EXECUTIVO APANHA DE UNIVERSITÁRIOS AO SER CONFUNDIDO COM DEPUTADO
O executivo Alcebíades Franquezi, 53, foi agredido na noite de ontem por quatro jovens universitários na Avenida Paulista. Os estudantes, todos do terceiro ano do curso de sociologia da USPE (Universidade Somente Pra Estudantes), abordaram o executivo na saída do prédio do banco Credor's Bank, onde o mesmo possui o cargo de vice-presidente. Segundo relatos de testemunhas, os quatro jovens, sem maiores explicações, começaram a dar petelecos na cabeça de Alcebíades, que tentava, em vão, se defender com a sua pasta 007. Um taxista que passava pelo local viu a cena e chamou a polícia, que prendeu em flagrante os universitários.
Um dos jovens, César Marx, 23, tentou justificar a agressão alegando que tinha confundido o executivo com um deputado. "Ele tinha todo aquela jeitão de político, sabe? O ar arrogante, o gel no cabelo, aquele terno caro, o rolex no pulso. A pasta, que devia estar cheia de dólares ganhos em alguma negociata naquele banco. Essas coisas.", explicou César. O executivo, que não teve nada roubado, continuava bem assustado logo após o exame de corpo de delito, que não constatou danos físicos causado pelos petelecos na cabeça: "Eles ficavam ali, dizendo, a cada tapinha na minha cabeça, coisas como 'Essa vai pro escândalo do mensalão', 'Essa vai pros superfaturamentos de obras', 'Essa vai pro estado da nossa educação, da saúde, das estradas…'. De repente, eu virei o culpado de todos os males de nosso país. Foi horrível. Horrível.", disse Alcebíades, minutos antes de embarcar pra uma estadia de duas semanas em Paris, pra se recuperar do estresse sofrido.
O delegado responsável pelo flagrante, Geraldo Fontes, revelou que tal prática vem se tornando comum na região da Avenida Paulista, local de grande concentração de executivos e políticos. Segundo ele, a aparência em comum das duas classes leva as pessoas a fazerem confusões como a ocorrida na noite anterior. "Desse modo, alguns universitários, sobretudo aqueles dos cursos de humanas, apressados em representar a sociedade, acabam se precipitando ao darem petelecos na cabeça da pessoa errada.", explica Fontes. Os quatro jovens serão indiciados por tentativa de lesão corporal e constrangimento público.
Reação
Consternados com o caso, alguns membros do Senado e da Câmara Federal marcaram pra tarde de hoje uma sessão de repúdio a agressão do executivo. Segundo o deputado federal Érico Ruppito (PQP-RO), "tal violência não pode ficar impune, temos que fazer algo. Não podemos andar por aí como se fossemos saco de pancadas desses jovens irresponsáveis. Estamos cansados de sofrer tanto preconceito dessa sociedade mais intelectualizada. Agora, agridem um pobre executivo imaginando que o mesmo seja um de nós. Chega!" Outro deputado, Saulo Dezporcento (PVTNC-PA), já adiantou que, diante dessa onda de agressões, está preparando, em caráter de urgência, um projeto de lei que visará aumentar segurança dos parlamentares: "Trata-se do CEPP, Contribuição Eterna de Proteção ao Parlamentar, que incidirá sobre as transações bancárias, da mesma forma que a CPMF. O dinheiro arrecadado com isso irá diretamente pra investimentos na segurança de nossos nobres colegas.", relata Dezporcento.
Até o momento, nenhum grupo de defesa dos direitos humanos demonstrou interesse pelo caso.
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Ps: Post escrito sob o incentivo moral do Hedonismo's Corporation.
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E que tal:
- Ler "A inveja é uma coisa feia", texto da Alessandra Souza, do "Isto Não É um Blog"?
- Ouvir 1963, música da musa "Rachael Yamagata"?
- Ver um cafona Hugh Grant posando de ídolo dos anos 80 no videoclipe de "Pop! Goes My Heart", da fictícia banda "Pop", que só existiu no simpático filme "Letra e Música"?
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Apresentando o Alcebíades
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Comentários:
Quanta maldade para com os políticos, tadinhos…
O negócio é não sair mais na rua: se sair bem vestido, te confundem com um bacana sonegador de impostos, ou político, coisa bem pior… ![]()
Se sai mal vestido, te confundem com puta, com mendigo, com sem teto, com índio… enfim…
Ficar em casa ainda parece a melhor opção!
Re: o negócio é despistar o povo nervosinho, ao usar adereços que não te deixem em tribo alguma. Eu, por exemplo, estou considerando seriamente a possibilidade de sair por aí com uma cueca na cabeça.
Genial! Absolutamente genial! Adorei os nomes hahaha
Re: Pois é Doni, a frase "Cara, isso tem que virar um post", às vezes, faz efeito.
É… faz todo o sentido nos dias atuais. Inclusive o comentário 1
Re: felizes são os índios das antigas, que podiam andar pelados por aí, sem ninguém pra encher o saco.
Adooooro esse clipe de "pop, goes my heart".
E mais que petelecos, eu daria "pedalas, robinho".
Re: essa música, junto com o clipe, é tão pop, que ficou grudada durante dias na minha mente. Ficou não, ainda está!
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a CEPP vai garantir o vale-helicoptero, ou melhor, garantir auxílio-helicoptero, porque quem faz vale é pobre!!!
Re: sim, é preciso ter cuidado pra não ofender a nossa corte real, que não pode sair por aí sobrevivendo a custa de "vales". Tem razão, "auxílio" é mais apropriado…
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Hahahaha! Ri muito aqui, Tuca. E eu acharia o máximo se os playboyzinhos do Rio e de Brasília, ao invés de baterem em domésticas (ou prostitutas, que sejam) e queimarem índios, começassem a dar surras nos políticos corruptos…
Mas é tão mais fácil bater em mulher e em quem tá dormindo sob uma marquise, né? ![]()
Parabéns pelo texto e pelo humor que me cativa sempre. ![]()
Re: O que me deixa mais triste é que por aqui, as atitudes enérgicas vão sempre pro lado do mal. Nunca pra fazer o bem. É um desperdício imenso de potencial e energia. Tanto malandro engravatado por aí, e a playboyzada marrenta vai logo querer bater em mulheres indefesas. Patético. Se há a necessidade de dar porrada, fazer o quê, que seja logo em quem realmente merece, pô!Ah, obrigado pelas considerações mais do que elogiosas, linda.
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Eu estava pensando sobre política recentemente, sobre a possibilidade de que o país contratasse um serviço de limpeza para dedetizar o congresso de forma mais eficiente. A idéia de um serviço estrangeiro teria como objetivo reduzir o risco de mamata. Calculo que restariam 20% dos parlamentares, aproximadamente, e dentre esses poderia-se formar uma comissão para estudar a questão, escrever o edital, publicar a licitação. Obviamente a eficiência da operação depende, dentre outros fatores, do método utilizado. Se ganhar a licitação a Chuck Norris Organizations Inc. a limpeza será completa, porém há risco de efeito colateral (tipo, o gato que mia na hora errada e no lugar errado está morto), então algum dos 20% pode não escapar. Uma outra opção é recorrer aos orientais. Esta semana executaram na China um ministro da saúde que recebeu de presente umas garrafas de vinho de uns laboratórios farmacêuticos. Por lá, se eu não me engano, as Organizações Tarantino, Pai Mei & Cia. operam um serviço eficientíssimo. E os orientais são mais Zen: vão sujar o lugar todo de sangue, mas o gatinho escapa. É só soltar a Noiva no Congresso que tudo se resolve.
Re: Tá faltando um Tarantino pra roteirizar as sessões nos plenários lá de Brasília.
Muito engraçado mesmo! Amei quando você escreve que os estudantes de humanas se apressam em representar a sociedade, heehehehe…
Re: O pior é que é a pura verdade isso.
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Hahahahahahahahahah, meu deus, não é que ele escreveu mesmo!
Re: Viu só? Mais uma pra série "Afinal, como nascem os posts?".
Não tá fácil pra ninguém.
Não sei de que lado fico, dos gentis estudantes, dos queridos executivos ou dos afáveis polítícos…
Ainda estou na dúvida…
T§
Re: antes, poderia-se dizer que o melhor lado seria o do aeroporto, embarque internacional, passagem de ida. Mas, atualmente, nem isso podemos evocar mais…
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