Quarta, Maio 24
[[brown bunny]]

Bud Clay está na estrada. Menos pelas competições de que participa e mais porque ele procura o que perdeu, algo como um coelhinho marrom, aquele mais belo de todos. Em cada parada, Bud busca espelho, reflexo, completude, parceria. Como não acha, ele se dedica a forjá-las, moldá-las, transformá-las, numa tentativa egoísta de por fim a sua aflição, naquilo que lhe faz falta. Mas Bud não se contenta com menos do que tudo. Não há espaço para cópias ou semelhanças; flores diferentes que não sua margarida. E sempre resolve continuar a procurar.
A melancolia seca do filme de Vincent Gallo é uma coleção de tristezas e solidões, que ganham no território desértico dos Estados Unidos sua forma mais visível. Revela que não apenas o protagonista, imerso na desesperada procura por um passado perdido, sofre com a ausência. Todos com que ele esbarra são consumidos pela falta de perspectivas e de, mais do que tudo, de carinho. O homem solitário se apega até ao vento para acalentar o coração. As flores que cruzam o caminho de Bud são como ele, mas não é isso o que ele quer.
Naquele que é possivelmente o road movie mais triste já rodado, Vincent Gallo é talentoso em transferir para o espaço onde filma a essência do longa-metragem, ainda que haja momentos em que o nada incomode. O texto faz falta a quem está dependente de uma narrativa mais convencional, mas o experimento formal do diretor, rigoroso, ousado, recebido com preconceito estúpido, carecia mesmo do mínimo de palavras. Para Gallo, a única maneira de expressar a condição de falta de Bud é o sensorial.
Então, a palavra dá lugar aos outros sentidos. São os olhos que revelam a tristeza de um mundo de plástica exímia, habitado por solitários. É a música que expõe as feridas abertas ainda carentes de cicatriz. É o boquete, que assuntou e acintou tantos, que gerou muito riso descontrolado no cinema de uma platéia que não estava disposta para o filme; é o boquete cheio de violência, cheio de dor, que catalisa as angústias do protagonista, que o devolve a consciência da culpa, motivo de sua busca sem fim pelo coelhinho marrom, aquele mais belo de todos.
[brown bunny 


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direção, roteiro, fotografia, montagem, desenho de produção, figurinos e produção: Vincent Gallo.
elenco: Vincent Gallo, Chloë Sevigny, Cheryl Tiegs, Elizabeth Blake, Anna Vareschi, Mary Morasky.
site oficial: brown bunny. duração: 90 min. the brown bunny, Estados Unidos/França/Japão, 2003.
nas picapes: [love will come through, travis]
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Eu teria votado nele em algumas categorias do Alfred se tivesse visto em tempo hábil.
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péssimo 







