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MICHAEL JACKSON, APENAS MAIS UM BRASILEIRO

Era uma noite de quinta-feira bem atípica: Michael Jackson tinha acabado de falecer. Apesar de não ter ficado surpreso com a notícia, por achar que o cantor já estava numa espécie de sobrevida pela aparência cada vez mais fragilizada, eu me comportei como boa parte da população mundial, ao não tirar os olhos da televisão e do computador. Cada fato que surgia funcionava como uma pitada de fermento que só ia aumentando a minha curiosidade sobre o episódio.

Quase perto das nove da noite, recebi um e-mail que me deixou intrigado. Era de um homem que se apresentava como Marcos, dizendo que gostaria de falar comigo a respeito das manchetes do momento. Explicava que pretendia desabafar, uma vez que era um leitor antigo do meu blog, apesar de nunca ter comentado nele. Para demonstrar que falava sério, deu o número de telefone de sua casa. "Pode ligar a cobrar", destacou na mensagem, sinalizando mais ainda a necessidade de falar comigo. Apesar de desconfiado, resolvi entrar em contato, enquanto a televisão continuava sintonizada no canal de notícias.

Ele atendeu já no primeiro toque. Depois de me agradecer pelo retorno, parecendo bem ansioso, o cara pediu para que eu fosse até o apartamento dele, no bairro de Pinheiros. De imediato, recusei o convite. Como que um estranho vem me fazer um convite desse nível, naquele horário? Ele me assegurou que não iria tentar nada contra mim. Queria apenas fazer revelações que tinham a ver com o Michael Jackson. Para tanto, preferiu a mim ao invés de falar com alguém da imprensa, pelo tempo que lia o meu blog. "Pode acreditar, você é como um amigo para mim, é sério." Movido pela curiosidade, eu disse que iria encontrá-lo, mas com uma condição: que alguém de minha confiança fosse junto comigo. Apesar de contrariado, ele concordou. Chamei o Oliveira, vizinho e amigo meu que era investigador da polícia civil. De folga e devendo alguns favores pra mim, ele topou me acompanhar, resmungando um pouco por causa das últimas novidades que ele iria perder sobre o Michael Jackson. Paciência.

Com o endereço em mãos, fomos andando para o local do encontro, que ficava a algumas quadras do nosso prédio. O próprio Marcos nos recepcionou no apartamento dele, que ficava em um desses típicos prédios para famílias da classe média. Ele era um mulato meio gordo e simpático, dessas pessoas que vivem rindo. Para quebrar o gelo, o homem começou o papo comentando sobre alguns posts meus. "Rapaz, aquele que você fez sobre o Zé Pamonha... Que doideira, hein? Gostei bastante! E o das dicas pra mulherada arranjar namorado? Curti também!" Após minutos de conversas sobre posts e outras amenidades, ele me perguntou se era possível conversar a sós comigo, no quarto que servia como escritório. Olhei para o Oliveira, que imediatamente fez um sinal de positivo, enquanto afastava de leve a jaqueta, deixando a arma na cintura em evidência, indicando que, sim, tudo bem. Ele ficaria ali na sala, assistindo o canal de notícias. Qualquer coisa, já sabe.

Aquele homem tinha um leve sotaque, cuja origem não consegui reconhecer, de tão sutil que era. Por certamente perceber a minha curiosidade sobre isso, ele iniciou o nosso papo particular dizendo que era americano. "Mas e o nome?", perguntei. "Marcos? Bem, aqui no Brasil, resolvi me tornar Marcos Gerson. Entendeu aonde quero chegar?" Não, não tinha entendido. Ele continuou. "Foi o nome que julguei ter mais a ver com o que eu tinha lá nos Estados Unidos. Entendeu agora?" Eu ainda continuava a não entender. Ele suspirou fundo e disse, com um ar solene: "Marcos Gerson, Michael Jackson... Prazer, Michael Jackson." Como assim? "Não vejo nada de mais em alguém ter o mesmo o nome do astro que acabou de morrer", comentei. Rindo alto, ele finalmente foi direto ao que interessava: "Meu amigo, eu sou o Michael Jackson. Aquele mesmo, que começou a carreira no Jackson Five. That's me, man!" Não era possível, e aquele cara que agora devia estar num necrotério de Los Angeles? Com um gesto que pedia um pouco de paciência minha, ele começou a explicar toda a história.

"Era agosto de 1983, quando o Thriller ainda liderava as paradas de quase todo o mundo. Numa bela tarde, enquanto uma multidão de fãs surtadas chacoalhava a minha limusine, eu comecei a achar tudo aquilo um enorme pé no saco. Essas paradas estavam me sufocando, do you know what I mean, man? Naquele momento, me dei conta que eu já vinha pirando há algum tempo já. Acredita que, naquele ano, eu fiz cirurgia plástica no nariz só pra que ele ficasse idêntico ao da Diana Ross? Fininho, sabe? Nessa época, eu já vinha considerando a possibilidade de jogar óleo quente nos meus olhos, só pra ficar cego que nem o Stevie Wonder. Cheguei muito perto de fazer isso, acredita? Além dessas doideiras, tinha o bando de sanguessugas que ficava puxando o meu saco o tempo todo. Você não faz idéia como eu odiava tudo isso, man! Eu não estava nada bem. Tinha chegado no meu limite. Foi aí que resolvi cair fora dessa palhaçada de show business, pra sempre. Chega! Game over!"

Mas... e quanto ao Michael que morreu hoje?

"Eu gostava muito de Beatles e me lembrei daquela lenda de que o Paul McCartney tinha morrido em 1966. Que, no lugar dele, colocaram um impostor perfeito, que era praticamente uma espécie de irmão-gêmeo do cara, tanto no físico quanto no talento. Taí, vou fazer isso também, pensei. Como eu estava vivo, resolvi que fugiria para um lugar isolado, deixando um sósia no meu lugar. Alguém que realmente acreditasse que fosse o Michael Jackson. Meses depois, já no começo de 1984, conseguiram encontrar esse sósia, um rapaz idêntico a mim e que estava num hospício do Mississipi, dizendo para todos que ele era eu. E o figura cantava e dançava feito eu, impressionante. Figuraça! O melhor cover que poderia existir. Perfeito, pensei. O cara tem todas as habilidades e já pensa que sou eu, então vai esse mesmo. Daí, caí fora de vez, não sem antes fazer uma plástica que deixou o meu nariz do jeito que era, mais achatado. Peguei uma grana, coloquei pra render num banco da Suíça e deixei o figura lá me representando para sempre. Fui viver numa ilha do Pacífico, junto com uns nativos bem primitivos que não tinham a menor idéia de quem eu era. Maravilha. Cinco anos depois, ao ver umas fotos atuais do outro Michael Jackson, numa revista que apareceu na praia, percebi que eu já poderia voltar para a civilização. O rosto e o corpo daquele cara já não tinha mais nada a ver com o meu. Daí, decidi vir morar aqui, em São Paulo. Vida nova, man! Marcos Gerson! Pra provar que eu sou o Michael original, dê uma olhada nas coisas que estão nesta caixa..."

Ele ficou durante quase uma hora me mostrando vários documentos, como passagens de avião, fotos da família Jackson, agendas, filmagens particulares dele na privacidade de sua mansão, essas coisas. Comecei a olhar para ele com mais atenção. De fato, apesar de meio gordinho, aquele homem tinha feições que lembravam bastante as daquele rapaz do início da década de 80, responsável por uma série de sucessos que marcariam gerações. Era ele mesmo, concluí. Michael Jackson não estava morto. Levava uma vida de cidadão classe média em São Paulo, no bairro de Pinheiros, sobrevivendo com a grana que pegara anos antes. Divorciado duas vezes, ele saía atualmente com uma morena que, segundo ele, "tem uma bunda que faria o Obama renunciar à presidência". Não teve filhos por não suportar crianças, razão pela qual se submeteu a uma vasectomia, pouco antes de abandonar os EUA. E quanto à série de esquisitices e escândalos que o Michael morto havia protagonizado? O que o Michael vivo achava disso tudo?

"Rapaz, aquele ali forçou a barra. Pirou mais do que eu poderia imaginar. Aquelas mudanças no rosto, man, achei assustadoras. Tudo bem que me ajudaram a ficar mais anônimo ainda por aqui. Mas, putz... O figura exagerou na dose, foi demais. Quanto ao comportamento dele com a criançada, sei lá se ele fez tudo aquilo mesmo. Quer saber a minha opinião? Eu acho que não. O doidinho era gente boa, todo inocentão, sabe? Delicado e confuso, tadinho. Fiquei triste pelo que aconteceu com ele. Esse fim, man... Muito triste. Por isso que eu precisava desabafar com alguém, entendeu? No fim das contas, se não fosse por mim, o branquelinho não teria vivido nada disso. O rapaz sofreu muito. Muito mesmo. Tô péssimo com tudo isso, man!"

O Michael Jackson começou a chorar na minha frente, atormentado por uma culpa que o vinha atingindo há tempos, toda vez que tinha conhecimento de mais uma notícia sobre a decadência do Michael que ficara nos EUA. Portanto, era mais do que compreensível aquele choro, considerei. O consolei dizendo que a vida é assim mesmo, impossível de se prever o que virá pela frente e que, naquele momento, o mais certo seria agir como o cara que negava a paternidade do filho da Billie Jean. Aquele problema não era dele e ponto final. Aos poucos, ele foi se recompondo, tanto que, em questão de minutos, o assunto era novamente um de meus posts. "Você quase me pegou com aquela história da Geléia de Banana Santa Gertrudes. Tomei um susto, rapaz! Você, fazendo esse tipo de coisa? hahahaha"

Ao nos despedirmos, combinamos de marcar alguns chopps para os dias seguintes. Percebendo que o Michael ainda continuava um pouco chateado com os acontecimentos daquela noite, coloquei as mãos nos ombros dele, olhei nos olhos, e disse, emocionado: "Marcão, bola pra frente, cara! Você criou o passo Moonwalk! Você é o cara, Marcão! Não se esqueça disso. Você é o CARA!"

No elevador, o Oliveira perguntou o que tinha sido aquilo. "Bobagem, cara... Bobagem, liga não. Deixa pra lá", respondi, encerrando o assunto ali mesmo. E fomos embora, vez ou outra arriscando uns passos moonwalk na calçada, enquanto continuávamos assoviando o refrão de Billie Jean. Grande Marcão!


Permalink28.06.09, 12:41:19, by Tuca Hernandes Email , Contos, Humor, Música, Cultura Pop 45 comentários

FILHO DA PUTA!

Ressacas sempre o afetaram de forma leve. No máximo, uma dorzinha de cabeça, dessas que passam antes do meio-dia. Fosse uma pessoa normal, ele estaria imprestável naquela manhã, horas depois de ter tomado todas no happy hour da firma. Mas não, acordara incomodado apenas com a total falta de lembrança sobre a noite anterior. A última imagem que a memória gravou foi a dança com os mendigos no meio da calçada. E o povo da firma ali, gargalhando daquele balé bizarro. Depois disso, nada. Nem flashes. Nada. Bem, pelo menos despertara em casa, sozinho, sinal de que não devia ter feito nada de tão comprometedor assim. Menos mal. E assim ele foi para o trabalho, já preparado para ouvir os comentários engraçadinhos de seus colegas. Coisas do dia seguinte. Normal.

Ao chegar na empresa, estranhou quando a recepcionista ignorou a saudação dele. Justo ela, que todos os dias abria um sorriso enorme ao vê-lo. Bem, pode ser que ela tenha algum problema em casa, concluiu. Mais tarde, ele iria perguntar se estava tudo bem, se precisava de algo etc. Mas, que coisa, de todos que ele encontrou no caminho até a mesa dele, a mesma frieza. Nem o Alcebíades, que sempre tinha uma piadinha para quebrar o gelo das manhãs, fez questão de olhar na cara dele. Um bocado incomodado com aquele clima, resolveu chamar o melhor amigo para um cafezinho na copa:

- Pô, Silveirinha! O que aconteceu com o povo aqui? Tá todo mundo me desprezando. Até você! O que foi?
- Sabe o que mais me deixa impressionado, Alceu? A sua cara de pau em me perguntar isso.
- Isso o quê???
- Pôrra, Alceu! Depois do que você fez ontem, lá no happy hour da firma, nem era pra você voltar a pisar aqui. É muito cinismo da sua parte!
- Mas o que eu fiz? Eu bebi tanto que apaguei. Não lembro de nada.
- Ah, grande homem você é! Agora, ficou sem memória. Maravilha, hein? Apronta um negócio gravíssimo e vem com essa desculpa. Francamente, Alceu!
- O que eu fiz??? Foi algo com você?
- Alceu, você sabe que não. Você sabe exatamente o quê e com quem você aprontou... Agora, me dê licença que eu preciso trabalhar.
- Mas...
- E me faça um favor, nunca mais venha falar comigo, seu escroto! Te cubro de porrada se você chegar perto de mim, ok? Eu tô falando sério!

Transtornado, ele mal conseguiu tomar o resto do cafezinho, intrigado sobre o quê ele teria feito na noite anterior. Maldita bebedeira! O fizera vilão de algo que não conseguia se recordar. Um branco total. Foi para a mesa de trabalho constrangido, sentindo os olhares de reprovação de todos ali. Definitivamente, era persona non grata. Depois do comportamento do Silveirinha, desistiu de perguntar para os outros sobre o quê acontecera. Paciência. Mal começou a trabalhar, percebeu que o Fininho, um estagiário magrelo da contabilidade, vinha na sua direção. O rapaz, sempre tímido e caladão, boa parte por sofrer uma gagueira grave, queria dizer algo pra ele. Esforçando-se um bocado, conseguiu emitir aquelas palavras com uma clareza até então inexistente na vida dele:

- Seu.. FILHO DA PUTA!!!!!

Seguraram o braço do Fininho a tempo, evitando que ele desse um soco no Alceu, não sem boa parte do escritório protestar: "Deixa o menino bater nesse escroto. Ele merece!" E não adiantou perguntar novamente a razão de tudo aquilo, pois a resposta, em uníssono, continuava a mesma, quase um mantra maldito: "Você sabe!!!" E não, não fora nada com o Fininho. O rapaz apenas resolvera tomar as dores da situação, como se fosse um porta-voz de todos ali.

Minutos depois, o responsável pelo RH chamou o Alceu para uma conversa urgente na sala dele. Nem o convidou para se sentar:

- Bem, Alceu, como você percebeu, a sua presença aqui se tornou insustentável... Depois de ontem...
- Mas o que eu fiz???
- Você sabe. Você sabe!!!
- Não, não sei. Eu tomei um porre que fez esquecer de tudo.
- Ah, sei... Quer dizer então que o senhor se esqueceu da... da...
- Da...?
- Olha, eu não vou repetir. É lamentável demais. Será uma noite que vai deixar traumas em todo mundo aqui, sabia? Contratamos até um psicólogo para que nos ajude a superar o que você fez.
- Eu não lembro... juro...
- Bem, você está sendo demitido por justa causa. Mais do que justa!!! E você sabe o porquê. Não me venha com essa desculpa de que não se lembra de nada. Agora, suma daqui, senão eu mesmo vou acabar com a sua raça. SAI!!!

Da rua, ele ainda teve que ouvir o Fininho berrar da janela, sem traço algum de gagueira:

- FILHO DA PUTAAAAAA!!!

Meses se passaram e ninguém mais queria contratá-lo. Se tornou um maldito. Na área dele, ficou famoso como o "cara que fez aquilo". Imperdoável. E é óbvio que o infeliz sabia o que fizera, razão pela qual ninguém queria revelar a história pra ele, até porque fora algo muito pesado, que causava uma indignação revoltante só de relatar.

Desempregado, desacreditado e com a reputação sepultada em qualquer profissão que ele quisesse se dedicar, não restou outra alternativa senão a de tentar a sorte em um outro país. Dias depois de conseguir atravessar ilegalmente a fronteira mexicana, ele conseguiu o primeiro emprego no espaço de quase dois anos, como lavador de pratos em um restaurante de uma cidadezinha americana. No final do ano, o dono do local resolveu fazer uma festa de confraternização com os funcionários. Os mais exaltados insistiam para que o Alceu tomasse pelo menos um pouco de cerveja, que ele recusava quase chorando, justificando apenas que aquilo daria problemas para todos ali.

Mas, depois de concluir que a vida era curta, ele resolveu tomar todas, como se não houvesse mais amanhã. E quase não houve mesmo, caso alguém o tivesse alcançado na manhã seguinte, enquanto ele fugia do povo daquela cidade, correndo em direção ao Canadá.

- SON OF A BITCH!!!


Permalink23.06.09, 01:59:52, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Contos, Humor, Trabalho 4 comentários

DIPLOMA NO JORNALISMO DOS OUTROS É REFRESCO

E agora? O diploma não era mais obrigatório para eles. Restava aos dois jornalistas desabafarem no boteco de sempre:

- Rapaz, a nossa profissão acabou. Já era.
- Concordo. Sem a obrigatoriedade do diploma, ficamos tão ultrapassados quanto um disco de vinil.
- Pior, pior! Os discos de vinil têm lá seus defensores. E quanto a gente? Ninguém!
- Estamos sós. Já não bastava a concorrência de antes. Agora, precisaremos disputar vagas de emprego com qualquer um.
- Isso mesmo. As redações pegarão qualquer analfabeto que venha a cobrar um prato de comida pra que ele faça uma reportagem.
- Exatamente. Até já imagino a cena, de mendigos sendo recrutados na rua para fazerem uma matéria de capa. Afinal, para isso, não é preciso mais o diploma.
- Pois é, nem quero ver o nível que chegará a nossa imprensa.
- Pobre imprensa brasileira!
- Esses ministros do STF não entenderam que, para se fazer um jornalismo de verdade, em qualquer lugar do mundo, é preciso a faculdade antes.
- Isso mesmo. Lá, aprendemos a interpretar um texto, apurar os fatos, escrever uma reportagem... É impossível alguém aprender a fazer tudo isso fora da faculdade.
- Concordo. Impossível! Antes da faculdade, pra você ter uma idéia, eu mal sabia interpretar uma historinha da Turma da Mônica.
- Comigo era pior. Eu me comunicava com os outros através de sinais. Só na faculdade eu fui aprender que era possível usar as palavras para passarmos uma mensagem.
- E ainda tem gente que ousa dizer que sabe fazer tudo isso sem um diploma. Absurdo isso!
- Nossa, e como! Se for assim, vou me tornar neurocirurgião. Quero ver se me deixariam abrir cérebros por aí, sem um diploma de médico.
- Cara, eu só não faço isso porque tenho pavor de sangue. Pois deve ser a coisa mais fácil do mundo.
- Sim, basta fazer uma busca no Google e pronto. Ficaríamos craques em abrir cérebros. Mas, pena que não suporto ver sangue também.
- Taí, vamos lançar essa campanha, de que qualquer um pode se tornar neurocirurgião também, sem a necessidade de diploma.
- Genial isso. Aposto que ninguém jamais teve a originalidade de fazer essa associação. Médicos e jornalistas.
- E sabe a razão? É que eu e você somos formados em jornalismo. Um não-formado jamais seria capaz de elaborar um raciocínio tão sofisticado, claro e coerente quanto o nosso.
- Isso mesmo, é preciso muito estudo na faculdade para chegar nesse nível de evolução, de fazer essa equivalência entre médicos e jornalistas. E vou além. Coloco os engenheiros nesses exemplos também.
- Cara, se eu quisesse aprender cálculo, bastaria também consultar o Google. Ponto final. Em questão de semanas eu já seria capaz de fazer o projeto da maior ponte do mundo.
- Isso aí. Por isso que agora eu defendo o fim da obrigatoriedade de todos os diplomas do mundo. Já que jornalistas não precisam mais disso...
- Quero só ver um alguém sem diploma conseguir fazer a reportagem que entreguei hoje, lá na redação. Quero só ver. Duvido que essa pessoa seria capaz de relatar que viu aquela antiga participante do Big Brother aos beijos com aquele ator casado. Duvido!
- E a matéria que fiquei de entregar amanhã? Sobre a nova plástica que a filha do governador acabou de fazer. Para você ter uma idéia, consegui conversar até com o faxineiro da clínica onde ela esteve internada. O cara me disse que ela comeu macarronada depois da cirurgia. Não foi estrogonofe!!!
- Ah, vai dar essa matéria para um cara que não fez faculdade. Ficaria sem a macarronada. Uma porcaria!
- Agora, se eu quiser fazer uma cirurgiazinha no cérebro de alguém, somente com diploma de Medicina, né?
- Pois é, vai entender... Só no Brasil mesmo pra acontecer essas bizarrices!!!
- Ê, Brasil!

Ps1: E enquanto isso, na terra do Obama e da Rainha...

Ps2: E o povo continua querendo saber!


Permalink21.06.09, 13:56:55, by Tuca Hernandes Email , Humor, Comunicação, Trabalho, Educação 6 comentários

CASAL DELIVERY

Hora da novela. A fome costumava aparecer logo depois do segundo intervalo. Mais pra ele do que pra ela. E não foi diferente naquela noite:

- Alô? Boa noite. Eu gostaria de fazer um pedido. Meia mussarela com meia portuguesa e... - a mulher o interrompeu com gestos frenéticos - um momentinho só. O que foi amor?
- Ah, pode desligar isso aí, Nuno!
- Mas...
- Agora!
- Tá, calma... - ele volta a conversar com o atendente - Amigo, me desculpe, surgiu um probleminha aqui. Eu ligo mais tarde, ok? Até mais.
- Até mais um ova! Pode esquecer desse papo de ligar mais tarde.
- O que foi, amor? A gente precisa jantar. Eu ia pedir uma pizza e...
- Pôxa, Nuno! Que falta de imaginação. Pizza? De novo?
- E daí?
- E daí que hoje é segunda.
- Ih, preconceito quanto ao dia? Nada a ver, hein?
- Ah, tá. Preconceito meu, sei. A gente vem comendo pizza praticamente um dia sim, um dia não. Tô cansada já.
- O que a gente faz então? Pede comida chinesa?
- Não, enjoei disso também.
- Lanche? Esfirra?
- Nuno, esquece esse telefone. Você já reparou que a gente só se alimenta nesse sistema de Delivery?
- Já sei, quer variar um pouco, né?
- Isso!
- Ok, vamos comer fora então. Que tal um McDonald's, hein?
- Não!!! Nada disso. Eu tava pensando em algo mais original.
- Amor, você sabe que não podemos ir a restaurantes por enquanto, pois ainda estamos pagando a nossa festa de casamento, a lua-de-mel e...
- Eu não tô falando de restaurante. A minha proposta é a seguinte: que tal irmos a um supermercado comprar umas coisas e fazer a nossa comida aqui mesmo?
- Ah, muito trabalho, benzinho! Além do mais, as panelas estão debaixo da cama. Imagine só o trabalhão que vai ser pra tirá-las de lá.
- Nuno, são as panelas que ganhamos no nosso casamento. Elas estão há seis meses lá, na caixa! Quase seis meses!!!
- Como passa rápido o tempo, hein?
- Vamos fazer isso então? Vamos? A gente tira finalmente essas panelas da caixa e vai direto para o supermercado comprar os ingredientes. A partir de hoje, comeremos a boa e velha comida caseira. Nada de porcariada na nossa janta.
- Não fale assim da pizza, amorzinho... Tadinha, alimentou tanto a gente... Taí, você nunca cozinhou na vida. E agora? Como você vai se virar?
- Não tem problema, a minha mãe vai me ajudar, pelo telefone. Da compra dos ingredientes até o preparo. Já combinei tudo com ela. Arroz, feijão, salada e picadinho de carne com batata!
- Ah, eu sabia! Tinha que ter a sua mãe no meio. Tinha que ter! Ê, Dona Zuleica! Taqueopariu, viu????
- Nuno, ela está pensando no nosso bem. Precisamos ter uma vida mais saudável. Olha como eu estou ficando - ela levanta a camisa, apertando a cintura. Gorda! Uma baleia!
- Meu amor, você é linda de qualquer jeito. Eu não me importo, de verdade.
- Até parece. Tá cheio de mulherzinha de academia lá no seu trabalho. Pensa que eu não fico de olho? Vamos!
- Aonde?
- No supermercado, homem de Deus!!!
- Tá bom, tá bom! Você e a Dona Zuleica venceram! Façamos um trato então: a gente passa numa barraca de hot dog antes. Tô morrendo de fome. Por favor, vai!
- E não vai comer o meu picadinho de carne com batata?
- Eu como o que você quiser, benzinho. O hot dog vai ser mais como um aperitivo, sabe?
- Sei... ok, fechado!
- Ih... Lembrei de uma coisa.
- Não tô gostando dessa cara. Nem vem, Nuno! Nem vem!
- Amor, como você vai ligar o fogão sem o... gás?
- ...
- Você pediu pra ligarem o gás aqui do nosso apartamento?
- Não.
- Nem eu.
- ...
- Alô? Por favor, uma meia mussarela com meia portuguesa.


Permalink17.06.09, 10:01:47, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Culinária, Links, Relacionamentos, Comida 6 comentários

CINCO DICAS PARA VOCÊ ARRANJAR UM NAMORADO

O dia dos namorados está se aproximando e você, querida leitora, ainda continua sem ninguém? Triste isso, não? As suas amigas felizes, fazendo planos para a data com os seus respectivos amados, ajustando os detalhes daquele "combo restaurante-motel" e você aí, tristinha, já quase se conformando com esse destino injusto. Pra piorar, o próximo dia dos namorados cairá numa sexta-feira, o que o torna mais especial ainda. Mas não deixe que sentimentos como o rancor e a inveja tomem conta de você. Ainda não inventaram a fórmula do amor, mas, com bastante disciplina e determinação, você poderá dar um jeito nesse coração solitário. Basta seguir as cinco dicas abaixo, todas extraídas do "Manual da Mulher Que Sabe o Que Quer", best seller absoluto em 395 países:

1 - Saia com roupas minúsculas

Mais do que nunca, homens têm valorizado mulheres que mostram mais pele do que tecido. Esqueça essa concepção ultrapassada de que eles só as querem para sexo e mais nada. Saiba que, biologicamente, o macho prefere as fêmeas mais ousadas, que não têm medo de se mostrar. Tal característica será repassada para os seus descendentes que, por sua vez, não terão medo de confrontar os predadores sempre à espreita. Você tem seios que possibilitam aquele decote quilométrico? Um traseiro que deixa todos os peões da obra boquiabertos? Não tenha medo, exponha tudo aquilo que lhe faz poderosa e seja feliz. Homens para casar disputarão entre si a honra de assumi-la já nesse próximo dia dos namorados, orgulhosos com aquele seu look libertário, composto graciosamente por um mini-bustiê quase transparente e uma calça PP de oncinha.

2 - Descreva com detalhes o seu currículo sexual

Quanto mais informações você revelar sobre o seu histórico sexual, melhor. Já fez uma orgia com três caras e um chimpanzé na escada do prédio da sua avó? Costumava cornear o seu ex com qualquer ser vivo que piscasse pra você? Sem problemas, revele tudo isso logo de cara, detalhadamente, mesmo antes daquele beijo que você sentiu que está pra sair a qualquer momento. O seu pretendente perceberá que, com esse jogo aberto, você é uma mulher honesta, sem segredos. Qual homem em sã consciência vai querer se comprometer com uma esquisitona que vive negando a existência de uma vida sexual satisfatória antes de conhecê-lo? Omissão de fatos é fatal no início de um relacionamento. Não se esconda. Se a sua vida sexual foi entediante até então, invente fatos que possam apimentar o seu passado, tornando-o digno da mais sem noção das atrizes pornôs. Isso dará mais credibilidade para você.

3 - Discuta a relação logo nos primeiros beijos

Um dos mitos sobre relacionamentos que mais fazem sucesso é o de que homem não suporta discutir a relação. Puro papo-furado isso. Homem que é homem prefere a mulher que se mostra preocupada quanto ao futuro dos dois. E se isso acontece logo no começo, melhor ainda. O cara simplesmente se apaixona quando é confrontado nessas situações. No fundo, ele sabe que, quando a mulher tem a iniciativa de discutir a relação, ela o reconheceu como um macho alfa, algo que o faz se sentir especial diante do universo. Assim, comece a questioná-lo logo depois do segundo beijo, mesmo que esse tenha sido melhor do que o anterior. Pergunte o que está acontecendo, do porquê dele ter ficado distante, sem aquele carinho e o envolvimento do primeiro beijo, essas coisas. Se conseguir simular um choro, melhor ainda. Os olhos dele vão brilhar de tanta emoção por ter encontrado uma mulher tão especial feito você.

4 - Faça questão de dizer que você fica insuportável na TPM

Homem de verdade adora conviver com uma mulher nervosinha, intolerante e incoerente. Se ela garante ser capaz de proporcionar esse comportamento por pelo menos alguns dias no espaço de um mês, já ganhou a admiração do cara. Entenda que os homens mais simpáticos a um compromisso fazem do desafio um elemento constante no cardápio deles. E ter paciência diante de uma mulher com TPM está entre as maiores virtudes que os líderes adoram propagandear nos seus currículos pessoais. Mesmo que você não sofra desse mal, diga que o mais psicopata do leões fica parecendo um gatinho inofensivo se comparado com o seu temperamento "naqueles dias". Tenha certeza que ele fará contagem regressiva, na expectativa de que esses festejados dias enfim comecem. O desafio de suportar essas tormentas será um exercício de amor que ele fará questão de abraçar.

5 - Transe na primeira noite com ele

Sabe aquela mão boba que resolveu dar as caras já na primeira ficada entre vocês? Tente encará-la como uma aliada no seu objetivo para arranjar um namorado. Ela está apenas reconhecendo o templo do amor que é o seu corpo. O lado sensível dos homens sempre aparece quando a mulher resolve deixar de lado aquela irritante mão do deixa-disso. Agindo desse modo, tenha certeza que o cara a valorizará, confiante de que poderá ter uma vida sentimental plena ao seu lado, em que a alma e a carne se encontrarão numa harmonia que foi abençoada desde o início. Transas na primeira noite, horas depois daquele "Oi, prazer, meu nome é Fulano.", ao contrário do que os moralistas invejosos adoram espalhar por aí, servem para confirmar a autenticidade dos romances que têm tudo para dar certo. E fique tranquila: ele ligará no dia seguinte, ansioso para saber se você estará disponível nesse próximo dia dos namorados.

Siga confiante essas dicas e tenha um ótimo dia dos namorados. Muito bem acompanhada, é claro! ;)


Permalink08.06.09, 00:23:26, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Humor, Relacionamentos, Sexo, Doutor Langruber 13 comentários

MEGAN FOX COVER

- Carlão, você ficou ontem com a Leninha! Com a Leninha! Não só ficou como transou com ela também!
- Ué, quem disse isso pra você?
- A Gabi, minha noiva. Você se esqueceu que ela e a Leninha são bem amigas?
- Entendi...
- E aí?
- E aí o quê, Geléia?
- Detalhes, Carlão. Detalhes! Manda! Do início ao fim. E pode demorar bastante no meio.
- Geléia, você já sabe o suficiente, mais até do que deveria saber.
- Ué, você leva pra cama aquele mulherão, que é quase um clone da Megan Fox, e não quer compartilhar a experiência com os amigos?
- Compartilhar? Pra quê? O que rolou entre eu e ela não diz respeito a mais ninguém.
- Olha, vou tentar entender. A experiência deve ter sido tão fantástica, tão além do comum, que você ainda não tem palavras para descrever. Só deve ser isso.
- Eu posso descrever sim, em detalhes, com todas as palavras muito bem colocadas, com o verbos bem conjugados e...
- Tá, então desembucha aí! Vai logo! Olha aqui, já tô tremendo de ansiedade. Fala!
- Eu não. Importa o que eu vivi ontem à noite. O que ficou comigo. Não o que eu poderia contar para os outros.
- Ok, ok... Eu pago, ok? Me fale o seu preço. O valor do seu aluguel? Olha aqui, eu faço um cheque, agora!
- Você não entendeu...
- Se quiser, a gente vai junto ao banco. Retiro o que você quiser!
- Calma, por quê tanto desespero assim para saber da transa alheia?
- Carlão, não é uma mera transa alheia. Você conheceu a intimidade de uma deusa! De todos os caras que ficaram com ela até hoje, você foi o mais próximo de mim.
- Sim, somos amigos de infância. E daí?
- Então, um amigão meu fica com aquele monumento e não fico sabendo de detalhe algum?
- E nem vai saber, Geléia. Você me conhece. Eu jamais fui de contar esses detalhes pra ninguém, seja lá quem for. Por quê seria diferente agora?
- Cara, eu imaginei que seria diferente com a Leninha. Ela seria a exceção. Se fosse comigo...
- Lá vem...
- Se fosse comigo, eu faria de tudo pra documentar esse, esse... evento! Tiraria fotos, filmaria e até chamaria testemunhas para acompanhar tudo ali, na hora, só para comprovarem que, sim, eu transei com a Leninha!
- Você fez isso com a sua noiva?
- Rapaz, a Gabi não é a Leninha. Mesmo assim, quando começamos a sair, eu contei tudo pra você. Tudo!
- Ué, contou por que quis. Eu nunca fui de perguntar nada.
- Ok, desisto. Sabe como você está agindo? Como um astronauta que esteve em Marte e agora fica de bico calado. Você chegou no máximo que um homem pode alcançar em termos de mulher e fica aí, regulando informação. Grande amigão você, hein?
- Se você quiser nivelar a nossa amizade por aí, paciência. Quer saber? Use a sua imaginação. Isso! O que aconteceu foi o que você imaginou. Pronto! Seja feliz assim.
- Uau... então quer dizer que ela tem um detalhe bem ali, embaixo, que...
- Exatamente!
- Sendo que, quanto aos seios, eles...
- Isso mesmo!
- E que, nas preliminares, ela simplesmente chegou em você e...
- Por aí, Geléia. Por aí!
- E que vocês, num dado momento, fizeram aquela posição, em que ela precisa...
- Fizemos.
- Aí, no fim, ela disse pra você que... que...
- Sim, disse.
- E depois, ela também...
- Também, por incrível que pareça, Geléia.
- UAU!!!
- E então? Foi bom pra você?
- Demais, Carlão... Demais... E pra você?
- Não é da sua conta.
- Pô...


Permalink04.06.09, 00:58:02, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Humor, Sexo, Amizade 8 comentários

O ZÉ PAMONHA QUER UM PONTO FINAL

Eu estava tranquilo, tomando o meu cafezinho no lugar de sempre, imaginando o próximo texto que eu escreveria, quando um cara meio estranho me abordou:

- Olá, tudo bem? - ele tinha um rosto sem personalidade, em que todos os traços eram indefinidos. Difícil de descrever.
- Oi... - respondi desconfiado, um pouco incomodado com aquela invasão na minha tranquilidade.
- Então, desistiu de mim, é?

Era isso então. No mínimo, o figura devia ter me confundido com um alguém com quem ele tivera um envolvimento amoroso. Porque uma modelo ninfomaníaca nunca me confundira daquela maneira? Vida ingrata. Procurei esclarecer o mal entendido:

- Olha, meu chapa... Pra início de conversa, eu nunca vi você na minha vida. Depois, o meu negócio sempre foi mulher, ok? E se isso for uma pegadinha, se deu mal, porque eu sou o cara mais desconfiado do mundo e...
- Calma, não tô falando disso... - estranho, aquele cara começou a me parecer familiar, o que me incomodou um bocado, pelas circunstâncias.
- E do quê você está falando então?
- Lembra que, semanas atrás, você começou a escrever um texto sobre um cara que se deu mal ao cantar uma mulher, só porque ela preferia continuar com o noivo dela, que era um anão albino?
- Ué, como você sabe disso? Eu não comentei com ninguém sobre essa história. Ou comentei?
- Sei lá se você comentou. A questão é: porque você não continuou desenvolvendo a história?
- O que você tem a ver com isso, afinal?
- Rapaz, eu sou o cara do texto, o que se deu mal.
- Hein???
- É isso mesmo. Eu saí da sua imaginação, mas não tive a sorte de ter um ponto final, como os seus outros personagens.
- Não pode ser... Então você é o... o... Zé Pamonha?
- Opa, lembrou o meu nome! Sinal de que a história não foi esquecida. Aliás, não tem como trocar esse nome? Não gostei. Que tal "Renatão Presença"?
- Ah, me desculpe, jamais que um cara como você se chamaria "Renatão Presença".
- Ué, porquê?
- Pela simples razão de que a mulher da sua vida preferiu um anão albino e fanho à você!
- Ele era fanho também? Não me lembro disso...
- Eu ia colocar mais isso também, caso eu retomasse a história.
- Sacanagem, hein?
- Fique tranquilo. Não rola mais esse risco.
- Ufa! Como eu fico no final então?
- Não terá final. Não vou retomar a história. É ruim demais, não ia chegar a lugar algum. Fiz um favor para os meus leitores. Bem, pelo menos para aqueles que sempre me perdoaram pelos piores textos.
- Então é isso? Ficarei vagando por aí, para sempre nessa condição de rascunho? Olha a minha cara, não tem nada definido. Nada!
- Foi mal, Zé. Mas eu não vou retomar esse texto. Aliás, foi bom você me lembrar dele. Vou apagá-lo de vez do meu computador.
- Espere aí, vamos negociar!
- Zé, existem coisas das quais eu preciso me libertar, entenda isso. Essa minha fixação por anões e mulheres impiedosas precisa desaparecer da minha obra. Não quero ser desses autores que passam o resto da vida revisitando obsessões. Muito chato isso.
- Me reaproveite em algum outro texto, por favor!
- Eu já estou reaproveitando, rapaz! Não percebeu ainda?
- Sério?
- Sim, estamos em um texto. Em um diálogo. Tá vendo esses travessões, no início de cada frase sua?
- Olha, é mesmo... As reticências também... Ei, olha só, três pontos de exclamação!!!
- Tá bom assim pra você?
- Tá ótimo! Vocês, autores, pregam cada peça na gente, hein? Incrível como vocês manipulam o enredo e...
- Zé, melhor pararmos por aqui. O texto está ficando longo demais. Lembre-se, você é personagem de um post. Não de um romance.
- Entendi... Agora, resta o...
- Isso, ele mesmo. O ponto final.


Permalink01.06.09, 10:00:00, by Tuca Hernandes Email , Comportamento, Contos, Humor, Comunicação, Meu Umbigo, Literatura 7 comentários


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