Arquivos para: Setembro 2009

UM SUJEITO PÂNDEGO, TRAQUINAS E SERELEPE

O feriado na praia seria tranquilo para ele se não tivesse que conviver também com aquele amigo do cunhado. Na manhã do último dia, pensou em não cumprimentá-lo. Mas, como era muito educado, resolveu seguir o protocolo:

- Bom dia...
- Bundinha? De quem? De quem? hahahaha
- Nossa, como você é engraçado, hein? Um gênio da comédia!
- Calma, mau humor faz mal pra saúde, senhor Bundinha... hahahah
- Sabe o que faz mal pra saúde? Ouvir essas piadas imbecis que você vive contando. Isso sim!
- Piada? Eu? Eu não lembro de ter piado.
- Hein?
- Piu, piu, piu... Ah, agora sim! hahahaha
- Meu Deus... Cara, deixa eu te dar um conselho...
- Ah, você quer me dar um conselho? Tem mais alguma coisa que você queira dar pra mim? hahaha
- Então, você, com essas brincadeirinhas, pega mal...
- Eu pego mal mesmo. Aliás, eu não pego nada. E você? Pega bem? Hum... Pega aqui então!!! hahahaha
- Continuando, você não é um cara engraçado. É constrangedor ver você se queimando por causa desses comentários idiotas.
- Hum... quer dizer que você fica constrangido em me ver se queimando, né?
- Lá vem...
- É, deve ser traumático ver os outros se queimando depois de ter queimado tanto... a rosca!!! hahahaha
- Olha aí. Não teve graça alguma. Só você está rindo. Ninguém mais. Cara, é um problema ter que conversar com você. Antes de falar qualquer coisa, a pessoa precisa avaliar se não vai soltar nada que possa ter duplo sentido. Muito chato isso!
- É, deve ser difícil decidir se solta ou não. Ainda mais pra você, que adora segurar, né? hahahaha
- Tá, eu desisto...
- Desistiu do quê? De segurar ou soltar? Se decide aí, meu! hahaha
- Olha, por sua causa, eu não comi vegetal algum por aqui. Vejo uma cenoura e já imagino você fazendo uma observação idiota sobre ela. "Cenoura? Curte uma cenoura então? Hum... sei..." E a mesma coisa com pepino, mandioca, abobrinha, banana...
- Pô, cara. Fiquei feliz agora. Você não come mais vegetais por minha causa? Ótimo! Vai por mim, é mais interessante comer outras coisas. Mulher, por exemplo. hahahaha
- Benzadeus...
- Pô, deve ser complicado tentar transar com um alface, um abacaxi... hahaha
- Isso, é complicado tentar transar com um abacaxi. Tá certo...
- Aliás, abacaxi ou abaixa aqui??? hahahaha
- Socorro...
- Isso me fez lembrar de uma sobremesa deliciosa que comi dias atrás. Era um pavê de abacaxi. No começo eu não sabia se era pavê...
- PERAÍ! PODE PARAR! VOCÊ NÃO VAI CONTAR A PORRA DA PIADA DO PAVÊ, CACETE! NÃO VAI!!! TUDO TEM LIMITE! PAVÊ OU PACOMÊ PRA CIMA DE MIM NÃO!
- Calma, calma! Não é nada disso.
- AH, BOM!!!
- Deixa eu completar. No começo eu não sabia se era pavê ou... PAMORDÊ!!! HAHAHAHA

Foi preciso quase cinco pessoas para segurá-lo. Caso contrário, num ato de desespero, ele teria conseguido furar os próprios tímpanos com os dedos. Dava dó de ver. Opa, dava? Hum... sei, sei...


Permalink28.09.09, 08:00:00, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Humor 13 comentários

CQC E O ENCANTO DO DEDO MÉDIO

- Nossa, não acredito! O gostoso do Marco Luque mostrou o dedo do meio pra mim. Que delícia! - berrou a mocinha da platéia, histericamente encantada com o gesto do apresentador do CQC no intervalo do programa, em resposta aos apelos dela, todos no estilo "Marcoooo, seu gostoso! Lindo, maravilhoso! Te amo! Olha pra mim!!!"

Não enxerguei antipatia na reação dele. Foi um dedo erguido com estilo, lentamente, como se a outra mão estivesse girando uma alavanca imaginária. Tudo isso sorrindo, dando a entender que a mensagem foi a seguinte: "Ok, vocês me acham gostoso, coisa e tal. Ouço isso todos os dias. Bacana. Mas, quer saber? Aqui pra empolgação de vocês, ó..."

A moça adorou - deve ter ovulado num volume suficiente para gerar quíntuplos -, como se aqueles segundos de atenção fossem um convite para algo maior. As amigas dela acharam o máximo. O cara sabia que qualquer sinal dele seria encarado como charme. Quando o time está bem no campeonato, certas liberdades são perdoadas pela torcida. Isso é universal. Mas não deixa de ser curiosa essa relação entre fã e ídolo, em que um é tratado feito uma criança gracinha pelo outro: qualquer gesto é motivo para suspiros de encanto. Mesmo que esse gesto consista na exibição do dedo médio. "Ai, que lindo!!!!"

Naquele ambiente, um programa de humor habitualmente ácido com uma audiência jovem em sua maioria, até que fez sentido toda a situação. Seria esquisito se, por exemplo, o Papa resolvesse dar uma dessa no meio da missa de domingo, no Vaticano, em resposta aos apelos de alguns fiéis mais exaltados:

- Santo Padre, nos dê a sua benção! - e sorridente, lá iria o velhinho mostrar o dedo do meio para uma platéia escandalizada com o gesto, até então inédito em séculos de papado.

No lugar do Marco Luque, eu experimentaria várias formas de reação além do dedo médio. Só para ver até até onde iria o limite da aceitação. Coisas escatológicas como arroto e vômito forçado estão fora de cogitação, pois é certo que qualquer emissão de gases ou fluído corporal tende a ser vista com simpatia pelos fãs. O povo perdoa e aplaude. Isso é clássico. "O peido que ele deu no microfone foi sensacional! Encantador, como tudo que ele faz!"

Admito que não consegui imaginar situação alguma que causasse reprovação geral. Que fizesse a mulherada passar, em questão de milésimo de segundos, da ovulação para a TPM. Bem, talvez a sua imaginação esteja melhor que a minha. Se for esse o caso, que tal deixar a a sua sugestão aqui nos comentários? Fique à vontade. Só não vale mencionar coisas como pedofilia, zoofilia, pansexualismo, sacríficio de bichos fofinhos (como pintinhos, ursos pandas recém-nascidos, joaninhas etc) e outras coisas que o seu bom senso irá julgar bem. Confio em você.

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(Estive no CQC na semana passada, graças ao Urso. Lá, depois do programa, pude filar umas coxinhas e esfirras no camarim dos apresentadores. Resumindo, pessoal gente fina.)


Permalink23.09.09, 02:32:31, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Televisão 6 comentários

UMA OPORTUNIDADE ÚNICA PARA ALGUÉM ESPECIAL

“Você foi selecionado para conhecer um novo produto”, me disseram ao telefone, numa tarde qualquer, coisa de uns cinco anos atrás. Perguntei do que se tratava, como tinham conseguido meu telefone, essas coisas. Secamente, o homem disse que não poderia revelar mais detalhes, por questões estratégicas. Pessoas do meu perfil, segundo ele, seriam fundamentais para a avaliação desse produto especial, que ocorreria no próximo sábado. Para isso, ele me passou o endereço e o horário do evento, ressaltando que, no fim, eu ganharia um brinde. Opa, brinde? Confirmei minha presença no ato. Afinal, eu não teria nada pra fazer no próximo sábado de tarde mesmo. Lucro certo.

Me senti especial, imaginando que tipo de produto seria aquele, onde um seleto grupo atuaria como formador de opinião. Seria um novo carro, onde afortunados feito eu ficariam a tarde inteira fazendo test drives? No fim, pediriam a minha opinião. “Olha, sobre essa nova Ferrari… ela tem um desempenho aerodinâmico que está entre o bom e o ótimo. Bem, achei acima da média, mas poderia ser melhor.” Não, eu não sou muito fã de carros. Não seria pra isso, considerei. Gosto de chocolates, por exemplo. Então, quem sabe, eu avaliaria uma nova marca, especialmente designada pra pessoas de paladar refinado, já pensou? No fim, após a minha valiosa opinião, eu voltaria com sacolas personalizadas, cheias de chocolates. Quem sabe.

Especulei até coisas medonhas. Como a suspeita de que tudo isso não passaria de golpe de uma dessas quadrilhas internacionais de tráfico de órgãos. Cogitei a possibilidade de descobrir que a famosa estória de acordar numa banheira cheia de gelo, sem um dos rins, seria verdadeira mesmo.

Enfim, como minha curiosidade foi mais forte do que tudo, fui até o local, no dia e horário combinado. Era um sobrado, localizado em uma dessas regiões chiques de São Paulo, decorado com muito bom gosto em seu interior. Ao ver por lá outros afortunados como eu, fiquei bem mais tranqüilo. Após me identificar, fui gentilmente conduzido para um imenso jardim nos fundos, onde tinham várias mesas, quase todas ocupadas. Lá, fui recebido por uma loira simpática, que não parava de sorrir pra mim, preocupada em garantir que eu me sentisse VIP. “Aceita um refrigerante? Salgadinho? Whisky?”. Ao perceber que o guaraná era de lata, aceitei um. Bebida direto da garrafa, ainda não. Afinal, eu ainda não tinha descartado de vez a possibilidade de me doparem pra arrancarem um dos meus rins.

Seguiu-se quase uma hora de conversa amena, com a loira interessadíssima na minha vida. Ela não era bonita, tinha até um nariz meio torto que me desviou a atenção em vários momentos. Mas era de uma simpatia que me deixava à vontade, admito. Perguntava sempre sorrindo o que eu gostava de fazer, o que era a vida pra mim, essas coisas. Arregalava os olhos a cada coisa interessante que eu dizia ter feito. No fim, depois de tudo que eu falei, ela concluiu que eu era um cara que gostava de curtir a vida. Concordei. E, dentre tudo isso, viajar pra mim era fundamental, não é? Concordei, novamente. Cada vez mais, ela ia direcionando a conversa apenas para o tema “viagem”. Viagem, viagem e viagem. Matei a charada: estavam tentando me vender um desses títulos de viagem.

E era isso mesmo.

Bem, daí, resolvi entrar no jogo, fazendo o papel do cliente ideal, querendo ver até onde tentariam insistir. Era uma tarde de sábado de inverno, gelada, e aquilo seria bem mais interessante do que ficar em casa, à toa, pensei. Ali, pelo menos, eu encheria a pança de salgadinhos, guaraná e whisky - sim como não queriam meus rins, mas apenas alguns reais, resolvi relaxar, tomando uns drinquezinhos. Assim, bebericando com gosto, revelei todos os lugares do Brasil e do mundo que eu gostaria de conhecer, enquanto ela ia me ouvindo maravilhada, certa de que havia conquistado um cliente. Fui dando corda.

Num dado momento, ela me convidou pra assistir a projeção de um vídeo, no telão instalado em uma das salas. Aceitei a proposta. Nesse vídeo, passavam imagens e imagens de casais apaixonados e famílias na felicidade suprema de uma viagem, em locais de paisagens paradisíacas. E tome cenas clichês de confraternizações à beira-mar, beijos ao pôr-do-sol, no êxtase da classe média branquinha e de sorriso colgate. No meio da projeção, a loira, empolgada, comentou comigo: “Quanta coisa bonita, né? Vendo tudo isso, dá uma vontade danada de viajar, né? Aposto que você tá louquinho pra fazer as malas!”. Eu, já com um leve efeito do whisky na cabeça, me limitei a responder, como se eu fosse um desses personagens de comerciais da Polishop: “Nossa, é verdade…”

Ao voltarmos para o jardim, começou o ataque. Durante quase uma hora, ela tentou me convencer a comprar um título de viagem. Não adiantou eu dizer que estava guardando dinheiro pra um novo carro, onde cada centavo economizado era fundamental. Ela não se conformava que eu, um cara que adorava viajar e curtir a vida, tinha a ousadia de dispensar uma oportunidade daquelas. E tome cálculo disso, daquilo, mais descontos. Nada, eu continuava irredutível. “Olha, quem sabe no fim do ano, hein? Agora, infelizmente, não dá.” Imagina, aquela promoção maravilhosa só duraria naquele dia. Outra oportunidade como aquela, nunca mais. Nunca mais! Era pegar ou largar!

Entregando os pontos, ela me passou pra um rapaz que mais parecia um robô, de tão artificial que era a simpatia do mesmo. Pelo que percebi, ele era desses que tentavam, a todo custo, convencer os “clientes” mais difíceis, de forma agressiva. “Tá bom esse plano aqui pra você? Tá, né? Vamos fechar então!” E tome mais contas. Mais descontos. Mais vantagens. Mais ameaças de ultra-super-promoções desse tipo que jamais voltariam a oferecer pra mim. Só faltou o cara colocar um revólver na minha cabeça. E eu, nada, só bebericando o meu whisquinho. “O meu carro novo, entende?” Percebi que muitas pessoas nas mesas ao redor assinavam cheques. “Minha nossa”, pensei, “o vídeo funcionou com esses aí…”. Ao notar que a coisa não andaria comigo mesmo, o rapaz, resignado, foi buscar o meu brinde: uma estadia de três dias num hotel três estrelas de Recife - só isso, nada de passagem -, com prazo de validade de seis meses, que só eu teria direito a desfrutar. Fui embora já meio cambaleante do whisky, estufado de salgadinhos, com o cupom-brinde nas mãos. Me despedi da loira que me atendeu, ainda meio intrigado com aquele desvio no nariz dela. Ao contrário da simpatia do início, ela me respondeu com um “tchau” bem mal humorado.

Voltei sorrindo pra casa, certo que vivi uma tarde divertida, boca-livre das boas. Pena que eu não passei perto de Recife nos seis meses seguintes. Tudo bem.


Post publicado em 18/09/2007 no blog do Marmota. Fez parte da série "Colônia de Férias", na qual tive a honra (bonito, hein?) de ser um dos autores convidados.


Permalink15.09.09, 08:00:16, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Humor, Turismo, Comunicação 9 comentários

TWITTER E BLOGS X JORNAIS E TVS

Fiquei sabendo que tanto os funcionários da Globo quanto da Folha de São Paulo terão que se submeter a regras de condutas para o uso de twitter e blogs. Não quero perder tempo aqui especificando as orientações de cada veículo. De maneira bem simples e resumida, significa que todos poderão continuar emitindo suas opiniões, desde que essas não venham a comprometer a imagem da empresa. Dizer que simpatiza com um determinado partido? Não. Criticar alguma mancada que aconteceu no ambiente de trabalho? Também não, ora essa. E por aí vai.

Sinceramente, essa espécie de censura não fará diferença alguma para mim. Através de blogs e do twitter, celebridades deslumbradas com o próprio umbigo e jornalistas pedantes encontraram o meio perfeito para expressar suas asneiras. Costumo ignorá-los e admito que tenho uma certa dificuldade para achar normal a repercussão que esse povo provoca com seus posts e twittadas. Mas viver em sociedade nos dias de hoje é isso aí: basta aparecer mais de 15 minutos na televisão ou ser dotado de um sarcasmo contínuo e sem filtros para que uma legião de adoradores apareça. Mesmo encarando dessa forma, faço um esforço considerável para respeitar a situação. Acontece.

Apenas lamento pela minoria interessante que faz parte desses veículos de comunicação. Ficaremos privados das opiniões mais contundentes dos profissionais que realmente têm algo a dizer. Que, de fato, teriam revelações surpreendentes e de alguma utilidade para compartilhar conosco, em primeira mão. Mas, peraí, um momento. Estou tentando lembrar de alguém assim na Globo ou Folha de São Paulo que tenha blog ou perfil no twitter. Deixa eu ver... Não... Ué, não encontrei ninguém. Aonde está esse pessoal? Ainda off line? Ou será que o ignorante sou eu?

Sei lá. Na dúvida, continuarei seguindo o Vitor Fasano. ABS.


Permalink11.09.09, 01:15:58, by Tuca Hernandes Email , Blogosfera, Comportamento, Televisão, Comunicação, Blogs, Cultura Pop 3 comentários

EU, NO PAPEL?

Ainda existem escritores que usam a caneta e o papel para gravar suas idéias. Descobri isso dias atrás, num café perto da minha casa. Enquanto eu conversava com uns amigos, reparei que o senhor da mesa ao lado não parava de escrever em folhas que iam acumulando-se. Pela velocidade de sua mão sobre o papel, como se fosse uma impressora humana, aquele homem com cara de papai noel parecia ter as ideias muito bem estabelecidas na cabeça, sem grandes pausas para dúvidas gramaticais, de estilo ou mesmo de pensamento. Invejável. Sim, devia ser um escritor. E tinha todo o jeito de estar inspirado, concluí.

Percebi que vez ou outra ele olhava para mim, como um pintor que observa algum detalhe na paisagem antes de dar a próxima pincelada. Será que eu me tornara referência para um personagem que estava nascendo ali, naqueles papéis? Pode ser. Num dado momento, tive vontade de interrompê-lo, pedindo para ler aqueles manuscritos, só para saber o que estava sendo feito da minha imagem.

- Olha, tem como reescrever essa passagem aqui, na qual eu fico observando a paisagem de Paris enquanto não sai uma ária de ópera da minha mente?
- Quer que eu troque a cidade?
- Não. Paris está ok. O problema é a música. Eu jamais fui de ouvir ópera. Jamais. Tá incoerente isso aí. Não sou eu. Tem como trocar por "Angie", dos Rolling Stones?

É bem provável que eu nunca terei noção de como foi a minha participação no enredo. Não reconheci a figura daquele senhor. Decerto que jamais li qualquer coisa dele. De familiar, apenas aquela cara de papai noel. No fim, fiquei com a sensação de que alguém tirou uma foto minha que jamais verei. No papel, terei sempre aquelas características que o suposto escritor captou em mim. Uma fotografia em forma de palavras que custarão a envelhecer. Se fiquei bem ou mal? Bem, deixa pra lá.

Talvez eu esteja exagerando, pois aqueles papéis podem fazer parte de um rascunho que jamais sairá da gaveta, feito uma foto esquecida no meio de tantas outras numa câmera digital. Pensando bem, pela convicção com que ele ia preenchendo as folhas em branco, eu acho que a ideia estava boa demais. Portanto, se em breve você ver um cara parecido comigo num romance ou conto recém publicado, tudo bem, eu admito, sou eu mesmo. Agora, se eu estiver numa história ruim demais, favor nem me avisar, combinado?


Permalink08.09.09, 01:25:12, by Tuca Hernandes Email , Cotidiano, Egotrip, Fotografia, Meu Umbigo, Literatura 3 comentários

EMPRESA LANÇA CHOCOLATE PARA MULHERES COM TPM

Dizem que existem apenas duas coisas que amenizam o estresse de uma mulher com TPM: a visão de um rinoceronte albino cantando "My Way" com uma voz idêntica a do Frank Sinatra ou uma barra de chocolate. Considerando-se que a primeira opção é um pouco díficil de acontecer, a fábrica de doces Santa Gertrudes teve a idéia de investir em uma linha de chocolates feita exclusivamente para mulheres com TPM. "A idéia dos TPM Chocs aconteceu de tanto eu observar a minha mulher, que, na TPM, só se acalmava quando devorava quantidades assustadoras de chocolate. O mesmo acontecia com as minhas duas filhas.", revela Reinaldo Erlinhmeyer, proprietário da Santa Gertrudes Doces Ltda, líder atual no mercado brasileiro de geléias.

O doce em si não tem nada que o diferencie dos demais existentes no segmento. O grande destaque está na estratégia de marketing que, por incrível que pareça, nunca havia sido explorada junto ao público feminino - pelo menos aqui no Brasil. "O nosso chocolate quer passar uma mensagem clara para todas as mulheres que sofrem com o caos hormonal da TPM. Ele quer dizer algo como: 'eu entendo o seu drama, minha amiga. Você tem toda a razão: o mundo não presta e as pessoas só atrapalham. Me devore, que tudo vai melhorar!'", afirma Luíza Marconildes, gerente de novos produtos da Santa Gertrudes, certa de que a linha TPM Chocs funcionará como uma companhia fiel para as mulheres que estão naqueles famosos dias.

A embalagem dos chocolates trará mensagens que terão uma proposta contrária a daquelas balas com declarações de amor e otimismo. Ao invés de "Eu te amo", a consumidora irá se deparar com frases como "Eu vou esganar o primeiro que se colocar na minha frente", "Um chute no saco do meu chefe me faria mais feliz", "Bom dia para quê, idiota?", "Tenho certeza que o meu marido/noivo/namorado é um completo imbecil", "Ninguém me ama. NINGUÉM!!!" e outras tantas frases que servirão de consolo para as mulheres que buscarão um refúgio seguro na identificação com os TPM Chocs.

Nessa semana, estreará em rede nacional o primeiro comercial do produto na televisão. Nele, a atriz Carolline Linkermann, famosa por suas demonstrações públicas de mau humor e antipatia - sobretudo quando em TPM -, encena uma discussão com o gerente de uma loja de cristais. Inconformada com a falta de troco do local, ela começa a berrar, dizendo que não sairá dali sem os 2 centavos que lhe é de direito. Após quebrar a loja inteira, sob o olhar atônito dos clientes, ela tira da bolsa uma barra de TPM Chocs, que é degustada desesperadamente. Ao fim, chupando os dedos, Carolline olha para a câmera e diz, com um olhar atormentado: "TPM Chocs, só ele me entende!"

Quanto ao motivo da compra do chocolate, o fabricante faz uma advertência, que já consta na embalagem do doce: jamais, em hipótese alguma, deve se presentear uma mulher com o TPM Chocs. Afinal, ela pode achar que você está dando a indireta de que ela está brava ou sensível demais. E, sabe como é, convém não ter esse tipo de abordagem em determinados dias...


Permalink02.09.09, 01:00:26, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Humor, Publicidade, Comida 8 comentários


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