Categoria: Televisão
CQC E O ENCANTO DO DEDO MÉDIO

- Nossa, não acredito! O gostoso do Marco Luque mostrou o dedo do meio pra mim. Que delícia! - berrou a mocinha da platéia, histericamente encantada com o gesto do apresentador do CQC no intervalo do programa, em resposta aos apelos dela, todos no estilo "Marcoooo, seu gostoso! Lindo, maravilhoso! Te amo! Olha pra mim!!!"
Não enxerguei antipatia na reação dele. Foi um dedo erguido com estilo, lentamente, como se a outra mão estivesse girando uma alavanca imaginária. Tudo isso sorrindo, dando a entender que a mensagem foi a seguinte: "Ok, vocês me acham gostoso, coisa e tal. Ouço isso todos os dias. Bacana. Mas, quer saber? Aqui pra empolgação de vocês, ó..."
A moça adorou - deve ter ovulado num volume suficiente para gerar quíntuplos -, como se aqueles segundos de atenção fossem um convite para algo maior. As amigas dela acharam o máximo. O cara sabia que qualquer sinal dele seria encarado como charme. Quando o time está bem no campeonato, certas liberdades são perdoadas pela torcida. Isso é universal. Mas não deixa de ser curiosa essa relação entre fã e ídolo, em que um é tratado feito uma criança gracinha pelo outro: qualquer gesto é motivo para suspiros de encanto. Mesmo que esse gesto consista na exibição do dedo médio. "Ai, que lindo!!!!"
Naquele ambiente, um programa de humor habitualmente ácido com uma audiência jovem em sua maioria, até que fez sentido toda a situação. Seria esquisito se, por exemplo, o Papa resolvesse dar uma dessa no meio da missa de domingo, no Vaticano, em resposta aos apelos de alguns fiéis mais exaltados:
- Santo Padre, nos dê a sua benção! - e sorridente, lá iria o velhinho mostrar o dedo do meio para uma platéia escandalizada com o gesto, até então inédito em séculos de papado.
No lugar do Marco Luque, eu experimentaria várias formas de reação além do dedo médio. Só para ver até até onde iria o limite da aceitação. Coisas escatológicas como arroto e vômito forçado estão fora de cogitação, pois é certo que qualquer emissão de gases ou fluído corporal tende a ser vista com simpatia pelos fãs. O povo perdoa e aplaude. Isso é clássico. "O peido que ele deu no microfone foi sensacional! Encantador, como tudo que ele faz!"
Admito que não consegui imaginar situação alguma que causasse reprovação geral. Que fizesse a mulherada passar, em questão de milésimo de segundos, da ovulação para a TPM. Bem, talvez a sua imaginação esteja melhor que a minha. Se for esse o caso, que tal deixar a a sua sugestão aqui nos comentários? Fique à vontade. Só não vale mencionar coisas como pedofilia, zoofilia, pansexualismo, sacríficio de bichos fofinhos (como pintinhos, ursos pandas recém-nascidos, joaninhas etc) e outras coisas que o seu bom senso irá julgar bem. Confio em você.
(Estive no CQC na semana passada, graças ao Urso. Lá, depois do programa, pude filar umas coxinhas e esfirras no camarim dos apresentadores. Resumindo, pessoal gente fina.)
TWITTER E BLOGS X JORNAIS E TVS

Fiquei sabendo que tanto os funcionários da Globo quanto da Folha de São Paulo terão que se submeter a regras de condutas para o uso de twitter e blogs. Não quero perder tempo aqui especificando as orientações de cada veículo. De maneira bem simples e resumida, significa que todos poderão continuar emitindo suas opiniões, desde que essas não venham a comprometer a imagem da empresa. Dizer que simpatiza com um determinado partido? Não. Criticar alguma mancada que aconteceu no ambiente de trabalho? Também não, ora essa. E por aí vai.
Sinceramente, essa espécie de censura não fará diferença alguma para mim. Através de blogs e do twitter, celebridades deslumbradas com o próprio umbigo e jornalistas pedantes encontraram o meio perfeito para expressar suas asneiras. Costumo ignorá-los e admito que tenho uma certa dificuldade para achar normal a repercussão que esse povo provoca com seus posts e twittadas. Mas viver em sociedade nos dias de hoje é isso aí: basta aparecer mais de 15 minutos na televisão ou ser dotado de um sarcasmo contínuo e sem filtros para que uma legião de adoradores apareça. Mesmo encarando dessa forma, faço um esforço considerável para respeitar a situação. Acontece.
Apenas lamento pela minoria interessante que faz parte desses veículos de comunicação. Ficaremos privados das opiniões mais contundentes dos profissionais que realmente têm algo a dizer. Que, de fato, teriam revelações surpreendentes e de alguma utilidade para compartilhar conosco, em primeira mão. Mas, peraí, um momento. Estou tentando lembrar de alguém assim na Globo ou Folha de São Paulo que tenha blog ou perfil no twitter. Deixa eu ver... Não... Ué, não encontrei ninguém. Aonde está esse pessoal? Ainda off line? Ou será que o ignorante sou eu?
Sei lá. Na dúvida, continuarei seguindo o Vitor Fasano. ABS.
CONTROLE REMOTITE AGUDA

Sou desses que assinam TV à cabo mas não tem paciência alguma para acompanhar o que se passa nos canais disponíveis. O meu polegar direito no controle remoto parece pertencer ao de alguém com Síndrome do Parkinson em estágio avançado, de tão inquieto que ele fica no CH+ e CH-. Quando estou na casa de alguém mais normal, um certo desespero começa a me atacar se a TV fica sintonizada em um mesmo canal por mais de dez minutos. Não foram poucas as ocasiões em que me segurei para não saltar entre sofás para arrancar o controle remoto das mãos do responsável e sair sintonizando 10 canais por segundo, me aliviando como um alcóolatra que começou a virar goela abaixo aquela garrafa de cachaça. Eu reconheço, a coisa é feia.
E olha que eu sou de uma geração em que era preciso levantar do sofá para que se mudasse os canais. Quando eu era criança, o controle remoto não passava de uma realidade possível apenas nos desenhos dos Jetsons. Dessa forma, não era uma manobra tão simples assim querer sair do Magnum da Globo para o Bozo do SBT. De modo algum. Para tanto, era preciso respirar fundo e movimentar vários músculos para que os dedos alcançassem enfim o sintonizador. Clec, clec, clec. E tome mais movimentação de músculos na volta para o sofá. Se naquela época, no espaço de uma hora, a pessoa quisesse manter o padrão atual de zapeamento, ela ficaria tão esgotada quanto aquela maratonista olímpica que chegou cambaleante na linha de chegada. O que salvava eram as poucas opções de emisssoras, razão pela qual não havia muito o que procurar. Bozo ou Magnum? O pai ou o irmão mais velho decidia. Clec, Clec, clec.
Hoje em dia, para pessoas feito eu, que sofrem de controle remotite aguda, assistir televisão é um ato em que o descompromisso é a regra. Aquele programa está interessante, revelador quanto a mais uma peculariedade que o Tubarão Flatulento das Ilhas Komi-Komi exibiu diante das câmeras? Pode ser, mas, ao mesmo tempo pode ter começado um filme interessante em algum dos 30 canais de cinema. Ou então, que tal dar uma olhada naquela série engraçada que está passando agora? Vamos lá. Se bem que... já deve estar rolando a sessão erótica do canal Telettubies e... aonde é que eu estava mesmo? Nisso, umas duas horas se foram e apenas o polegar se movimentou, frenético.
Desconfio que me resta uma única opção para que se resolva esse impasse da atenção caótica: desligar a TV. A melhor alternativa, disparado. O problema é convencer o encosto que há tempos tomou conta do meu polegar direito. Sai desse dedo que não lhe pertence, DDA!
QUALQUER TV

A televisão que estava no meu quarto quebrou. A imagem dela começou a ficar com um tom azulado que deixava todo e qualquer programa similar a um episódio dos Smurfs. Na assistência técnica autorizada, deram um orçamento que, com mais cem reais, me possibilitaria comprar uma nova daquele modelo. Não convencido, a levei para o japonês aqui perto de casa, que conserta de torradeiras a monitores LCD. Com ele, o mesmo diagnóstico, o mesmo preço para o conserto. Resignado, trouxe de volta para casa aquele tubo aleijado. Ainda não sei o que fazer com esse mais novo ferro-velho. Talvez eu o dê para os meus quatro sobrinhos:
- Meu presente de Natal para vocês. Toma, um martelo pra cada um. Tão vendo aquela TV ali? Podem descer o sarrafo! Um, dois, três e... já!!! Valendo! - seria divertido ver a molecada agindo como aqueles vândalos do apocalipse que aparecem na trilogia Mad Max. Bem, considerando-se o estado da mobília da casa deles, não é algo muito difícil de se imaginar.
No lugar da quebrada, coloquei uma mais antiga, bem menor que a anterior, que estava encostada no quarto ao lado. E quer saber de uma coisa? Não senti diferença alguma. No começo, cogitei de comprar uma novinha em folha, dessas achatadas - de plasma, LCD, PQP, sei lá o quê. Mas, ainda bem que fiz aquela clássica pergunta pra mim: "eu serei uma pessoa mais feliz com isso?" A vozinha da razão, essa que me escapou tantas vezes nos últimos tempos, resolveu dar o ar graça, respondendo um singelo "não."
É certo que o meu instinto consumista iria soltar rojões ao sair da loja de eletrônicos com aquela caixa contendo a tal TV achatada. "Uau, agora faço parte da turma que possui televisão moderna!" - esse deve ser, atualmente, um dos lemas mais populares da classe média, amiguinha do crediário casas baiânico. No entanto, desconfio que eu sentiria um vazio danado ao perceber que a programação da tela continuaria a mesma, tanto dos canais abertos quanto dos fechados. Seria o mesmo tédio de sempre. Sei que a alegria do consumista dura até o primeiro bocejo diante do que um dia foi cobiçado.
E além do mais, pouco importa a qualidade da tela se o conteúdo ali consegue fisgar a nossa atenção. É isso que venho percebendo com a televisãozinha dos anos 90 que está no meu quarto. Com isso, lembrei das vezes que eu assistia desenhos em preto e branco, na companhia do meu irmão e da minha irmã: nós três ali, hipnotizados pelo espancamento sistemático que o Popeye era submetido pelo Brutus, salvo apenas pelo espinafre meio acinzentado que chegava até os nossos olhos. Hoje em dia, a molecada da classe média convencional precisa ver qualquer um dos 50 canais de desenho disponíveis numa TV LCD de 90 polegadas e Home Theather. Caso contrário, perdem a fome, tadinhos.
Ah, feliz natal pra você, que, sinceramente, espero que não seja diante de um especial da Xuxa na super TV da sua família.
BALANÇO DAS OLIMPÍADAS
Eu estava determinado a não falar nada sobre as Olimpíadas. No entanto, esse vídeo me fez quebrar a promessa. Muito bom. Pelo tanto de visualizações que o mesmo teve, meio mundo já deve conhecê-lo. Sacanagem então, de ninguém ter me indicado essa pérola, que descobri por acaso. Se o mesmo aconteceu com você, não fique assim, acontece.
Ps1: Se aparecer por aí a infame mensagem "We're sorry, this video is no longer available", seja brasileiro e não desista. Tente novamente após apertar F5, até a coisa funcionar.
Ps2: O vídeo foi uma montagem em cima do ótimo filme "A Queda! As Últimas Horas de Hitler." Pra quem ainda não viu, recomendo.

