Categoria: Ciência

DEFENDENDO OS IGNÓBEIS

O Prêmio IgNobel foi criado pra ridicularizar cientistas e intelectuais que geraram conhecimentos inúteis através de abordagens bizarras. É uma sátira ao Prêmio Nobel. Se pensarmos com carinho e paciência a respeito dos agraciados desse ano, podemos concluir que muitas das escolhas foram injustas, o que me faz aproveitar o espaço aqui para contestar cinco desses prêmios que, ao meu ver, são dignos de um Nobel, isso sim:

Medicina: Autor: Francis M. Fesmire (EUA). Tratou soluços com "massagem digital no reto".

É a famosa massagem arretada. Esse experimento provou, de maneira definitiva, que o susto cura o soluço. Na primeira dedada, a maioria voltava à normalidade quase que de imediato. Misteriosamente, a nova técnica só não foi bem sucedida com os voluntários oriundos das cidades de Campinas e Pelotas. Nesses, o soluço demorava bem mais pra ir embora, sendo preciso um tempo adicional de massagem. Algo em torno de dez horas.

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Paz: Howard Staleton (País de Gales). Inventou um dispositivo sonoro repelente de adolescentes.

Como alguém pode ridicularizar tamanha invenção? Como? Um troço genial desses seria perfeito pra ocasiões onde se queira um ambiente de paz. Ao emitir continuamente canções de melodias bonitas e letras inteligentes, o dispositivo revelou-se um sucesso pra espantar a maioria dos adolescentes. Algumas escolas já vêm estudando o uso do dispositivo para acionamento ao término do recreio, de forma que os jovens voltem rapidamente pras salas de aula, ao invés de ficarem enrolando no pátio.

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Ornitologia: Ivan R. Schwab (EUA). Explicou por que pica-paus não sentem dor de cabeça.

Por não terem contas pra pagar, tampouco capacidade de compreensão diante daquela piadinha besta que pergunta o resultado do cruzamento de um quero-quero com um pica-pau, essas aves vivem felizes por aí. E mesmo que fiquem martelando o bico direto nas árvores, com a cabeça pra lá e pra cá feito dedo de telegrafista – ou homem-britadeira transando - , nada estressa o pica-pau. Tudo azul, sempre. Tudo madeira. Esse experimento, de alguma forma, nos ajudaria a entender melhor do porquê da enxaqueca humana, em grande parte gerada pela nossa incapacidade de encarar a vida sob um viés mais leve. Conclui-se que temos muito a aprender com o pica-pau.

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Biologia: Bart Knols e Ruurd de Jong (Holanda). Mostraram que a fêmea do mosquito da malária é igualmente atraída por cheiro de queijo limburger e por chulé.

A constatação desse trabalho, patrocinado pela Nike, será um motivo a mais para que muitos desistam da idéia de tirar os sapatos em público. Só por esse enorme serviço à saúde olfativa mundial, merece ganhar o verdadeiro Prêmio Nobel de Biologia.

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Acústica: Lynn Halpern, Ranolph Blake e James Hillenbrand (EUA). Explicaram por que som de unhas arranhando lousa irrita.

Já passei madrugadas em claro tentando em vão compreender a razão desse som me irritar tanto assim. Agora eu posso dormir tranqüilo, tendo como trilha sonora uma sinfonia de unhas arranhando a lousa. Tudo que não tem explicação me irrita. Esse trabalho ultra-científico provou que o som de unhas arranhando lousa irrita as pessoas pelo fato de ser gerado pelo contato da unha com a lousa, gerando então um irritante som de unha arranhando a lousa.


Permalink17.10.06, 00:52:19, by Tuca Hernandes Email , Curiosidade, Ciência 6 comentários


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