O Tiririca depois da eleição

Atenção: o texto abaixo foi escrito com base nas informações repassadas pela Mãe Jandira, a mesma vidente que, dentre outras tragédias, previu o sucesso do Restart, a criação das promoções de RT no Twitter e a absolvição do Maluf.
Confirmando as previsões, Tiririca se elegeu com bastante tranquilidade. Campeão de votos, boa parte do Congresso o recebeu com desprezo absoluto nos primeiros minutos. Ninguém acreditou que aquela figura teria relevância alguma como parlamentar. Sem as gracinhas do horário eleitoral político, decerto que o show acabara. Todos tinham certeza absoluta que o palhaço se tornaria um fantasma naquele ambiente.
No entanto, a indiferença começou a ruir no primeiro dia mesmo. Carismático, Tiririca foi cativando aos poucos os seus colegas de bancada. “Ô, seu abestado, se você continuar róbando, eu vou... móóóó... rrerrrr...”, ele disse pro nobre colega que era figurinha fácil nas CPIs. Todos caíam na gargalhada com as brincadeiras inocentes do palhaço. As dancinhas dele durante as votações, junto com o sorriso banguela, deixaram o ambiente menos estressante. A cada dia que passava, aumentava a popularidade de Tiririca entre os parlamentares. Tornou-se o mascote da casa, definitivamente.
Um ano depois, ninguém estranhou quando o palhaço assumiu a presidência da casa. Afinal, tratava-se de uma unanimidade, acima do governo ou oposição. Era um conciliador. Nunca o Congresso gargalhara tanto quanto naquele discurso de posse, que terminou com a já clássica dancinha da vitória. “Ó pessoal, se eu souber que alguém tá desviando bufunfa, sabem o que vou fazer? Sabem não, seus abestado? Ói, eu vou... vou chóóóórar... Inhééé...”, dizia ele, numa voz fininha. O tiririquismo avançava de maneira impressionante. Além de engraçado, já era considerado temido por muitos, que riam forçado até das piadas sem graça, só pra não ficar mal diante da maior liderança política dos últimos tempos.
Líder absoluto em todas as pesquisas, Tiririca candidatou-se à Presidência da República em 2014. Sempre que perguntavam se ele tinha ideia do que fazia um presidente, o palhaço sempre respondia, naquele jeito bem tiririca de ser: “Olha, eu num sabo não... Parece que é divertido subir a rampa do Pranalto, né? Eitcha nóis!”. Com tempo de sobra no horário eleitoral gratuito, quase meia hora, ele aproveitou a ocasião pra fazer uma espécie de Zorra Total. Com quadros que nada tinham a ver com política, o programa sempre terminava com ele abraçado a duas gostosonas seminuas, soltando o bordão da campanha: “Vota ni mim, seus abestado!” A população adorou, é claro. Todos os outros candidatos tentaram ser engraçados também, sem sucesso. José Serra até que se esforçou bastante, mas não convenceu como humorista de stand up comedy durante os programas dele. Sofisticado demais, sem o carisma que o palhaço tinha de sobra. Constrangedor.
Tiririca elegeu-se logo no primeiro turno com uma folga impressionante em relação ao segundo lugar. Com ele na Presidência da República, tendo Sérgio Mallandro como vice, o Brasil finalmente assumia a sua vocação principal: ser o maior circo aberto do mundo, feito devidamente registrado no Guinness Book. O ciclo político do tiririquismo durou décadas, interrompido apenas pela ascensão ao poder do filho mais carismático do Palhaço-Líder, Tirulipa Jr. Com o tirulipismo, surgiu a esperança de uma nação com um humor menos apelativo. Uma nova era. Infelizmente, as expectativas foram frustradas logo no discurso de posse de Tirulipa Jr, iniciado com a piada do pavê ou pacomê. Aiai, Brasil... Tem jeito não...
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Comentários:
Até mais...
Sucesso com o post!
Se quiser manter contato via twitter: @marcobonito
Só um aviso: ascensão é com "s"...
Re: Corrigido. Obrigado pelo aviso!
leiam o site dele q tem ate propostas SERIAS... e boas
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TIRIRICA, MAIS UM BUFÃO NA CORTE
(*)Por Mathias Gonzalez
Calma, calma gente!! Antes que pensem que estou destratando o nobre parlamentar, eu explico. De acordo com as melhores enciclopédias: “bufão, bobo da corte, bufo ou simplesmente bobo é o nome pelo qual era chamado o funcionário da Monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rirem”. Muitas vezes, eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos de decapitação ou enforcamento. O bobo teve origem no Império Bizantino (395 d.C) e, no fim das Cruzadas, tornou-se figura comum nas cortes européias. Seu desaparecimento ocorreu durante o Século XVII. Vestia uniformes espalhafatosos com muitas cores e chapéus bizarros, com guizos amarrados. Inspirou a 13ª carta do baralho e, nos dias atuais, o famoso Curinga, arquiinimigo do Batman.
Portanto, não estou agredindo ninguém. Não estou me referindo aos indivíduos que soltam costumeiramente suas flatulências em público e por isso são apelidados de “bufões”. Trocadilho à parte, o que é mesmo que grande parte dos parlamentares têm feito ao longos dos seus mandatos? Quem ler os noticiários encontrará a resposta.
Agora, dêem uma boa olhada na imagem do Tiririca, esse comediante que só de brincadeira obteve mais de um milhão e trezentos mil votos dos eleitores do Brasil (acho que foi só de São Paulo) que o escolheram como um dos seus representantes.
Ele não tem cara de palhaço e atitude de palhaço? Seja o que for, milhares de eleitores do residentes em São Paulo votaram nele (ou de brincadeira ou apostando nele para a solução de sérios problemas do país que ele conhece muito bem). O que não lhe falta é experiência, uma vez que o já eleito deputado federal atuou como equilibrista, mágico e palhaço. Com estes predicados, o comediante Tiririca, famoso pela canção-chiclete “Florentina, Florentina”, vai se sentar em uma das cadeiras da Câmara dos Deputados, em Brasília, em janeiro de 2011. O slogan: “Tiririca, pior que tá não fica”, comprovou que uma boa dose de humor somada com a popularidade pode ser a combinação perfeita para oportunistas de toda espécie (não vai aqui qualquer crítica ao ex-palhaço). Sabemos que ao longo da história do Brasil e do mundo, milhares de pessoas fazem uso da popularidade obtida em suas profissões, esportes, música e outras artes não tão nobres, para galgarem importantes cargos políticos. Já tivemos de tudo, gays, prostitutas, jogadores de futebol, atores, religiosos (está cheio deles), escritores, fazendeiros, banqueiros, metalúrgico faltando um dedo da mão, ex-seringalistas, empregadas domésticas e garis, por que não termos um palhaço? Não é a legítima representação do povo? Quem disse que essas pessoas são ou serão piores do que aqueles que já ocupam cargos públicos e têm origem intelectual e abastada? Sabemos que não é isso que faz a diferença, mas sim o caráter, a guarda dos princípios éticos e compromisso com os interesses dos que os elegeram. Infelizmente poucos têm esses méritos.
Embora isso soe como mais uma piada do comediante, Francisco Everardo Oliveira Silva mesmo se auto-definindo como “abestado”, de besta não tem nada, pois diz claramente que quer ajudar os mais necessitados, a começar pela própria família. Muitos outros não foram tão cínicos e descarados assim, mas a escolha quem fez foram os eleitores. Ninguém poderá dizer que não sabia ou que ele os enganou. É isso mesmo o que as pessoas querem? Serem enganadas e/ou deixar que roubem na cara grande?
Tiririca ganhou o apelido da própria mãe, pois vivia emburrado e mal humorado. Virar palhaço foi uma grande mudança. Ele nasceu no interior do Estado do Ceará, em uma cidade chamada Itapipoca. De acordo com a própria mãe, ele começou na luta aos oito anos de idade. Vendeu picolé nas ruas, algodão doce, vassouras e rodos, maçã do amor, para vencer a fome. Ia com a família (mãe e irmãos) para os lixões catar o que podiam para comer ou vender.
Depois de uma sofrida carreira atuando como equilibrista, malabarista e mágico e como palhaço em um circo, que foi incendiado criminosamente, saiu do Ceará e foi para São Paulo, tentar a sorte. Em 1990, chegou ao auge de sua carreira com o sucesso da música “Florentina”. Conseguiu gravadora, ganhou disco de ouro e diamante e assim ficou conhecido nacionalmente. Teve seu próprio programa “A Vila do Tiririca”, participou da “Escolinha do Barulho”, foi figura carimbada no programa a “Praça é Nossa” e hoje está contratado pela Rede Record de Televisão no Show do Tom, seu amigo pessoal.
Um dos projetos dele é ampliar os incentivos fiscais para circos (lei de incentivo a cultura). Impulsionar atividades culturais nos bairros periféricos dos Estados, a exemplo de música, dança e esporte. Nada mal, não é? Mas todos os que se elegem dizem que farão alguma coisa e pouco fazem. Muitos acabam se envolvendo em negociatas, corrupção e se esquecem dos que os elegeram.
Aos que criticam o Tiririca, tenho um conselho: deixem o palhaço em paz, que ele possa levar algum humor à Câmara de Deputados e dessa forma, continuar alegrando os que gostam do humor que ele faz; do contrário, se ele ficar sério e mal-humorado como grande parte dos nobres parlamentares, teremos perdido um artista, um comediante, um palhaço que é expressão popular inestimável. Porque se ele fizer isso eu “vou morrrêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêêê....”
(*) Mathias Gonzalez é psicólogo e escritor.
mathiasgonzalez2005@yahoo.com.br
Como esta?
Estive lendo alguns dos seus textos agora. Este do Tiririca esta GENIAL. Te juro que quase chorei de tanto rir!
Vc deveria juntar todos os textos e fazer um livro. Tenho certeza de que faria o maior sucesso!! =D
Bjos!
Thais
Olá, Thais! Tudo bem?
Legal que vc tem curtido aqui.
Essa ideia de reunir os textos em um livro é bem antiga. Até já escrevi sobre isso: http://www.interney.net/blogs/fiapodejaca/2007/08/14/pra_ler_no_banheiro/. O problema é que dá uma preguiiiiiça organizar tudo isso.
Ah, criei dias atrás uma página do Fiapo de Jaca no Facebook: http://www.facebook.com/fiapodejaca. Todos os dias eu divulgo um texto meu por lá. Pra acompanhar, é só clicar em "curtir".
Valeu!
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