros está de volta, mas com uma modificvação. Em vez de listas de melhore filmes, relações específicas, com universo reduzido. A coluna será mensal e a idéia é postá-la na primeira quarta-feira de cada mês. O Hudson Dalbem foi o primeiro convidado.

[os melhores filmes que perderam o oscar]

Taxi Driver

Contestar a subjetividade das escolhas do Oscar não deixa de ser, na maior parte do tempo, uma atitude meramente subjetiva. Mas qual cinéfilo, em sã consciência, não a faz todo o tempo? Pelo simples prazer de imaginar que a glória da estatueta dourada cai no colo do filme do coração, aquele que, por um motivo ou outro, nos arrebata ao sair da sala escura, fazendo surgir aquele sentimento único que só o fiel apaixonado pela sétima arte tem. Desde que o prêmio da Academia de Artes e Ciências de Hollywood começou a ser entregue, em 1929, alguns dos maiores e melhores filmes de suas épocas acabaram amargando o gostinho de esquentar banco durante a festa. São eles:

10 Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)

Não há como não se render ao genial espetáculo orquestrado por Francis Ford Coppola sobre a Guerra do Vietnã. Seu visual impressionante e seus personagens eternizados foram preteridos pelo drama Kramer vs. Kramer, de Robert Benton, talvez pela incapacidade de premiar a veracidade do horror de uma batalha até hoje lembrada.

9 Uma Rua Chamada Pecado (Elia Kazan, 1951)

Se for pecado desejar, Vivien Leigh e Marlon Brando devem estar fervendo no inferno. Duas das melhores atuações de todos os tempos se reúnem no drama de Elia Kazan sobre a arte de se encantar pelo abominável, um vício peculiar e amoral. Mas inexplicavelmente o melhor filme do ano foi o insosso musical Sinfonia em Paris, de Vicente Minnelli.

8 Os Bons Companheiros (Martin Scorsese, 1990)

Em voga por finalmente ter seu trabalho reconhecido com um Oscar, Martin Scorsese já deveria ter uma prateleira repleta deles. Um retrato sobre os bastidores da máfia com habilidade, explosão e violência já havia sido construído sob o olhar de Henry Hill, mas a união entre a Guerra Civil Americana e os Sioux em Dança com Lobos, de Kevin Costner, levou o prêmio.

7 Cidadão Kane (Orson Welles, 1941)

Primordial em se tratando de direção de câmera, que não apenas efeitos novos traziam ao cinema, mas compunham junto com a história a personalidade do protagonista, Kane e Orson Welles foram preteridos pelo conservadorismo de Como era Verde o Meu Vale, de John Ford, que brincava longe dos faroestes.

6 Moulin Rouge! (Baz Luhrmann, 2001)

Precisou um australiano para sacudir Hollywood com um musical kitsch, brega, romântico e fabuloso, e subverter as regras de um gênero que consagrou a Meca do cinema durante anos. O visual fantástico, o estilo pop inserido num contexto de época e a vibração da união entre imagem e som não foi suficiente para tirar o prêmio das mãos da burocrática biografia Uma Mente Brilhante, de Ron Howard.

5 Taxi Driver (Martin Scorsese, 1976)

Passeando pelas ruas da violenta Manhattan, onde o famoso sonho americano não se constrói, novamente Martin Scorsese mete o dedo na ferida do Vietnã, dessa vez mostrando os alcances sociais gerados pela guerra. Ninguém jamais esquecerá Robert De Niro olhando para e tela e gritando "are you talkin' to me?" incessantemente. A estatueta de melhor filme ficou com Rocky, Um Lutador, de John G. Avildsen.

4 A Primeira Noite de um Homem (Mike Nichols, 1967)

Talvez este seja a única comédia essencialmente romântica – e nem por isso um fantástico drama – que entre para a história como uma obra-prima. O texto inteligente, a trilha sonora pulsante e deliciosa, e figuras cativantes como Mrs. Robinson e Benjamin são alguns dos ingredientes que dão ao filme o toque de genialidade, coroado por Mike Nichols. Oscar para No Calor da Noite, de Norman Jewison.

3 Laranja Mecânica (Stanley Kubrick, 1971)

A postura covarde de dar o Oscar para Operação França, de William Friedkin, é justamente o caráter contrário do melhor filme de Stanley Kubrick. Mas quem se importa? A ousadia, marca registrada do diretor, está presente em cada cena desse que é um retrato social de qualquer tempo, sem deixar de ser uma sátira à hipocrisia de todos, e talvez por isso represente tanto para nós como para Alex DeLarge.

2 As Horas (Stephen Daldry, 2002)

Esqueça essas teorias de "filme para mulheres": o que As Horas traz para a tela nada mais é do que a alma humana. Drama contundente e complexo sobre o peso que as nossas decisões acarretam no futuro, é um dos filmes que talvez tenha um dos melhores conjuntos da história. Com precisão e intensidade reflete tudo aquilo que se espera de Clarissa, Laura e Virgínia, as protagonistas de uma história universal. Ganhou Chicago, de Rob Marshall.

1 Crepúsculo dos Deuses (Billy Wilder, 1950)

Um dos melhores diretores (senão o maior) em seu melhor filme. Exagero? Crepúsculo dos Deuses, com seu roteiro magistral, absorvia o que de maior havia no esplendor do cinema até então realizado. A união entre o novo e velho, o que fora fascinante e a busca pelo sucesso, guarda em seu íntimo aquela sensação de que não há conhecimento maior do que conhecer a você mesmo. E como Norma Desmond disse: "ainda sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos". Ganhou A Malvada, de Joseph L. Mankiewicz.

Hudson Dalbem, 23, universitário, mora em Vitória, Espírito Santo, e escreve desde 2004 para o blogue Epílogo.

posted by Chico Fireman at 09:34:59 | 11 comentários



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Comentários




Legal ter retomado a seção, é sempre bom saber dos filmes preferidos da galera. E, com exceção de As Horas e Moulin Rouge (não consigo ver algo além de "filmes para mulheres") a lista tá bem legal, meu preferido é o Coppola e sua cavalgada das Valquírias.
07.03.07 @ 15:09


Chico, obrigado pelo espaço aqui entre seus Filmes. Foi um prazer enorme montar a lista. Abração!
07.03.07 @ 15:41


É uma das seções mais legais de seu blog; gostei do retorno. A lista do Hudsom tá bem boa; Laranja Mecânica, Taxi Driver, Graduate, Goodfellas, etc. todos deveriam ter ganho o Oscar mesmo (Cidadão Kane também, mas perder para John Ford é um honra, pô! hehehe). E também não consigo ver Moulin Rouge e As Horas como "injustiçados", até porque os melhores filmes dos respectivos anos não estavam concorrendo; dos filmes da lista, meu preferido também é o do Coppola.
07.03.07 @ 16:13



Hudson, foi muito legal ter retomado com sua lista, super pop e variada.

Achei que a inclusão de "Moulin Rouge" e "As Horas", justa ou injusta, deu mais molho para a relação. Enfim, a lista é do Hudson...

07.03.07 @ 16:38


Rodrigo,
é um trabalho ossudo esse de apontar quem merecia mais ou menos, mas aqui nos atemos apenas àqueles que foram indicados. Se buscássemos os que ficaram de fora dos 5 finalistas, mudaríamos uns 60 vencedores do Oscar. Mas valeu pelo comentário! :o)
07.03.07 @ 21:58


Touro Indomável, Brokeback Mountain, Gangues de Nova York, O Resgate do Soldado Ryan, Pulp Fiction ... são tantos os injustiçados. Mas é uma bela lista.
08.03.07 @ 00:29


Situacao dificil entre Ford/Welles e com Friedkin/Kubrick....Pois os dados perdedoeres se vencessem, teriamos o vencedor como injustiçado!
08.03.07 @ 01:53


Gabriel Carneiro · http://os-intocaveis.blogspot.com
Bela lista e bela volta com a coluna.

Colocaria alguns outros, como O Resgate do Soldado Ryan...

E está certo que Crespúsculo dos Deuses é maravilhoso e melhor que A Malvada, mas este é bem bom também. Não acho que foi uma grande injustiça.

Mas tá valendo!
08.03.07 @ 17:29


bela lista !
a derrota de "Taxi Driver" e "Os Bons Companheiros" foram criminosas !!!!
10.03.07 @ 13:39


Bom, gosto é gosto, concordo com a maioria, mas Moulin Rouge e As Horas, não dá não. Abraço.
15.03.07 @ 19:37


bruno leitauM
eu naum sei c naum tenhu gosto ou sei lah
mas as horas... eh soh pra qm eh bom mesmo...
eu naum sei como terminer de assistir..
17.03.07 @ 17:34


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