NOVE EM PONTO DA NOITE
Depois daquele orgasmo, não teve como segurar a emoção. Chorando convulsivamente, ela teve a certeza de que encontrara o homem da sua vida. Ninguém chegara perto de produzir aquilo nela, com tamanha intensidade. De modo algum poderia perder aquele cara, concluiu. Sem pensar muito, ajoelhada, fez a proposta de casamento ali mesmo, implorando pela aceitação dele. Jurou fidelidade e amor incondicional, por todo o sempre. Ele aceitou na hora. Também pudera, como poderia recusar uma proposta daquela, vinda da mulher pela qual era apaixonado desde os cinco anos de idade?
Mesmo assim, ele quis saber o que a tinha feito mudar de idéia em relação a ele. Lembrou que ela, até algumas horas atrás, o desprezava como sempre e que só aceitou transar com ele por dó, nada mais. "Tá bom, vou te dar uma chance, mas somente dessa vez, hein?" Ela estava sozinha, carente, tinha acabado de levar mais um pé na bunda de mais um cafajeste bonitinho, então, por que não? Mas, ainda tremendo de emoção, num pranto que só aumentava, ela disse que não esperava por aquele orgasmo. "Ninguém chegou perto de provocar isso em mim. NINGUÉM! Nem o Carlão, lembra?" Se nem o Carlão, que era especialista em produzir orgasmos duplos nela - algumas vezes, até triplos - fizera algo como aquilo, então a coisa era extremamente especial. Conclusão, tinha que casar com ele, o autor daquela obra-prima.
Mais tarde, enquanto faziam a lista de quem poderiam convidar para o casamento, resolveram ligar a televisão, no canal de notícias. A manchete do momento era um terremoto que acontecera naquela noite, há instantes. E justamente no momento… daquele orgasmo! Na hora, enquanto sentia aquela sensação inédita de que o chão se movera, ela fizera questão de olhar para o horário estampado no rádio-relógio: nove em ponto da noite. "Hum… então foi isso. Que coisa…"
Nos dias seguintes, de nada adiantou ele alegar que o terremoto, na verdade, fora uma reação da natureza diante da força do amor entre os dois, que nascia naquele momento. Que o epicentro não fora no oceano, mas sim no colchão em que os dois estavam. Sendo assim, era preciso que retomassem a lista do casamento. "Eu, hein?", ela se limitava a responder, naquele zero grau na escala Richter de sempre.
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Ps: nada a ver com o texto aqui, mas ela descreveu bem algo chato que presenciamos nesse fim-de-semana. Confira lá, e aproveite pra ficar esperto diante de algumas ligações que você vier a receber…
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Comentários:
hahahaha
Mto boa crônica!
Mas casar por um orgasmo?
hahaha
Re: Tem gente que casa por muito menos até…
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Terremotos assim causariam maremotos incríveis!
Re: E ressacas memoráveis!
Tuca, menino, li os três últimos textos postados e a impressão que sempre tive de você ficou mais forte do que nunca: você é nosso Luiz Fernando Veríssimo! Adooooroooo o que você escreve!
Re: aiai, Cláudia. Mais uma vez, eu me sinto muuuito envergonhado com um comentário seu… Obrigado…
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kkkkkkkkkkkkkkkkk… ô dó!
Re: Vida complicada, não?
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Mais um casamento desfeito… tsc, tsc
Muito bom texto!
Re: Pois é, um casal a menos pros buffets.
Pior que tem gente que casou pensando, querendo, sonhando que ia ter um e nunca teve!!!
Re: Exatamente! Bem, nunca teve com o marido. Agora, com o Ricardão de plantão…
bom… se pelo menos tivesse sido um orgamos igual ao do PORCO (que dura nada menos q 30 minutinhos) aih ela se casaria com certeza.. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk… eita mulher ninfomaniaca… kkkkkkkkkkkk
texto muito legal…
rona nogueira
Re: nossa imagine esse tipo de orgasmo no meio daqueles terremotos de 9 pontos na escala Richter.
divertido, Jaca. Bem divertido.
abraço
orgasmo terremoto? eta orgasmo da jaca!
hahahah muito bom muito bom!