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BALANÇO DAS OLIMPÍADAS
Eu estava determinado a não falar nada sobre as Olimpíadas. No entanto, esse vídeo me fez quebrar a promessa. Muito bom. Pelo tanto de visualizações que o mesmo teve, meio mundo já deve conhecê-lo. Sacanagem então, de ninguém ter me indicado essa pérola, que descobri por acaso. Se o mesmo aconteceu com você, não fique assim, acontece.
Ps1: Se aparecer por aí a infame mensagem "We're sorry, this video is no longer available", seja brasileiro e não desista. Tente novamente após apertar F5, até a coisa funcionar.
Ps2: O vídeo foi uma montagem em cima do ótimo filme "A Queda! As Últimas Horas de Hitler." Pra quem ainda não viu, recomendo.
DESEJOS DE GRÁVIDA
Todos nós conhecemos histórias de grávidas que acordam de madrugada, torturadas por uma vontade de comer algo bizarro:
- Amor…
- O quê? - resmunga o marido, bem atordoado pelo sono
- Eu tô com desejo…
- Sei… O que é dessa vez?
- Então, eu quero comer feijão com goiabada e leite condensado.
- Putz… Pode ser amanhã?
- Tem que ser agora! Ou você quer que o nosso filho nasça com cara de feijão com goiabada e leite condensado?
- Ok, ok… Já volto.
Mas os desejos poderiam ser piores. Já imaginou a mulher surpreender o companheiro, no meio da madrugada, tomada por um desejo incontrolável em saciar outros sentidos, além do paladar?
- Amor…
- O quê?
- Eu tô com desejo…
- Ok, ok… é feijão com goiabada e leite condensado de novo?
- Não… Sabe a Banda Calypso?
- Sei. O que é que tem?
- Então, eu quero ver um DVD de um show deles.
- Como assim? Tá brincando comigo, né? Só pode ser. Você sempre odiou esse tipo de música.
- Pois é. Acontece que agora me veio esse desejo, do nada. Pode isso???
- Ok, amanhã eu compro esse tal DVD pra você, tudo bem?
- Eu quero ver agora! Agora!
- Mas onde eu vou encontrar loja aberta nesse horário? Olha, deve ter uns vídeos deles no youtube e…
- Tem que ser o DVD! E original! Agora!
- Mas…
- Ou você quer que o nosso filho nasça com a cara do Ximbinha? Hein, hein?
- Ok, ok… tô indo…
Assim, outras vontades poderiam surgir:
- Amor, tô com desejo de votar no Maluf.
- Amor, tô com desejo de ouvir um discurso do Fidel Castro, na íntegra.
- Amor, tô com desejo de ler a biografia da Narcisa Tamborindeguy pros mendigos lá da praça.
- Amor, tô com desejo de publicar um post pago sobre ornitorrincos da caatinga. Agora!
Pensando bem, feijão com goiabada e leite condensado não deve ser tão ruim assim.
HAHAHAHAHAHAHAHAHA
Os dois estavam prestes a sair. Antes, ele resolveu se despedir de um amigo no messenger, com quem não papeava há muito tempo. Ela, que não costumava ser bisbilhoteira, acabou vendo, sem querer, um trecho da conversa. Mais tarde, no carro, ela resolveu puxar o assunto:
- Então, tava muito engraçada a conversa que você teve com seu amigo no messenger? - ela perguntou, irônica.
- Não, nem um pouco. Papo normal. Por quê a curiosidade?
- Bem, estranho. Pois você não parava de escrever "HAHAHAHAHAHAHAHAHA" pra cada frase que o seu amigo teclava.
- Iiiih… Agora deu de ficar me espionando?
- Desculpe, não resisti… A tela estava tão ao alcance dos meus olhos… Enfim, que hipocrisia, hein?
- Do que você está falando?
- Dos seus "HAHAHAHAHAHAHAHAHA", ora essa! Bizarro isso, ver uma pessoa teclando "HAHAHAHAHAHAHAHAHA" sem que saia um mínimo sorriso do rosto dela.
- Olha, isso é problema meu, ok?
- Sim, e meu também.
- Ué, como assim?
- Eu fico aqui pensando: e aqueles "HAHAHAHAHAHAHAHAHA" que ele vive me enviando pelo msn? Será que são todos falsos também, sem sorriso no rosto? Será? Não sei… De qualquer forma, perdi a confiança em você.
- Nossa, como você complica as coisas, hein?
- Ok, e se um dia, na hora da transa, eu desse a entender que fingi o orgasmo? Será que, depois disso, você não começaria a desconfiar de todos os outros que tive com você?
- Olha, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
- Tem sim, ora essa. São situações em que um é iludido pelo outro. Eu, que estou fazendo você gargalhar. E você, que me fez gozar.
- Ok, ok… eu admito. Eu sou uma farsa do "HAHAHAHAHAHAHAHAHA". Juro que, daqui por diante, serei mais sincero com você, reagindo só na base do "rs".
- Ok, e eu também.
- No messenger?
- Não, na cama.
EU, O LIXEIRO
"O que você quer ser quando crescer?" Eu, na maturidade de meus cinco anos, respondia, na lata: "Lixeiro!" Todos achavam graça naquele loirinho de cabelos encaracolados - sim, já fui bonitinho, acreditem -, convicto na sua escolha. Astronauta? Jogador de Futebol? Ator de Hollywood? Que nada, pra mim, o barato mesmo era ser lixeiro. Eu lembro de ficar pendurado na grade da janela da sala, dessas que dão vista para a rua, observando aqueles caras de uniforme laranja, pendurados no caminhão de coleta. Sentia uma pontinha de inveja ao vê-los subindo e descendo de seus postos, correndo para recolherem os sacos de lixo depositados na calçada. Era algo divertido, que certamente meus pais não deixariam que eu fizesse. Para tanto, eu deveria aguardar uma eternidade, até completar 18 anos.
Claro que, após assoprar as 18 velinhas de meu aniversário, anos atrás, o meu projeto de me tornar lixeiro já era algo um tanto quanto arquivado. E sem ressentimentos. Mas até hoje eu imagino o que aconteceria se eu tivesse me mantido fiel à essa convicção. Afinal, conheço várias pessoas que realmente se tornaram aquilo que projetaram na infância - se bobear, até o Sérgio Naya, toda vez que construía seus frágeis predinhos de areia na praia. Incompreendido pela maioria, realizado na minha profissão, seria bem capaz que muitos viessem me perguntar a razão de minha escolha, bem como a teimosia em seguir adiante nela:
- Mas, veja bem, rapaz. Você veio de uma família com condições de pagar seus estudos. Poderia ter se formado numa coisa bacana, como medicina veterinária, por exemplo. Ou então, poderia estar trabalhando com algo relacionado à internet. E ganhando bem mais do que agora. Mas não, taí, trabalhando como… lixeiro?
- E daí? Eu gosto, é divertido, sempre quis isso. Você não entende que, desde quando eu era criança…
- Tá, já sei toda a estória. Que você ficava na janela, observando fascinado os lixeiros trabalharem etc e tal. Mas você era criança, rapaz. Não aconteceu nada mais nessa vida que chamasse a sua atenção?
- Bem, até que teve algo. Mas eu jamais teria condições de me dedicar a isso.
- Por quê?
- Ah, eu cresci demais. Ninguém me aceitaria como anão de comercial.
De qualquer forma, admiro aqueles que insistem naquilo que acreditam, independente do quanto isso poderá remunerar no fim do mês. Não importando se a opção é ou não controversa para os olhos de quem optou pelo convencional. Vale o clichê: o que importa mesmo nessa vida é ser feliz, fiel consigo mesmo. Pelo meu lado, cá entre nós, eu continuo considerando a possibilidade de trabalhar como lixeiro. Mas desde que seja em Mônaco, é claro.

