Sócrates, aquele do autógrafo

Nunca dei importância para autógrafos. Sempre foi assim, exceto uma vez, em 1989, quando vi o Sócrates pertinho de mim, num posto de estrada. Pensei se valeria a pena interromper o jantar dele por causa de um autógrafo. Chato isso, pensei. Mas não teve jeito, botei na cabeça que eu deveria sair dali com o rabisco do Magrão no papel. Questão de honra.
Vencida a timidez dos primeiros minutos, me aproximei dele, que reagiu de modo bem simpático. Me fez sentir bem, demonstrando que a minha presença ali era muito bem-vinda, longe de ser uma intromissão. Gente fina. Fui embora satisfeito, tendo em mãos o único autógrafo que eu já pedira na vida. Claro que nos dias seguintes mostrei o meu pequeno souvenir pros amigos da vizinhança e do colégio. "O Sócrates? Uau..."
Não tenho ideia aonde foi parar aquele papelzinho. Desconfio que o perdi em questão de poucos dias mesmo. Pode ser também que em uma dessas arrumações de armário - que faço a cada cinco, dez anos - eu não tenha julgado aquilo tão importante assim a ponto de ser guardado. Deixa pra lá.
É essa a lembrança mais forte que tenho do Sócrates. O cara era uma espécie de herói pra garotada, boa parte disso por causa da seleção de 1982. Ele estava no fim da carreira quando o encontrei, jogando pelo Santos, já sem muito brilho no campo. Mas o carisma continuava intacto, o suficiente pra que um moleque avesso a pedido de autógrafos abrisse uma exceção.
Fiquei especialmente chateado com a morte dele, sobretudo por conta desse episódio banal. Imagino a tristeza dos amigos mais próximos, que devem ter uma tonelada de boas memórias, geradas entre goles intermináveis de cerveja e outras biritas.
Descanse em paz, barbudo do autógrafo.
Posts similares:
MUNDIAL FIA GT1 - AUTÓGRAFO!
Entrevista com Doutor Sócrates
Sócrates no Villa-Lobos
(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)
Atalho pra o formulário
Comentários:
Deixe seu comentário:
Post anterior: Tableteiro sem TabletPróximo post: O Contestador Maluco