Domingo, Junho 4
[o código da vinci]

É impressionante como se perde tempo com bobagens. Há uma predisposição generalizada a considerar O Código Da Vinci um filme medíocre desde que se começou a falar que o best seller de Dan Brown seria adaptado para o cinema. E existem vários fatores para justificar os ataques que o filme vem recebendo: o primeiro, o fato de ser baseado num livro extremamente popular, tanto nas vendagens quanto no zumzumzum que o tema provoca. E bilheteria geralmente - geralmente não é sempre - é sinônimo de insucesso crítico ou artístico. O segundo motivo tem três partes: Ron Howard, Tom Hanks e Audrey Tautou.
Ron Howard, esse, sim, é um diretor medíocre, responsável por uma carreira inteira de fiascos - filmes desinteressantes, sem identidade e sem talento. Frases como "eu odeio Tom Hanks" são ouvidas a esmo e comumente atribuídas às personagens boazinhas que deram fama ao - bom - ator de Forrest Gump (Robert Zemeckis, 1994). Audrey Tautou, por sua vez, sofre do estigma de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (Jean-Pierre Jeunet, 2001), que tem tantos detratores quanto fãs. Talvez mais detratores dispostos a enxergar as más intenções de seus realizadores.
Cenário perfeito, catapultado pela dedicação compulsiva da imprensa aos bastidores da produção e à imensa divulgação do filme, para se falar mal.
Pois bem, O Código Da Vinci expõe em toda sua duração a inexpressividade de seu diretor, o bom mocismo de seus protagonistas, mas, a contragosto de todos, é um bom filme. E o principal culpado por isso é o autor do livro, um ás em criar elos, ligações, explicações, geralmente fantasiosas ou exageradas (ou não comprovadas), a cerca de fatos históricos, filosóficos e religiosos que fazem parte do mais nobre altar do imaginário popular. E, o que é mais fascinante, é que a obra se assume muito mais como thriller, como suspense, do que como documento. E o filme reproduz o livro (claro que com perda; sempre há) nesse aspecto.
Ora, a ficção a serviço do entretenimento faz parte dos alicerces da história do cinema. Então, condenar um filme por ele ser uma bobagem feita para divertir e ficar inventando motivos para desdenha-lo é coisa de bocó. O Código Da Vinci não está a serviço da história, longe disso. O filme, mesmo com seu tema, digamos, de alcance universal, é para consumo imediato, para ser degustado como fast food numa tarde no cinema. Vai e deve ser esquecido muito rapidamente, mas até lá ele cumpre, muito bem, seu papel. É impressionante como se perde tempo com bobagens.
O Código Da Vinci 


The Da Vinci Code, Ron Howard, 2006
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(por Gama Blog)
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