HONRA AO MÉRITO
Na minha nova fase de passageiro de ônibus e metrô, não consigo deixar de escutar certas conversas ao meu redor. Algumas, chegam tão perto de meu ouvido que dá até vontade de participar do papo, dependendo do assunto desenvolvido ali. Banalidades do dia-a-dia, protagonizadas por pessoas comuns, feito eu. Mas sempre fico quieto, como um espectador que está ao redor apenas para observar, jamais interferir. Nessa discrição, acompanhei parte da conversa entre dois rapazes, dias atrás. Um deles não parava de reclamar do patrão, naquela clássica estória do mérito não reconhecido. Ele confidenciou que não agüentava mais o jeito do patrão, que só tinha olhos pra perceber os erros dele. Agora, parabenizá-lo pelos acertos, que eram muitos? Nem uma palavra, jamais. Se pudesse, largaria o emprego. Se pudesse. Quem sabe um dia. "Quem sabe", ele repetia supirando, enquanto o vagão do metrô chacoalhava.
Nisso, lembrei que já me angustiei muito pelo mesmo motivo, em meu primeiro emprego. Não importava o quanto eu me dedicava, produzindo gotas de suor que quase ninguém via, cumprindo o prometido e um pouco mais, que, ao menor indício de erro, lá vinha a crítica insensível. Com o tempo, fui percebendo o óbvio: quem não sabe se vender, feito uma agência de propaganda ambulante, colocando um baita foco de holofote sobre suas realizações, dança feio. Em um mundo ideal, todos reconheceriam os nossos esforços e relativizariam os erros. Tudo isso sem a necessidade de chamar a atenção. Sincronia de nossas intenções com a mente atenta e compreensiva de quem se beneficou com nossas ações. Maravilha isso, não? Pois é.
Em todos os relacionamentos possíveis, do profissional ao sentimental, estaremos sempre sujeitos a essas crises de mérito, seja na expectativa de recebê-lo, seja na cobrança de alguém. Dar e receber, nunca é o suficiente. Confesse aí, vai. Você, como todo mundo, muitas vezes foi implacável com alguém por causa de um detalhe besta, desses que não comprometem o todo. Sabe aquela poeirinha que a faxineira deixou ali, naquele cantinho que ninguém viu, mas o suficiente pra que você desconsiderasse o resto do ambiente que ficou brilhando? É isso. Sabe aquela palavra mal interpretada que acabou por colocar um fim naquela amizade que até então prometia durar por encarnações? É isso. Detalhes que implodem a aprovação alheia.
Bem, sabendo que o jogo é esse mesmo, tive vontade de falar pro rapaz do metrô que o negócio é seguir em frente, sem essa de depender de medalhas de honra ao mérito ao longo de nossa vida. Se ele era bom mesmo no que fazia, um dia, em algum lugar, reconheceriam isso. Mas não, fiquei quieto, como de hábito. Afinal, melhor mesmo é descobrir tudo isso sozinho, sabendo lidar com essas crises de reconhecimento.
Eu, por exemplo, ainda não sei. E você?
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E que tal:
- Jogar Flash Pops? O esquema é o seguinte: pra cada quadrinho, existe o trecho da música de um determinado filme. Pra pontuar, basta você escrever o nome do filme relacionado. Se gostar, jogue também a segunda versão. Na terceira, o desafio é sobre programas de TV.
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Comentários:
Pois se no seu trabalho, voce tiver o mesmo desempenho que voce tem escrevendo aqui no blog, você está de parabens…
(Se isso massageia o seu ego)
Abraco!
Re: Obrigado, Patrick. Quanto a sua frase entre parênteses, a maior massagem de ego que eu posso receber atualmente é ter os meus serviços pagos em dia, coisa que não vem acontecendo…
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Eu também não sei lidar com essas coisas, sempre acho que mereço reconhecimento pelo que faço, mas só quando é bom… rsrs… se fiz alguma besteira.. deixa passar vai… =P
[]s
Re: Besteiras, dependendo da gravidade, melhor passar pra debaixo do tapete e assobiar como se nada tivesse acontecido. Vixe, nem isso consigo fazer…
Eu fiquei durante mto tempo da minha vida matutando a respeito da conversa alheia no metrô e busão, mas como hoje em dia eu só ando com meu MP4 pra cima e pra baixo, não preciso mais passar por isso! ![]()
Mas sabe, eu penso que é legal ter o reconhecimento alheio, principalmente quando é a respeito do nosso trabalho, do que a gente tem feito. Mas na Caixa aprendi a nunca esperar demais, então, quando eu tenho o reconhecimento dos meus colegas de trabalho e dos meus clientes, já valeu o esforço.
E brigadão, hein, agora viciei nesse joguinho. Preciso dormir, mas não consigo!!!
Re: Ah, no meio do público, eu tenho usado bastante o meu MP3 player. Acontece que às vezes eu gosto de saber o que andam falando por aí. Sabe, como é, tenho um blog pra sustentar, né?
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Tem razão. Estamos sempre na perspectiva de reconhecimento. São diversos problemas, um meio termo nunca parece razoável..
Exemplos não faltam.
E quando tentam minimizar nossos esforços ao invés de elogiar? E quando algum queridinho do chefe aparece mais do que tu fazendo menos?
Acho que é importante nós nunca deixamos de enunciar nossas façanhas. Porque entre as relações perniciosas que temos em um capitalismo terceiromundista, até quem dá o rabo para um jogador de futebol aprende a se vender como "Ronaldinha".
Ou seja, capitalize seus acertos e se puder, seus erros. Até que seu fígado exploda de tanto desgosto.
Abs!
Re: ou então, que acabemos numa clínica psiquiátrica! (putz, vc apagou o seu blog… até imagino os motivos…
)
T§
Tuca, você não tem noção de como esse Flash Pops virou mania aqui em casa. Todo mundo trocando e-mails para ver quem descobria mais… bom, eu me diverti pra caramba! Obrigada pela dica!
Re: De nada!
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