CONTROLE REMOTITE AGUDA

Sou desses que assinam TV à cabo mas não tem paciência alguma para acompanhar o que se passa nos canais disponíveis. O meu polegar direito no controle remoto parece pertencer ao de alguém com Síndrome do Parkinson em estágio avançado, de tão inquieto que ele fica no CH+ e CH-. Quando estou na casa de alguém mais normal, um certo desespero começa a me atacar se a TV fica sintonizada em um mesmo canal por mais de dez minutos. Não foram poucas as ocasiões em que me segurei para não saltar entre sofás para arrancar o controle remoto das mãos do responsável e sair sintonizando 10 canais por segundo, me aliviando como um alcóolatra que começou a virar goela abaixo aquela garrafa de cachaça. Eu reconheço, a coisa é feia.
E olha que eu sou de uma geração em que era preciso levantar do sofá para que se mudasse os canais. Quando eu era criança, o controle remoto não passava de uma realidade possível apenas nos desenhos dos Jetsons. Dessa forma, não era uma manobra tão simples assim querer sair do Magnum da Globo para o Bozo do SBT. De modo algum. Para tanto, era preciso respirar fundo e movimentar vários músculos para que os dedos alcançassem enfim o sintonizador. Clec, clec, clec. E tome mais movimentação de músculos na volta para o sofá. Se naquela época, no espaço de uma hora, a pessoa quisesse manter o padrão atual de zapeamento, ela ficaria tão esgotada quanto aquela maratonista olímpica que chegou cambaleante na linha de chegada. O que salvava eram as poucas opções de emisssoras, razão pela qual não havia muito o que procurar. Bozo ou Magnum? O pai ou o irmão mais velho decidia. Clec, Clec, clec.
Hoje em dia, para pessoas feito eu, que sofrem de controle remotite aguda, assistir televisão é um ato em que o descompromisso é a regra. Aquele programa está interessante, revelador quanto a mais uma peculariedade que o Tubarão Flatulento das Ilhas Komi-Komi exibiu diante das câmeras? Pode ser, mas, ao mesmo tempo pode ter começado um filme interessante em algum dos 30 canais de cinema. Ou então, que tal dar uma olhada naquela série engraçada que está passando agora? Vamos lá. Se bem que... já deve estar rolando a sessão erótica do canal Telettubies e... aonde é que eu estava mesmo? Nisso, umas duas horas se foram e apenas o polegar se movimentou, frenético.
Desconfio que me resta uma única opção para que se resolva esse impasse da atenção caótica: desligar a TV. A melhor alternativa, disparado. O problema é convencer o encosto que há tempos tomou conta do meu polegar direito. Sai desse dedo que não lhe pertence, DDA!
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Re: Até que tem algumas coisas bacanas na televisão. O problema é que eu as encontro justo quando estou na cama, quase dormindo. Ontem, por exemplo, eu quase consegui assistir esse filme aqui, que estava passando no Telecine Cult.
Re: Se isso acontecer, pelo menos eu sossegarei, não? Na pior das hipóteses, eu começo a usar o dedão da minha outra mão. Continuando o problema, o dedão do pé esquerdo, do direito, cotovelos, o meu queixo...

Re: Fiapite de Jaca? Espero que os efeitos colaterais sejam amenos, caso o prazo de validade da vacina expire.
Sem a programação dos canais à mão, sou um desastre.

Re: Eu, com a programação dos canais à mão, fico pior ainda. Afinal, terei a plena consciência do que está passando nas outras emissoras. Assim, aumenta mais ainda a minha curiosidade para dar aquela "conferidinha".![]()
Re: O calmante, no caso aqui, é tirar a tv da tomada mesmo e jogar fora as pilhas do controle remoto. Aí, eu acho que resolve.
Meu marido disse que eu tenho é deficit de atenção porque não consigo prestar atenção em um programa só....será????
Re: Olha, sinto muito em lhe informar, mas eu acho que o seu marido está certo...
Triste...
Re: Temos informação demais atualmente. Pena que o dia continua com 24 horas...
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