MEGAN FOX COVER

- Carlão, você ficou ontem com a Leninha! Com a Leninha! Não só ficou como transou com ela também!
- Ué, quem disse isso pra você?
- A Gabi, minha noiva. Você se esqueceu que ela e a Leninha são bem amigas?
- Entendi...
- E aí?
- E aí o quê, Geléia?
- Detalhes, Carlão. Detalhes! Manda! Do início ao fim. E pode demorar bastante no meio.
- Geléia, você já sabe o suficiente, mais até do que deveria saber.
- Ué, você leva pra cama aquele mulherão, que é quase um clone da Megan Fox, e não quer compartilhar a experiência com os amigos?
- Compartilhar? Pra quê? O que rolou entre eu e ela não diz respeito a mais ninguém.
- Olha, vou tentar entender. A experiência deve ter sido tão fantástica, tão além do comum, que você ainda não tem palavras para descrever. Só deve ser isso.
- Eu posso descrever sim, em detalhes, com todas as palavras muito bem colocadas, com o verbos bem conjugados e...
- Tá, então desembucha aí! Vai logo! Olha aqui, já tô tremendo de ansiedade. Fala!
- Eu não. Importa o que eu vivi ontem à noite. O que ficou comigo. Não o que eu poderia contar para os outros.
- Ok, ok... Eu pago, ok? Me fale o seu preço. O valor do seu aluguel? Olha aqui, eu faço um cheque, agora!
- Você não entendeu...
- Se quiser, a gente vai junto ao banco. Retiro o que você quiser!
- Calma, por quê tanto desespero assim para saber da transa alheia?
- Carlão, não é uma mera transa alheia. Você conheceu a intimidade de uma deusa! De todos os caras que ficaram com ela até hoje, você foi o mais próximo de mim.
- Sim, somos amigos de infância. E daí?
- Então, um amigão meu fica com aquele monumento e não fico sabendo de detalhe algum?
- E nem vai saber, Geléia. Você me conhece. Eu jamais fui de contar esses detalhes pra ninguém, seja lá quem for. Por quê seria diferente agora?
- Cara, eu imaginei que seria diferente com a Leninha. Ela seria a exceção. Se fosse comigo...
- Lá vem...
- Se fosse comigo, eu faria de tudo pra documentar esse, esse... evento! Tiraria fotos, filmaria e até chamaria testemunhas para acompanhar tudo ali, na hora, só para comprovarem que, sim, eu transei com a Leninha!
- Você fez isso com a sua noiva?
- Rapaz, a Gabi não é a Leninha. Mesmo assim, quando começamos a sair, eu contei tudo pra você. Tudo!
- Ué, contou por que quis. Eu nunca fui de perguntar nada.
- Ok, desisto. Sabe como você está agindo? Como um astronauta que esteve em Marte e agora fica de bico calado. Você chegou no máximo que um homem pode alcançar em termos de mulher e fica aí, regulando informação. Grande amigão você, hein?
- Se você quiser nivelar a nossa amizade por aí, paciência. Quer saber? Use a sua imaginação. Isso! O que aconteceu foi o que você imaginou. Pronto! Seja feliz assim.
- Uau... então quer dizer que ela tem um detalhe bem ali, embaixo, que...
- Exatamente!
- Sendo que, quanto aos seios, eles...
- Isso mesmo!
- E que, nas preliminares, ela simplesmente chegou em você e...
- Por aí, Geléia. Por aí!
- E que vocês, num dado momento, fizeram aquela posição, em que ela precisa...
- Fizemos.
- Aí, no fim, ela disse pra você que... que...
- Sim, disse.
- E depois, ela também...
- Também, por incrível que pareça, Geléia.
- UAU!!!
- E então? Foi bom pra você?
- Demais, Carlão... Demais... E pra você?
- Não é da sua conta.
- Pô...
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Comentários:
Re: Para algumas pessoas, a discrição é um afrodisíaco poderoso.
O Geléia [q com esse nome parece q tem cara de 'bundão'] faz parte dos homens q precisam divulgar suas conquistas para provar a masculinidade..Babacas, isso sim!!!
De qualquer forma, adorei texto!!!
Bjoss,
Lê
Re: Olha, caras assim, pelo que sei dessa vida, são a maioria. Gozam em dois tempos. No primeiro, com a mulher. Depois, ao contar para os amigos. Tem gente que é capaz de torturar o amigo pra ver se arranca mais detalhes da aventura alheia. Bizarro isso.
Legal que vc gostou do texto, Lê.
Re: Valeu!
O duro é que o ser reservado gera alguns choques culturais neste Brasilzão todo. Perguntam para mim coisas das mais cabeludas a respeito daquilo que faço e ajo hermeticamente. Afinal, não pagam minhas contas nem vivem minha vida (OK, um dia tentarei ver como entrar na mente de John Malkovich).
Se bem que ser reservado em um ambiente tão ansioso por saber tudo de todos acaba por gerar um certo desconforto nos portadores de tal característica. Por isso, subterfúgios acabam por serem necessários para manter um mínimo de sossego na vida.
E dependendo de sua idade e estado civil, quem é reservado ainda presenciará uma série de maledicências surgirem no ar, ainda que faladas normalmente à boca miúda. E são daqueles tipos de maledicência que não é nem bom responder, pois alguns dirão que você está com mania de perseguição ou mesmo estaria confirmando aquilo que os maledicentes dizem, ao menos na mente deles.
Claro que ser reservado acaba por fazer também com que a pessoa adquira alguns traquejos. Um deles é o de falar apenas aquilo que não compromete, reticenciando o resto. Com isso, inclusive gera-se também a impressão aos outros de que você cata muito mais mina do que a realidade diz. Dependendo da situação, pode atrair mais mina para teu lado, uma vez que elas acabariam olhando para ti com aqueles olhos de que encontrou um exemplar com genes adequados para gerar prole saudável.
Em cidades grandes, essa característica tão comum neste país acaba por se manifestar menos que nas cidades pequenas. Essas acabam sendo um tanto implacáveis com seus habitantes. Bastará fazer qualquer coisa que você acaba ficando marcado no perímetro municipal em questão. Em alguns casos, força a pessoa a se mudar da urbe. Talvez em parte seja um dos motivos de tantos quererem morar em metrópoles.
Re: André, para escapar da curiosidade alheia, nada melhor do que despistar através de respostas infames. E vale o de sempre: aquilo que as suas retinas viram e a sua pele sentiu será sempre seu, abrigado ali naquela região da mente reservada paras as melhores coisas da vida. E que não precisarão estampar manchete alguma para que sejam mais especiais. Acho que é isso.
Re: Obrigado, Claudina. Leia o restante também, pra ver se a sua opinião se confirma.
Re: Que ótimo! Então... volte sempre. Nem que seja para revirar à vontade o baú aqui dos meus arquivos. Mais uma vez, obrigado!
Assim que vi o nome do blog me lembrei de meu pai. Ele chama "fiapo de jaca" de "pivide".
Na Bahia é assim que o fiapo é conhecido.
Beijo.
Re: Obrigado, Aline! Taí, uma bela surpresa. Posso mudar o nome daqui para "pivide". Vivendo e aprendendo.
Re: Continue não lendo se vc acha grande demais. Qualquer coisa, sempre existirá o Kibe Loco e similares.
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