Categoria: Família
O NOME DA CRIANÇA

Menino ou menina? Não quiseram saber da resposta em nenhum dos ultrassons. Combinaram que o gabarito seria conhecido apenas no momento do parto. Em seguida, escolheriam o nome da criança. Portanto, nada de especulações antes disso. Dessa maneira, acreditavam que a decisão teria mais a ver com o espírito do momento, de alegria, esperança, essas coisas. No tão esperado dia, a primeira novidade: era um menino. A segunda, tinha a ver com o nome que ela escolheu, dito num tom bem incisivo, sem espaço para negociações:
- Sarney!
- Hein? - surpreendeu-se o novo pai.
- É, Sarney Pontes da Silva. Esse vai ser o nome do nosso filho.
- Ok, meu bem. Vamos deixar as piadas de lado. Que tal... Bruno, hein? Belo nome, não acha?
- SARNEY!
- Olha, você ainda deve estar sob o efeito da anestesia. É normal um pouco de delírio. Sarney? - riu o marido, acariciando a cabeça da mulher, visivelmente cansada do esforço de horas atrás.
- Eu não tô brincando, Zeca! Quero homenagear o nosso filho. Quero que ele seja um guerreiro. No momento, nome algum simboliza isso melhor do que Sarney.
- Betinha, você quer então que o nosso filho, que acabou de nascer, inocente para tudo no mundo, seja conhecido pelo nome do cara que, no momento, simboliza tudo de ruim que é feito em política? É isso???
- Para de romantizar, Zeca...
- Eu, romantizando? E todas aquelas acusações contra ele? As evidências? Os acordos para salvar a pele? Os favorecimentos para os parentes, essas coisas, não conta?
- Sim, eu sei de tudo isso. Mas, mesmo assim, ele continuou ali, sem dar indicativo algum de que iria renunciar ao cargo. Não é qualquer um que aguenta toda aquela pressão. É preciso muito fibra! No final, valeu a pena, pois todos os processos contra ele foram arquivados. É ou não é um vencedor? Um guerreiro?
- Olha, se for por aí...
- Pois bem, quero que o nosso filho seja assim também.
- Assim? Cheio de alianças políticas para vencer na vida?
- Qual é o problema? Eu não estou dizendo para que ele aja feito um coronel do Amapá ou do Maranhão. Eu só quero que ele se espelhe no exemplo do Sarney quanto a persistência, de ser uma pessoa que não se deixa abalar pelos inimigos. Que fica ali, na tribuna da vida, de pé, firme e forte!
- Amor, tudo bem. Eu até entendo, sério. Mas... imagine só a cara do povo ao saber que o nome do nosso filho é... Sarney. Coitadinho. A gente vai virar o assunto das rodas de conversa.
- Ah, que seja. O nosso Sarney vai superar qualquer ataque. Da mesma forma que o Sarney do Senado supera.
- Olha, Sarney é sobrenome. Que tal colocarmos o primeiro nome do senador, que é José?
- Hum... não! A homenagem não seria clara. José tem aos montes por aí. Eu ainda prefiro Sarney Pontes da Silva. Tá decidido, é esse o nome do nosso filho. O único que convenceu o meu coração. Ponto final.
- Bem, tendo saúde, é o que importa... - ele entregou os pontos, já imaginando em bolar um apelido para o menino.
Com o tempo, já bem afeiçoado ao garoto, ele foi assimilando a idéia, ao chamar o Neyzinho com a mesma naturalidade de quem se dirige a um Bruno qualquer. Poderia ser um pouco pior, concluía, enquanto respirava aliviado por não ser o pai do... Maluf. Outro guerreiro!
A COISA MAIS LINDA DO UNIVERSO

Pai e mãe de primeira viagem, fazia pouco mais de meia hora que os dois estavam olhando para o bebê deles. Ela, achando graça na expressão meio apalermada do marido, resolveu quebrar o silêncio:
- No que você está pensando?
- Nas coisas do destino. Eu jamais iria imaginar no que estava reservado pra mim.
- Como assim? - ela perguntou, intrigada.
- Ah, o nosso filho. Olha aí que criança linda e esperta que nós temos. Incrível!
- Concordo plenamente. O Guto é a coisa mais linda do mundo.
- Do mundo? - ele reagiu energicamente - Do mundo? Você deve estar de brincadeira comigo, né? Só pode ser.
- Tá bom, tá bom, eu reconheço: sou uma típica mãe exagerada e...
- Meu bem, o Guto é a criança mais linda não apenas do mundo, mas do universo inteiro, entendeu? Do universo! Duvido que exista um ser mais perfeito do que ele, duvido!
- E você sabia que é o pai babão mais lindo do universo? - ela se aproximou do marido, cobrindo-o de beijos.
- Eu não tô brincando! - ele se afastou, levantando-se, já fazendo uma pose de quem iria discursar - Olha o sorriso dele! Olha isso! Eu não lembro de ter visto na minha vida um sorriso tão perfeito quanto esse! Mais perfeito do que isso? Impossível!
- Concordo! - ela riu, achando graça na empolgação do marido.
- Eu tô falando sério! Somos os pais de uma jóia rara, não percebeu isso ainda? Além da beleza que criança alguma jamais alcançará nesse planeta, ele tem qualidades que me deixam fascinado, boquiaberto.
- Como o quê, por exemplo?
- Olha isso. - ele colocou uma bolinha de borracha nas mãos do filho, que imediatamente respondeu arremessando-a no chão - Genial, não?
- É... Bonitinho.
- Bonitinho? - ele reagiu, indignado - Bonitinho? Ah, faça-me o favor, mulher! É só isso que você tem a declarar?
- Ué, só isso. Qual o problema?
- Você não percebeu a graça com que ele fez isso? O estilo? Da pegada de bola ao arremesso? Criança alguma da idade dele é capaz de fazer esses movimentos de forma tão carismática e harmoniosa quanto o Guto.
- Sei... - ela respondeu, já meio entediada com aquele papo todo, enquanto limpava a baba do filho que começava a descer pelo queixo.
- E olha só que baba mais perfeita que ele tem. Linda! Olha como ela brilha! Parece um diamante em forma líquida! Essa é uma baba especial, sem dúvida alguma. Acho que seria uma boa idéia pegarmos uma amostra dela e enviá-la para algum centro avançado de pesquisas. Deve ter coisa muito boa aí. A cura pra alguma doença grave, quem sabe.
- Aiai... daqui a pouco você vai dizer que o cocô do Guto é o melhor do mundo também. - ela tentou ironizar.
- E não é? Nunca vi um cocô de bebê tão perfeito quanto o dele. A consistência, a cor, o cheiro, o...
- Ok, ok... entendi, não precisa se aprofundar nessa qualidade dele... - em seguida, o bebê balbuciou alguma coisa, incompreensível, como era de se esperar. Um "gugu dadá" qualquer.
- Ouviu isso? Ouviu? Esse aí vai ser um orador e tanto! Jeito pra coisa ele tem, definitivamente!
- Ok, ok... vamos dormir? Ele já pegou no sono.
- E que sono, hein? Esse aí sabe dormir de uma forma revolucionária, diferente dos outros, que...
- Tá, amanhã você fala melhor sobre isso. Vem pra cama, vem.
Poucas horas depois, o filho os acordou, chorando desesperadamente. Era fome, como sempre. Ao ver o bebê mamando no peito da mulher, o marido não se conteve:
- Aí, filhão! Mandando ver, hein? Vai que é sua, garanhão! Esse aí...
- ESSE AÍ O QUÊ, CARLOS ALBERTO?
- Hum... nada não. Esquece.
QUALQUER TV

A televisão que estava no meu quarto quebrou. A imagem dela começou a ficar com um tom azulado que deixava todo e qualquer programa similar a um episódio dos Smurfs. Na assistência técnica autorizada, deram um orçamento que, com mais cem reais, me possibilitaria comprar uma nova daquele modelo. Não convencido, a levei para o japonês aqui perto de casa, que conserta de torradeiras a monitores LCD. Com ele, o mesmo diagnóstico, o mesmo preço para o conserto. Resignado, trouxe de volta para casa aquele tubo aleijado. Ainda não sei o que fazer com esse mais novo ferro-velho. Talvez eu o dê para os meus quatro sobrinhos:
- Meu presente de Natal para vocês. Toma, um martelo pra cada um. Tão vendo aquela TV ali? Podem descer o sarrafo! Um, dois, três e... já!!! Valendo! - seria divertido ver a molecada agindo como aqueles vândalos do apocalipse que aparecem na trilogia Mad Max. Bem, considerando-se o estado da mobília da casa deles, não é algo muito difícil de se imaginar.
No lugar da quebrada, coloquei uma mais antiga, bem menor que a anterior, que estava encostada no quarto ao lado. E quer saber de uma coisa? Não senti diferença alguma. No começo, cogitei de comprar uma novinha em folha, dessas achatadas - de plasma, LCD, PQP, sei lá o quê. Mas, ainda bem que fiz aquela clássica pergunta pra mim: "eu serei uma pessoa mais feliz com isso?" A vozinha da razão, essa que me escapou tantas vezes nos últimos tempos, resolveu dar o ar graça, respondendo um singelo "não."
É certo que o meu instinto consumista iria soltar rojões ao sair da loja de eletrônicos com aquela caixa contendo a tal TV achatada. "Uau, agora faço parte da turma que possui televisão moderna!" - esse deve ser, atualmente, um dos lemas mais populares da classe média, amiguinha do crediário casas baiânico. No entanto, desconfio que eu sentiria um vazio danado ao perceber que a programação da tela continuaria a mesma, tanto dos canais abertos quanto dos fechados. Seria o mesmo tédio de sempre. Sei que a alegria do consumista dura até o primeiro bocejo diante do que um dia foi cobiçado.
E além do mais, pouco importa a qualidade da tela se o conteúdo ali consegue fisgar a nossa atenção. É isso que venho percebendo com a televisãozinha dos anos 90 que está no meu quarto. Com isso, lembrei das vezes que eu assistia desenhos em preto e branco, na companhia do meu irmão e da minha irmã: nós três ali, hipnotizados pelo espancamento sistemático que o Popeye era submetido pelo Brutus, salvo apenas pelo espinafre meio acinzentado que chegava até os nossos olhos. Hoje em dia, a molecada da classe média convencional precisa ver qualquer um dos 50 canais de desenho disponíveis numa TV LCD de 90 polegadas e Home Theather. Caso contrário, perdem a fome, tadinhos.
Ah, feliz natal pra você, que, sinceramente, espero que não seja diante de um especial da Xuxa na super TV da sua família.
O XODÓ DA TIA GARIBALDA

Ela era o xodó da tia Garibalda. Sobrinha mais nova, dessas temporãs, era sempre tratada como uma criancinha indefesa pela tia babona. E não foi diferente no último aniversário:
- Mileninha! Olha só o presentão que eu tenho aqui pra você. - a velhinha sacudia o embrulho com a estampa da Hello Kitty.
- Ah, tia... Não precisava. - ela reagiu, sorrindo constrangida, já imaginando o que poderia ser.
Sim, como nos outros anos, era uma boneca. Dessa vez, uma Barbie modelo micareta, vestida com um abadá.
- Linda, né? As suas amiguinhas vão morrer de inveja, Mileninha!
- Ah, vão sim, tia. Nenhuma delas tem uma dessas. - ela respondeu, com aquele ar irônico que a tia nunca foi capaz de perceber, tadinha.
- Olha, no dia das crianças eu te dou o triozinho elétrico da Barbie, que é a coisa mais linda do mundo. Tudo bem pra você, meu anjinho?
- Ah, tia... Imagina. Não se preocupe com isso.
- Me preocupo, sim! Ora essa. Todo ano, no Natal, dia das crianças, aniversário, o que for, a minha Mileninha não pode ficar sem o presentinho dela!
- Mas...
- E eu não quero ver você chorando de novo, só porque não ganhou a boneca que quis. Lembra?
- Mas, tia, isso foi há um tempão já, no meu aniversário de cinco anos.
- E daí, Mileninha?
- E daí que hoje eu estou fazendo 29 anos, tia!
- Ih... uma menina ainda! Mal saiu das fraldas!
- A senhora tá falando sério?
- Aiai, essas mocinhas de hoje, viu? Tão com essa mania de questionar tudo. Tudo! Culpa da televisão. Na época da ditadura, criança era criança mesmo. Tempos bons aqueles...
- Criança? Eu vou me casar no começo do ano que vem, tia... A senhora sabe disso...
- Ê, juventude precoce!
- Sou diretora de marketing de uma multinacional francesa...
- Trabalho infantil, muito triste isso...
- Tia, tia... - ela desistiu de argumentar, já conformada com a sua condição de eterna criança.
- Mileninha, já sei. Você não gostou da Barbie Micareteira, né? Pode falar, que a titia não vai ficar chateada. Tudo bem, eu posso trocá-la pela Barbie Pagodeira. Melhor assim pra você?
- Imagina, tia! Eu AMEI o presente! AMEI! Mal posso esperar a hora para estreá-lo com minhas amiguinhas! - paciência, o jeito era entrar na sintonia da velhinha.
- Lindinha! - se empolgou a tia, apertando as bochechas quase balzaquianas da sobrinha-bebê. - Como você é uma boa menina, olha só o que eu também vou dar pra você: um pirulitão beeem gostoso! Toma!
No dia das crianças, a tia Garibalda resolveu não dar o triozinho elétrico da Barbie. A Mileninha estava certa: ela não era mais uma criancinha. Duro de aceitar, mas o tempo tinha passado. Por isso mesmo, resolveu presentear a sobrinha caçula com uma assinatura da revista Capricho.
Uma mocinha já! Quem diria, hein?
Olá! Já que provavelmente você não vai fuçar nos arquivos deste blog, que tal pelo menos conferir os 3 posts abaixo?
DESCONFIADO
Olha só que mulherão, olhando pra mim. Será? Não, imagina. Até parece. Minha nossa, muito linda! Ah, esquece isso, rapaz, tome aí o seu chopp sossegadinho, vai. Mas, que coisa, tenho a impressão de que ela está olhando pra cá sim. Ah, mas tem mais homens aqui na mesa, bem mais bonitos e atraentes, sem dúvida alguma. Ok, deixe eu dar uma encarada, de verdade. Putz, é pra mim mesmo. Bem, talvez ela seja míope e eu não passo de um borrão pra ela. Ou será que ela está vendo algo estranho em mim? Uma mancha no rosto, uma camisa rasgada, sei lá. Não, não. Tudo normal.
Mas que raios essa mulherzinha insiste em olhar pra mim? Ah, eu vou lá. Alguém acha que perderei uma oportunidade dessas? Nunca! Não, não, calma. Pode ser uma dessas pegadinhas. Hum… onde será então que esconderam a câmera? Eu, fazer papel de bobo na frente dos outros? Jamais. Pensando bem, pode ser uma aposta no estilo "duvido que você consiga atrair pra cá aquele rapaz ali, isso, aquele mesmo." No fim, ela diria pra mim: "Ai, moço, me desculpe, é tudo brincadeirinha, viu?"
Mas pára de olhar pra mim, pô! Me deixe em paz, vai. Vá viver a sua vida, mocinha. Cai fora! Pô, justo eu? Vire esse pescoço - aiai, e que pescocinho… - pra lá! Aí, tá vendo? Agora os meus amigos já perceberam: "Vai lá! Vai lá!!!". Tudo bem. Tá, eu vou, mas não por vontade própria. Que fique bem claro. Ok, lá vou eu. Aposto que esse papo não vai durar mais do que duas ou três frases. No fim, restará aquele constrangimento no ar: "Que mal-entendido, hein?" "Pois é…". Também pudera, bonita desse jeito, deve ser uma porta pra falar.
Olha só, ela não é tão burra assim… Bem, nem um pouco burra… Até que ela diz umas coisas interessantes… Nossa! Mas de onde essa mulher foi tirar essas idéias? Que mente privilegiada! Merece um prêmio Nobel. Acho que estou gostando dela… Estou ficando apaixonado! Seria um milagre se ela retribuísse da maneira que eu gostaria. Impossível. Ei, o que é isso? Puxa, como beija bem. Uma pena que será apenas por hoje, pois o número de telefone que ela me deu deve estar errado. Imagina. O papelzinho que dei pra ela, com o meu número de telefone? Até parece que ela se lembrará dele. Numa hora dessas, já deve estar no lixo. Alô? Sim, sim, dormi bem. E você? Melhor do que nunca? Que bom…
Parece que estamos namorando firme. Mas, pelo jeito, até o momento em que ela se tocar quem eu sou, não lá essas coisas. Assim, num piscar de olhos, cairá fora, suspirando aliviada. Maluquinha, ela me acompanha em tudo, na maior alegria. Que coisa, esse namoro está durando um bocado. Estranho… Não acredito: aceitou o meu pedido de casamento! Milagre se ela aparecer na igreja. Uau, que noiva linda ela ficou! Seu padre, deixa eu ouvir direito, ela disse… sim??? Ufa. Mas os anos passarão, sei como são as coisas. Sob o mesmo teto comigo, todos os dias, ela não vai agüentar. Cedo ou tarde, ela vai me trair. Certeza. Ah, um mulherão desses não resiste a uma bela cantada. Espere aí, seu detetive, você veio me dizer, novamente, que ela é completamente fiel a mim? Pôxa, então, provavelmente, os dois filhos meus são realmente… meus. Olha aí, tudo confirmado com teste de DNA. E ela ainda não se cansou de mim, a mesma alegria de sempre, o mesmo mulherão, apesar de nossas quatro crianças.
Somos uma família feliz. Ah, não quero nem ver quando chegarem na adolescência. Vão dar um trabalho danado. Que coisa, eles prestam atenção em tudo que falo. Jamais tive que levantar a voz com qualquer um deles. Olha aí, todos formados nas melhores universidades. Todos já com bons empregos! Pena que, quando se casarem, vão se esquecer dos pais. Normal. Pôxa vida, como é bacana ver os netinhos todos os dias. Olha, confesso que eu não esperava por essa festa de comemoração de Bodas de Ouro do meu casamento. Idéia dos meus netos, só podia ser. Mas os avós já estão esperando pela hora da morte, asilo na certa pra gente, aiai. Na idade que estamos, resta esperar por um enfarte fulminante. Ou um câncer bem lento e doloroso. O meu bisneto riu hoje de mim, quando falei que o câncer e o enfarte se esqueceram da gente, velhinhos e lúcidos.
E cada conversa que ainda tenho com ela… E sinto um silêncio tão grande aqui… como a voz dela me faz falta… Ei, o que estão esperando pra me colocarem num asilo? Calma, calma. Façamos o seguinte, por sorteio, a gente decide com quem eu vou morar. Eu sei, eu sei, mas eu não posso estar na casa de todos ao mesmo tempo, né? Pelo jeito, a morte se esqueceu de mim. Olha ela aí, de mansinho, engraçado eu não sentir dor alguma… Inferno, lá vou eu. E não é que é bonito o outro lado? Será que estou no paraíso mesmo? Mas não é possível, eu ainda encontro o diacho daquela câmera escondida!

