SÓ NA CASA DO PEDRINHO
Toca a campainha de madrugada. Só pode ser o Betão, mais uma vez, concluem os dois, enquanto despertam a contragosto. Dessa vez, os toques são insistentes. Aquilo tinha que acabar, decretou ela, mal humorada, esfregando os olhos:
- Pedro, não abre! Não abre! Deixa esse infeliz lá fora. PUTAQUEPARIU!!! MANOCU, VIU?
- Mas amor… Já te expliquei mais de mil vezes, pô. Ele tem um problema que…
- Eu sei, eu sei! Que ele só consegue fazer cocô na sua casa. E que isso vem desde a infância, blábláblá. - enquanto isso, podia-se ouvir da rua o amigo gritando, em tom de chôro, "Pedrinho! Pedrinhooooo!!! Abre logo, véio! Perdi a chave!!!"
- Peraí amor, já volto. A coisa tá feia. Deve ser desarranjo intestinal, coitado.
Segundos depois, entra o Betão no quarto, suando frio, correndo direto pro banheiro da suíte. Só teve tempo de dizer, tremendo, "Opa, belezinha aí, Bianca?". O desespero era tanto que acabou deixando a porta entreaberta.
Aquilo era demais. No banheiro da suíte? Ah não! Ela fez sinal pro marido ir pra sala. Teriam uma conversa definitiva. Não aguentava mais. Tudo tinha um limite:
- Pedro, que palhaçada é essa? No nosso banheiro???
- Então amor, esqueci de te avisar… O banheiro do Betão, digo, das visitas, tá com um problema na descarga que…
- Ele que se vire pra consertar, ora essa!
- Calma, Bia. Calma…
- Como calma? Não é a primeira vez que esse cara acorda a gente de madrugada, pelo mesmo motivo. É muito desaforo, viu? Já perdi a conta das cópias das chaves que fizemos pra ele. Folgado!
- Você sabe que, se eu pudesse, eu agiria diferente.
- Então aja, ora essa! Seja homem uma vez na vida pelo menos! Vai lá e fala pro SEU amigo que essa é a última vez. A última! Se for pra entrar aqui, que seja como um amigo normal!
- Não posso.
- Frouxo!
- Você sabe que eu devo uma nota preta pra ele, amor. Não posso dificultar as coisas. Devo pra esse cara desde a infância… A dívida não pára de crescer. Tudo começou com umas moedas que ele me emprestou pra comprar balas e…
- Tá bom, tá bom. Não precisa me explicar toda a história pela milésima vez. Somos reféns desse… desse… cagão!
- Shhh!!! Fala baixo, que ele já terminou e vem vindo pra cá… E aí, Betão? Mais aliviado?
Ah, agora sim, ele podia falar com mais calma, sorrindo enquanto ajeitava a calça:
- Rapaz, nem me fale… Hoje eu encarei um acarajé mais apimentado que de costume. A coisa tava braba! E… e… putz, peraí… - correu de novo pro banheiro, desesperado.
Nem era preciso ser adivinho para concluir que, diante dos fatos, o Betão teria que passar a noite ali mesmo, como acontecera tantas vezes. Conformados, os dois foram para o sofá, liberando a suíte pro amigo, que resolveu avisar a esposa que não dormiria em casa. Quando já estavam quase pegando no sono novamente, um berro lá do banheiro quebrou o silêncio da casa:
- Pedrinhoooo!!!
- Faaaala Betão!
- Cadê aquela parada que deixa o banheiro mais perfumado, porra???
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Comentários:
Cara… GENIAL!
Parabéns.
[]s
Huahauahuahaua… essa propaganda é o ó do borogodó. Mas imaginar a vida adulta desses dois foi sacada de mestre. Ri pacas!
Huahiaahaaoahoaha… irado!!
Mto show!! Nossa se eu fosse a Bianca eu espancava os dois!! Que mala esse Betão hein!!
Mto bom!! ![]()
adorei,voce é genial.Já o coloquei nos meus favoritos.
Re: Obrigado, Ione.
![]()
Genial Tuca, Genial… to lendo com bastante atraso, mas cara, SENSACIONAL!
Re: Opa, a casa agradece!
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