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Sexta, Fevereiro 21

[Prenda-me Se For Capaz]

Prenda-me Se For Capaz



A sessão

Quinta-feira, 21h15, Frei Caneca Unibanco Arteplex, São Paulo. A fila era grande para a sala 3. Todos os tipos de espectadores queriam ver a pré-estréia do novo filme de Steven Spielberg, Prenda-me Se For Capaz. Havia os cinéfilos que freqüentam as mostras de cinema, os casais de namorados em busca de um programa, as mocinhas fãs do Leonardo Di Caprio e o senhor comum de meia idade que queria se divertir. Também havia uma geração inteira de clones: uma da Renata Sorrah, de cachecol e cabelo super penteado, um casal que eu achei ser meus amigos Patrícia e Vinícius e uma loirinha que queria muito, mas muito mesmo, ser a Gwyneth Paltrow em Os Excêntricos Tennenbaums (01), com suas meias xadrez até o joelho e sua saia colegial. Interessante, pensei. A fila começava a andar, todo mundo se acomodava na sala, que ficou praticamente lotada. Dois trailers: A Vida de David Gale, com Kevin Spacey e Kate Winslet, e o novo trailer de Hulk, mostrando a criatura em frames generosos. Atenção: o filme estava para começar.

O filme

Prenda-me Se For Capaz não tem cara de filme de Steven Spielberg. O cineasta, geralmente associado a extraterrestres, dinossauros ou arqueólogos aventureiros, parece bem distante do universo das pessoas reais, como Frank William Abagnale Jr, um dos maiores falsários da história dos Estados Unidos. Foi o livro dele, que conta a vida dele, que Spielberg escolheu para adaptar para o cinema no final do ano passado. História que chega às telas como um filme surpreendente.

O maior trunfo do cinema de Spielberg (e seu maior alvo de críticas também) é a simplicidade de seus filmes. Simplicidade na maneira de contar uma história em contraponto com os magnifícios recursos que consegue utilizar para tanto. Simplicidade que atrai e conquista o espectador. Talvez o cineasta nunca tenha sido tão simples como em Prenda-me Se For Capaz, mas é aqui que ele consegue um de seus maiores êxitos.

Frank é um anti-herói norte-americano. E Spielberg é um bom moço. A química improvável funciona graças ao amadurecimento do cineasta e seu desprendimento em adotar para si um protagonista fora-da-lei, ainda que ele que esconda uma motivação nobre: unir a família. O texto de Jeff Nathason, que adapta o livro, se conduz pelo humor e pela delicadeza, sorvidos até a última gota pela direção inteligente de Steven Spielberg. O cineasta aproveita cada detalhe, mostra cada pequena coisa, e cria o cenário perfeito para os atores.

Leonardo Di Caprio incorpora o espírito sem limites de Frank na sua melhor interpretação desde o já longínquo Gilbert Grape (93). Diferentemente de Gangues de Nova York (02), onde sua performance parece espontaneamente contida para deixar o verdadeiro astro Daniel Day-Lewis tomar conta, aqui é Di Caprio quem domina. O ator é a alma do filme, que dificilmente seria tão perfeito sem ele. Mas que também deve aos coadjuvantes. Tom Hanks é o opositor perfeito, o homem normal que também é agente do FBI. Ele foge de todos os estereótipos possíveis aqui (e são muitos e diversos), equilibrando o cômico e o sensível. Já sobre Christopher Walken há pouco a falar e sim a reverenciar. A cena do almoço entre pai e filho é uma das mais belas do cinema recente.

O ritmo e o clima são ágeis e leves, conduzidos pela deliciosa música do maestro John Williams e reproduzidos na bela direção de arte, nos figurinos e nas imagens. E é justamente a fotografia ensolarada de Janusz Kaminski que parece ter tomado conta do cineasta. Os anos 60 são uma época de explosão de cores e de luz. A alegria contagiante presente em cada momento de Prenda-me Se For Capaz é a do diretor em contar essa história. Uma brincadeira de verdade para o cineasta das brincadeiras. Termino de ver o filme com um sorriso no rosto. E acho que não fui só eu.

Prenda-me Se For Capaz
Catch Me If You Can, EUA, 2002
Direção: Steven Spielberg.
Elenco: Leonardo Di Caprio, Tom Hanks, Christopher Walken, Nathalie Baye, Martin Sheen, Amy Adams, James Brolin, Brian Howe, Frank John Hughes, Steve Astin, Chris Ellis, Nancy Lenehan, Elizabeth Banks, John Finn, Alex Hyde-White, Jennifer Garner, Ellen Pompeo.
Roteiro: Jeff Nathason,baseado no livro de Frank W. Abagnale e Stan Redding. Produção: Walter F. Parkes e Steven Spielberg. Fotografia: Janusz Kaminski. Edição: Michael Kahn. Direção de Arte: Jeaninne Oppewall. Música: John Williams. Figurinos: Mary Zophres.

posted by Chico Fireman at 01:26:00 | 1 comentário



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Comentários




Pio E. Mariani
Pessoal, taí um filme para assistir. O cara com 21 anos foi médico, piloto e advogado. Um tremendo charlatão. Recomendo. 5 estrelas.
02.12.08 @ 21:23


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