Quinta, Julho 22
[HOMEM-ARANHA 2]
HERÓI POR ACIDENTE
Sam Raimi mergulha mais fundo nos quadrinhos e mostra porque este é o herói mais popular

Na melhor cena de Homem-Aranha 2, o herói, sem máscara, mostra porque é o mais popular do planeta. O homem comum, o cara da esquina, o jovem que pode ser sobrinho, vizinho, namorado, melhor amigo. A identificação do espectador e, antes dele, do leitor com o Homem-Aranha vem da sua natureza falível, próxima, quase suburbana. O herói que surge em meio ao povo. Ele é um dos milhões de cidadãos comuns que cruzam o seu caminho todos os dias. Sam Raimi é um diretor de talento. Muito talento. Nos dois filmes que fez sobre o herói, ele abraça sem concessões o espírito que Stan Lee embutiu ao aracnídeo. Não há poderes extremos, origem idealizada, grandes motivações. Peter Parker é vítima do acaso, golpeado pela exceção. É herói porque é assim que deve ser.
Neste segundo filme, o texto está melhor elaborado e as metonímias menos planejadas. É um longa tranqüilo, que chega sem alarde, como o protagonista que o inspira. O incômodo com a solução visual para o Duende Verde é substituída por um excelente trabalho de construção do Doutor Octopus. Alfred Molina transpira o personagem, o que, combinado à perfeição técnica, garante um vilão assustador sem exageros estereotipados. Octopus é quase tão puro de intenções quanto Peter Parker, que mais uma vez ganha uma interpretação impecável de Tobey Maguire, que nasceu para fazer o Homem-Aranha. Sem Maguire, dificilmente Raimi teria conseguido resultados tão bons em seus dois filmes.
O diretor está mais à vontade e joga todas as fichas no lado que mais cativa o fã: o bastidor. Aqui, conta com duas aliadas estratégicas. A primeira é Rosemary Harris, que ganhou mais destaque como a Tia May e protagoniza duas das melhores cenas do filme por motivos diferentes: numa, é raptada pelo vilão e levada para o alto de um prédio, no melhor estilo King Kong (motivo que faz desta uma cena deliciosa: ritmo ágil, tensão constante, efeitos perfeitos); na outra, diz para seu sobrinho qual o significado de ser herói e de ter um herói em que se espelhar. Fala tudo o que eu sempre achei (fazer o quê? Sou assim mesmo...) e nunca consegui um jeito legal de dizer. A segunda aliada é Kirsten Dunst. Sua Mary Jane Watson está muito mais linda e ganha muito mais espaço (aquela cena do diálogo em que surge o Octopus é muito boa para ter sido desperdiçada num trailer).
Tia May e Mary Jane são coadjuvantes de Peter Parker, o que humaniza o herói. O tom cômico de algumas seqüências dá equilíbrio à obra, embora acha uns excessos bobos, como a cena do elevador. Homem-Aranha 2 é sobre o cara que é o herói e não sobre o herói em si. Sam Raimi constrói um filme nostálgico, que nos remete às mais puras recordações da infância, quando o mundo ainda era apenas um grande território para ser conquistado junto com um verdadeiro herói.
HOMEM-ARANHA 2
Spiderman 2, Estados Unidos, 2004.
Direção: Sam Raimi.
Roteiro: Alvin Sargent, baseado na história original de Alfred Gough, Miles Millar e Michael Chabon.
Elenco: Tobey Maguire, Alfred Molina, Kirsten Dunst, Rosemary Harris, James Franco, J.K. Simmons, Donna Murphy, Daniel Gillies, Dylan Baker, Bill Nunn, Vanessa Ferlito, Aasif Mandvi, Cliff Robertson, Elizabeth Banks, Willem Dafoe, Stan Lee, John Landis.Fotografia: Bill Pope (com Anette Haellmigk). Montagem: Bob Murawski. Direção de Arte: Neil Spisak. Música: Danny Elfman. Figurinos James Acheson e Gary Jones. Produção: Laura Ziskin e Avi Arad Site Oficial: spiderman.sonypictures.com.
nas picapes: One Way or Antoher, Blondie.
posted by Chico Fireman at 23:19:00 | 2 comentários
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Comentários
piter · http://nao tenho
eu so o fa numero um do homem aranha ele é o meu heroi te amooooooooo.
18.09.09 @ 14:43
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