QUALQUER TV

A televisão que estava no meu quarto quebrou. A imagem dela começou a ficar com um tom azulado que deixava todo e qualquer programa similar a um episódio dos Smurfs. Na assistência técnica autorizada, deram um orçamento que, com mais cem reais, me possibilitaria comprar uma nova daquele modelo. Não convencido, a levei para o japonês aqui perto de casa, que conserta de torradeiras a monitores LCD. Com ele, o mesmo diagnóstico, o mesmo preço para o conserto. Resignado, trouxe de volta para casa aquele tubo aleijado. Ainda não sei o que fazer com esse mais novo ferro-velho. Talvez eu o dê para os meus quatro sobrinhos:
- Meu presente de Natal para vocês. Toma, um martelo pra cada um. Tão vendo aquela TV ali? Podem descer o sarrafo! Um, dois, três e... já!!! Valendo! - seria divertido ver a molecada agindo como aqueles vândalos do apocalipse que aparecem na trilogia Mad Max. Bem, considerando-se o estado da mobília da casa deles, não é algo muito difícil de se imaginar.
No lugar da quebrada, coloquei uma mais antiga, bem menor que a anterior, que estava encostada no quarto ao lado. E quer saber de uma coisa? Não senti diferença alguma. No começo, cogitei de comprar uma novinha em folha, dessas achatadas - de plasma, LCD, PQP, sei lá o quê. Mas, ainda bem que fiz aquela clássica pergunta pra mim: "eu serei uma pessoa mais feliz com isso?" A vozinha da razão, essa que me escapou tantas vezes nos últimos tempos, resolveu dar o ar graça, respondendo um singelo "não."
É certo que o meu instinto consumista iria soltar rojões ao sair da loja de eletrônicos com aquela caixa contendo a tal TV achatada. "Uau, agora faço parte da turma que possui televisão moderna!" - esse deve ser, atualmente, um dos lemas mais populares da classe média, amiguinha do crediário casas baiânico. No entanto, desconfio que eu sentiria um vazio danado ao perceber que a programação da tela continuaria a mesma, tanto dos canais abertos quanto dos fechados. Seria o mesmo tédio de sempre. Sei que a alegria do consumista dura até o primeiro bocejo diante do que um dia foi cobiçado.
E além do mais, pouco importa a qualidade da tela se o conteúdo ali consegue fisgar a nossa atenção. É isso que venho percebendo com a televisãozinha dos anos 90 que está no meu quarto. Com isso, lembrei das vezes que eu assistia desenhos em preto e branco, na companhia do meu irmão e da minha irmã: nós três ali, hipnotizados pelo espancamento sistemático que o Popeye era submetido pelo Brutus, salvo apenas pelo espinafre meio acinzentado que chegava até os nossos olhos. Hoje em dia, a molecada da classe média convencional precisa ver qualquer um dos 50 canais de desenho disponíveis numa TV LCD de 90 polegadas e Home Theather. Caso contrário, perdem a fome, tadinhos.
Ah, feliz natal pra você, que, sinceramente, espero que não seja diante de um especial da Xuxa na super TV da sua família.
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Comentários:
Depois que inventaram o torrent e eu posso ver as minhas séries logo que saem, tv só pra notícias locais.
Re: como diria o tio do vizinho do irmão do meu tataravô: controle remoto é para os fracos. E, depois do torrent, não só a TV ficou um pouco mais obsoleta. Os canais de série também.
O canhão do vermelho está meio baleado e só funciona a contento depois de um tempo de aquecimento ou um ligeiro tapa na lateral. Os canais altos de VHF costumam perder a sintonia em períodos de tempo que são de horas.
De minha parte, vou só trocar de televisor quando houver um de tela aproximadamente de mesmas dimensões e proporção 16:9, mais sintonizador embutido de TV digital. Isso porque esses televisores, se LCD, servem também de monitor de computador.
Re: Rapaz, pra sua TV ficar perfeita, só falta aquele pedaço de Bombril na antena. Ah, sim, se for pra vc comprar uma nova, que seja a melhor. Farei isso tb, talvez daqui uns 5 anos.
Abs!
T§
Re: tem razão. Quanto ao celular, eu pensava exatamente como vc, orgulhoso do meu aparelhinho detonado, sem recurso algum. Até que, recentemente, pude comprar - pela metade do preço - um desses celulares que fazem um pouco de tudo. E quer saber? Desde então, não consigo me imaginar mais sem um celular com acesso a internet. O hábito faz o consumidor, não?
Re: bj!
Re: Obrigado, Flávia. Eu volto em breve.
É tudo de bom e mais um pouco!
É arretado mesmo!
É o ultimo pacote da bolacha!rs.
Poderia gastar todos os clichês...
Mas preciso fechar essa guia agora e parar de procrastinar...Santo Deus...estou a mais de 3 horas tentando, mas é uma página, outra, outra......quer saber...que se dane...vou ler mais um pouco!rs
Re: Valeu, Moita! Fico bem feliz com o seu novo vício, por razões óbvias! Seja sempre muito bem-vindo aqui.
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