Sexta, Março 16
[HABEMUS PAPAM]

O olhar de Nanni Moretti para a Itália e o mundo é sempre cheio de questionamentos, mas a crítica que o cineasta oferece sempre ganha contornos diferenciados por causa da comédia. Contornos que, à primeira vista, parecem aliviar a acidez de suas observações sobre seus objetos. Só à primeira vista. A prova está em Habemus Papam, filme em que, na brincadeira, Moretti devassa a Igreja Católica. O Papa em crise existencial vivido por Michel Piccoli coloca em cheque a fé de todos os religiosos. A seqüência do conclave, em que os cardeais pedem a Deus para não serem escolhidos para não serem escolhidos para a vaga deixada por João Paulo II é exemplar. O humor é sempre ferino, embora nunca agressivo, mas nunca deixa de ridicular os segredos, as mordomias e o próprio modus operandi do Vaticano. Numa sacada genial, a perda de fiéis para outras religiões vira tema de um jogo de vôlei. Com inteligência e uma ironia refinada, Moretti faz um dos filmes políticos mais bem resolvidos dos últimos tempos. Michael Moore precisa aprender com este aqui.
Habemus Papam 



[Habemus Papam, Nanni Moretti], 2011
Quinta, Março 15
[FILMES DE CHICO NO FACEBOOK]
O Filmes do Chico tem uma página no Facebook, que compila notícias, vídeos, fotos, curiosidades e links sobre cinema e prêmios. Entrem aqui e espalhem.
Sexta, Março 9
[W.E.]

É, não deu. A primeira cena de W.E. mostra uma das personagem principais entrando em seu apartamento enquanto uma espécie de audio guide dá informações sobre a outra protagonista, Wallis Simpson, quem realmente existiu nesse encontro de histórias. Madonna repete essa maneira preguiçosa de nos informar sobre a personagem ao longo de todo o filme. Sempre que precisa contextualizar ou dar detalhes sobre Wallis, alguém está vendo um vídeos sobre ela na internet ou assistindo a um documentário no telão. Fácil, né?
O filme não chega a ser uma tragédia, mas é bem ruim. O problema maior é que as duas histórias só têm paralelos na cabeça de Madonna. E a diretora força a barra pra que a gente compre essa suposta ligação, tentando criar pontos de encontro que não se sustentam. A história da personagem de Abbie Cornish parece ter sido escritas às pressas de tão vagabunda. Não se salva nem a relação com o marido, estereotipado, nem o romance, que promove a cena mais constrangedora do longa.
Se Madonna tivesse feito um filme linear sobre Wallis Simpson, certamente teria tido mais sucesso. Andrea Riseborough é a melhor coisa do filme. Boa atriz, ela é quem sustenta os resquícios de interesse por W.E. até o final. Ou quase. Porque chegar ao final deste filme é uma tarefa bem árdua.
Os figurinos, indicados ao Oscar, são realmente excelentes, mas o boa parte do mérito já vem da própria Wallis Simpson, né? Já a trilha sonora, cortesia do mesmo autor de Direito de Amar, peca pelo mesmo problema daquele filme. Embora talentosa, a música muitas vezes é grandiosa demais, assumindo um papel de protagonista, escondendo a todo o resto na cena. Mas, pensando bem, em alguns momentos deste filme, isso nem chega a ser um problema.
W.E. 
[W.E, 2011], Madonna.
Sexta, Março 2
[DRIVE]

A trilha sonora de Drive, uma música eletrônica retrô assinada por Cliff Martinez, é essencial para compor a atmosfera do filme: estamos num espaço de intersecção, uma área de encontros de referências, um estado de pastiche de gêneros cinematográficos assumido, levado ao extremo.
Não há compromisso do diretor com realismo ou relativismo. Nicolas Winding Refn comanda um filme que parece existir num tempo suspenso e inexato. Quase morto. Por isso mesmo se recusa a oferecer objetivos nos quais o espectador possa se apegar. Drive é frio e extremamente calculado. Mas esse cálculo é justamente o torna o filme tão apetitoso.
Ryan Gosling assume o risco de um personagem blasé que poderia dar errado caso caísse em mãos erradas. Com o grande ator do momento, o papel funciona perfeitamente. O personagem de Albert Brooks parece saído de um filme de Quentin Tarantino. Mas, ao contrário da verborragia que inunda os longas deste cineasta, Drive adota um texto quase minimalista. Há várias cenas com zero de diálogo. A direção preenche todo o espaço. Muitas vezes com o vazio de Los Angeles.
Drive 




[Drive, 2011], Nicolas Windign Refn.
[MINHA FELICIDADE]

Um ano e meio depois de ser exibido na Mostra de Cinema de São Paulo, Minha Felicidade finalmente estreia em circuito comercial. Uma estreia tardia, mas que já coloca o filme entre os melhores lançados neste ano. Quando o longa completou seus primeiros trinta minutos, eu imaginei que estava vendo uma pequena obra-prima, mas confesso que as reviravoltas que o diretor Sergei Loznitsa promove me confundiram tanto que essa impressão mudou bastante.
Mas foi por pouco tempo. O cineasta de primeira viagem nasceu na Bielo-Rússia, mas filma como os romenos que o mundo passou a celebrar nos últimos anos. A descida aos infernos do caminhoneiro Georgy é acompanhada pela mesma câmera naturalista dos colegas do Leste Europeu. Câmera que investiga os detalhes do cotidiano, que aqui são os encontros do protagonista com uma variada fauna de habitantes de uma região rural russa.
Embora transforme seu filme num enigma a certa altura e torne o conjunto misterioso, o diretor usa seu filme para investigar pequenas crueldades humanas e compõe alguns momentos brilhantes. A cena do encontro com a jovem prostituta é antológica e a sequência final, desde já, é uma das porradas do ano.
Minha Felicidade 



[Schastye Moe, 2010], Sergei Loznitsa
Quarta, Fevereiro 29
[OSCAR 2013: PRIMEIRO ROUND]
O ano mal começou, mas nomes e temas já podem dar uma pista sobre quem iremos ver no ??? Theatre em fevereiro do ano que vem. Então, essas são minhas primeiras apostas para o Oscar 2013.
filme
Argo, Ben Affleck
The Dark Knight Rises, Christopher Nolan
The Great Gatsby, Baz Luhrmman
The Hobbit: An Unexpected Journey, Peter Jackson
Hyde Park on Hudson, Roger Michell
Life of Pi, Ang Lee
Lincoln, Steven Spielberg
The Master, Paul Thomas Anderson
Les Misérables, Tom Hooper
Moonrise Kingdom, Wes Anderson
direção
Ang Lee, Life of Pi
Paul Thomas Anderson, The Master
Peter Jackson, The Hobbit: An Unexpected Journey
Steven Spielberg, Lincoln
Wes Anderson, Moonrise Kingdom
ator
Bill Murray - Hyde Park on Hudson
Clint Eastwood - Trouble With the Curve
Daniel Day-Lewis - Lincoln
Philip Seymour-Hoffman - The Master
Sean Penn - Gangster Squad
atriz
Helen Hunt, The Surrogate
Julianne Moore, What Maisie Knew
Keira Knightley, Anna Karenina
Laura Linney, Hyde Park on Hudson
Viola Davis, Won't Back Down
ator coadjuvante
Andy Garcia, Hemingway & Fuentes
Joaquin Phoenix, The Master
Jude Law, Anna Karenina
Tom Hardy, The Dark Knight Rises
Tommy Lee Jones, Lincoln
atriz coadjuvante
Carey Mulligan, The Great Gatsby
Helena Bonham Carter, Great Expectations
Kerry Washington, Django Unchained
Sally Field, Lincoln
Tilda Swinton, Moonrise Kingdom
Segunda, Fevereiro 27
[OSCAR 2012: A NOITE EM QUE O CINEMA FOI O VENCEDOR]



Os resultados podem não ter sido aqueles que todos queriam, mas uma coisa é certa: fazia tempo que acompanhar a festa do Oscar não era tão divertido. Existiam duelos nas 4 categorias principais e, por isso, a expectativa estava em alta e as torcidas, acirradas. A vitória de O Artista como melhor filme já parecia anunciada há algum tempo. O filme levou os prêmios dos sindicatos de produtores e diretores, ganhou o BAFTA e o Critics Choice e mais uma pá de láureas. Mas, no último momento, A Invenção de Hugo Cabret, que não tinha tido grandes vitórias na temporada, mas era o filme com o maior número de indicações, cresceu violentamente.
Como a festa começou com a entrega de prêmios técnicos, e Hugo ganhou alguns deles, inclusive quando nem era favorito, o cenário que parecia se desenhar era de uma inversão nos prognósticos. Até metade da cerimônia, O Artista só tinha ganho na categoria de figurinos, e o longa assinado por Martin Scorsese já tinha 4 prêmios. Ainda ganhou mais um, mas estancou nos quesitos técnicos. O filme francês venceu em trilha sonora e, na reta final, emplacou três dos Oscars principais, inclusive melhor diretor e melhor filme. Mas este texto nem é sobre duelos porque, na noite deste domingo, o verdadeiro vencedor foi outro.
Os dois principais candidatos da noite são duas belas homenagens ao cinema. Mais especificamente ao princípio do cinema, à arte de fazer filmes. E, mesmo que se tenha um favorito, contabilizar 10 dos 20 prêmios destinados a longas de ficção para filmes que têm essa proposta é bastante salutar. São, antes de qualquer coisa, prêmios de amor à profissão. O Artista é um filme francês, rodado em Hollywood sobre a história de Hollywood. Hugo é uma fantasia que faz um ajuste de contas com um dos pioneiros do cinema. Os dois, filmes bonitos e imperfeitos, que pecam ou por uma ingenuidade calculada, ou por uma esquematismo industrial. Dois filmes que se declaram apaixonados por tudo o que veio antes deles.
Eu torci pela simplicidade de O Artista, mas eu não ficaria incomodado se a materialização da grande paixão de Martin Scorsese tivesse sido vitoriosa na categoria principal. Com candidatos como estes, quem ganha é o cinema.



OS ATORES
Pela primeira vez na história de minhas apostas ao Oscar, consegui acertar todas as 8 categorias consideradas principais: filme, direção, atores e roteiros. E desta vez os dois quesitos dedicados aos protagonistas tinham brigas boas. Jean Dujardin terminou reconhecido por sua performance inspirada em O Artista, onde emula os atores mudos com uma inteligência corporal digna de nota. Até o momento final, George Clooney parecia ter chances por sua interpretação sóbria em Os Descendentes, que terminou vencendo apenas pelo roteiro adaptado.
O momento mais explosivo da noite foi a vitória de Meryl Streep por sua Margaret Thatcher em A Dama de Ferro. Depois de um jejum de 29 anos, a maior atriz do cinema americano ganhou reconhecimento da Academia, mas precisou seguir algumas regras como viver uma figura histórica e usar quilos de maquiagem. O filme não é dos melhores, mas Meryl, sobretudo quando interpreta uma senhora idosa, está brilhante. Mesmo quando beira a caricatura, nas cenas de Thatcher no poder, é uma grande atriz. Viola Davis de Histórias Cruzadas, sua principal concorrente, não teve forças diante desse "Oscar bait" de Streep. Melhor, Viola é uma boa atriz, mas este filme é bem fraco.
Para que o filme não saísse de mãos vazias, a Academia seguiu as premiações prévias e deu a Octavia Spencer o Oscar de atriz coadjuvante. Talvez tenha sido a estatueta mais óbvia da noite, já que nenhuma de suas adversárias teve apoio do buzz. A performance é correta, mas segue uma fórmula fácil. Era uma das candidatas menos interessantes. Nenhuma surpresa também entre os atores coadjuvantes. Ganhou Christopher Plummer por Toda Forma de Amor, numa clara premiação pelo conjunto da obra, já que Plummer, aos 82 anos, nunca havia sido reconhecido como grande ator que não é. Pelo menos está simpático e faz um personagem corajoso no conceito.
Max Von Sydow, cuja indicação foi no susto já que ele passou despercebido pela temporada de prêmios, mesma idade de Plummer, era o único que tinha chances por Tão Forte e Tão Perto, mas ficou para uma próxima (vida, alguns diriam). Nem seria certo que um grande ator como Von Sydow fosse lembrado por um filme tão medíocre.



PREVIAMENTE ANUNCIADOS
Embora fosse natural que o favorito ao prêmio de melhor filme também fosse o preferido na categoria de roteiro, O Artista, mesmo nunca se esquecendo de suas chances, sempre foi preterido nas apostas por Meia-Noite em Paris, do Woody Allen. O favoritismo de Allen se manteve aqui e ele, pela quarta vez, ganhou um Oscar e não foi buscar. Por sinal, esta foi a primeira vez desde que Menina de Ouro, em 2005, venceu o Oscar que o filme eleito na categoria principal não tem o roteiro premiado.
Outra certeza da noite era a vitória de Rango como longa de animação. Depois que a Academia esnobou As Aventuras de Tintim, o filme de Gore Verbinski ficou sem concorrentes. Mesmo com as estatísticas que não favorecem os favoritos em filme estrangeiro (veja A Fita Branca, por exemplo), A Separação, que ganhou praticamente todos os prêmios do ano nesta categoria, parece nunca ter sentido a presença de adversários. Um prêmio merecidíssimo para o longa iraniano, um dos melhores do ano.
Nas categorias técnicas é que, muitas vezes, o Oscar surpreendeu. A Invenção de Hugo Cabret roubou o Oscar de fotografia que parecia ser de A Árvore da Vida, que merecia muito mais o prêmio, e ganhou também no quesito efeitos visuais, onde o favorito era Planeta dos Macacos: A Origem. O filme de Scorsese ainda levou os dois Oscars de som, onde muita gente apostava em sua vitória, e de direção de arte, em que era uma barbada. Mas nenhuma surpresa foi maior do que em montagem, onde a dupla de editores de Os Homens que Não Amavam as Mulheres, levou seu segundo Oscar consecutivo. Em 2011, eles já haviam ganho por A Rede Social, do mesmo David Fincher.
O Artista, cotado para este prêmio, terminou reconhecido pelos figurinos, onde a tradição é quem privilegiar roupas de épocas bem mais remotas do que os anos 20 e 30, e pela trilha sonora deliciosa, que era a favorita mesmo, e derrubou por duas vezes o John Williams. A Dama de Ferro ganhou merecidamente em maquiagem, um trabalho delicadíssimo e preciso, o que deixou a série inteira de Harry Potter sem um único Oscar. No mundo, deve ter sido a derrota mais lamentada, mas no Brasil a categoria mais esperada foi outra, melhor canção. Carlinhos Brown e Sergio Mendes perderam para os Muppets. E mereceram perder. "Real in Rio" é um sambista para exportação que não fede nem cheira. "Man or Muppet" era bem melhor. E de importância fundamental para a história do filme. Mas só com um sistema de votação cada vez mais estranho e apenas duas indicadas, talvez já seja a hora de por fim a esta categoria.
OS VENCEDORES
filme: O Artista
direção: Michel Hazanavicius, O Artista
ator: Jean Dujardin, O Artista
atriz: Meryl Streep, A Dama de Ferro
ator coadjuvante: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
atriz coadjuvante: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
roteiro original: Meia-Noite em Paris
roteiro adaptado: Os Descendentes
filme estrangeiro: A Separação
filme de animação: Rango
fotografia: A Invenção de Hugo Cabret
montagem: Os Homens que Não Amavam as Mulheres
direção de arte: A Invenção de Hugo Cabret
figurinos: O Artista
maquiagem: A Dama de Ferro
trilha sonora: O Artista
canção: "Man or Muppet", Os Muppets
mixagem de som: A Invenção de Hugo Cabret
edição de som: A Invenção de Hugo Cabret
efeitos visuais: A Invenção de Hugo Cabret
documentário: Undefeated
curta de ação: The Shore
curta de animação: The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore
curta documentário: Saving Faces
Sábado, Fevereiro 25
[OSCAR 2012: APOSTAS FINAIS]
Cobertura ao vivo do Oscar 2012 no meu Twitter: @chicofireman.
A noite de entrega do Oscar é amanhã e aqui está minha lista final de apostas para os vencedores nas categorias de longa-metragem. Escrevi um texto, publicado no Uol, sobre as chances de cada candidato nos quatro quesitos mais importantes: filme, direção, ator e atriz. Mas aqui faço previsões para todas as categorias. Dois dos principais prêmios, ator e atriz, na minha opinião, não têm franco-favoritos, então a ideia foi arriscar.

Quem ganha: O Artista, de Michel Hazanavicius
Quem ameaça: Histórias Cruzadas, de Tate Taylor
Quem merece: Os Descendentes, de Alexander Payne
Quem faltou: Drive, de Nicolas Winding Refn
O que faria O Artista perder o Oscar? Uma rejeição da Academia pelo fato do filme ser uma produção francesa. Acho que não, já que não existe língua estrangeira no filme. E, sem legendas, eles gostam mais. O fato de ser uma comédia? Difícil, já que o longa é uma homenagem à Hollywood dos anos 20, o que deve ser bem nostálgico para os acadêmicos. O apoio dos críticos foi pesado: Critics Choice e Globo de Ouro, inclusos. A indústria também aprovou: sindicato dos produtores e diretores. E o filme ganhou até o BAFTA do outro lado do Atlântico. Portanto, é favoritíssimo. Mas se ele não ganhar seria a fábula infantil e cinéfila de Martin Scorsese quem levaria ou o drama indie de Alexander Payne. A meu ver, se algum filme roubar o Oscar de O Artista, seria Histórias Cruzadas: uma história de denúncia e superação tipicamente americana.

Quem ganha: Michel Hazanavicius, O Artista
Quem ameaça: Martin Scorsese, A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: Alexander Payne, Os Descendentes
Quem faltou: Nicolas Winding Refn, Drive
Pela lógica dos prêmios, a vitória deve ser de Michel Hazanavicius, que ganhou o Critics Choice, o BAFTA e o prêmio do sindicato de diretores. Mas nesta categoria a assinatura conta um pouco e Martin Scorsese ganhou o Globo de Ouro, Hugo é o filme com o maior número de indicações e essa parece ser a única chance do filme levar um Oscar importante. Eu vou com Hazanavicius, mas se tio Marty ganhar não será uma grande surpresa. Muito menos uma surpresa ruim.

Quem ganha: Jean Dujardin, O Artista
Quem ameaça: George Clooney, Os Descendentes
Quem merece: Jean Dujardin, O Artista
Quem faltou: Michael Fassbender, Shame, e Ryan Gosling, Tudo pelo Poder
George Clooney parecia imbatível, mas Jean Dujardin cresceu bastante nos últimos tempos e agora os dois estão empatados. Clooney ganhou o Critics Choice e ambos levaram o Globo de Ouro. Dujardin, vencedor de comédia, parecia menos forte, mas o francês levou o prêmio do sindicato dos atores e o BAFTA. E começou a levar um pouco mais de vantagem. Mas para a surpresa de todos, perdeu o César, o Oscar francês. Ainda acho que ele leva, mas as chances dos dois são quase as mesmas.

Quem ganha: Meryl Streep, A Dama de Ferro
Quem ameaça: Viola Davis, Histórias Cruzadas
Quem merece: Michelle Williams, Sete Dias com Marilyn
Quem faltou: Kirsten Dunst, Melancolia
Aqui será a disputa mais sangrenta da noite. Viola Davis é a favorita, depois do prêmio do sindicato. Ganhou também o Critics Choice e seu filme tem mais visibilidade. Mas Meryl Streep nunca esteve tão perto da terceira estatueta. Ganhou o BAFTA e o Globo de Ouro por um personagem histórico, que ela interpreta em várias fases da vida, o que eles amam, e que é nada menos do que Margaret Thatcher. A repercussão deve ser bem maior na Academia do que em Dúvida ou Julie e Julia. E mais: faz 29 anos desde que a dama do cinema americano ganhou pela última vez.

Quem ganha: Christopher Plummer, Toda Forma de Amor
Quem ameaça: Max Von Sydow, Tão Longe e Perto
Quem merece: na real, ninguém. Entre os indicados, Jonah Hill, O Homem que Mudou o Jogo
Quem faltou: Shahab Houssein, A Separação
A noite dos velhinhos. Acho meio impossível que alguém tire o Oscar de Christopher Plummer, que nunca foi dos melhores atores, mas foi celebrado por todos os lados numa clara lembrança pelo conjunto da obra. Mas a Academia pode preteri-lo em favor de Max Von Sydow, outro veterano que nunca teve sorte no Oscar e indicado por um filme que concorre na categoria principal (e que só teria essa chance). Os outros não devem incomodar.

Quem ganha: Octavia Spencer, Histórias Cruzadas
Quem ameaça: Bérénice Bejo, O Artista
Quem merece: Bérénice Bejo, O Artista
Quem faltou: Shailene Woodley, Os Descendentes
A interpretação de Octavia Spencer tem todos os clichês possíveis, mas a personagem simpática conquistou a todos. Ela ganhou o Critics Choice, o Globo de Ouro, o BAFTA e o prêmio do sindicato dos atores. É uma das maiores certezas da festa. Se ela perder o Oscar será uma surpresa. Caso isso aconteça, o que acho impossível, a única que teria chances a meu ver é Bérénice Bejo, personagem adorável que não ganhou quase nada nos precursores, mas que pode se beneficiar num eventual tsunami de prêmios de O Artista.

Quem ganha: Meia-Noite em Paris
Quem ameaça: O Artista
Quem merece: A Separação
Quem faltou: Shame
Quem ganha: Os Descendentes
Quem ameaça: O Homem que Mudou o Jogo
Quem merece: Os Descendentes
Quem faltou: A Pele que Habito
Quem ganha: A Separação
Quem ameaça: In Darkness
Quem merece: A Separação
Quem faltou: O Cavalo de Turim
Quem ganha: Rango
Quem ameaça: ninguém, mas se acontecer seria Chico & Rita
Quem merece: Rango
Quem faltou: As Aventuras de Tintim

Quem ganha: A Árvore da Vida
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: A Árvore da Vida
Quem faltou: O Espião Que Sabia Demais
Quem ganha: O Artista
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: O Artista
Quem faltou: Drive
Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: O Artista
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: O Espião Que Sabia Demais
Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: W.E.
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: Imortais
Quem ganha: A Dama de Ferro
Quem ameaça: Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2
Quem merece: A Dama de Ferro
Quem faltou: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ganha: O Artista
Quem ameaça: Cavalo de Guerra
Quem merece: O Artista
Quem faltou: Tudo pelo Poder
Quem ganha: "Real in Rio", Rio
Quem ameaça: "Man or Muppet", Os Muppets
Quem merece: "Man or Muppet", Os Muppets
Quem faltou: "Pictures in my Head", Os Muppets
Quem ganha: A Invenção de Hugo Cabret
Quem ameaça: Cavalo de Guerra
Quem merece: Cavalo de Guerra
Quem faltou: Super 8
Quem ganha: Cavalo de Guerra
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: Drive
Quem faltou: Super 8
Quem ganha: Planeta dos Macacos: A Origem
Quem ameaça: A Invenção de Hugo Cabret
Quem merece: A Invenção de Hugo Cabret
Quem faltou: Capitão América
Quem ganha: Paradise Lost 3
Quem ameaça: Pina
Quem merece: Pina
Quem faltou: pelo que falaram, Projeto Nim
[A FESTA DO OSCAR 2012]
O site Cinemascope divulgou o que pode ser o line-up da cerimônia de entrega do Oscar. Não faço ideia se as informações procedem, nem se, caso sejam reais, a produção da festa manterá esta ordem. Se a relação for verdadeira, a cerimônia será assim (horários atualizados para a hora de Brasília):
22:30: Billy Crystal faz o número de abertura.
22:40: Fotografia.
22:43: Direção de Arte.
22:52: Figurinos.
22:54: Maquiagem.
23:03: Filme Estrangeiro.
23:07: Atriz Coadjuvante.
23:20: Montagem.
23:23: Edição de Som.
23:26: Mixagem de Som.
23:33: Apresentação do Cirque du Soleil.
23:37: Documentário.
23:41: Filme de Animação.
23:49: Efeitos Visuais.
23:53: Ator Coadjuvante.
00:04: Trilha Sonora.
00:08: Canção.
00:17: Roteiro Adaptado.
00:20: Roteiro Original.
00:31: Curta de Ação.
00:34: Curta Documentário.
00:37: Curta de Animação.
00:44: Direcão.
00:58: In Memoriam.
01:07: Ator.
01:15: Atriz.
01:27: Filme.
Sexta, Fevereiro 24
[O OSCAR DOS MEUS SONHOS - versão 2012]
Brincar de membro da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood é um dos exercícios mais legais do ano. Esta é nona edição de "O Oscar dos Meus Sonhos", em que eu, enquanto votante imaginário do prêmio, respeitando todas regras e número de indicados e me sujeitando às listas de eligibilidade (sim, Tio Boonmee era elegível pro Oscar), mando meu eleitos para a Academia. O asterisco mostra quem realmente foi indicado em cada categoria.



O Artista (*)
Os Descendentes (*)
Drive
Homens e Deuses
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Mistérios de Lisboa
A Pele que Habito
A Separação
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
direção
Apichatpong Weerasethakul, Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Ashgar Fahradi, A Separação
Nicolas Winding Refn, Drive
Pedro Almodóvar, A Pele que Habito
Raoul Ruiz, Mistérios de Lisboa
ator
Gary Oldman, O Espião que Sabia Demais (*)
Jean Dujardin, O Artista (*)
Michael Fassbender, Shame
Michael Shannon, O Abrigo
Ryan Gosling, Tudo pelo Poder
atriz
Catherine Deneuve, Potiche
Juliette Binoche, Cópia Fiel
Kirsten Dunst, Melancolia
Michelle Williams, Sete Dias Com Marilyn (*)
Rooney Mara, Os Homens que Não Amavam as Mulheres (*)
ator coadjuvante
Brad Pitt, A Árvore da Vida
Chris O'Dowd, Missão Madrinha de Casamento
John Hurt, Melancolia
Olivier Raboudin, Homens e Deuses
Shahab Houssein, A Separação
atriz coadjuvante
Bérénice Bejo, O Artista (*)
Elle Fanning, Super 8
Jessica Chastain, A Árvore da Vida
Pernell Walker, Pariah
Shailene Woodley, Os Descendentes
roteiro original
O Abrigo
O Artista (*)
Drive
Shame
A Separação (*)
roteiro adaptado
Os Descendentes (*)
Mistérios de Lisboa
A Pele que Habito
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
Tudo pelo Poder (*)
filme estrangeiro
Beyond, Pernilla August
O Cavalo de Turim, Béla Tarr
Pina, Wim Wenders
Respirar, Karl Markovics
A Separação, Ashgar Farhadi (*)
filme de animação
As Aventuras de Tintim, Steven Spielberg
Chico & Rita, Fernando Trueba e Javier Mariscal (*)
Kung Fu Panda 2, Jennifer Yuh
Rango, Gore Verbinski (*)
Rio, Carlos Saldanha
fotografia
A Árvore da Vida (*)
O Atalho
Drive
O Espião que Sabia Demais
Tio Boonmee Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
montagem
O Artista (*)
Drive
Os Homens que Não Amavam as Mulheres (*)
A Pele que Habito
Tudo pelo Poder
direção de arte
O Artista (*)
Capitão América
O Espião que Sabia Demais
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Super 8
figurinos
O Artista (*)
Imortais
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Mistérios de Lisboa
Potiche
maquiagem
A Dama de Ferro (*)
Harry Potter e as Relíquias da Morte - Parte 2 (*)
A Invenção de Hugo Cabret
trilha sonora
O Artista (*)
As Aventuras de Tintim (*)
Contágio
O Espião que Sabia Demais (*)
Tudo pelo Poder
canção
"Gathering Stories", Compramos um Zoológico
"Man or Muppet", Os Muppets (*)
"Pictures in my Head", Os Muppets
"Shelter", O Abrigo
"Think You Can Wait", Win Win
edição de som
As Aventuras de Tintim
Drive (*)
Hanna
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Super 8
mixagem de som
A Árvore da Vida
Drive
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Super 8
efeitos visuais
Capitão América
A Invenção de Hugo Cabret (*)
Missão Impossível: Protocolo Fantasma
Planeta dos Macacos: A Origem (*)
X-Men: Primeira Classe


péssimo 







