Sexta, Fevereiro 21
[Uma Lição de Amor]
Uma Lição de Amor
Adaptar Mário de Andrade requer um pouco de ousadia e pretensão. Um dos editores de maior e melhor currículo no Brasil, Eduardo Escorel escolheu Amar, Verbo Intransitivo para ser seu segundo filme como cineasta. A história acompanha a chegada da fraulein alemã vivida por Lilian Lemmertz à casa de uma família da classe alta, nos anos 20. A intenção é que ela seja a preceptora de Carlos, o filho adolescente, além de iniciá-lo sexualmente. Carlos é um menino feio, coisa que o ator escolhido para vivê-lo não deixa a desejar. Mas se o físico ajuda, a criação do personagem mais importante da história faz o contrário. Marcos Taquechel parece estar lendo todas as falas. Não existe interpretação. O contraste nas cenas com Lilian Lemmertz, excelente, suprime qualquer credibilidade no filme. A direção de atores parece descuidada. Não há brilho nos coadjuvantes e o filme só se sustenta na linda trilha criada por Francis Hime e no fato de Lilian Lemmertz ser uma atriz perfeita. Seus olhos sem brilho, de quem não tem chão certo ou esperança, entristecem e fazem pensar o que realmente vale a pena.
Uma Lição de Amor 

Uma Lição de Amor, Brasil, 1975
Direção: Eduardo Escorel
Elenco: Lilian Lemmertz, Rogério Fróes, Irene Ravache, Marcos Taquechel, Maria Cláudia Costa, Magali Lemoine, Mariana Veloso, Roberta Olimpo, William Wu.
Roteiro: Eduardo Escorel e Eduardo Coutinho, baseado no livro Amar, Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade. Produção: Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto. Fotografia: Murillo Salles. Edição: Gilberto Santeiro. Direção de Arte e Figurinos: Anísio Medeiros. Música: Francis Hime.
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