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Quinta, Fevereiro 9

[Orgulho e Preconceito]

Luz sobre o clássico




Existem algumas palavras que você aprende quando é criança, mas que raramente usa depois que cresce. Cada um tem seu próprio repertório. No meu, há espaço para termos como caudaloso e frondosa. Por isso, eu comemoro bastante quando surge alguma oportunidade para usá-los. E escrever sobre Orgulho e Preconceito é uma grande desculpa para falar de frescor. A mais recente adaptação do romance clássico de Jane Austen é um impressionante exercício de como revigorar uma obra com recorte histórico tão exato, com um tema tão banal para os dias de hoje quanto o amor entre pessoas de classes sociais diferentes.

Há de se celebrar o material original: o texto de Austen, apesar de retratar uma época específica, não tem data de validade, é extremamente inteligente e eqüilibrado. Não é, digamos, um texto de mulherzinha. Contudo, a quantidade de grandes obras de contemporâneos seus, ou da própria escritora, cujas adaptações cinematográficas resultaram em verdadeiros tours-de-force para o espectador por sua pobreza de tradução, pelo excesso de respeito ou pela apatia, é enorme. Este filme poderia ganhar o mesmo destino, mas a mão do diretor estreante Joe Wright expurga qualquer resquício de filme datado. Wright não é um diretor de paisagem, como James Ivory, o papa dos filmes de época, quase sempre é.

O vigor que sua direção impõe ao filme é inexplicável. Orgulho e Preconceito parece um filme moderno, apesar de ser fiel à obra original. Eu diria que é até luminoso e isso se reflete também na concepção técnica do filme, que desta vez não se limita às tradicionais categorias de arte (cenografia e figurinos). A fotografia, inquieta, cheia de travellings, câmera movimentada, jogos de luz dá imenso frescor ? olha a palavra aí ? para o longa. A trilha sonora é linda, no piano. E a celebrada interpretação de Keira Knightley, que realmente está encantadora, nem é a melhor do filme. Há sempre aquelas personagens periféricas pontuais (com belos momentos para Brenda Blethyn e Donald Sutherland), mas o que mais me surpreendeu foi como Matthew McFayden encarna com perfeição o homem romântico, com um olhar triste perpétuo, em contraponto com a efusiva personagem de Keira. Um filme que tinha tudo para dar errado, mas deu muito certo. E eu não sei bem explicar o porquê.

Orgulho e Preconceito
Pride & Prejudice, Grã-Bretanha/França, 2005.
Direção: Joe Wright.
Roteiro: Deborah Moggach, baseado em livro de Jane Austen.
Elenco: Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Talulah Riley, Rosamund Pike, Jena Malone, Carey Mulligan, Donald Sutherland, Brenda Blethyn, Claudie Blakley, Sylvester Morand, Simon Woods, Kelly Reilly, Janet Whiteside, Roy Holder, Sinead Matthews, Rupert Friend, Tom Hollander, Judi Dench, Alan Cumming.
Fotografia: Roman Oshin. Montagem: Paul Tothill. Direção de Arte: Sarah Greenwood. Figurinos: Jacqueline Durran. Música: Dario Marianelli. Produção: Tim Bevan, Eric Fellner e Paul Webster. Site Oficial: Orgulho e Preconceito.Duração: 127 min.

nas picapes: Let's Get Lost, Elliott Smith.

posted by Chico Fireman at 20:08:00 | 15 comentários



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Comentários




Layo
Como você mesmo disse e eu não esqueci (nem esqueço):

Filminho não. FILMÃO!
01.12.07 @ 01:16


filmesdochico
Pois é, filme maioral!
01.12.07 @ 01:46


Achei que não tinha estreado aqui em SP, agora vi que só entrou em cinemas mais periféricos... Que droga...
01.12.07 @ 04:43


felipe
um pouco atrasado, mas como foi a exibição de brokeback mountain na sala de cinema em que vc foi? na minha foi horrível; as pessoas acharam que era filme de comédia, riam com qualquer coisinha que aparecia na tela. mais pro fim, na cena do telefone, já tinha cessado. mas no começo e no meio foi insuportável.
01.12.07 @ 13:42


J.L.
Chico, adoro o seu blog!!!
Sempre venho aqui e nunca comento. Hoje deu vontade.
Um abraço
Juliana
01.12.07 @ 16:14


filmesdochico
Eu vi no Festival do Rio e depois numa cabine para jornalistas. Não vi com o grande público, mas é de praxe que filmes com temática gay levados a sério, sem estereótipo, causem incômodo. Por sinal, uma coisa bem velha, né?
01.12.07 @ 16:26


filmesdochico
Então volte sempre que quiser, Juliana. E comente. Eu sinto falta de trocar idéias com mais gente.
01.12.07 @ 17:00


Não sabe o porquê Chico? Sabe sim...

Li de teimoso. Não vi o filme ainda, mas você me deu mais de um motivo pra acreditar na Keira pescoçuda. Não gosto muito dela.

Abraço
01.12.07 @ 18:03


Será que a Keira vai virar uma nova Audrey?

Felizmente, peguei uma sessão de "Brokeback" em que ninguém riu (diferentemente de quando eu vi "Carandiru" e a sala vinha abaixo sempre que aparecia o Santoro). Mas eu ri vendo o "Brokeback... to the Future", onde ficamos sabendo toda a verdade a respeito do relacionamento entre Marty McFly e Emmett Brown.

Ah, a trilha de "Brokeback" não me sai da cabeça, volta e meia me pego assobiando... É a melhor coisa do filme.
01.12.07 @ 18:10


filmesdochico
É maravilhosa mesmo. Tomara que ganhe o Oscar.
01.12.07 @ 18:28


J.L.
Olá Chico! Voltarei sim. Eu adoro filme, mas não tenho grandes propriedades para comentá-los. De toda forma, vamos dividir pontos de vistas e opiniões, não é mesmo?!!?
Ainda não consegui ver orgulho e preconceito, provavelmente amanhã.
E Brokeback assisti na semana passada.
Engraçado que as pessoas aqui no RS também riram. E eu fico pensando, porque saem de casa, entram numa fila gigantesca (pque esse foi um dos filmes que teve fila na entrada), pagam ingresso, compram pipoca e refrigerante, sabendo que existiria cenas íntimas entre dois homens, para rir. Triste isso.
Mas gostei bastante do filme, gostei do seu texto, só achei que pecaram na tradução, o que certamente deve ter dado às pessoas algumas impressões erradas.
Um abraço
01.12.07 @ 18:33


filmesdochico
Nunca tive opinião formada sobra a moça. Acho que não existe um grande talento, mas, sim, uma imensa simpatia. Mas, como eu disse, tem outros atores melhores do que ela no elenco.

Ah, e este filme merecia ser indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado.
01.12.07 @ 19:17


Fer
é bem fofo o filme, mesmo. eu gostei do cara q faz o primo delas, aquele q casa com a amiga.
01.12.07 @ 20:39


Não to esperando muita coisa, mas talvez eu veja amanhã junto com Walk the Line.

E essa música do Elliott é bem foda.
01.12.07 @ 20:52


filmesdochico
Ele ganhou o prêmio dos críticos de Londres, se eu não em engano.
01.12.07 @ 20:55


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