Categoria: Trabalho
FILHO DA PUTA!

Ressacas sempre o afetaram de forma leve. No máximo, uma dorzinha de cabeça, dessas que passam antes do meio-dia. Fosse uma pessoa normal, ele estaria imprestável naquela manhã, horas depois de ter tomado todas no happy hour da firma. Mas não, acordara incomodado apenas com a total falta de lembrança sobre a noite anterior. A última imagem que a memória gravou foi a dança com os mendigos no meio da calçada. E o povo da firma ali, gargalhando daquele balé bizarro. Depois disso, nada. Nem flashes. Nada. Bem, pelo menos despertara em casa, sozinho, sinal de que não devia ter feito nada de tão comprometedor assim. Menos mal. E assim ele foi para o trabalho, já preparado para ouvir os comentários engraçadinhos de seus colegas. Coisas do dia seguinte. Normal.
Ao chegar na empresa, estranhou quando a recepcionista ignorou a saudação dele. Justo ela, que todos os dias abria um sorriso enorme ao vê-lo. Bem, pode ser que ela tenha algum problema em casa, concluiu. Mais tarde, ele iria perguntar se estava tudo bem, se precisava de algo etc. Mas, que coisa, de todos que ele encontrou no caminho até a mesa dele, a mesma frieza. Nem o Alcebíades, que sempre tinha uma piadinha para quebrar o gelo das manhãs, fez questão de olhar na cara dele. Um bocado incomodado com aquele clima, resolveu chamar o melhor amigo para um cafezinho na copa:
- Pô, Silveirinha! O que aconteceu com o povo aqui? Tá todo mundo me desprezando. Até você! O que foi?
- Sabe o que mais me deixa impressionado, Alceu? A sua cara de pau em me perguntar isso.
- Isso o quê???
- Pôrra, Alceu! Depois do que você fez ontem, lá no happy hour da firma, nem era pra você voltar a pisar aqui. É muito cinismo da sua parte!
- Mas o que eu fiz? Eu bebi tanto que apaguei. Não lembro de nada.
- Ah, grande homem você é! Agora, ficou sem memória. Maravilha, hein? Apronta um negócio gravíssimo e vem com essa desculpa. Francamente, Alceu!
- O que eu fiz??? Foi algo com você?
- Alceu, você sabe que não. Você sabe exatamente o quê e com quem você aprontou... Agora, me dê licença que eu preciso trabalhar.
- Mas...
- E me faça um favor, nunca mais venha falar comigo, seu escroto! Te cubro de porrada se você chegar perto de mim, ok? Eu tô falando sério!
Transtornado, ele mal conseguiu tomar o resto do cafezinho, intrigado sobre o quê ele teria feito na noite anterior. Maldita bebedeira! O fizera vilão de algo que não conseguia se recordar. Um branco total. Foi para a mesa de trabalho constrangido, sentindo os olhares de reprovação de todos ali. Definitivamente, era persona non grata. Depois do comportamento do Silveirinha, desistiu de perguntar para os outros sobre o quê acontecera. Paciência. Mal começou a trabalhar, percebeu que o Fininho, um estagiário magrelo da contabilidade, vinha na sua direção. O rapaz, sempre tímido e caladão, boa parte por sofrer uma gagueira grave, queria dizer algo pra ele. Esforçando-se um bocado, conseguiu emitir aquelas palavras com uma clareza até então inexistente na vida dele:
- Seu.. FILHO DA PUTA!!!!!
Seguraram o braço do Fininho a tempo, evitando que ele desse um soco no Alceu, não sem boa parte do escritório protestar: "Deixa o menino bater nesse escroto. Ele merece!" E não adiantou perguntar novamente a razão de tudo aquilo, pois a resposta, em uníssono, continuava a mesma, quase um mantra maldito: "Você sabe!!!" E não, não fora nada com o Fininho. O rapaz apenas resolvera tomar as dores da situação, como se fosse um porta-voz de todos ali.
Minutos depois, o responsável pelo RH chamou o Alceu para uma conversa urgente na sala dele. Nem o convidou para se sentar:
- Bem, Alceu, como você percebeu, a sua presença aqui se tornou insustentável... Depois de ontem...
- Mas o que eu fiz???
- Você sabe. Você sabe!!!
- Não, não sei. Eu tomei um porre que fez esquecer de tudo.
- Ah, sei... Quer dizer então que o senhor se esqueceu da... da...
- Da...?
- Olha, eu não vou repetir. É lamentável demais. Será uma noite que vai deixar traumas em todo mundo aqui, sabia? Contratamos até um psicólogo para que nos ajude a superar o que você fez.
- Eu não lembro... juro...
- Bem, você está sendo demitido por justa causa. Mais do que justa!!! E você sabe o porquê. Não me venha com essa desculpa de que não se lembra de nada. Agora, suma daqui, senão eu mesmo vou acabar com a sua raça. SAI!!!
Da rua, ele ainda teve que ouvir o Fininho berrar da janela, sem traço algum de gagueira:
- FILHO DA PUTAAAAAA!!!
Meses se passaram e ninguém mais queria contratá-lo. Se tornou um maldito. Na área dele, ficou famoso como o "cara que fez aquilo". Imperdoável. E é óbvio que o infeliz sabia o que fizera, razão pela qual ninguém queria revelar a história pra ele, até porque fora algo muito pesado, que causava uma indignação revoltante só de relatar.
Desempregado, desacreditado e com a reputação sepultada em qualquer profissão que ele quisesse se dedicar, não restou outra alternativa senão a de tentar a sorte em um outro país. Dias depois de conseguir atravessar ilegalmente a fronteira mexicana, ele conseguiu o primeiro emprego no espaço de quase dois anos, como lavador de pratos em um restaurante de uma cidadezinha americana. No final do ano, o dono do local resolveu fazer uma festa de confraternização com os funcionários. Os mais exaltados insistiam para que o Alceu tomasse pelo menos um pouco de cerveja, que ele recusava quase chorando, justificando apenas que aquilo daria problemas para todos ali.
Mas, depois de concluir que a vida era curta, ele resolveu tomar todas, como se não houvesse mais amanhã. E quase não houve mesmo, caso alguém o tivesse alcançado na manhã seguinte, enquanto ele fugia do povo daquela cidade, correndo em direção ao Canadá.
- SON OF A BITCH!!!
DIPLOMA NO JORNALISMO DOS OUTROS É REFRESCO

E agora? O diploma não era mais obrigatório para eles. Restava aos dois jornalistas desabafarem no boteco de sempre:
- Rapaz, a nossa profissão acabou. Já era.
- Concordo. Sem a obrigatoriedade do diploma, ficamos tão ultrapassados quanto um disco de vinil.
- Pior, pior! Os discos de vinil têm lá seus defensores. E quanto a gente? Ninguém!
- Estamos sós. Já não bastava a concorrência de antes. Agora, precisaremos disputar vagas de emprego com qualquer um.
- Isso mesmo. As redações pegarão qualquer analfabeto que venha a cobrar um prato de comida pra que ele faça uma reportagem.
- Exatamente. Até já imagino a cena, de mendigos sendo recrutados na rua para fazerem uma matéria de capa. Afinal, para isso, não é preciso mais o diploma.
- Pois é, nem quero ver o nível que chegará a nossa imprensa.
- Pobre imprensa brasileira!
- Esses ministros do STF não entenderam que, para se fazer um jornalismo de verdade, em qualquer lugar do mundo, é preciso a faculdade antes.
- Isso mesmo. Lá, aprendemos a interpretar um texto, apurar os fatos, escrever uma reportagem... É impossível alguém aprender a fazer tudo isso fora da faculdade.
- Concordo. Impossível! Antes da faculdade, pra você ter uma idéia, eu mal sabia interpretar uma historinha da Turma da Mônica.
- Comigo era pior. Eu me comunicava com os outros através de sinais. Só na faculdade eu fui aprender que era possível usar as palavras para passarmos uma mensagem.
- E ainda tem gente que ousa dizer que sabe fazer tudo isso sem um diploma. Absurdo isso!
- Nossa, e como! Se for assim, vou me tornar neurocirurgião. Quero ver se me deixariam abrir cérebros por aí, sem um diploma de médico.
- Cara, eu só não faço isso porque tenho pavor de sangue. Pois deve ser a coisa mais fácil do mundo.
- Sim, basta fazer uma busca no Google e pronto. Ficaríamos craques em abrir cérebros. Mas, pena que não suporto ver sangue também.
- Taí, vamos lançar essa campanha, de que qualquer um pode se tornar neurocirurgião também, sem a necessidade de diploma.
- Genial isso. Aposto que ninguém jamais teve a originalidade de fazer essa associação. Médicos e jornalistas.
- E sabe a razão? É que eu e você somos formados em jornalismo. Um não-formado jamais seria capaz de elaborar um raciocínio tão sofisticado, claro e coerente quanto o nosso.
- Isso mesmo, é preciso muito estudo na faculdade para chegar nesse nível de evolução, de fazer essa equivalência entre médicos e jornalistas. E vou além. Coloco os engenheiros nesses exemplos também.
- Cara, se eu quisesse aprender cálculo, bastaria também consultar o Google. Ponto final. Em questão de semanas eu já seria capaz de fazer o projeto da maior ponte do mundo.
- Isso aí. Por isso que agora eu defendo o fim da obrigatoriedade de todos os diplomas do mundo. Já que jornalistas não precisam mais disso...
- Quero só ver um alguém sem diploma conseguir fazer a reportagem que entreguei hoje, lá na redação. Quero só ver. Duvido que essa pessoa seria capaz de relatar que viu aquela antiga participante do Big Brother aos beijos com aquele ator casado. Duvido!
- E a matéria que fiquei de entregar amanhã? Sobre a nova plástica que a filha do governador acabou de fazer. Para você ter uma idéia, consegui conversar até com o faxineiro da clínica onde ela esteve internada. O cara me disse que ela comeu macarronada depois da cirurgia. Não foi estrogonofe!!!
- Ah, vai dar essa matéria para um cara que não fez faculdade. Ficaria sem a macarronada. Uma porcaria!
- Agora, se eu quiser fazer uma cirurgiazinha no cérebro de alguém, somente com diploma de Medicina, né?
- Pois é, vai entender... Só no Brasil mesmo pra acontecer essas bizarrices!!!
- Ê, Brasil!
Ps1: E enquanto isso, na terra do Obama e da Rainha...
Ps2: E o povo continua querendo saber!
EU, O LIXEIRO
"O que você quer ser quando crescer?" Eu, na maturidade de meus cinco anos, respondia, na lata: "Lixeiro!" Todos achavam graça naquele loirinho de cabelos encaracolados - sim, já fui bonitinho, acreditem -, convicto na sua escolha. Astronauta? Jogador de Futebol? Ator de Hollywood? Que nada, pra mim, o barato mesmo era ser lixeiro. Eu lembro de ficar pendurado na grade da janela da sala, dessas que dão vista para a rua, observando aqueles caras de uniforme laranja, pendurados no caminhão de coleta. Sentia uma pontinha de inveja ao vê-los subindo e descendo de seus postos, correndo para recolherem os sacos de lixo depositados na calçada. Era algo divertido, que certamente meus pais não deixariam que eu fizesse. Para tanto, eu deveria aguardar uma eternidade, até completar 18 anos.
Claro que, após assoprar as 18 velinhas de meu aniversário, anos atrás, o meu projeto de me tornar lixeiro já era algo um tanto quanto arquivado. E sem ressentimentos. Mas até hoje eu imagino o que aconteceria se eu tivesse me mantido fiel à essa convicção. Afinal, conheço várias pessoas que realmente se tornaram aquilo que projetaram na infância - se bobear, até o Sérgio Naya, toda vez que construía seus frágeis predinhos de areia na praia. Incompreendido pela maioria, realizado na minha profissão, seria bem capaz que muitos viessem me perguntar a razão de minha escolha, bem como a teimosia em seguir adiante nela:
- Mas, veja bem, rapaz. Você veio de uma família com condições de pagar seus estudos. Poderia ter se formado numa coisa bacana, como medicina veterinária, por exemplo. Ou então, poderia estar trabalhando com algo relacionado à internet. E ganhando bem mais do que agora. Mas não, taí, trabalhando como… lixeiro?
- E daí? Eu gosto, é divertido, sempre quis isso. Você não entende que, desde quando eu era criança…
- Tá, já sei toda a estória. Que você ficava na janela, observando fascinado os lixeiros trabalharem etc e tal. Mas você era criança, rapaz. Não aconteceu nada mais nessa vida que chamasse a sua atenção?
- Bem, até que teve algo. Mas eu jamais teria condições de me dedicar a isso.
- Por quê?
- Ah, eu cresci demais. Ninguém me aceitaria como anão de comercial.
De qualquer forma, admiro aqueles que insistem naquilo que acreditam, independente do quanto isso poderá remunerar no fim do mês. Não importando se a opção é ou não controversa para os olhos de quem optou pelo convencional. Vale o clichê: o que importa mesmo nessa vida é ser feliz, fiel consigo mesmo. Pelo meu lado, cá entre nós, eu continuo considerando a possibilidade de trabalhar como lixeiro. Mas desde que seja em Mônaco, é claro.
AMOR LTDA
O fato dele chegar tarde em casa todos os dias não era a única pulga que a atormentava atrás da orelha. Além disso, depois de literalmente engolir o jantar, ele ia direto para o notebook, de onde ficava teclando durante horas. Assim, dormia pouco e acordava bem cedo. Ela ficava intrigada ao vê-lo sair de casa bem disposto, apesar das poucas horas de sono. Parecia motivado, rumo a um encontro que o animava. "Aí tem", as pulgas atrás da orelha gritavam em coro, cada vez mais. Cansada de mal conversar com o marido, cada vez mais sentindo-se uma figurante na vida dele, viu que era hora de ter AQUELA conversa:
- Luiz Mário, a gente precisa conversar…
- Tá, tá… Mas hoje não vai dar, tenho que responder a uns e-mails do trabalho, que vão me tomar um tempo considerável. Amanhã a gente se fala, pode ser? Amanhã, não. Deixa eu ver… terça que vem, ok? - ele respondeu, ainda mastigando um resto de comida e já encaminhando-se para o notebook.
- Não, não pode ser. Tem que ser hoje!
- Hoje não vai dar, Maria Amélia, eu já falei… os e-mails…
- Sei, os e-mails… sei… Ela gosta das suas mensagens, né?
- Ela quem, Maria Amélia? -
- A sua amante, Luiz Mário. - pronto, chega de ficar calada, ela concluiu.
- Você tá maluca???
- Ah, eu tô maluca? Você não fala comigo há meses. Não comparece mais na cama. Chega tarde todos os dias. E só abre um sorriso quando sai dessa porta pra fora. Você nem se preocupa em disfarçar o seu caso e vem me dizer que estou maluca? Ah, faça-me o favor! Não sou besta, não! Chega!
- Bem, já que você tocou no assunto, é melhor eu abrir o jogo então… - ele disse, levantando-se da cadeira, desligando o notebook. Conversa séria pela frente. Tensa.
- Finalmente! Então, quem é ela? É do trabalho? Da rua?
- Bem, não é exatamente "ela" por quem ando apaixonado… - nisso, a face dela ficou branca. Com as pernas bambas. Teve que se apoiar no braço do sofá.
- Minha nossa! Tá, você é gay!!! Como eu fui burra! Burra! Tava na cara! O seu jeito de cruzar as pernas, o seu modo de pegar no garfo, o…
- Calma, calma! Não é nada disso, Maria Amélia!
- Ué, se não é "ela", só pode ser "ele", Luiz Mário. Se bem que existe algo intermediário… É um travesti?
- Não é uma pessoa… Bem, como eu vou explicar?
- Aiai, é um animal? Zoofilia, Luiz Mário? Faça-me o favor!!! - ela protestou, escandalizada, pegando no colo o poodle deles.
- Olha, não é um ser, entende?
- É um objeto, isso. Li dias desses uma matéria de pessoas que gostam de fazer sexo com objetos. Teve até o caso daquele ator que deu entrada no hospital com uma cenoura entalada lá atrás e…
- Não envolve sexo com nada e com ninguém, entende? É algo sublime… Que vai além da carne, sabe?
- Não, não sei.
- Como vou explicar, é difícil…
- Tente, ora essa.
- Ok, eu estou apaixonado… pelo meu trabalho. Pronto, é isso, Maria Amélia.
- Hein?
- Eu ia pensar numa maneira mais adequada de te explicar isso.
- Trabalho, Luiz Mário? Como assim?
- Eu amo o meu trabalho, de paixão. Não quero saber de mais nada.
- Nem de mim?
- De ninguém. Não quero mais perder o meu tempo com coisas irrelevantes.
- Como o nosso casamento?
- Sim.
Seguiu-se um longo discurso dele a respeito dos pontos mais interessantes de seu trabalho. Comovido, disse, entre lágrimas, que hoje mesmo tinha entregado uma planilha perfeita, que mostrava a evolução da gestão financeira do segunto trimestre, concluindo que o momento era de apostar no investment grade das filiais asiáticas da empresa. No mais, os olhos brilhavam, fascinados a cada menção de estratégia bem-sucedida que ajudara a construir nos últimos meses. "Apaixonante, não?"
- Tá, e agora, o que fazemos? - ela perguntou, ainda desconcertada.
- Você fica aqui, levando a sua vida. E eu, no escritório.
- Você vai dormir lá?
- Ué, porque não? É lá que vejo a minha vida fazer sentido. É lá que tenho vivido os momentos mais felizes da minha existência. - ele admitiu, enquanto lançava um olhar terno para o seu notebook.
- Eu quero o divórcio! Chega!
- Tudo bem. - concordou, impassível.
- Olha, pra mim, você não existe mais. Se quiser, pode ir agora mesmo pro escritório. - ela disse, com um ar de desprezo.
- Hum… Não seria má idéia… Eu já tenho a chave de lá…
- Então vai, Luiz Mário! VAI!
- Putz… hoje não vai dar.
- O que foi?
- Os e-mails, lembra? É muita coisa. Vou perder muito tempo daqui até a empresa. Bem, com licença.
E lá foi ele para o notebook, com aquele olhar de colegial fascinado pelo primeiro amor.
TRÊS IDÉIAS PARA DINÂMICAS DE GRUPO
Ao ler esse ótimo texto dela, lembrei que nunca participei de uma dinâmica de grupo, dessas pra se concorrer a um emprego. Mas eu gostaria de fazer parte de uma. Como avaliador, é claro. Muitos imaginam que os reponsáveisveis se divertem ao bolarem certas situações de uma dinâmica de grupo, dignas dessas gargalhadas de perder o fôlego. Os especialistas negam isso na hora, dizendo que tudo ali tem um sentido, por mais bizarro que seja. Pois bem, considerando isso, munido de meu certificado de Psicológo Júnior, obtido por correspondência através do Intituto Universal Brasileiro, decidi sugerir algumas situações de dinâmicas de grupo. Tudo muito bem justificado, é claro:
.
Sonrisal na Chuva
Descrição: O candidato deve imaginar que é feito de sonrisal e que uma chuva começou a cair sobre ele. Enquanto isso, ele tem dois minutos pra falar sobre o sentido da vida, tempo suficiente pra efervescência consumi-lo por inteiro. Nessa dinâmica, enquanto faz o seu discurso, é fundamental que o candidato imite o barulho do sonrisal desfazendo-se na água - "shhhhh".
Objetivo: aqui, avalia-se a capacidade de improviso do candidato quando em situações de intensa pressão. A chuva representa as atribulações e cobranças inevitáveis do ambiente profissional. O sonrisal, a resistência do candidato que, diante das obrigações do dia-a-dia, tende a desaparecer por completo. O discurso a respeito do sentido da vida serve para mostrar a competência do candidato pra manter a sanidade mental nesse contexto, ao conseguir formular um pensamento razoavelmente compreensível. Dinâmica ideal para candidatos a vaga no departamento de vendas.
Balé no Escuro
Descrição: de olhos vendados, dentro de uma sala cheia de cascas de banana e ovos podres pelo chão, os candidatos devem correr e saltar como se estivessem fazendo passos de balé. Todos ao mesmo tempo. E tudo isso sem tirar o sorriso do rosto.
Objetivo: além da coordenação motora, aqui será avaliada a confiança do candidato diante situações-limite, onde existem poucas opções para o mesmo escapar. A cada tombo, será observado se o mesmo tem a capacidade de manter o equilíbrio mental, sorrindo sem intervalos, mesmo que ele já esteja todo cheio de hematomas e melado com ovo podre. Dinâmica ideal para candidatos a vaga no departamento de relações públicas da empresa.
.
Ataque Terrorista
Descrição: Divididos em grupos, munidos apenas de um chiclete usado e um palito de dentes, os candidatos devem dizer como planejariam um ataque terrorista num shopping lotado, na véspera do Natal. Com essas ferramentas em mãos, será preciso que cada grupo convença um ao outro que produzirá o maior número de baixas possível. Aqui, os homens devem falar desmunhecando, com a língua presa, enquanto que as mulheres, coçando um saco imaginário, falando grosso.
Objetivo: aqui, será avaliada a capacidade de planejamento dos candidatos, bem como a liderança existente em cada um deles. Estará em jogo também a criatividade que a pessoa tem para cumprir um objetivo, sem que haja dependência da qualidade das ferramentas disponíveis no momento da ação. E não importa se o cumprimento dessa tarefa vá prejudicar outros. Importa, isso sim, que o dever seja cumprido, com louvor. O desmunhecar dos homens e a coçação de saco das mulheres entra aqui só pra sacanear os candidatos mesmo, divertindo o avaliador, caso o mesmo já esteja entediado. Dinâmica ideal para candidatos a vaga no departamento jurídico da empresa.
.
Ps: uia! E não é que é divertido mesmo bolar essas situações? Alô departamentos de RH, estou disponível pra consultorias.

