Categoria: Cinema
STAR TREK - O PIOR FILME DE TODOS OS TEMPOS

O que falar de um filmeco pretensioso, que procura dar uma roupagem moderninha para uma série que já rivalizava com a Turma do Chaves em matéria de elementos ridículos? A vontade é de terminar essa minha análise aqui mesmo, só para não relembrar o amontoado de bobagens que fui obrigado a acompanhar no cinema. Star Trek conseguiu a proeza de me provocar uma imensa vontade de ir para os Estados Unidos. Para quê? Só para jogar ovos e tomates podres nos responsáveis por esse lixo em forma de cinema. É um filme tão ruim que, se você quiser terminar um relacionamento, chame a pessoa para assistir esse desastre ao seu lado. Ela nunca mais vai querer olhar na sua cara. Pode apostar isso.
Para começar, o filme se ampara numa praga que há muito tempo vem infestando o cinema norte-americano: a de mostrar as origens de heróis já conhecidos do grande público. Isso aconteceu com o Batman, Hulk, Homem Aranha, Wolverine, Quarteto Fantástico e agora, pasmem, com a turminha mala do Dr. Spock. Não estranharei se daqui a pouco resolverem fazer o mesmo com o Pateta, que, do inocente e atrapalhado personagem da Disney, será transformado em um atormentado ser mitológico pelos maneirismos anêmicos dos roteiristas atuais. Finalmente saberemos se o Pateta é um cachorro mesmo ou uma entidade extraterrestre que ganhou superpoderes graças a um vazamento radioativo em uma sombria Patópolis. Nas mãos dos atuais gênios dos enredos hollywoodianos, não basta ser herói e ponto final. É preciso explicar as origens, que invariavelmente resultam em personagens atormentadinhos e cheios de motivações por causa de seus traumas. A moda agora é oferecer um embasamento psicológico para os que salvarão o mundo. E adivinha se não temos isso no novo Star Trek?
Sim, o jovem capitão Kirk, constrangedoramente interpretado pelo inexpressivo Chris Pine, agora pode se deitar do divã para contar todos os seus probleminhas. Rapaz sensível esse. Não basta ter que pilotar a Enterprise, que aqui mais parece uma dessas criações cafonas pra Hans Donner nenhum botar defeito. É preciso ir em busca de um objetivo de vida, algo que o motivará a viajar pelo universo, uma metáfora tão pobre que faz parecer qualquer letra de pagode uma obra-prima. Ao invés dos produtores terem se preocupado em oferecer uma diversão de qualidade para o público, resolveram passar uma mensagem edificante para nós, como se fossemos cordeirinhos perdidos em busca de pílulas de auto-ajuda. Mais irritante do que isso, impossível.
Faltou ousadia ao longa, que preferiu requentar de maneira indigesta os mesmos personagens entediantes que há décadas compoem o universo dessa série. Os responsáveis por essa versão perderam a chance de excluir o Dr. Spock, por exemplo. O orelhudo não teria feito falta alguma com o seu jeito recluso e esquisitão, que só abre a boca pra falar bobagens que envergonham a galáxia inteira. Mas não, criaram um Spock pior do que o original, agora jovem e com uma arrogância mais doentia ainda, que mais provoca vergonha alheia do que respeito. Já que resolveram preservar o personagem, era obrigação dos produtores responsáveis subverter a essência dele. Poderiam, por exemplo, ter dado a Spock um ar mais cômico, mais clown, traço esse que contrastaria de maneira inteligente com a chatice do Spock original. Mas não, resolveram optar pela opção mais burra. Tão burra que chega a causar indignação, dessas de querer sair no meio da projeção e exigir o dinheiro do ingresso de volta.
Roteiro pobre, interpretações dignas da pior novela mexicana, efeitos especiais medíocres, trilha sonora pavorosa e muito mais. Isso é o novo Star Trek. Se você tem amor pelo seu dinheiro e, sobretudo, à sua paciência, fuja. Agora, se você tem tendência ao masoquismo e quer castigar as suas retinas, vá em frente, que o povo da nave Enterprise fará isso com bastante competência.
Avaliação do Filme: eu ia colocar o símbolo de uma bomba aqui. Mas eu achei que seria elogio demais da minha parte. Se existir algo abaixo disso, me avisem.
Ps: essa é uma crítica de mentirinha. Me deu vontade de brincar desses projetos de críticos mal humoradinhos que tem aos montes por aí, em jornais, revistas, blogs etc. Não gostam de algo e resolvem polemizar, só para irritar quem pensa o contrário. Simples assim. Quanto a Star Trek, pouco conheço da versão original e ainda não vi o novo filme. Mas vou assistir e, a se julgar pelas opiniões de amigos meus que já conferiram no cinema, eu acho que gostarei também.
BATMAN FEIRA DA FRUTA - AINDA O MELHOR
Muito se fala a respeito do novo Batman, com a grande maioria das resenhas abordando o filme como se fosse a última obra-prima da humanidade. No entanto, no meio da chuva de confetes, peço licença para dizer que trata-se de um filme apenas "ok". E aproveito ainda para analisar uma outra obra, baseada no mesmo personagem, subestimada pelo público em geral, equivocadamente classificada como "trash". Estou falando do excelente "Batman - Feira da Fruta", essa sim uma obra-prima que, nos seus vinte e poucos minutos de duração, observada mais de perto, nos revela mais sobre as questões humanas do que todos os filmes de um Bergman, por exemplo.
É de se estranhar que ninguém tenha percebido as inúmeras mensagens que "Batman - Feira da Fruta" apresenta, como se a humanidade tivesse perdido o pouco de sensibilidade que ainda restara nesses tempos brutos que vivemos. Pouco ou quase nada se discutiu a respeito do simbolismo fálico que acompanha toda a obra, peça-chave para o entendimento do restante: a ameaça constante sobre o pênis do herói. Acuado pela obsessão do vilão Coringa em arrancar o simbolo máximo de sua virilidade ("Vô arrancá o pinto do Bátema!"), o homem-morcego acaba vivendo o paradoxo de Stevers-Liewness, cujo conceito oscila entre a necessidade de se preservar da cintura pra baixo e os deveres morais no que se refere à proteção dos mais fracos. Como um personagem trágico, assombrado pelos mesmos fantasmas que trazem o perfil de uma Lorena Bobbit, Batman precisa restabelecer a ordem que ameaça capitular diante de seus olhos, tanto no âmbito físico, quanto no espiritual.
Apesar desses dilemas, ele consegue ainda preservar valores que, sem a devida vigilância, iriam se extingüir nas mãos de uma pessoa com menos autoridade moral. Cabe a ele, por exemplo, zelar pela educação de seu pupilo, Robin, como um mestre que não deixa o discípulo seguir o caminho da degradação ("Modere o seu linguajar, Robin!", diz um paternal Batman, cada vez que ouve um palavrão do seu parceiro.). Nessa constante tensão, digna dos dilemas das obras do consagrado autor franco-alemão Hans Gerbwig, surge o desejo sexual entre o protetor e o protegido, onde o ativo inverte o perfil do passivo e vice-versa. Com o ato prestes a ser consumado, Batman toma para si a responsabilidade de manter a ordem higiênico-sanitária que permeia a relação, ao perguntar para um estranho se o mesmo possui camisinhas, pois fará amor com Robin mais tarde, no fim da noite. Mais reverberativo na consciência do pós-modernismo gótico, impossível.
Outros temas chegam a nós nessa obra, na forma de socos certeiros no estômago de nossos preconceitos. Um dos mais contundentes é a questão da sexualidade na terceira idade, personificada aqui pela tia do herói, uma senhora cuja libido não ficaria atrás da de uma Madame Bovary no cio. Ou então, a de uma Lolita que atravessou os anos com a sexualidade intacta. Todos querem possuí-la. E ela serve a todos, sem distinção, incluindo aí o desvairado Coringa, que fica extasiado ao saber que compartilhará as intimidades de alcova com ela ("Vô comê a tia do Bátema!!! Uhuuuu!!!!", comemora o vilão, feito um Mefisto fanfarrão.) A mensagem aqui é clara: todos podem exercer a sua sexualidade, sem restrições de idade, origem ou caráter. Alfred Kinsey aprovaria a proposta aqui, orgulhosamente.
Enfim, mais linhas seriam necessárias para explicar definitivamente a obra-prima "Batman - Feira da Fruta". Quem sabe alguém se disponha a isso, em um livro com mais de 500 páginas. Esse texto no máximo, procurou alertar para a injustiça com a qual a história vem sendo tratada pelo público em geral, ofuscada no momento por um filme menor, que é o novo Batman nos cinemas. Em "Batman - Cavaleiro das Trevas", vemos um desfile tedioso de clichês que parecem saídos da mente do redator menos inspirado do Zorra Total: vilão implacável versus mocinho mascarado em crise. Novidade zero. Já em "Batman - Feira da Fruta", as alegorias preenchem cada segundo da saga, levantando questionamentos sob óticas que jamais suspeitamos. Genial. E viva o "baile dos enxutos"!
CLAYTON GERALDO FONTES VAI AO CINEMA
Gosto de participar de promoções e ganhar brindes. Tudo bem que é bonito conseguir as coisas através do suor, horas de trabalho a fio, vitaminando aqueles discursos que dizem merecermos tudo aquilo que temos. Concordo. Mas, pôxa vida, se pudermos vez ou outra receber prêmios sem grandes esforços de nossa parte, dos milhões da Mega-Sena ao pano de prato do bingo da quermesse, por que não? Afinal, somos pessoas legais e merecemos algum tipo sorte, concorda? Bem, se você não se considera uma pessoa legal, aí já é problema seu e do seu analista.
Encontrei esse tipo de sorte semanas atrás, quando minha mãe me entregou um desses cupons de shopping que dão direito a um par de ingressos para o cinema. O meu maior trabalho seria o de preencher o cupom com meus dados - nome, endereço, e-mail, telefone etc - e trocá-lo pelos ingressos num determinado quiosque do shopping aqui perto de casa. Deixei pra fazer isso no último dia, é claro, minutos antes do prazo para a tal promoção expirar, como é de meu costume - superstição, quem sabe.
Como eu sou um cara muito do esperto, preenchi os dados do cupom com informações falsas, do nome ao e-mail. Eu é que não cairia nesse conto de entregar meus tão valiosos dados cadastrais em troca de um par de ingressos. Não mesmo. Pra depois eu ficar recebendo propagandas que não tem nada a ver comigo? Assim, um certo Clayton Geraldo Fontes - no cupom, pelo menos - foi buscar seus ingressos de cinema, aos 45 minutos do segundo tempo. Era um fim de tarde bem gelado, de domingo, desses em que sair de casa só vale a pena se o motivo for nobre. Como buscar ingressos de cinema a custo zero.
Me dirigi ao shopping com a Patrícia, minha primeira - e única - dama. Mais desconfiada do que eu, ela ia soprando a semente da dúvida, várias vezes, de casa até o quiosque:
- Mas, e se eles só entregarem os ingressos pelo correio? E com esses dados errados… Não quero gorar a sua intenção, mas, sabe como é… Essa Lady Murphy me persegue…
- Vira essa boca pra lá… Olha o que está escrito aqui, ó: "Troque seu cupom preenchido por um par de ingressos para o cinema, no quiosque de informações do shopping, localizado no piso B." Tá vendo? Não fala nada sobre receber os ingressos em casa… Relaxa…
Ao chegarmos no posto de troca, encontramos uma garota com um cupom, na nossa frente. Só que, ao invés de receber os ingressos, ela teve a seguinte resposta da atendente:
- Os ingressos acabaram há algumas horas. Entregaremos eles no endereço que está aí no cupom, tudo bem?
Olhei pro meu cupom - ou melhor, do Clayton Geraldo Fontes - todo escrito a caneta. Adeus cinema de graça. E a Patrícia ali, gargalhando, como se tivesse acabado de ver uma cena de Seinfeld, jurando que não quis frustrar os meus planos, de tanto que mencionou a tal da Lady Murphy. Ok. Olhei pra atendente, que já me encarava, sinalizando que era a minha vez. Sem pensar muito, dei meia-volta e fui embora, rasgando aquele papel, tão valioso pra mim até alguns minutos atrás. Desconfio que saiu fumaça de minha cabeça, ao modo dos desenhos animados. Afinal, pra chegar ali, eu tinha enfrentado um frio insuportável, um shopping irritantemente lotado, com estacionamento idem, que eu teria que pagar é claro.
Como consolo, nem eu, nem o Clayton Geraldo Fontes, em seu endereço da Terra do Nunca, receberão propagandas bobocas em casa. Ótimo. Pensando bem, os filmes que passam nos cinemas daquele shopping costumam ser bem fraquinhos, sabe? E, pra dizer a verdade, tenho preferido assistir filmes mais pelo DVD mesmo. E, cá entre nós, a atual safra do cinema mundial anda bem fraquinha. Ok, tudo bem, eu confesso: eu ia pegar aqueles ingressos e doá-los pra duas crianças carentes aqui do bairro, cada qual com uma doença gravíssima e incurável, cujo último desejo era o de entrar num cinema de shopping, pelo menos uma vez na vida, tadinhas.
E… e… eu continuo esperto, ok?
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E que tal (sim, voltamos):
- Ler "Fui reprovado na dinâmica", texto em que o Marmota aborda o universo pavoroso de algumas dinâmicas de grupo?
- Ouvir o clima todo sexy de "Baby Did a Bad Bad Thing", música do cantor "Chris Isaak" que fez parte da trilha sonora do filme "De Olhos Bem Fechados"? (sim, ele é o cara daquele famoso videoclipe)
- Ver um mini-episódio de Seinfeld (uns 3 minutos), feito no embalo do caso de racismo no qual se envolveu o ator Michael Richards, que interpreta o personagem Kramer? (recomendável apenas pra quem gosta de Seinfeld)
FINAL FELIZ
- Ué, então é isso? Acabou o filme?
- Ah, não me diga que você não gostou do fim.
- Odiei. Horrível! Não é possível! Se houver um mínimo de bom senso nesse mundo, as luzes aqui desse cinema voltarão a se apagar, e o filme vai continuar, acabando decentemente!
- Deixa de ser radical. Eu achei bem original a forma como ele terminou… Ousada! Genial! Vocês, mulheres, hein? Sempre com essa mania romântica de exigir final feliz pra tudo…
- Não acredito que você gostou dessa porcaria. Tô pasma! Você achou legal que no fim o mocinho tenha morrido e a mocinha tenha acabado sozinha, num hospício, sem ninguém??? Ridículo!
- Mas entenda algo. Filme pode ser uma obra de arte também. E como tal, pode nos levar à reflexão. Nem todo filme tem a obrigação de mostrar uma história onde o amor e o bem sempre vencem. Você sabe que na vida real nem sempre é assim.
- Mas acontece que me disponho a assistir um filme justamente pra fugir da vida real. Pelo menos naquelas duas horas, quero que o mocinho e a mocinha terminem felizes para sempre! Quero não, exijo! Ah, e que o vilão tenha uma morte bem merecida!
- Tá bom, raciocinando por aí, você deve adorar filme pornô então…
- Por quê?
- Ora essa, em qualquer pornozão os finais sempre são felizes. Até demais. Eu, pelo menos até hoje, nunca vi um pornô onde o mocinho termina broxa, sentado na cama, ao lado da mocinha desapontada, dizendo, como última fala, "Meu bem, isso nunca me aconteceu antes…"
- Mas que comparação grosseira, hein? Isso é só mais uma prova do quão insensível você é. Romantismo tá em falta aí…
- Insensível? E se eu tivesse torcido pelo casal nesse filme que a gente acabou de ver? A sua opinião sobre mim seria diferente?
- Completamente. Onde já se viu? Achar o máximo a morte de um cara tão bonito e inteligente como aquele, deixando solitária e louca aquela mocinha tão doce e delicada?
- Ah, ok. Então quer dizer que se eles fossem feios, a coisa mudaria de figura?
- Tolinho. Gente feia não forma casal principal em filmes. Gente feia, no máximo, ganha destaque como vilão.
- Engano seu, já vi muito casal feio formar o par principal do filme. E filme romântico ainda!
- Ok, me dá um exemplo então…
- Dias desses eu vi um filme tchecoslovaco sobre um filósofo angustiado e banguela que acaba se envolvendo com uma prostituta careca vinte anos mais velha que ele. E foi uma das histórias mais lindas de amor que já vi, impressionante. Ganhou prêmios em tudo quanto é festival de cinema.
- Credo. Aposto que no fim um dos dois morre, pra você ter gostado tanto.
- Que nada. O filme termina com os dois adotando cinco porquinhos órfãos, pra todos viverem felizes no apartamento filosófico do mocinho, provando, de maneira bem sutil e genial, que o amor não tem barreiras até entre espécies animais. Maravilhoso…
- Típica história de filminho europeu pra arrancar aplauso de pseudo-intelectual da USP… Típico…
- Bem melhor que esses filmecos de Hollywood que você tanto adora. Tudo a mesma coisa, previsível.
- Fazer o quê, né? Eu gosto de ver gente bonita e se dando bem. De realidade, já basta a sua companhia.
- O que você quer dizer com isso???
- Nada, esquece… Vem cá, me dá um beijo daqueles, vai. Pelo menos um final feliz pra esse papo chato.
- Um beijo hollywoodiano?
- Isso!!! Que nem aquele beijão entre o Rhett Butler e a Scarlett O'Hara em "E O Vento Levou"…
- Mas eles não tiveram um final feliz…
- Cala a boca e beija logo!!!
(Texto escrito em 19/03/2006)
NÃO FUI UMA CRIANÇA PRODÍGIO. AINDA BEM - Parte 1 de 5
Descobrir-se adulto pode ser desconcertante. Ainda mais em casos como o meu, onde percebi não ter alcançado nem 10% daquilo que eu imaginava vir a possuir nas minhas projeções de muitos anos atrás. Há um raciocínio muito simples na infância, segundo o qual basta ir crescendo pra tudo de bom ir aparecendo naturalmente, enquanto apara-se a barba. Um bom emprego, casa, carro, casamento, viagens pro exterior, o que for, tudo vinculado a apenas ser adulto. Os anos passariam, e a vida iria nos ajeitando, nos moldando aos dias que seguem conforme as oportunidades que todo adulto tem, ora essa. Sem grandes estresses. Sem grandes contratempos ou contracheques. Que nada. Olha eu aqui. No entanto, tenho uma esperança: não fui uma criança prodígio. Não fui amaldiçoado.
Como assim?
Crianças prodígios dificilmente continuam com a série de grandes feitos na fase adulta. Viram, via de regra, criançonas desinteressantes, de obras medíocres, condenadas ao ostracismo de uma vida sem muitas perspectivas, restando o saudosismo daqueles dias gloriosos de muitos anos e hormônios atrás. Se algum filho meu vier a ser um ídolo aos 5 anos, como o Jordy, por exemplo, ficarei preocupadíssimo. Afinal, muita estrela cedo demais é quase que uma maldição. Ok, pode-se ganhar uma grana, boa demais até. Mas, e quanto ao futuro adulto? Eu preferiria ter um filho sossegado - nem o primeiro, nem o último da classe dele - que, a partir dos hormônios da adolescência, torna-se um adulto confiante e carismático, superstar na área dele. O contrário, dispenso.
Vamos então ao primeiro da série de exemplos clássicos de crianças prodígios:
Capítulo de Hoje: Macaulay Culkin
O auge: dos dez até uns 13 anos foi uma espécie de queridinho de Hollywood, graças aos filmes "Esqueceram de Mim 1 e 2". Lucrou o quanto pode nos poucos anos de auge, ficando milionário por causa dos cachês estratosféricos pagos a ele nesse tempo. Virou o protótipo da criança alto astral e esperta, um quase-anão que tem tudo sob controle, deixa comigo. Antes de sumir, estrelou filmes pateticamente comerciais, desses que os produtores colocam roteiristas com QI de macaco lesado para desenvolverem uma "história", crentes de que bastaria um ator popular, fofinho e esperto, pra garantir mais um lucro recorde. Se deram mal. Bem feito.
A decadência: essa veio junto com as primeiras espinhas, como é comum nesses casos. Ficou feio e com voz grossa (malditos hormônios!), ou seja, comercialmente dispensável. Mas ainda assim, continuou amigo do Michael Jackson, fato que o fez testemunhar, a favor, no julgamento do cantor, pouco tempo atrás. Pra piorar, os pais separaram-se durante a época do auge, brigando desde então pelo controle dos milhões de dólares que o filhão havia ganho. Barraco público. Mesmo assim, casou-se aos 17 anos com uma namoradinha. Separaram-se uns dois anos depois, é claro.
Por onde anda: não se aposentou de vez. Continua participando de filmes sem muito destaque, muitos no circuito independente. Adulto, seu rosto adquiriu uma feição estranha, de traços tortos, perto do disforme, longe da carinha de anjo da época de "Esqueceram de Mim" (título, aliás, que vivem usando pra resumirem o estado atual da carreira dele, uma das piadinhas mais manjadas de Hollywood). Deve continuar milionário. Sem glórias. Mas, ainda assim, milionário, ora essa.
Próximo capítulo: Simony (Balão Mágico)

