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Quinta, Maio 4

[[missão: impossível III]]

[demasiado humano]




A primeira cena de Missão: Impossível III joga você, espectador, no meio da ação. Sem pára-quedas. O impacto desta seqüência, que inicia o clímax do longa-metragem, é um belo de um golpe do diretor J. J. Abrams para articular seu filme como um grande flashback. Desta forma, apresentando a primeira parte do desfecho e voltando no tempo para narrar os eventos que culminaram naquela cena, Abrams faz com que toda a duração do filme ganhe tom de clímax. Para quem tem alguma intimidade com a história recente do cineasta, que estréia como diretor, a utilização deste recurso, a manipulação de tempo, é freqüente nas suas criações. O melhor exemplo é Lost, possivelmente a série mais mitificada dos últimos tempos. Da mais bem sucedida carreira da TV, Abrams importa muitos elementos e são eles que deixaram a terceira incursão de Ethan Hunt no cinema tão boa quanto as anteriores.

Se Brian De Palma era um mestre da ação e John Woo... bem... também era um mestre da ação nos dois longas anteriores, o novo diretor, além de criar seqüências es-pe-ta-cu-la-res com todos os hífens a que se tem direito, teve a capacidade de humanizar como nunca o protagonista e, assim, construir uma série de cenas que, quando pouco, são estranhas às regras do gênero (o filme de espionagem) e, sob outro ponto de vista, chegam a subverter algumas destas regras, como o inesperado final. Não se trata de um final radical, revolucionário, mas é um final que vai de encontro a um princípio básico deste tipo de filme.

Desde Lost, Abrams revelou uma queda pelos pequenos conflitos, que muitas vezes ganham o lugar das seqüências de ação. E quando se dedica a eles, não há dó nem piedade na hora de usar o sentimentalismo a seu favor. Diálogos com personagens com olhos cheios d?água, prestes a desabar emocionalmente, marca da série sobre os sobreviventes, são usados várias vezes ao longo de Missão: Impossível III. E, como em alguns capítulos do programa, esses momentos são construídos quase que sempre entre o humanismo e a pieguice, sem que um nunca necessariamente anule o outro, nem deixe o outro se sobressair.

As limitações de Tom Cruise enquanto ator, algo que se insiste em lembrar, não fazem diferença aqui por causa da maneira como Abrams deixa a história envolvente. Cruise deveria, sim, é receber mérito por seu talento para administrar a carreira e apostar em escolhas inusitadas como a do novo diretor da série que estrela há dez anos. À cartilha da série (cenários exóticos, perseguições sensacionais, vilões infalíveis), o cineasta, o primeiro que escreve um dos três filmes, adiciona a câmera trôpega que você já havia visto em vários outros lugares - e que se consagrou em Lost, mas que cabe bem demais aqui, além de micro-soluções de roteiro, que, quando não são necessariamente excelentes ou inovadoras, decretam uma linguagem própria do diretor.


[missão: impossível III ]
direção: J.J. Abrams. roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci e J.J. Abrams, a partir da série de TV de Bruce Geller.
elenco: Tom Cruise, Ving Rhames, Keri Russell, Philip Seymour Hoffman, Bahar Soomekh, Laurence Fishburne, Billy Crudup, Simon Pegg, Michelle Monaghan, Jonathan Rhys Meyers, Maggie Q, Sasha Alexander, Greg Grunberg, Michael Berry Jr., Carla Gallo.
fotografia: Dan Mindel. montagem: Maryann Brandon e Mary Jo Markey. música: Michael Giacchino. desenho de produção: Scott Chambliss. figurinos: Colleen Atwood. produção: Paula Wagner e Tom Cruise. site oficial:
missão: impossível III. duração: 126 min. mission: impossible III, estados unidos, 2006.

nas picapes: [sit down, james]

posted by Chico Fireman at 19:43:00 | 18 comentários



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Comentários




Gostei demais do filme. Ótimas cenas de ação, muita tensão do início ao fim. Ou seja, um grande episódio de Alias, como bem disse a Fer.
01.12.07 @ 02:49


Há semelhanças com 24 HORAS, mas há muito mais semelhanças com ALIAS.
01.12.07 @ 08:49


Chico! que bela surpresa ( sua visita lá no eleela) !!
não entendi o lance da arrogância ( seu comentário sobre o filme) :P
queria muito saber seu ponto de vista, procurei a crítica ( de crime delicado) no seu blog e não achei. dá o link!?

Beijim!
01.12.07 @ 10:04


O Abrams seria um bom diretor para um filme de outra série: 24 Horas (filme que, aliás, já está em planejamento). Durante o MI3 eu não conseguia deixar de compará-lo à 24, as semelhanças são muitas. 24 levou as tramas de espionagem e conspiração a outros níveis, então é inevitável mesmo que um filme com mesma temática acabe sendo comparado a ela.
01.12.07 @ 10:13


filmesdochico
Iris, olhaí:

http://filmesdochico.blogspot.com/2006/01/crime-delicado.html
01.12.07 @ 10:51


Anônimo
realmente a camera anda muito rapido no filme, até nas cenas paradas, sai tonto do cinema
01.12.07 @ 11:14


Já na parte final, quando a moça tenta acordá-lo e da maneira como o faz, as meninas que estavam atrás de mim começaram a rir e soltaram um "Lost total, né?" que eu não pude deixar de confirmar. A série é ótima, e em time que tá ganhando não se mexe, por isso o filme foi uma grata surpresa.
01.12.07 @ 13:30


Anônimo
Vc sempre me deixa com vontade de ir ao cinema... vou olhar atentar para os detalhes aqui descritos! Bjo

Guiu
01.12.07 @ 15:51


filmesdochico
Nunca vi um episódio sequer de "Alias", Ailton.

Samuel, eu acho que tem muito de "Lost", sim. E acho isso bom.
01.12.07 @ 16:24


Roberto Queiroz
Chico, para mim o grande trunfo de Missão Impossível 3 é ter sido dirigido, desta vez, por um diretor de séries televisivas (assim como fora a própria Missão Impossível). Não vou a dizer a você que foi o melhor da trilogia (ainda fico com o do mestre Brian de Palma), mas o resultado final foi além das minhas expectativas (e, claro, um milhão de vezes melhor do que o segundo). Abraços e em breve retorno.
01.12.07 @ 17:46


Achei o mais fraco dos três.
01.12.07 @ 18:15


Acabei de ver a primeira temporada do "Lost" (meu irmão comprou a caixa de DVDs). É legal, mas não achei excepcional (a primeira temporada do "24" foi muito mais eletrizante, e o fim desta temporada inicial de "Lost" é chocho perto do que Abrams já havia feito em "Alias") nem fiquei viciado ou curioso para saber o que acontece depois.
01.12.07 @ 18:18


Ah: eu odeio a "câmera trôpega".
01.12.07 @ 18:18


filmesdochico
Não há nada que eu mais goste hoje em dia do que "Lost".
01.12.07 @ 18:22


filmesdochico
Claro que isso foi um exagero.
01.12.07 @ 18:23


Tem lá suas partes boas, mas acho que amanhã já me esqueci deste filme. A série já deu o que tinha que dar. Abrams manda melhor na TV.
01.12.07 @ 20:04


ed
Gostei da trilha, parece muito com a de LOST e coube bem no filme.
01.12.07 @ 21:03


filmesdochico
É verdade, Diego. Tb notei várias semelhanças...

Eu gosto dos três. Do segundo, inclusive.
01.12.07 @ 23:31


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