PRA LER NO BANHEIRO

Vou confessar algo aqui pra vocês, uma coisa meio óbvia até. Pretendo, sabe-se lá quando, publicar um livro. O conteúdo virá dos textos daqui mesmo, novidade zero. "Mas, e daí?", vocês podem estar se perguntando. Ok, eu sei que um livro não torna ninguém um escritor. Mas, acreditem, o meu único interesse nisso tudo é a vontade de passar a ser lido no banheiro também. Isso mesmo. Sinceramente, eu acho meio sem graça essa coisa de publicar textos apenas na internet. Limitante demais. Pra mim, o gostoso mesmo é poder ler alguma coisa no sagrado momento do trono. Difícil encontrar alguém que não compartilhe dessa preferência. Sendo assim, se algum dia eu puder disponibilizar meus textos no papel, passarei a fazer parte dessa nobre estirpe: dos que são levados pro banheiro, literariamente falando, é claro.

Eu até já imagino a estratégia de divulgação do meu livro, que vai se chamar - oh, não me diga! - "Fiapo de Jaca". Funcionaria do seguinte modo: você compra meia dúzia de papéis higiênicos e ganha, como brinde, inteiramente grátis, sem custo adicional algum, na faixa, um exemplar do "Fiapo de Jaca". Legal, não? Ou seja, seria uma maneira de dizer que lê-lo no banheiro seria mais apropriado. Eu, como autor, não ficaria nem um pouco ofendido em saber que meu livro repousaria mais na pia ao lado da privada do que em uma estante na sala, ao lado de figuras intimidadoras como Machado de Assis, James Joyce, Dostoiévski, Fernando Pessoa e outros tantos. Se um exemplar meu ficar bem detonadinho depois de dias, é sinal de que cumpriu o seu propósito: de tornar mais prazerosas aquelas estadias na privada. Alívio patrocinado por mim. Uma honra.

É capaz de alguém alegar que eu poderia ser lido através de um notebook também. Mas, convenhamos, quem teria paciência pra isso? De, depois de dar a descarga, tirar aquele computadorzinho do banheiro antes de entrar no banho? Muito trabalhoso e desconfortável, admitam, vai. A não ser que o doido não se importe com a umidade extrema do vapor do banho ao redor do notebook. Nesse sentido, um livro é imbatível. Alguns mais maldosos e engraçadinhos diriam que, na falta de papel higiênico, o meu livro estaria ali, disponível pra emergências feito essa. Afinal, justificariam, pelo menos uma utilidade realmente relevante pra minha obra, ora essa. "Obrar", aliás, é um termo usado por alguns pra designar o número dois - ou cagada mesmo, se você for desses que não desmaiam frente a termos chulos.

Então é isso, a minha ambição máxima pra essa vida: uma obra pro obrar.

****************

E que tal:


Permalink14.08.07, 01:05:53, by Tuca Hernandes Email , Meu Umbigo, Literatura 4 comentários



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Comentários:


Comentário de: Ana C.

Tenha certeza, que seu livro fará das minhas idas ao banheiro uma experiência bem mais agradável!!
Pode escrever!!
Abs.

Re: ôpa, já tô imprimindo aqui o boleto, mesmo antes de publicar o dito cujo.


PermalinkPermalink 14.08.07 @ 13:38



Comentário de: Srta. Bia · http://groselha.wordpress.com

Tenho a impressão de que isso é fácil, basta fazer seu livro no tamanho e com mais ou menos o mesmo formato de uma revista em quadrinhos.


Tenho a impressão de que as vendas de revistinhas da turma da mônica são sustentadas por mim e alguns amigos que periodicamente compram alguns exemplares simplesmente para deixar no banheiro.


O livro do Branco, pela simplicidade é ótimo para carregar para o banheiro e não tem problema se um creme de cabelo ou umidade do banheiro mancharem a capa. Taí, edite seu livro com o Branco ;-).



Re: Sei não, desconfio que o meu esquema será mais independente ainda que o do Branco. Algo no estilo "uma idéia na cabeça e uma impressora na mão".


PermalinkPermalink 14.08.07 @ 15:49



Comentário de: Kandy · http://ideiasnajanela.blogspot.com

Talento para publicar um livro e textos ótimos para recheá-lo você tem. Se esse é seu propósito, independentemente de ser lido no banheiro ou não, não desista. Reúna seus textos, registre-os na Biblioteca Nacional e envie seus originais para editoras que tenham o perfil para publicar o tipo de texto que você escreve. Você começou bem tratando seu futuro livro como produto. É assim que os autores precisam ver sua criação. O erro da maioria é ficar de queixo caído admirando a própria obra-prima (que às vezes é merecedora de tal ato) em vez de enxergá-la como produto. Eu, por estar no ramo editorial, sou um pouco desiludida com essa coisa de publicar meus próprios textos. Mas encorajo quem queira, porque sei que é possível. ;-) Eu reviso para você, na faixa, se quiser. Afinal, você é o Jedi Tuca do Idéias…



Re: obrigado pela confiança, Kandy. No momento, não cogito em enviar meus textos pra alguma editora, seja lá de que a porte a mesma for. Não gosto dessa coisa de esperar aprovação alheia, estando no meio de uma pancada de autores a serem avaliados. De início, eu gostaria de vender meu livro sabendo das pessoas que vão lê-lo. Nem que sejam umas dez…


PermalinkPermalink 14.08.07 @ 18:20



Comentário de: Claudia Lyra · http://loucaporblog.blogspot.com

Amo ler no banheiro… e levo tudo quando é espécie de livro para privar da privacidade da minha privada. Isso me foi muito útil durante a faculdade, hehehehe…



Re: "para privar da privacidade da minha privada".. Nossa, que lirismo!


PermalinkPermalink 16.08.07 @ 17:56



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