TUDO VIRTUALMENTE BEM


No início, conforme aprendi nos desenhos animados, bastava o homem dar uma paulada na cabeça da mulher e arrastá-la para a caverna. Mas, para a alegria dos direitos humanos, bem como para o bolso dos donos de danceterias, cinemas e restaurantes, surgiu o flerte, uma versão um pouco mais refinada da dança do acasalamento. Mas como nem todos têm a competência ou a oportunidade de fazer essa dança ao vivo, decidiram inventar caminhos para que a libido não ficasse na mão, literalmente.

Tempos atrás, fiquei sabendo que inventaram um sistema de namoro virtual pelo celular. Por alguns dólares, um serviço proporciona uma namorada de mentirinha pro coitado que não arranja ninguém. Dessa forma, o mesmo a leva aos cinemas, barzinhos, dá flores, chocolates, etc. Mas sem gracinhas, pois ela não tolera nada além de beijinhos. Se o relacionamento estiver firme mesmo, pode resultar até em casamento, estando incluso aí as cobranças da sogra, afinal nem tudo pode ser perfeito. Tudo isso pelo celular, entre mensagens de texto e comandos de voz.

Além da carência e inovações digitais, outra coisa que freqüentemente encontramos em alta é o desemprego. Assim, não me surpreenderia se inventassem um serviço de patrão virtual, o Virtual Boss (título em inglês mesmo, mais sofisticado, féxion). Enquanto ninguém responde ao currículo do cidadão, esse poderia ter a sensação de estar empregado, com o celular dele tocando a cada quinze minutos, cheio de cobranças e lembretes para uma determinada atividade inventada. Tudo em prazos impossíveis de serem cumpridos, como na vida real. Dependendo do desempenho, o cara poderia até ser promovido, resultando num aumento de salário, vide o saldo bancário cada vez mais gordo, num banco perfeito que não existe, é óbvio. Mas seria bom não abusar da confiança, uma vez que o Virtual Boss pode demitir também, e da forma mais humilhante: por uma breve mensagem de texto.

Bem, teríamos então a namorada e o emprego virtuais. Ótimo. Mas, depois de um tempo, sabe como é, não seria o caso de pensar em ter filhos? E se… Ok, ok, paro por aqui.

(Texto escrito em 02/03/2005)


Permalink24.08.07, 19:14:23, by Tuca Hernandes Email , Relacionamentos, Comunicação 3 comentários


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Isso, no final das contas, não passa de uma versão mais mudérrna do Tamagochi, lembra?



Parece-me fuga da vida, uma forma de se esconder de tudo que sublime ou infame nos reserva o mundo real.


Re: second life total!


PermalinkPermalink 26.08.07 @ 13:05



Comentário de: el_poland · http://www.estouentediado.com

Acho que estamos vivendo mesmo na era do faz-de-conta. Ontem mesmo eu vi uma matéria com um cara que é marido de aluguel. Faz compras, conserta o cano do banheiro, sai pra jantar. Só não descobri se ele também finge orgasmo.


Re: dias desses, descobri que existe nos EUA uma empresa que aluga cães, de verdade. Ou seja, por algumas horas, a pessoa tem a sensação de ser dono de um. Bizarro, não?


PermalinkPermalink 27.08.07 @ 08:46



Comentário de: Helder · http://www.helderdarocha.com.br/blog/

Vi na Folha, há poucos dias (cotidiano, domingo, 26 de agosto), uma matéria sobre amigos de aluguel. Você paga de 50 a 300 reais por hora para ter alguem que vai lhe dar ouvidos e ser seu amigo (só isto, nada mais). Os profissionais da area estao cheios de clientes.


Re: Uau, bizarro. Carência é um mercado que estará sempre em alta. Pra quem se interessar, a matéria é essa aqui.


PermalinkPermalink 12.09.07 @ 12:35



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