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Domingo, Julho 13

BETTY FISHER E OUTRAS HISTÓRIAS



Cinema francês: ame-o ou odeie-o. Difícil encontrar alguém que aposte no meio termo. Francês é sinônimo de inteligente e de chato. De profundo e de arrogante. De denso e de pretensioso. Claude Miller é um cineasta francês. Como os compatriotas, adora um mergulhinho psicológico em suas personagens, mas diferentemente de muitos deles, não faz filmes para si mesmo. Betty Fisher e Outras Histórias só é um filme difícil para quem tem preguiça de pensar.

A estrutura do filme engana o desavisado. Existe apenas uma grande história, mas Miller divide o longa em capítulos inexistentes, dedicados a cada um de seus personagens. As marcações que iniciam o que o cineasta apresenta como cada pequena história dão impacto ao longa, apesar de serem dispensáveis. A edição mostra Betty Fisher maior do que ele é, o que é um grande e eficiente truque, que não desmerece o filme.

Betty tem uma relação tumultuada com a mãe e tenta devolver para o filho tudo o que não teve. Mas um acidente impede seus planos e sua mãe precisa assumir seu verdadeiro papel. Sandrine Kiberlain (especialmente francesa em Tudo Bem, Até Logo) segura as pontas de sua Betty e Nicole Garcia demonstra a perturbação necessária para a mãe. O duelo calado das duas é o que move o filme. Falta de comunicação. Imagine o que Bergman faria. O romance de Ruth Rendell já tinha rendido um longa rodado nos EUA chamado Tree of Hands (89), com Helen Shaver e Lauren Bacall como mãe e filha.

O roteiro do próprio cineasta é inteligente. Os personagens são apresentados até o último momento do filme e sempre há alguma ação em andamento. As histórias paralelas fazem parte de uma trama universal. Todas são atrizes coadjuvantes da relação difícil que Betty tem com sua mãe. E todas são eficientes. Betty Fisher é um belo filme. Rendell arma uma teia de coincidências que se locupletam. Engrenagens. É uma favorita do cinema europeu, já adaptada por Pedro Almodóvar (Carne Trêmula, 97) e Claude Chabrol (Mulheres Diabólicas, 95). As mulheres sempre estão no centro de tudo. Afinal, é delas que tudo vem.

Betty Fisher e Outras Histórias
Betty Fisher et Autres Histoires, França, 2001
Direção: Claude Miller
Elenco: Sandrine Kiberlain, Nicole Garcia, Mathilde Seigner, Luck Mervil, Edouard Baer, Stéphane Freiss, Yves Jacques, Roschdy Zem, Consuelo De Haviland, Yves Verhoeven, Annie Mercier, Alexis Chatrian, Arthur Setbon, Pascal Bonitzer.
Roteiro: Claude Miller, baseado na novela Tree of Hands, de Ruth Rendell. Produção: Annie Miller. Fotografia: Christophe Pollock. Direção de Arte: Jean-Pierre Kohut-Svelko. Música: François Dompierre e Thom Yorke. Edição: Véronique Lange. Figurinos: Jacqueline Bouchard.

posted by Chico Fireman at 15:27:00 | 0 comentário



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