SABER PERDER

É sempre um risco se envolver com alguém. Muitas vezes, o que deveria ser uma estadia no paraíso acaba se tornando um expresso para o inferno, sem previsão de término. Mas ninguém possui o dom da adivinhação quando o relacionamento está naquele começo que anestesia toda e qualquer racionalização. Tudo vai dar certo. E, pra felicidade de muitos, a coisa realmente pode engrenar, com o destino do casal sendo exatamente aquele que os sogros sempre sonharam, com casamento eterno, filhos e tudo mais. De qualquer forma, o risco está ali, sorrisos ou lágrimas à espreita. Começou um relacionamento, boa sorte. A indefinição é o que marca todo mundo. E não deve ter sido diferente com o casal da tragédia de Santo André.
Quando uma história acaba, é normal que aconteça um período de luto, em que o ex-casal, cada qual no seu caminho novo, fica um bocado perdido diante da nova paisagem. Sorte daqueles que conseguem abreviar esse tempo, seja se identificando com uma solidão que não machuca, seja reencontrando um amor em paz nos braços de outra pessoa. No entanto, existem aqueles que não conseguem seguir adiante, concluindo que aquela pessoa precisa, de qualquer jeito, reatar os laços de antes, por mais que o amor não esteja mais ali. Aí, começa o festival dos que não sabem perder.
Tenho medo dos que não sabem perder. Via de regra, são pessoas egoístas, que farão de tudo para reverter aquele sentimento de derrota. Não importa a felicidade do outro, mas sim o conservar de um vínculo que já não tem mais razão de ser. "Você vai ficar comigo e ponto final!", costuma ser o lema desse povo. Cá entre nós, que graça tem em ficar com uma pessoa que já deu todos os sinais de que não quer mais a nossa companhia? Nenhuma, ora essa. E, pôxa vida, o legal de um relacionamento é quando estamos com alguém que corresponde ao nosso sentimento na mesma sintonia. Agora, querer manter alguém ao nosso lado através de chantagem emocional, ameaça, constrangimento, essas coisas? Isso é um estupro crônico, feito em conta-gotas. Só o algoz se satisfaz. Eu, hein?
Sempre existirão pessoas como o rapaz lá de Santo André, bobões que não sabem perder. Inclusive na versão feminina, é claro. Para o nosso alívio - e o do GATE -, poucos chegam ao extremo. Mas, mesmo assim, é triste saber que, nesse momento, muitos estão aprisionados numa espécie de cativeiro sentimental, sem perspectiva de desfecho. E que nem imaginavam, lá na fase dos primeiros beijos, que a coisa seguiria por esse caminho. Mas, quem quer aproveitar a vida acaba sempre girando a roda da sorte, apostando no melhor pela frente. Eu, continuo otimista. Ainda bem.
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Re: Obrigado! E bem-vinda ao meu novo espaço tb. E sinta-se sempre muito à vontade para comentar aqui. E, quando achar melhor, via e-mail mesmo.
Me identifiquei muito com este post, convivo em minha casa com uma pessoa que não sabe perder, está no 3º relacionamento, e diz que deste não passa, custe o que custar (isso inclue vidas) e a 3ª vive aterrorizada...eu só observo a situação....a vigilância..o medo da reação daquele que não sabe perder.
Vida que passam...que se vegetam...
Quando se é bandido, um crime a mais ou a menos não faz diferença.
Quando se é drogado, qualquer droga pode ser uma nova “viagem”.
Quando se é mentiroso, a verdade muda de acordo com a necessidade.
Quando se é desonesto, o importante é esperar a hora certa.
Quando se é fingido, se é sempre a vítima.
Quando se é infiel, nunca se está saciado.
Quando se traidor, quem recompensar melhor é a Pátria.
RODRIGO BENTES DINIZ
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