AS PRIMEIRAS VEZES DOS HOMENS

Momento nostalgia, patrocinado pela Jontex. Na minha época - sim, já sou desses que, diante de certas mudanças, já posso começar uma frase assim - existiam alguns personagens que tinham participação freqüente na iniciação sexual dos meninos mais crescidos, já na adolescência. Pincei da memória alguns desses:

- A Prima De Um Amigo Da Rua: normalmente alguns anos mais velha que a molecada, essa aí gostava de dar. E muito. Os garotos da rua ficavam em polvorosa quando vinham a saber que ela viria numa determinada tarde, só pra aquilo. No entanto, nem todos tinham acesso a ela. Só os mais chegados do primo, no que devia dar, no máximo, nuns cinco felizardos. Bem, nem tão felizardos assim, uma vez que essa era normalmente feia de assustar, tanto de rosto quanto de corpo. A musa do colégio mesmo, jamais. Mas não importa, iriam transar, nem que fosse nos quinze segundos mágicos interrompidos pela ejaculação precoce. Ponto pra virilidade recém descoberta. Acabada a sessão, vinha o próximo da fila, igualmente ansioso. Alguns mais animadinhos voltavam pro fim da fila, na frente da porta do quarto dos pais do primo que, no momento, estavam fora de casa, é claro. Nunca fui convidado pra essas sessões. Nunca cheguei perto da Prima Do Amigo Da Rua. Bem, talvez ele não fosse tão amigo meu assim. Tudo bem, elas eram sempre feias de doer mesmo.

- A bezerra Zezé ou a cabra Lilica: zoofilia, isso pode ser mais comum do que você imagina, sobretudo na infância da roça. Certa vez, na hora do almoço, eu presenciei uma conversa entre a peãozada de uma fazenda. Entre uma garfada e outra na marmita, eles começaram a relembrar de suas primeiras namoradinhas, lá no sítio ou bairro do interior onde moravam. Pra minha surpresa, quase todos ali tinham se iniciado com um animal, que, invariavelemente, era uma bezerra ou uma cabra. Como nenhuma menina dava bola pra eles, aliada a uma certa timidez, o jeito era dar vazão aos hormônios junto a bicharada mesmo, que não se incomodava muito com o assédio. O mais curioso é que tudo isso ia sendo recordado com a maior naturalidade possível, vez ou outra com um brilho nos olhos, como se realmente tivessem falando de algum antigo amor do colégio. Da roda de conversa, rapaz da cidade grande, eu era o único que havia cometido a bizarrice de se iniciar com uma mulher mesmo. Preferi ficar calado.

- A Prima, mesmo: certos primos e primas crescem numa intimidade fofinha, sempre juntos, sob o olhar carinhoso dos pais, que, de alguma forma, sentem que ali está a continuação da família. No entanto, lá perto da adolescência, o contato constante passa a sugerir outras brincadeiras, num choque de hormônios que deixa as bonecas e os carrinhos em segundo plano. Em grande parte dos casos, não passa de uma fase, nada além da primeira base, com cada qual preferindo investir em certas intimidades com alguém fora do círculo familiar mesmo. Em outros, passam da primeira base, percorrendo todo o percurso, que, muitas vezes, vai resultar, depois de anos, numa séria conversa com o resto da família, mais do que desconfiada com aquelas escapadas nos natais, aniversários, etc…

- Shéron, a prostituta: pra um adolescente que tem ereções instantâneas diante certas capas de revista, a possibilidade de, mediante alguns trocados, conferir de perto a pele e tudo mais de uma mulher é mais do que tentadora. Ideal pros mais ansiosos, principalmente pra aqueles que recebem uma boa mesada. Economizam no lanche do colégio pra, no fim do mês, passarem uns bons minutos naquela casinha lá da esquina. Moro numa região que possui várias dessas casas, discretas. Na hora do almoço, é um entra e sai frenético de moleques com roupa do colégio, adolescentes na faixa dos quinze a dezoito anos. É bem capaz que muitos desses tenham as suas namoradinhas, que transem até com elas. Mas as coitadinhas provavelmente não fazem como a Shéron. E, pra muitos, se fizerem, é fim do namoro, no ato. Que negócio é esse?

- A namoradinha: no início, ela nega uma intimidade maior. O passeio das mãos sobre aquela pele tem limites, no que ela deixa bem claro naquele olhar de leve censura, enquanto os dedos do rapaz são afastados pra uma região menos sensível, como o cotovelo. Mas, conforme o tempo vai passando, ela começa a considerar, inconscientemente, a queda dos vários muros sobre ela, afinal aquele é um cara legal. E de confiança, principalmente. E assim, num belo dia, tudo é conquistado, num intercâmbio que vicia os dois lados. É a melhor das iniciações, pois possibilita um compartilhamento contínuo e crescente da intimidade, sem a pressa bruta da Prima Do Amigo Da Rua, da bizarrice da bezerra Zezé e da cabra Lilica, do tesão dissimulado da prostituta Shéron, dos encontros afobados com a prima, mesmo. Feliz daquele que teve, lá no início, a namoradinha. Fui um desses.

****************

E que tal:


Permalink04.07.07, 11:22:39, by Tuca Hernandes Email , Sexo, Memórias 6 comentários



Posts similares:
Resumo 2007 - Que tal (ver)?
O PASSADO NÃO ME CONDENA
As bruxas estão soltas e passando uma temporada aqui...

(Os comentários abaixo exprimem a opinião dos visitantes, o autor do blog não se responsabiliza por quaisquer consequências e/ou danos que eles venham a provocar.)

Atalho pra o formulário

Comentários:


Comentário de: ana p. · http://www.coletivodeideias.blogspot.com

Me senti extremamente feliz ao terminar de ler este texto: eu fui uma namoradinha.


[podia estar sendo até hoje, mas a vida... pois é...]


Re: Bom, né? <img src="/blogs/rsc/smilies/icon_biggrin.gif" alt=":D" />


PermalinkPermalink 04.07.07 @ 21:35



Comentário de: rafael fermiano · http://umcaraquenaopresta.blogspot.com

as vezes é mais complexo, as vezes mais simples…
a minha é mais complexa!!!heeheh

Re: Complexa? Ih, tô vendo que a sua primeira vez foi com… o bolo de fubá da vovó, que tava morninho ainda…


PermalinkPermalink 06.07.07 @ 17:44



Comentário de: carla granja · http://paixoeseencanto.blogs.sapo.pt

olá. Achei interessante o tema k estive a lêr. Os anos passam e passam e algun«mas coisas continuam sempre iguais. os rapazes irão sempre á procura da primeira vez com alguém mais velho,ou até mesmo com a amiga do primo por mais horrivel k ela seja né. mas essa primeira vez têm de acontecer e pq nao mesmo com a prima ,ou numa casa menos impropria? A minha primeira vez nao foi com primo, nem amigo do amigo.etc…foi mesmo com o namorado.he,he,he…
eu tmb tenho um blog com poemas feitos por mim e com algumas fotos minhas tmb. espero k passes por lá e k deixes uma critica,algo de bom nao importa.deixa o k kiseres. eu tmb nao sou poetisa,nem escritora é normal k não gostes. bjos
Carla Granja.

Re: tá deixado o recado, Carla.


PermalinkPermalink 07.07.07 @ 13:02



Comentário de: carla granja · http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt
bjos.
Carla Granja.

Re: Opa, agora sim!


PermalinkPermalink 07.07.07 @ 13:05



Comentário de: Claudia Lyra · http://loucaporblog.blogspot.com

Nós, mocinhas, ficamos reduzidas a poucas alternativas para nossas primeiras vezes. Afinal, nada de casa de tolerância ou cabritos para nós, hahaahahahahaha…



Re: as mocinhas, na maioria das vezes, preferem algo mais tradicional, como o namoradinho mesmo. Já imaginou uma mulher confessando, anos depois, que teve a primeira vez com o cabrito do terreno baldio ao lado? Haja desejo!



PermalinkPermalink 09.07.07 @ 16:09



Comentário de: Srta. Bia · http://groselha.wordpress.com


rs… a Claudia lembrou bem o drama das mocinhas, que muitas vezes se entregaram a algum garanhão cafajeste que sumiu depois. Mas várias tiveram um namoradinho também.


E essa coisa de zoofilia é mesmo mais comum do que muita gente imagina, fora a maneira como alguns meninos dão vazão aos seus hormônios. Uma vez, de férias na casa de vovó no nordeste, fiquei sabendo que na rua tinha um menino que o apelido era "Tijolinho", e sim, ele tinha esse apelido porque foi pego com um material de construção nas mãos. Terrível.



Re: Nossa, "Tijolinho"??? Hahahahaha


PermalinkPermalink 10.07.07 @ 09:21



Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Post anterior: PRA ONDE FOI O MEU DINHEIRO?Próximo post: EXECUTIVO APANHA DE UNIVERSITÁRIOS AO SER CONFUNDIDO COM DEPUTADO


Warning: readfile(http://www.interney.net/vitrine.php?siteref=%2Fblogs%2Ffiapodejaca%2F2007%2F07%2F04%2Fas_primeiras_vezes_dos_homens%2F&edy_nome=primeiras+vezes+homens): failed to open stream: HTTP request failed! HTTP/1.0 403 Forbidden in /opt/storage/blogs/end.php on line 32